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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Espaços, gêneros e eufemismos

    A vida em uma república tem suas vantagens em relação a morar com a família. A parte que mais gosto é a premissa do espaço inviolável: uma porta nunca é aberta sem a explícita permissão do dono do quarto, e isso não causa estranheza, enquanto na casa dos meus pais eu nunca tive o costume de fechar a porta do meu quarto, e esse simples ato agora causa estranheza para eles. Imagino que meus pais devam sentir isto como um ato de isolamento, mas é apenas a minha necessidade de ter e usar um espaço onde posso me concentrar em coisas minhas sem ter a preocupação de ser interrompido quando alguém se sente no direito de entrar no quarto sem bater. Preciso de um lugar onde eu sou a autoridade. Nessa brincadeira, minha irmã já me pegou trocando de roupas, o que me deixa extremamente desconfortável quando se trata de família, apesar da insistência de minha mãe de que é bobeira. 
Em um dos momentos em que me senti sufocado, despejei meu discurso pré-preparado sobre o direito a ter meu espaço inviolável, e que eles deveriam esperar minha permissão para entrar no quarto, mesmo depois de bater. Percebi que essa ideia de privacidade e respeito de espaços era inexistente na minha família, e que o meu discurso fez parecer que faço algo de errado dentro do quarto. Pela sensibilidade ao assunto que minha mãe demonstrou, acho que ela considerou que uso drogas, ou que vejo pornografia, ou que me masturbo o tempo todo. Mas eu divago.
    Em BH, eu moro numa república com mais três amigos: dois dos quais conheci em BH mesmo, e um que já conheço desde meus tempos de ensino médio, há 9 anos. Este amigo mais antigo, em especial, é um dos mais próximos que cultivo por tanto tempo, tanto pelas circunstâncias, quanto pela qualidade da amizade. Sempre tive uma desconfiança de que ele também é gay, por uma série de motivos. Uma desconfiança que eu seria capaz de apostar todo o meu dinheiro em afirmar que sim: ele é. 
    Muito recentemente, ele me ligou dizendo que precisava conversar, e que pelo teor da conversa, seria preferível que fosse em pessoa. Durante nossa conversa, ele discorreu sobre algo que o causava um sofrimento profundo, o tirava a concentração e eu seria a segunda pessoa a saber. 
    Analisando este discurso, logo comecei a deduzir o que parecia óbvio, mas deixei-o falar me fazendo de desconhecedor dos fatos.
Ele_ Então, NB... você quer adivinhar do que se trata?
Eu_ Prefiro não...
Ele_Ah, tenta! É engraçado ver as respostas! (imagino que ele fez a outra pessoa adivinhar também)
Eu_ Ah, não sei... Você tá triste porque não consegue bater meu recorde no Flappy Bird? (Eu estava fazendo rodeios mesmo, pois não queria falar o que já estava óbvio)
Ele_ Deixa de bobeira, menino. Outra chance, vai!
Eu_ Não, pode ser engraçado pra você mas não é pra mim. Fala de uma vez.
E sem mais rodeios, ele falou:
_Então, NB, é porque eu estou gostando de um cara que mora com a gente...
    Eu estava preparado para fingir uma certa surpresa quando ele me dissesse o que eu esperava ouvir, mas preciso admitir que aquilo me pegou desprevenido e eu não precisei fingir. Comecei a rir descontroladamente, fiquei sem reação, e senti que ali uma etapa foi pulada. Pensei comigo mesmo que ele deveria me contar que gosta de rapazes antes de dizer que gosta de um dos nossos colegas de apartamento, e percebi que o sofrimento que ele vinha sentindo não era sobre uma questão de identidade sexual, e sim o sofrimento de um amor platônico. 
    Depois de tomar um tempo para me recompor e formular algumas frases, perguntei se ele achava se a paixão era realizável, sendo bem polido e contido, já que esta era a primeira vez que conversávamos sobre romance em quase uma década.
Ele_ Como assim?
Eu_ Se ele é gay também...
Ele_ Já conversei com ele sobre algumas coisas desse tipo, e tenho certeza que ele, assim como eu, também 'não se importa com gênero'.
    E essa expressão me chamou a atenção. O meu primeiro pensamento sobre a expressão que ele usara para se referir a ele e a sua paixonite era de que ele ainda não estava preparado para se afirmar como um homem gay, e por isto procurou um eufemismo (não se importa com gênero) para caracterizar a si e o nosso colega de apartamento. 
    Naquele momento, naqueles microssegundos que se passaram na minha cabeça entre o término da fala dele e o começo da minha, debati comigo mesmo se eu daria ênfase naquela expressão, criando um discurso de aceitação para ele se afirmar como gay e o incentivaria a deixar eufemismos de lado, pois quanto mais cedo uma pessoa abraça o que se é, mais chances ela tem de parar o sofrimento. 
    Acabei deixando-o exercer seu direito de se definir como quisesse, para depois perceber que fiz a escolha correta. Falei apenas o básico sobre ajudar no que for preciso, e que ele precisa conhecer mais pessoas, abrir possibilidades e manter a mente ocupada para não ficar pensando no nosso colega o tempo todo, e esqueci o eufemismo por um tempo.
    Alguns dias depois, porém, aquilo me voltou à cabeça. Passei um tempo refletindo sobre o motivo que ele se definiu como uma pessoa 'que não se importa com gênero', já que ele parecia muito bem resolvido quanto àquele assunto.
    Apesar da minha desconfiança de que ele estava se sentindo inseguro para se afirmar gay, percebi que a forma que ele havia se definido era muito mais sensata do que a que eu estava disposto a acusá-lo de ser, e acusá-lo de negar. Esqueci de considerar que ele poderia estar sendo honesto comigo e consigo mesmo ao não se definir como gay. Ao se definir como uma pessoa que não se importa com gênero, ele transcendeu a sua prioridade para além do corpo. Ele quer se apaixonar pela pessoa, pelo que ela representa para ele. Se definir como gay é fechar a possibilidade de isso acontecer com uma mulher, e fechar possibilidades geralmente é uma má escolha. (Nessa mesma linha, se afirmar gay seria uma forma de machismo, no sentido segregacionista, e isto seria paradoxal... mas eu divago de novo.)
    Um exercício de reflexão: se você encontrasse o amor da sua vida, será que você deixaria de se apaixonar se ele fosse uma mulher? Será que o corpo e gênero devem ser a prioridade para dizer quem será a pessoa com quem passaremos nossos melhores momentos?
    Aquilo, que me pareceu um eufemismo usado para se sentir mais confortável na conversa, passou a me parecer a melhor definição de sexualidade que já tive a oportunidade de conhecer.
Tão adequada, tão direta, e tão honesta. 
"Eu não me importo com gênero. Eu me importo com pessoas."
Um grande abç,
NB.

