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domingo, 20 de outubro de 2013

Uma adolescência mental


   Uma vez um amigo me questionou se gays, em geral, ao terem a oportunidade de experimentar suas sexualidades, passam por uma espécie de adolescência atrasada.

    Este questionamento voltou à minha cabeça recentemente por eu fazer aniversário neste mês (sou escorpiano, a quem interessar), e exatamente por isso relacionei a proposta deste meu amigo com a minha situação, pois eu não soube opinar na época, e ainda não sei em que lado me coloco. 

    Já fui muito biscate na vida (sem conotação negativa), e isso se estendeu até o ano passado quando cheguei a sair com mais de dois caras no mesmo dia, e até ao mesmo tempo, ao contrário deste ano, quando as coisas ficaram mais calmas e o número de pessoas com quem eu saí até agora no ano todo foi a média semanal do ano passado. Não sei se é por falta de tempo, ou por eu ter elevado meus requisitos, ou ainda por causa de um desinteresse que pode ser pela idade, e que pode estar relacionado a um sossego sexual.
    De qualquer forma, este questionamento parece pertinente quando se percebe que uma grande quantidade de gays, nos seus vinte e poucos, parecem estar dispostos a fazer sexo com o mundo, ou com qualquer coisa que se mexa, e estão fugindo de relacionamentos como uma mulher com chapinha foge da chuva. Não digo que isto seja bom ou ruim, mas este comportamento nesta idade contrasta com meus amigos héteros que, em sua maioria, querem uma companhia estável para passar o final de semana, e estão mais sossegados nesse aspecto da vida.
    Por outro lado, a repressão que estes homossexuais sofreram ao longo da vida pode tê-los levado à questionamentos do status quo moral, além de ter instigado a curiosidade e o desenvolvimento de um bom senso crítico de tudo o que lhes é postulado. Por ser uma questão de sobrevivência e de preservação da própria sanidade, nós tivemos que questionar o que nos era tido como "o correto", para que não fôssemos "os errados" no mundo e para que não morrêssemos de depressão pelo auto julgamento, o que caracteriza maturidade. 
    Dessas hipóteses generalistas e superficiais, pode-se resumir que o homossexual passa por um amadurecimento intelectual antecipado e uma busca pela satisfação sexual atrasada, em contraste com o hétero que tem a satisfação sexual garantida nos seus anos mais joviais, mas que por ser ajustado à sociedade, não precisa questionar as regras do mundo. 
    Tentando não generalizar, vejo que casais gays nos seus vinte e pouco anos são as raríssimas exceções, inclusive entre gays assumidos. E o mais engraçado disso tudo é que, mesmo existindo tão poucos casais gays estáveis, a falta de gente que quer um relacionamento gay sério é uma reclamação constante das pessoas com quem converso. Sei que querer um relacionamento sério não exclui a possibilidade de ir para a cama com outras pessoas sem compromisso, justificado pelo pensamento: "Eu quero um relacionamento sério, mas não com eles...". Isso pode nos levar a pensar que os requisitos para quem está nesta situação são muito altos.
    Neste contexto, gostaria de saber da situação de vocês. Digam como foi o seu comportamento sexual ao longo dos anos, se começou atrasado, ou se ainda não começou, e se vocês fazem sexo casual ou estão a espera do cara certo. Por fim, alguém gostaria de levantar hipóteses sobre a contradição de se haver tantas pessoas que gostariam de ter um relacionamento sério, e mesmo assim tão poucos casais gays?
Um grande abç e feliz dia das crianças atrasado!
N.B.

sábado, 5 de outubro de 2013

Platonisses recorrentes


"Past behaviour is the best predictor of future behaviour"

    Vi isso num filme, e me soa como uma daquelas verdades universais que ajudam muito a conhecer uma pessoa. Acho que estou começando a entender a dinâmica do amor platônico, e como isso se relaciona ao conceito de amizade. Dizia Aristóteles que "um amigo é uma única alma vivendo em dois corpos", o que sempre me serviu como uma boa definição para explicar esse conceito sobre os laços emocionais com outras pessoas. Pela definição do filósofo, este sentimento parece ser de uma intensidade desconsertante, e não tão banal como sinto que é divulgado e usado por nós. 
    É incrível como algumas pessoas chegam na sua vida assim, do nada, e de repente você se sente mais intensamente conectado a ela do que o que te liga aos teus amigos de muitos anos e de múltiplos interesses em comum. 

    Vou acrescentar que nestes casos também existe uma certa atração da minha parte pelos exemplares a quem me conecto tão fluidamente, e isto torna clara a existência de um certo amor platônico meu por eles. É engraçado como a evolução de uma amizade, nas suas definições tradicionais, para o amor platônico, pode ser apenas pela adição do desejo sexual à equação, pois é assim que sinto que ocorre comigo.

