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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Novo blog!

Senhores,
é com grande satisfação que anuncio um novo espaço aberto para a continuidade deste projeto de blog. 
    O título é uma exploração cliché sobre a vida depois do armário. Lá, o conjunto de textos devem contrastar com os textos daqui, que foram marcados por insegurança, ingenuidade e, algumas vezes, desespero. Quis fazer a separação dos blogs, assim como estágios de vida, para poder preservar o que aconteceu aqui, mas ao mesmo tempo divergir do tema e do personagem, uma vez que já não estou mais no armário.
    Espero contar com a contribuição das suas ideias que foram tão valiosas para este espaço!
Um grande abraço, e vejo vocês no soltoembh.com!

sábado, 14 de novembro de 2015

Reavaliação

    
    
    No mês que vem (agosto 2014) fazem 6 anos que me mudei para BH para trilhar um caminho que eu esperava ser um sucesso. Sendo bem dramático, BH representava para mim uma oportunidade de um novo começo, uma luz no fim do túnel, um lugar para onde eu fugiria de um amor platônico pelo meu melhor amigo e também das dores causadas por ser um gay adolescente que não aceitava seus sentimentos.
    De alguma forma, o começo foi um tanto repetido. Eu havia acabado de sair de uma turma de ensino técnico composta de semi-peões que trabalhariam numa indústria de ferro do interior, e fui para uma sala de engenharia. Ou seja, o ambiente era quase o mesmo em níveis de machismo e repressão.
    Mantive uma vida dupla praticamente o tempo todo da minha graduação, mas sempre com o objetivo de um dia quebrar esse ciclo que me prendia. Na vida pessoal e no campus eu usava minha máscara de assexuado, ou de hétero tímido, enquanto na rua e na internet a minha faceta mais ativa e profana tomava forma nos recintos mais variados e distantes: escriótorios depois do expediente, carros com vidros fumê escuríssimos, casas de homens casados, apartamentos vazios para alugar, e a lista continua. 
    Nessa altura, compartilhar meus hábitos sexuais para quem pressupõe que eu sou hétero por tanto tempo se torna uma coisa quase impossível de se fazer. É muita inércia, é muito dispendioso emocionalmente, são muitos riscos, então eu só evito a ideia de ter que chegar pra um amigo e dizer, "pois é cara, sou gay mesmo".
    Ao mesmo tempo que confessei ser gay para o meu ex melhor amigo e amor platônico, outros dois amigos héteros surgiram e o ciclo se repete. Felizmente eles não são novas paixões platônicas, mas é um porre de lidar quando surge uma amizade mais profunda com um cara mais bonitinho. Dá pra parar e pensar "porra, eu podeia namorá-lo. Ele é bonito e nos damos super bem", ainda mais na carência romântica que ando ultimamente. 
    Colegas, tudo bem, são mais distantes emocionalmente, mas amigo de verdade, daqueles que chegam na sua casa para pedir pizza e conversar bem no meio da semana, sem avisar, impactam a gente. Ou quando chegam na sua casa antes da balada (hétero) e já vai tirando a camisa pra não suar a blusa antes de sairmos, deixando à mostra aquele peitoral trabalhado lindo.
    O problema de querer preservar isso como está é que eu me desgasto. Nessas baladas de hétero, eu tenho que me entupir de cachaça pra ter que lidar com o porre que é ficar disfarçando o interesse por mulheres, e as vezes ter que pegar uma ou outra pra disfarçar.
    Por anos eu tento me convencer de que essa necessidade de mentir compulsoriamente pelo medo de rejeição vai passar, mas as coisas não funcionam bem assim e demandam uma atitude mais incisiva para que exista uma mudança de fato.
    Que mudança?
    Ser gay abertamente. Ter menos apreço pelas conseqüências. 
Do tipo, se alguém perguntar "você tem namorada?", eu prontamente dizer "não, eu sou gay".
     A vida dupla não me acrescentou nada em todos esses anos, apenas dor de cabeça, ansiedade e sofrimento. É uma perda de tempo e de esforço e, nesta altura da minha vida, perder tempo é um luxo ao qual eu não posso me dar.
Na tentativa de superar minha incapacidade de lidar com esses e outros problemas, tendo a fugir. Não criei as raízes que eu gostaria em BH, e talvez isso venha em meu favor na hora de arrancar as poucas e superficiais raízes que tenho, e tentar recomeçar longe.

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O texto acima foi escrito há pouco mais de um ano, mas nunca publicado. Foi interessante para mim contrastar a minha posição quando o escrevi com a que estou hoje. Em breve compartilharei as coisas que aconteceram deste então, marcando meu retorno ao blog. 
Percebam vocês que as imagens que me eram tão queridas sumiram, pois estou reformando o blog por motivos que ficarão claros. Ainda tenho que arrumar detalhes, como se mantenho o título e endereço, uma vez que a palavra 'armário' já não se aplica a mim, entre outras coisas que celebram a transição de autor anônimo N.B. para o rapaz com nome e rosto de Henrique.
Aguardem =)
Um grande abraço,
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