39 comentários:

  1. Então suas suspeitas encontraram um fim... A revelação do seu amigo foi interessante, mas sua reflexão foi muito bacana. Eu já havia refletido sobre esse assunto, mas acho que ainda não tinha observado por esse ponto de vista.

    Acho muito legal isso de a gente pegar as "esquisitices" dos outros e acabar percebendo, no fim das contas, que talvez a esquisitice possa ser a nossa. Acho que reflexões desse tipo são as que nos fazem diminuir nossos próprios preconceitos e evoluir como seres humanos.

    abraço!

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  2. Cara, parabéns por este texto sensato e maduro!
    Penso como seu amigo, e não é por uma questão de "não me aceitar", é devido a não querer me definir de uma maneira delimitadora.
    Alguns amigos gays que tenho acreditam que existem condutas gays a serem seguidas e que a primeira coisa a acontecer é a pessoa "se definir e aceitar ser gay", mas sempre achei essa ideia meio machista. Esta própria "definição" é segregadora.
    Acho, como vc também já escreveu que acredita, que a sexualidade não é 8 ou 80, que existem várias variações (acredito na Escala de Kinsey), e que podemos e precisamos exercer nossa sexualidade de forma honesta com nossos sentimentos, sem a necessidade de atender a "padrões hetero ou gay".
    Acho que se permitir ter a liberdade de se apaixonar e de se envolver com "pessoas", sem a preocupação de atender a padrões, é o ideal.
    Abraço!

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    1. Vdd, anônimo.
      Acho interessante, e reconheço a importância de tomar certas posições que defendam a liberdade da expressão da sexualidade. Se definir como gay por ser limitante para a própria pessoa, mas imagino que esta ação possa ter algum efeito sobre a defesa dessa liberdade (na falta de de uma expressão mais apropriada para uma pessoa livre sexualmente).
      É um pensamento confuso, e mais confuso ainda seria destrinchar como o fato de se declarar gay pode ser um ato machista. Viaaaaage apokspaksopakpo
      abç!

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  3. Eu tenho evitado muitos blogs gays pela apologia a "segregação gaycial". É mais ou menos assim: Você é gay então tem que fazer assim assado e deixar isto e aquilo, porque isto e aquilo é coisa de hétero!

    Sexualidade (aquilo interno que não sei o nome) é pessoal e não deveria ter que seguir padrões ou dar explicação porque é desta forma e não de outra. Alguns caras são verdadeiras "bichas loucas" e não se veem como gays e outros parecem verdadeiros "comedores de buceta" e mesmo assim levantam tanto a bandeira como o mastro LGBT.

