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sexta-feira, 30 de maio de 2014

O homem homem¹ está morto

   Em aberto: a imagem abaixo mostra um casal heterossexual ou não? 

    Acho que essa imagem resume muito bem meus motivos para eu não buscar um relacionamento heterossexual(2). Este vem com papeis muito bem definidos e muito rígidos sobre ser homem e mulher. No meu caso, eu não suporto ser esse homem tradicional que falam que não chora, que não demonstra emoções, que não faz as tarefas em casa que são consideradas femininas, ou que as tarefas consideradas masculinas devem ser feitas por ele. Discordo do meu tio quando ele diz que meu priminho de 8 anos é mais homem que ele por entrar na piscina neste frio, pois bravura não é uma virtude exclusiva do homem.
    Me incomoda ter meu papel na vida e as coisas que me são permitidas fazer ditados por alguém, porque eu sou homem a minha maneira e nada muda isso. Sinto que um relacionamento gay te dá mais liberdade nesses aspectos, tanto dentro quanto fora do quarto. Por exemplo, será que existe alguma mulher que se interessa em lamber o butico do marido, sem o julgar? Ou ainda, será que existe algum homem num relacionamento com uma mulher que não sentiria sua masculinidade ameaçada caso ela trouxesse consolos para a cama? (3)
    Felizmente, as barreiras do papel de homem e de mulher estão ruindo em duas frentes principais: a primeira é a libertação sexual da mulher que vem reclamando seu próprio corpo da propriedade masculina em seus movimentos feministas, e a segunda com os movimentos LGBT que também libertam o homem da opressão de ter a heterossexualidade presumida e compulsória. Algum dia, casais como o ilustrado na foto não serão incomuns e nem chocarão. Só tenho dúvidas se presenciaremos isso, em vida ou juventude. 
    Acho que é isso que me faz gay, hoje, e me mantem motivado a continuar gay. Enquanto a plena liberdade sexual não chegar, eu prefiro ser gay do que me submeter à definição restrita e sufocante do que significa ser homem. 

Notas:
1 - Homem homem é uma campanha publicitária bastante apelativa de um desodorante que divulga a imagem de uma "espécie em extinção", bruta e musculosa, e que tem a missão de "trazer de volta o orgulho de ser e cheirar como homem", como se existisse cheiro de homem. Vídeo aqui.
2 - Não quero necessariamente ser fodido por uma mulher com um strap-on.
3 - Mulheres são mais vítimas desses papeis do que homens.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Extremos

      Uma coisa engraçada é se deparar com extremos.
    Um dia observei (o óbvio) que alguns homossexuais passam por um período de desembestamento sexual, fazendo sexo sem muito critério com o maior número de pessoas e com a maior frequência possíveis, como se isso fosse uma forma de tirar o atraso do que não fizeram durante seus anos mais jovens. Existem também, claro, os moderados, que preferem um relacionamento romântico, estável e duradouro. Por fim, os extremistas do outro lado que não se relacionam e permanecem virgens até seus 30, 40 anos e por aí vai...
    Esse último grupo pode ser dividido entre os que o fazem assim por escolha, e os que são vítimas das circunstâncias. Mas que circunstâncias?
Meu exemplo: quando eu era adolescente, houve uma época entre a 6a da 8a série (13 a 15 anos) que beijar na boca era uma febre entre as 'crianças' da escola. Ser BV naquele contexto sentia-se tão desmoralizante quanto ser gay hoje. Havia uma garota na minha sala que era mais próxima de mim que as outras, e os meninos da sala nos empurravam para que "ficássemos". Por coincidência morávamos perto, então era frequente que caminhássemos juntos depois da aula. Num dia, enquanto nos abraçávamos para a despedida, aconteceu meu primeiro beijo, que foi um tanto estranho e foi tópico dos meus pensamentos dos minutos antes de dormir, embora tenha sido apenas um selinho. Para afastar o rótulo de BV de mim, espalhei que fiquei com a menina, pois tecnicamente eu havia sim a beijado.
    Isso sustentou minha integridade por um tempo, mas como eu nunca havia realmente beijado, eu passei a me sentir inseguro demais para fazer qualquer movimento que culminasse em uma menina querer ficar comigo, e logo perceber que eu não sabia beijar ou que eu beijava mal. Essa insegurança me prendeu, passei a evitar festas com os amigos, ou qualquer outra reunião social que pudesse ameaçar o meu conforto de mentiras. Mesmo depois de ter tido relações sexuais com homens, eu só fui beijar mesmo aos 21 anos de idade.
    Hoje ainda eu tenho mais facilidade de fazer sexo do que beijar um cara. Há vezes, e frequentes vezes, em que faço sexo sem beijos, pois sinto que preciso de uma conexão a mais para isso. Acho a boca mais íntima que meu pau, ou o de alguém, então quando eu me encontro com alguém novo dos apps de pegação, me reservo o direito de não beijar.
    Esse é (um dos) meu(s) trauma(s) de infância.
    Imagino que deva acontecer uma trava desse tipo com alguém que permanece virgem até seus muitos anos, como se fosse uma bola de neve. A insegurança de não ter tido relações nos anos mais jovens pode fazer a pessoa passar a evitar se colocar nessas situações que podem expô-la à vergonha de alguém descobrir a sua falta de experiência. A pessoa acaba criando em sua cabeça que sexo é complicado demais para ela nesse ponto da vida, assim como eu pensava que beijos seriam para mim.
    Talvez isso seja mais frequente entre gays, pois um homossexual médio pode sofrer algum atraso da sua 1a relação sexual. Esse atraso se deve a problemas como enfrentar períodos de descobrimento, aceitação e finalmente da procura de um parceiro ajustado. 
    Mesmo que isso não nos acrescente muito, não deixa de ser interessante saber, mas precisaríamos de uma pesquisa para dizer se o homem que permanece virgem até muitos anos é mais provável de ser homossexual, ou não. Tento pensar nos meus amigos e amigas héteros, e não acho que eu tenho algum que ainda seja virgem. Se eu tiver algum, será por escolha de construir um relacionamento estável antes, e não pelas circunstâncias, e isso aplicado mais comumente às mulheres.
    É só uma constatação, porém. Não digo que o fato de ficar virgem até muitos anos é algo que deveria ser corrigido, mas se for algum caso de superestimação do sexo, um trabalho de desmistificação do sexo pode ser feito.
    Para ter uma noção de como isso funciona nos nossos meios, convido vocês a deixarem depoimentos falando de vocês são ou têm amigos, hétero ou gays, que sejam virgens, e tentar explicar o porquê deles serem. Vale lembrar que isso não é necessariamente uma coisa ruim, mas é uma experiência a que todos deveriam ter direito de desfrutar.
Um grande abç.
N.B.
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