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domingo, 17 de novembro de 2013

#chupa #frangas

    Já comentei aqui no blog que não me interesso nenhum pouco sobre futebol, apesar de ter um carinho especial pelo Cruzeiro, como uma certa herança do meu pai. Não me importo de estar mergulhado num ócio colossal durante os jogos, e mesmo assim nem me importar de ligar a TV para acompanhar. 
    Não sei nomear mais do que três jogadores do "meu time", e este desinteresse pode ser uma das causas da minha deficiência em acompanhar papos de futebol - que surpresa! 
    O futebol é um assunto leve quando tratado sem fanatismo, e desta forma ele une os homens, funcionando como um catalizador de laços emocionais, pois com ele é possível conversar de uma forma impessoal, apesar das preferências pessoais pelos times. Este assunto pode ser falado com menos amarras quando se está com pessoas as quais não se tem a devida intimidade para conversar ou discutir sobre assuntos pessoais ou polêmicos, como música, família, relacionamentos, religião e política.
    Nesta semana, o Cruzeiro foi campeão do Campeonato Brasileiro, e como aconteceu quando o Atlético a Libertadores, a cidade parou para comemorar o título com um entusiasmo maior do que se comemoraria o fim de uma guerra mundial, ou a queda de uma ditadura. Eu sinceramente não entendo como a vitória de um time de futebol pode significar tanto para estas pessoas, porque eu não vejo como isso agregue valor à vida delas, exceto pela possibilidade de argumentar com o torcedor do rival de que seu time é melhor, e isto me parece absurdamente fútil. 
    Não vou ser o chato que sempre critica este comportamento com um discurso pseudo intelectual relacionando novelas e futebol à política de pão e circo, pois estes são entretenimento, e entretenimento também merece espaço na vida das pessoas. O que não compreendo, contudo respeito, é o espaço, tempo e dinheiro dedicados ao que nada acrescenta à pessoa. Ou talvez acrescente a possibilidade de poder conduzir conversas impessoais, sobre um assunto superficial, com recém conhecidos, e assim se entrosar mais rapidamente em um ambiente novo. Talvez este seja o papel funcional de tamanha dedicação ao futebol na vida das pessoas.
    Alguém que torça e tenha uma visão diferente, por favor compartilhe as razões que te motivam a torcer para abrir a nossa mente, apesar de que imagino que futebol é um assunto tão diametralmente oposto aos interesses dos gays quanto o PT é da livre iniciativa.
    De qualquer forma, o intuito de falar sobre futebol neste texto seria poder, finalmente, chegar ao machismo associado com as ofensas entre torcedores rivais, que geralmente vêm acompanhados de feminilização. Isto é comum porque a associação com o sexo feminino dá maior peso à ofensa, exatamente porque qualquer coisa associada ao sexo feminino é repugnante: frangas e marias são ofensas mais comuns aqui em Minas, por exemplo. 
    Este machismo é o mesmo que denigre gays por tomarem uma posição que é tradicionalmente da mulher, e é inaceitável que um indivíduo com o poder nato de homem abdique desta posição ao assumir o papel de uma mulher. Porém este assunto é cansado e óbvio, mas daí eu gostaria de pegar um gancho para compartilhar um insight que tive nesta semana sobre o machismo na Língua Portuguesa. 
    
    Na verdade, não há nada de novo nesta constatação, mas este tema me recorreu à cabeça. O machismo está tão incrustado na sociedade brasileira, que temos a possibilidade de dar gênero aos pronomes e artigos, e  também aos substantivos (de frango à franga, e de Mário à Maria) para que elas se tornem mais ofensivas. Em um grupo de amigos com 01 homem e um número N de mulheres tendendo ao infinito, nos referimos ao grupo como "meus amigos", pois para as mulheres nele contidas, está tudo bem ser tratado pelo pronome masculino, mas para o homem é inaceitável ser tratado pelo feminino como aconteceria se fosse dito "minhas amigas".
    Enquanto as línguas de base latinas apresentam distinção de gênero, as de base germânica não. Nesta brincadeira, pode-se associar regiões com níveis de machismo mais elevados, como o sul da Europa (Itália, Espanha e Portugal) e América Latina, e regiões que falam línguas de origem germânica, e que são menos afetadas por sexismos. Isto se traduz em maior probabilidade de estas regiões já terem aprovado casamento igualitário, terem aborto legalizado, além de oferecerem menor distinção entre homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo e etc. 
    Percebam, porém, que falar uma língua que não distingue gêneros nas palavras não faz com a região seja menos machista, pois isto envolve uma série de outros fatores, e a língua é apenas um deles. Estados Unidos e África do Sul são exemplos disso, pois falam línguas de base germânica e ainda são tão puritanamente e primitivamente machistas como o Brasil-il-il. Porém é interessante perceber como o machismo está enraizado em coisas tão corriqueiras, mas que não podem ser chamadas de detalhes por nos acompanharem o tempo todo.
Um grande abç!
N.B.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amor no YouTube e cantoras pop