    Parabéns ao N.B. por não ter sido aquele "amigo-chatolino-professor-de-portugês" que trata comportamentos de pessoas como regras gramaticais.

    P.S.: mais alguém achou que o cara ia se declarar para o N.B.?

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    1. Segregação ~gaycial~ poakspoaksoppoksa
      É verdade, tem um lobby dizendo que você deve se afirmar isso, sair do armário, e discutir sexualidade, etc. Poréeeeeeeem eu serei cauteloso ao dizer que isso não deveria ser feito, pois a intenção é garantir a liberdade sexual, mesmo que por meios não muito agradáveis a quem quer se abster do barraco. (inclusive eu já fui muito alinhado com aquele discurso, ou sou... não sei, to pensando aopskaposkoas)

      E meo deos, não me passou pela cabeça que ele iria se declarar nem por um minuto aposkapokspoka Achei engraçado que o texto deu a entender isso
      abç!

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    2. Eu tinha certeza que ele ia se declarar no fim do texto!

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    3. Coloque no Google "segregação gaycial" e vc vera que só há 1 resultado no google inteiro. Parabéns cara, vc fez um neologismo perfeito huahuauahuuhahu

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  4. Eu não sei se poderia me apaixonar uma uma mulher, uma vez que minha química gira em torno do corpo masculino. Achei genial esse questionamento e pretendo refletir sobre o mesmo. Eu gostei ainda mais da questão de gênero. Eu curto ficar com mulheres em baladas, mas não passa pela minha cabeça transar som elas. Pra mim, é como se todas fossem minhas irmãs, não rola...

    Ótimo texto!

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    1. Oi Gu!!
      Também curto ficar com mulheres em baladas, e acho que esse desejo é honesto, e não como uma forma de provar algo a mim mesmo. Só acho, porém, porque nunca tive vontade de ir além do que beijos (por enquanto).
      Entendo que pra você não rola, e pra mim geralmente também não rola. De qualquer forma, vou deixar a porta aberta para o caso de algum dia essa possibilidade vir a se tornar realidade. Vai que eu venha a desejar alguma mulher no futuro? apkspoaksokasak
      serei ~gay com tendências heterossexuais~
      abç!

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  5. Concordo com o comentário do Gu, acima. Eu também acho muito pouco provável que eu viesse a me apaixonar por mulheres. E isso pelo fato de que elas não exercem nenhum tipo de atração sobre mim. Se um dia algo assim acontecesse, eu acho que seria igualmente pouco provável que essa relação desse certo. Por mais que eu gostasse dela e tal, eu teria uma necessidade de ter algo que ela jamais iria poder suprir (se é que vocês me entendem), ou seja, eu poderia até ter afeto, mas eu não iria conseguir deixar de desejar outros homens. Para quem é bissexual talvez seja mais fácil se apaixonar pela pessoa ao invés do gênero. Para um homo ou heterossexual, acho bem difícil que essa relação prospere.
    Abraço, NB.
    (seu amigo de universidade)

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    1. Sei lá, hoje existem dildos de dois ends, strap ons de cores sortidas, e muitos outros brinquedos pra apimentar a relação com a esposa aposkopaksapopsk
      brrrrinks, eu sei que nada substitui uma boa e velha piroca
      De qualquer forma, o que eu quis propor foi mto bem resumido na sua 2a frase: "é pouco provável", mas não é impossível =p Acho que não devemos evitar essa possibilidade, vai que um dia acontece...
      grande abç!

      (ah eh? como sabe que somos amigos de universidade?)

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  6. Tenho um conhecido que era assumidissimo e o rei da afetação, mesmo assim se apaixonou por uma mulher que teve a pouco tempo um filho dele. Mesmo as chances sendo minimas para um gay se apaixonar por uma mulher creio que ninguém escolhe por quem vai se apaixonar e nem temos uma bola do futuro para saber se vai da certo. Quanto ao fator atração com o amor ela pode chegar , acho possivel porém muito dificil de acontecer. Também achei que o cara iria se declarar para o Nb chegando a torcer por isso (kkkkkkkkk). A verdade é que a vida é muito mais ampla do que pensamos e no final o importante é ser feliz , seja com homem ou mulher. Ass: carlos

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    1. tá aí um grande paradoxo pra gente pensar. A história do seu amigo rei da afetação se apaixonando por uma mulher, apesar de concordar com a hipótese de que amor não depende de sexo, me soa tanto como as histórias de ex gays poaksopakksopa De qualquer forma é uma boa contribuição para a conversa.

      haha tá engraçado isso de vcs pensando que ele ia se declarar =p
      grande abç!