    A partir disto e da reciprocidade da intensidade do sentimento, alguém pode formular a hipótese de que o amor platônico é o que deveria ser chamado de a verdadeira amizade, baseando-se na premissa de que, quando este existe, as outras 'amizades' perdem o brilho e a prioridade na nossa vida.
    
    Outro motivo para se pensar que o amor platônico é a verdadeira amizade é o fato de que, mesmo que exista um desejo sexual envolvido na relação, não se pode agir sobre ele, pois caso se agisse, não seria nem amizade e nem amor platônico. A existência do desejo torna o interesse no amigo maior, traz insegurança e traz a vontade de querer agradar para se tornar também interessante ao outro. Traz também ansiedade e medos sobre os limites das conversas e dos toques (ah! os toques...), e ronda a cabeça incessantemente procurando sinais de que seu amor é correspondido. Este pensamento de que uma relação emocional tem que ser intensa para ser chamada de amizade está mais alinhado com a definição de Aristóteles, e o desejo sexual (e somente ele?) causa essa intensidade. 

    Isto pode explicar a existência dos brothers (grupo de amigos geralmente muito bonitos e que adoram divulgar e comentar sobre a intensidade das suas amizades nas redes sociais) pela possibilidade de existir amor platônico de um pelo outro.

    Por outro lado, baseando-se nesta hipótese, alguém pode levantar outra hipótese dizendo que não existe a verdadeira amizade sem o devido desejo sexual. Bom, talvez seja assim, talvez não, e esta era a conjectura que eu queria chegar como tópico deste texto. O que vocês acham?

    Pergunto isso porque, como sugere a frase que pus no começo do texto, estou vivendo amores platônicos novamente (e dessa vez no plural), e também porque eu tenho a mania de tomar minhas experiências como verdades universais. As minhas amizades mais intensas geralmente vem atreladas a um certo desejo pelo rapaz em questão, em contraste com as minhas outras amizades onde não existe desejo. Mesmo que exista uma infinidade de interesses em comum e convergência de humor, quando não existe desejo essas amizades me parecem um tanto sem sal, como se perdessem prioridade quando uma amizade platônica entra em cena. Não é muito honroso dizer isto, eu sei, mas é só comigo que acontece? Ou é um reflexo da minha terrível característica de objetificar as pessoas, priorizando quem serve unicamente aos meus anseios, e dispensando quem eu não posso sugar algo de meu interesse? Ou, na raiz da questão, existe amizade completamente desinteressada? Além disso, existe amizade entre homem e mulher estritamente heterossexuais?

    Talvez esta última questão seja óbvia para muitos, e nem mereça tanta atenção assim. Tantas questões existenciais me parecem óbvias, e tantas outras simples como esta, me parecem tão misteriosas... 

    Porém, destoando do que imagino que seja o pensamento mais comum, uma amizade nestas condições enfrentaria empecilhos baseados em questões morais e em convenções não escritas. Aos olhos de quem vê a amizade por fora, é fácil imaginar o tanto de rumores que rondariam a sexualidade do rapaz, ou a pureza da moça por manter um parceiro potencial sem compromisso, o que pode trazer desconforto ao casal de amigos. 

    Eu me estressava muito quando tinha amizade com mulheres. A minha parte medieval e machista sempre ficava alerta por ter que defender sua honra, eventualmente, quando saíamos a dois. Vou generalizar aqui, e dizer que mulher caça muita confusão, pois por algum motivo, imagino que elas se sentem intocáveis a algum tipo de repreensão mais intensa ou física, pois por estarem acompanhadas de um homem, ela espera que este venha a defender sua honra e amenizar seus problemas quando a coisa aperta. Ou talvez eu tenha essa impressão pois tive amigas machistas, majoritariamente. Ela bota a cara, mas quem leva o tapa é o cara, e sair com uma mulher me deixa tenso, estressado, de mau humor. É uma excentricidade minha que descobri bem recentemente, e que pode explicar o motivo de eu ter quase nenhuma amiga.
    _Atenha-se ao tópico, N.B.

    Enfim!

    Vocês acham plausível a ideia de se considerar o amor platônico como a verdadeira amizade? Ou que a amizade é mais intensa quando se existe interesse sexual, e que isso pode subjugar outras amizades que demonstrem maior convergência de interesses? Ou não tem nada a ver e eu sou uma puta sem coração e sem ética por propôr isso?
Bom final de semana a todos!
Um grande abç, 
N.B.

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