    Não é segredo nenhum que comentários em videos do YouTube tem um altíssimo índice de desagradabilidade, nos quais os usuários se aproveitam do anonimato para disparar bobagens contra tudo e todos, tornando esta seção um lado meio obscuro da internet. Só não é superado pelos comentários do G1.
    Algumas pessoas, ainda, nem precisam usar o anonimato para deixar ali uma opinião que ninguém pediu, mas que fazem questão de expôr. Parece até uma utopia alguém não ter opinião sobre tudo na internet, mesmo que não saibam nada sobre o assunto. 
    Divago sobre isso porque fiquei incomodado com muitos comentários nos videos de Miley Cyrus que tentavam rebaixar sua honra, baseando-se apenas no seu comportamento mais recente. Miley é ex Hanna Montana, do canal Disney, que teve uma abruta ruptura com o passado.
    Um parênteses (
Sim, fui no YouTube ver videos de Miley. Sintam-se a vontade para julgar meu gosto musical. Na verdade, não tenho vergonha de admitir (para vocês) que escuto muito frequentemente às divas que muitos gays tanto amam. Vocês podem checar no meu perfil do lastfm
    Cantoras pop internacionais são coisa de viado mesmo. Por exemplo, o show de Beyoncé que aconteceu aqui em BH em setembro foi praticamente uma festa gay ao ar livre, e em grandes proporções. Eu não fui , mas tiro de base a fila que se formou, composta majoritariamente por gays óbvios e com sotaque. 
    Gosto musical é um ótimo indicativo para descobrir se a pessoa é gay. Isso não significa que todo gay goste de música pop e cantoras internacionais, mas o que quero dizer é que quem curte este tipo de música, muito provavelmente (para não dizer certamente) é gay. Gay que não curte divas vai curtir coisas mais hipster como música norueguesa, fado, indie rock, mas que também levantam grandes suspeitas. Hétero não sai muito do eixo rock sem sal tipo nickelback ou clássico, do sertanejo e do funk. 
)
    Fechando o parênteses e voltando ao comentário que me incomodou, ele dizia algo do tipo "O pai de Miley deve estar realmente orgulhoso da filha", num óbvio tom de sarcasmo, e foi feito por uma menina que não devia passar dos seus 20 anos. 
    De fato, Miley tem agido de forma polêmica, dançado de forma sensual e apelado à exposição do corpo nos últimos tempos, mas porque isso justifica aquele comentário? 
    Parei para refletir por um instante e concluí que Miley é famosa, bonita, magra, rica, loura, cristã, talentosa e gentil com os fãs. Para mim, estes motivos são suficientes para que o pai esteja realmente orgulhoso da filha que tem, porém aqueles comentários insinuavam que Miley fosse promíscua e baixa por agir daquela forma, e usar aquelas roupas. 
    Ao chamá-la de promíscua, os comentários insinuavam que o número de parceiros da garota é muito alto, mas não a vi fazendo sexo com ninguém naqueles videos. Ou será que ela é puta porque não se portava submissivamente como manda a tradição cristã? 
    O machismo vindo das próprias mulheres é terrível. Neste caso, ele foi invocado quando assumiram que a vida sexual de Miley era muito ativa apenas penas roupas que usava e pelo jeito que dançava, e quando desconsideraram seu talento e a poesia de sua música por acharem o comportamento da garota como inadequado. Este pensamento é o mesmo que põe todas as qualidades de uma pessoa à sombra da sexualidade quando ela é gay, na famigerada frase "ele é tão bom, mas é gay". Este pensamento é o mesmo que justifica policiais perguntarem o que a vitima de estupro estava vestindo, como se esta vítima tivesse parte na culpa do crime. Quando se trata de mulheres que mostram seus corpos, estupradores se sentem no direito de molestá-las, física e verbalmente, como se não fossem dignas de respeito, como se uma saia curta fosse um convite ao sexo.
    O comentário que esta menina fez no YouTube, apontando Miley como profana, é uma tentativa de se mostrar como adaptada às regras da sociedade, mesmo que estas regras sejam antiquadas e incoerentes. Para se mostrar como normal, a ela precisou apontar o anormal, que neste caso é foi a cantora rebelde.
    Essas doses diárias de machismo, em frases que se ouvindo rapidamente nem damos atenção, é o que segura a humanidade de evoluir. Estas pobres mulheres nem percebem como são vítimas do próprio machismo quando escolhem se vestir como não gostam, ou quado ela se contem ao comentar sobre sexo, ou quando diminuem o número de parceiros que já levaram pra cama, apenas com o intuito de não terem suas honras postas em dúvida, e para não serem chamadas de profanas. 
    Porém, contudo e entretanto! Será uma sociedade machista a mais natural aos humanos? Às vezes sinto que a grande massa não pensante vive tão harmoniosamente com isto, com (alguns) benefícios tanto para homens e para mulheres. Mas isto é tópico para divagações em outro texto.
Grande abç!
N.B.

PS: O ex noivo de Miley é Liam Hemsworth (irmão do Thor), que é motivo suficiente para ficar louco com o término do noivado.
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