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    2. Só que meu "amigo" nunca negou que ainda sente atração sexual por homens , apenas se apaixonou por uma mulher. Apesar da grande diferença na sua vida continua praticamente o mesmo nas conversas,modo de agir,linguagem e afetação. Ninguém tem garantias de nada mesmo que seja extremamente difícil certas coisas acontecerem. ASS; CARLOS

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  7. É uma forma de fugir ao assunto. Tb pensava assim na adolescência: gosto de pessoas, não de humens ou mulheres. Aliás, é até uma forma de aceitaramos aquilo que somos.
    Mas na verdade há um dia que percebemos que gostamos mais de uma coisa do que de outra, naturalmente.
    abc

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  8. Nós compomos em, ao menos, três, pois conforme lia o texto esperava ouvir “N.B., Eu quer ser pra você a alegria de uma chegada...”
    Pessoalmente falando, o arquétipo feminino muito me agrada, porém não tenho inclinação sexual por ele, apenas admiração do belo por sua capacidade de impulsionar sensações.
    Creio ser plenamente possível que uma pessoa se apaixone por qualquer indivíduo independente do gênero. Existem inúmeras formas de amar, além do mais, gênero não fundamentalmente vincula-se a orientação sexual.
    Agora, se ele deterá a compreensão e desprendimento, por que não coragem, para viver tal amor, está é outra história.
    -----
    Se minha compreensão não falha, vocês moram em 4: 1 gay, 1 transeunte de gêneros, 1 incógnita sexual e, por fim, 1 ilustre desconhecido. Viva a diversidade!
    E você, acredita que o seu amigo está certo, que ele possua alguma chance? Você já havia cogitado a possibilidade desse seu terceiro amigo (objeto de desejo) ter alguma inclinação homoafetiva? Não passa por sua mente compartilhar com seu amigo sua condição? Por que, você acha que ele procurou você para contar algo tão intimo (talvez ele saiba sobre você)? Para arrematar, alguma vez algum deles participou de alguma conversa em que a homossexualidade foi abordada, como eles se comportaram?
    Acordei indagador (curioso) hoje, nada que você precise sanar...

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    1. Sabia que essa frase me era familiar, aí tive que googlar pra achar paula fernandes!
      Enfim, sobre as perguntas...

      Esse ilustre desconhecido é hétero em todas as definições tradicionais, estritas e estereotipadas paksopaksaaks
      - E você, acredita que o seu amigo está certo, que ele possua alguma chance?
      De acordo com ele, ele tem chances sim pelo fato dessa 3a pessoa ser aberta a relacionamentos com o mesmo sexo, aparentemente.

      - Você já havia cogitado a possibilidade desse seu terceiro amigo (objeto de desejo) ter alguma inclinação homoafetiva?
      havia sim, mas sempre ficava confuso. Quando ele se reunia com o hétero que disse acima, rolavam alguns comentários babacas, coisa que eu nunca compactuei nem pra tentar disfarçar.

      - Não passa por sua mente compartilhar com seu amigo sua condição?
      Passa sim, inclusive eu deixei implícito. Ele deve ter entendido.

      - Por que, você acha que ele procurou você para contar algo tão intimo (talvez ele saiba sobre você)?
      Acho que sou liberal demais para ser hétero, e ele deve ter percebido isso. Assim ele se sentiu seguro em me procurar.

      Para arrematar, alguma vez algum deles participou de alguma conversa em que a homossexualidade foi abordada, como eles se comportaram?
      Já sim.. o hétero com os comentários babacas como sempre, diz que não tem nada contra, ~mas~. O cara objeto do desejo varia mto entre fazer piadas e ser liberal. O meu amigo antigo sempre liberal, e eu também. Nunca os quatro conversaram sobre esse tópico ao mesmo tempo.
      abç!

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  9. Boa noite N.B.!

    Li alguma de suas postagens hoje, ainda não conhecia seu blog, e sinceramente, me identifiquei muito com você e seus questionamentos. Também era estudante de engenharia, em uma faculdade do interior de MG. Sei como é tudo que vocês de um modo geral falam, todos os bloqueios, traumas que de certo modo acabam aos poucos comigo. Tento ser normal o máximo que posso mas infelizmente o tempo é algo inexorável e consome minhas energias. Nunca tive contato com ninguém apenas vivo de amores e desejos platônicos. Peço desculpas pelo desabafo neste post porém como este foi o último resolvi escrever um pouco. Queria ser diferente e viver um pouco mais, evito qualquer contato social ou situações que me tragam algum tipo de cobrança ou prestação de esclarecimento futuramente. Bom já falei demais... como li uma postagem sobre fazer amigos resolvi escrever (mesmo que no post errado), espero conhecer novos amigos por aqui. No mais boa noite a todos e obrigado por compartilhar tudo isso!

    Miguel.

    Meu email: enggg@outlook.com

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    1. Fique a vontade, Miguel! =)
      No outro post tem mais chances de alguém ler seu email, se estiver na seção correta do estado. Vi que vc publicou lá também, espero que tenha sorte como sei que muitos tiveram de conhecer amigos por aqui!
      grande abç!

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  10. Engraçado que as vezes chego a conclusão que essa ideia é só uma desculpa pra não me aceitar (seguindo o dito lobby gay mencionado acima).
    É estranho viver isso tudo. Teria antes saber a diferença entre amor e paixão...
    Tipo, isso vem muito do que esperar do futuro. E talvez do que gostaria de ser no futuro. Aí que vem o conflito: eu quero, no futuro, me interessar pela pessoa e não pelo corpo, porém isso pode ser só uma desculpa pra fugir daquilo que sou.
    O longo prazo, que pra mim é o melhor a seguir, grita o interesse pela pessoa, mas a falta de paciência e a ansiedade clamam pelo corpo.

    Bom né, vou vivendo minha vida.
    PS: também acreditei que ele ia se declarar pra vc.

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    1. Sei Dougy...
      eu to nesse dilema também. só espero resolvê-lo antes de ficar velho e carrancudo, quando não terei o privilégio de priorizar um ou outro.
      abç!

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  11. Texto muito bom. Algo semelhante aqui em casa a questão da porta, mas ultimamente venho vencendo por desculpas de barulho provocados pelo pc, jogos, seriados, ou ao contrário vindo deles. Sobre a outra, eu julgaria de momento assim também como eufemismo, mas inclinando também para um pensamento menos absoluto de sexualidade.

    edit: caraleo, ia escrever mais, mas surgiram situações por aqui e acabou terminando com minha "saída do armário". Quero ler os comentários ainda. Não tava dando nada pra esse domingo 13/04/2014 :o .

    Luís.

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    1. Wow
      Barulho e um bom motivo pras portas realmente, mas aqui em casa isso não seria mto convincente...
      E espero que não tenham te pagado de salto vermelho e leque abanando.
      abç! =)

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    2. E aí N.B.,

      Pois é, começar com uns filmes atrapalhando a novela é interessante. Até a arquitetura do quarto deixa mais natural ou não o fechar a porta, na verdade..

      HAHAHAha não, talvez tivesse sido até melhor que fosse, e nem culpa do site 'dentro do armário' que me fez sair dele... Vamos lá :)

      Até,
      Luís.

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    3. Isso mesmo!!! atiça a curiosidade do povo sobre o que aconteceu apkspoaskaop
      (pelo menos a minha ta atiçada)
      abç!

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    4. HAHaha na verdade N.B. foi algo simples, só que meio ao contrário...

      Resumindo por falta de contextualização: Meu Pai chegou pra conversar comigo aqui no quarto, de maneira estranha e com falta de palavras, sobre o por que eu era 'tão diferente' do resto das pessoas, se tinha algo acontecendo e etc... Como eu estava bem wat com o momento sem entender (converso bem pouco em casa, quando mais com meu pai) , enrolei uns 45 minutos com respostas aleatórias sem parar me mexer no pc (abria fechava janela, copiava colava excluía documento colado, abria aba no google fechava aba...) enquanto ele pacientemente tentava usar outras abordagens. Acabou que chegou num ponto que ela falou algumas coisas (!) e que eu vi que se passasse desse dia eu não teria uma oportunidade assim tão nunca... e foi.

      A reação inicial inclusive foi ao contrário também, com minha Mãe fazendo o 'escândalo' enquanto meu Pai era uma interrogação. As coisas ficaram tensas durante a semana, com direito a choros pela casa e viagens inesperadas. A minha reação de indiferença quase robótica causou ainda maior indignação, mas eu estou num nível de esclarecimento que não me permiti regredir afim de compreender alguns diálogos absurdos... a não ser esperar.

      Uma semana depois do ocorrido surpreendentemente posso dizer que a situação melhorou muito em comparação com o meio da semana, bem mais rápido que eu imaginava (fato comprovado ouvindo certas conversas).

      Resumindo²? É como se eu estivesse agora na semana anterior à saída, tudo bem normal. Inclusive me pego lembrando 'do momento' e vem o frio na barriga como se eu tivesse imaginando como se ainda não tivesse acontecido (nas suas palavras, "um barraco imaginário" haha) mas já aconteceu, o que é bom.

      O que me espera nas semanas seguintes? Só vivendo pra saber, né?! :D

      Abraços,
      Luís.

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  12. Tenho que dizer N.B.: gostei muito da expressão utilizada pelo teu amigo. Realmente você está correto na sua divagação, quem somos nós para achar ou deixar de achar algo sobre como outra pessoa se define sexualmente. Nós somos os que mais lutamos para nos definirmos como quisermos, devemos respeitar a visão própria que cada um tem de si, pois nem sempre o que nos parece adequado, é adequado ao outro. Muito bom o post :)

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  13. É impressão minha ou ultimamente o que tem aparecido de discursos exaltando o "politicamente correto exagerado" na rede está para lá de demasiado? Acho que não é impressão. Bem, sendo bem direto e sem hipocrisias, não, não acho que possa me apaixonar por um indivíduo apenas pela pessoa que este representa. Corpo conta e muito, não só para mim como para a maioria. Aliás, todos por quem já tive uma queda, seja um desejo momentâneo ou um paixão mais forte, foram homens e tudo começou por eles serem homens. No caso do seu amigo, vejo que é como você disse: ele está fugindo de poder ser mal julgado usando eufemismos. Por fim, digo ser um forte exemplo do politicamente correto exagerado dizer que se definir como homossexual é se restringir, segregar a atração e que isso é uma expressão do machismo. Todos nós temos preferências, não somos corpos vazios que podem se atrair por qualquer um sem critérios advindos da biologia e da cultura. Não vejo como um desejo natural e espontâneo possa ser tratado como mera imposição ou uma barreira a "novas possibilidades". Desculpe, podem me criticar a vontade, mas eu tenho minha opinião e visão de mundo, e baseado em tudo o que vi e vivi até agora, posso dizer que esse contexto não funciona assim como você trouxe para refletirmos.

    Abraço e bom domingo.

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    1. Olar, uma boa tarde, uma ótima de domingo.
      Poderia me estender sobre um ou dois pontos do seu comentário, mas quero só fazer duas observações sobre o politicamente correto. Imagino que seja de senso comum que o politicamente correto é o que julga que existe de melhor para tornar a vida social mais harmoniosa. O contrário só reforça preconceitos e estereótipos de quem não é homem branco cisgênero hétero e rico, como observamos em piadas. Alguém poderia argumentar que a existência de piadas politicamente incorretas é um exercício de liberdade, e que cercear essa liberdade é inadmissível, e de fato é. Certas piadas, por exemplo, não devem ser feitas em certos ambientes, pois causam mau estar, mas somos impotentes ao tentar proibi-las. O importante, porém, está na existência do conceito de politicamente correto, e do que são assuntos sensíveis à boa convivência.

      Não entendi o exagero do politicamente correto nesse texto, pois o que é correto aqui é subjetivo. Outro alguém poderia argumentar que a melhor forma de abordar o possível eufemismo usado não seria pelo silêncio, e sim pelo confronto para torná-lo mais confortável consigo mesmo. Não entendi como um conceito de ser livre sexualmente, que engloba as definições de gay, bi e hétero, pode ser um posicionamento politicamente correto exagerado.

      Você disse que não seria capaz de se apaixonar por alguém que não fosse homem, mas será que isso se aplica a todos que relutam em se afirmar como gays? (Perceba a diferença entre se afirmar como gay e se identificar como tal) É claro que existem pessoas que realmente são gays, e que por motivos de auto-aceitação não se definem como tal, da mesma forma que podem existir homens que sentem atração mais por homens do que por mulheres e pela facilidade do conceito acabam se afirmando gays. Definir-se como livre sexualmente pode ser mais adequado em alguns casos, e acredito ser pretensão dizer que nunca poderá se apaixonar por alguém que não seja homem, e talvez alguém possa dizer isso baseado nos seus sentimentos atuais, mas será uma verdade absoluta que estes sentimentos nunca mudarão? Quem sabe do futuro? (O inverso também é válido para eu não ser acusado de me segurar às possibilidades de ficar com uma mulher).
      A máxima aqui é amar e ficar com quem seja, e se gênero importar, que importe, ou não.

      Por fim, não precisa ficar na defensiva de expor sua opinião. Expus a minha no texto, e também recebi críticas. Não existe dono da verdade aqui, e todas opiniões são construtivas e dignas de respeito, pois apresentam uma visão do que é mais apropriado e eficaz para vivermos num mundo melhor.

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    2. Esqueci de assinar *0*
      ...um grande abç,
      NB

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    3. N.B veja bem, eu critiquei o exagero do politicamente correto, pois sei que o bom senso (politicamente correto na medida diante da situação) é válido e adequado, tendo em vista, por exemplo a situação que você deu no comentário acima (sobre as piadas).
      No entanto, eu me referi a esta parte do texto: "e fechar possibilidades geralmente é uma má escolha. (Nessa mesma linha, se afirmar gay seria uma forma de machismo, no sentido segregacionista, e isto seria paradoxal... mas eu divago de novo.)". Nela você pressupõe que de uma maneira geral se definir como homossexual é se limitar e diz que isso é uma representação machista, pois em tese quem faz isso não está dando chance de deixar uma mulher se relacionar consigo e fazê-la feliz com isso. Oras, partindo-se de uma analise de que como eu disse as nossas preferências advêm da biologia e não somente da cultura (apesar dela ser tão enraizada em nossas mentes quase tornando irreversível a mudança), como eu poderia me forçar a gostar de alguém que não me interessa. É a mesma visão aplicada em relação as características físicas/psicológicas das pessoas. Ultimamente está em vigor uma onda de dizer que se não gostamos de um certo tipo, somos preconceituosos por isso. Não posso concordar com essa visão, pois não posso passar por cima daquilo que eu tenho como adequado para mim, que eu sei que me satisfaz só porque uma parte da sociedade diz que não deve ser assim minha vida.
      Eu não precisei beijar uma garota para saber que não gosto, e não só uma em específico, mas qualquer uma. Afinal eu vou atrás daquilo que me fascina, que me atrai através do uso dos meus sentidos e da minha percepção, que volto a dizer, a qual foi construída pela biologia e pela cultura em que cresci.
      E outra, é interessante notar que não só aqui no seu espaço, mas em muitos outros as pessoas só falam dos gays. Os héteros podem ser somente héteros que tudo bem, pouco se questiona. E nós, não podemos ser somente o oposto?
      Eu acho e também vejo que muitas pessoas são monossexuais e são satisfeitas assim; isso não é uma mera imposição cultural, é desejo espontâneo. E por fim, se me permite dizer, no seu caso em específico percebo a razão de você levantar esse tópico, lendo seus textos. Fiz uma análise e cheguei a uma conclusão rs.

      Até mais meu caro.

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    4. Olar Caio, boa noite, uma ótima noite.

      Sim, pressupus que se definir como gay é limitante. O parte chave que imagino que não me fiz claro vem depois da sua elaboração sobre causas biológicas e/ou culturais. Ao não se definir como gay, você não está "forçado a gostar do que não te interessa", mas não está forçado a não gostar como a definição "gay" implica. Pelo contrário, você está livre. Nessa mesma elaboração, você conclui que o fato de alguém gostar do mesmo sexo tem influência não somente biológica, mas também cultural. Partindo disso, não é possível afirmar que os processos químicos que regem nosso corpo e mente serão sempre iguais, ou garantir que estaremos sempre sujeitos às mesmas influências culturais que nos condicionam a apreciar o que apreciamos hoje. São variáveis demais que influenciam no nosso comportamento e gostos, e todas são dinâmicas.

      Sobre os preconceitos de evitar certos tipos, também fomos condicionados pelos menos fatores biológicos ou culturais a ter certos desgostos, e chuto mais culturais nesse caso. Se eu não me sinto atraído por gordos hoje, não significa que um dia eu não me sentirei atraído. Eu, por exemplo, já pensei que gordos e não-brancos nunca exerceriam atração sobre mim. Hoje acho charmoso, e tento trabalhar com outros preconceitos travestidos de gostos que previnem o meu entendimento de mim mesmo, e nesses preconceitos está o sexo feminino.

      Imagino que diferimos pelas experiências vividas. Entendo sua indiferença com o sexo feminino, pois eu já compartilhei essa posição. Da mesma forma que você diz que não precisa beijar uma menina para dizer que não gosta, eu também dizia, mas experimentei. Essa era uma possibilidade fechada para mim, pois nunca pensei que sentiria qualquer coisa por mulheres, mas eu estava tão errado quanto aquele menino que diz que não gosta de brócolis ou sushi, mas nunca experimentou. Não digo que você vai passar por isso também, pois você pode ter sua experiência com mulheres e não gostar, pois é uma possibilidade, e ninguém pode afirmar que sim ou não até a possibilidade ser testada, num espaço de amostras diferentes de zero.

      Meu ponto principal é que mesmo que vc imagine que nunca vai se sentir atraído por algum tipo de físico, você não pode negar a possibilidade de um dia sentir, pois ela existe na sua definição mais estrita e matemática. Da mesma forma, a possibilidade de não se sentir atraído também existe.

      Sobre seu penúltimo parágrafo, perceba como isso tudo também é aplicável a não se definir como hétero, pois é limitante e transitório, ou transiente. Ou temporâneo? Não sei, mas é "função do tempo".

      um grande abç!

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  14. Olá N.B!

    Isto me lembrou de quando eu era jovem e já sabia que gostava de meninos mas adorava um bom par de peitos, o que me fez cogitar até que o homem ideal para mim fosse um travesti.
    Sem cair no clichê, mas também achei que seu amigo ia dizer que gostava de você, e você então diria que era recíproco, trocariam olhares, juntariam-se num abraço, e.. apagariam-se as luzes...hahahah ;-)
    E sim, o tempo muda tudo, a gente nunca sabe. Neste momento posso afirmar por mim, prefiro homens, mas outro dia quem sabe? as coisas mudam tanto... e tão depressa. Difícil precisar algo. De certeza na vida, como diriam no filme, morte e impostos. O resto são suposições.

    Abraço.

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  15. Olha, eu não acredito na escala Kinsey. Os tempos eram outros e se revelar SER homossexual era bem diferente de revelar TER práticas homossexuais. Logo havia aquelas "variações"...
    Pois eu acredito em sexualidade muito bem definida sim.
    Isso de "não aceitar rótulos" é coisa de bissexual confuso, que a si mesmo não compreendeu.

    "Eu não me importo com gênero. Eu me importo com pessoas."
    Ele pode ser muito bem bissexual! Ué, você não perguntou pra ele!
    E isso de importar com pessoas e não gêneros, isso é frase clichê de bissexuais ou de gente "que não gosta de rótulos".
    E ANTES de ver a pessoa, ser humano, seu interior, seus sentimentos, nós sentimos ANTES tesão, excitação sexual, achamos a pessoa bonita e isso a sexualidade define quase sempre muito bem.

    Mas assim, raramente me invadem algumas dúvidas de exemplos alheios. Não descarto que quem saaaabee possa ser alguma coisa de verdade nisso tudo.
    Por que não?

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    1. na hora não me passou pela cabeça perguntar isso, mas de qualquer forma bissexual ainda é um bipolo muito restrito. Estamos falando apenas de mulheres e homens nascidos, e não trans? Acho que ele quis dizer algo além de bissexual.

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Cara, eu queria uma opiniao sua, se possivel. Eu tambem sou gay no armario, apesar de que minha mae desconfia porque estou com 23 e nunca levei uma namorada pra casa. Como voce lida com a culpa crista depois de fazer sexo com um homem? Eu estou morando na Irlanda, e ontem sai com um cara e passei a noite com ele. Quando acordei e vi que estava abracado com um homem, senti tamanha repulsa que peguei minhas coisas e sai sem dizer nada. Eu curti ele, conversamos muito antes da transa e ele me tratou de um jeito tao especial. Ele me ligou quando acordou e eu nao atendi. Depois ele mandou uma mensagem e eu so respondi dizendo que estava bem. Eu sinto tanta repulsa em pensar em nos dois juntos mas ao mesmo queria estar com ele. Eu achei que por estar em outro pais e com uma pessoa de uma cultura diferente eu conseguiria me sentir livre da culpa mas tudo continua como era no Brasil. Voce tambem luta contra questao, tipo a sensacao de estar fazendo algo errado e se sentir sujo depois de ter feito? Pelo que pude perceber pelo blog voce tambem cresceu em uma familia crista. Me desculpe por nao usar acentuacao mas comprei meu pc aqui. Desde ja agradeco.

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    1. A culpa passa com o tempo, a medida que você fica mais confortável consigo mesmo. É só lembrar de se questionar, porque essa culpa que você sente é fruto do seu condicionamento de que estes atos são errados. Mas quem disse que é errado? Comece a refletir sobre as causas da repulsa, mas não a mais imediata. Entre a fundo, conheça as origens do seu condicionamento, e depois fique a vontade para concluir se sua repulsa era ou não justificada.
      Grande abç!

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  18. Não sei se seu amigo usou de eufemismo, mas eu bem que gostaria que a sociedade fosse assim, ligasse menos para gêneros e mais para pessoas. Imagina se nossas crianças crescessem num local assim! Poderiam experimentar ambos os sexos até achar alguém que lhes fizesse feliz, independente de se definir X ou Y. Não haveria crises próprias ou familiares de aceitação. Não haveria culpas por estar "indo contra sua natureza". Ninguém precisaria manter fachadas com casamentos e filhos.

    É meio (ou até bastante) utópico, mas ainda posso sonhar ;)

    Quanto a mim, eu prefiro pensar isso também, "que não ligo para gêneros". Sei que tenho forte atração por homens e me defino como gay, mas se eu realmente quisesse viver com uma mulher, desde que me sentisse completamente feliz com a ideia e não fosse por uma imposição de alguém, não vejo porque não poderia fazer. Não tenho aversão a elas, nunca tive. Só não me atraem tanto.

    Abraços.

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