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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um defeito perfeito


    Buscar as fotos que ilustram este blog me dá a oportunidade de passar o olho por um mar de homens perfeitos e esta é a minha parte preferida de publicar, tanto porque vem com a sensação boa de ter terminado um texto, tanto porque posso apreciar estas figuras que admiro tanto, e que me trazem um turbilhão de sentimentos. 
    Fico imaginando se sou apenas eu, e sinceramente espero que não, que fica muito impressionado com todos esses modelos. Talvez até um pouco transtornado no sentido de me sentir tão diferente deles. Fico pensando também se esse sentimento tem culpa, ou parte dela, no fato de eu apreciar a figura masculina, e principalmente, no fato de eu sexualizá-la.
    Esse meu exemplo, tão pontual e pessoal, abre espaço para levantar uma hipótese de que a propaganda da estética masculina afeta homossexuais de uma maneira mais intensa do que afeta a héteros. Não tenho casos de outras pessoas para sustentar essa hipótese além do meu próprio, e por isso tentaremos tirar uma conclusão a partir dos comentários dos senhores. 
    Podemos pensar em razões para sustentar esta hipótese. 
    Primeiramente, porque vaidade e preocupação com a própria imagem são tradicionalmente coisas de viado. 
    Numa outra abordagem, e mais séria, podemos dizer que desejamos ser o que queremos ter. No caso dos homossexuais, procuramos características nos nossos parceiros que gostaríamos que tivéssemos também, pois as achamos nobres e agradáveis aos olhos. Esta busca é, talvez, uma auto crítica às fixações que temos com a nossa própria aparência. 
    Também podemos imaginar que, ao se desejar ter a figura masculina adorada, o homossexual pode imaginar que outros homossexuais também desejarão pela mesma figura, o que pode dar um grande peso sobre esta figura para o homossexual desejar se parecer o mais próximo dela.
    E como explicar o maromba hétero comedor de vagina que idolatra a figura masculina musculosa? Não sei, mas suspeito que idolatrias de formas corporais e/ou pessoas vêm acompanhadas de uma carga de sexualização desta mesma imagem ou pessoa por quem idolatra. Talvez o comportamento hétero do maromba seja apenas externo, e internamente ele deseja sexualmente o que idolatra, mesmo que negue a si próprio. Ou talvez ele não deseja ter o que quer ser.
    Nesta conversa sobre quem está mais impressionado por estas figuras, sempre me vem à cabeça as tais campanhas pela real beleza para as mulheres, pois ao mesmo tempo que a idealização da imagem feminina causa transtornos como bulimia e anorexia nelas, a idealização da imagem masculina também pode causar transtornos para nós homens. Nem por isso temos campanhas direcionadas a nós...

    A super exposição às imagens de modelos pode causar depressão, exatamente por serem inatingíveis, e também pode estressar uma característica controversa nas pessoas, que é a superficialidade pela super valorização do exterior. Não é pra menos, pois somos animais visuais, e também porque o exterior é altamente capitalizado.

    Não sei se este é o momento em que falo que devemos valorizar menos o exterior, porque debaixo de toda pele não há beleza e porque o tempo é ingrato com o corpo. É tipo aquele papo de que dinheiro não traz felicidade. É verdade, não traz felicidade necessariamente, mas pelo menos traz conforto na tristeza, ou paga um bom psicólogo. Neste mesmo raciocínio, o exterior é importante sim, e muito, pois expressa saúde e status, além de ser o primeiro contato que o mundo tem contigo, te dá conforto e segurança psicológica, além de abrir as portas do mundo pela beleza.

    Nesse aspecto, o que nos salva de entrar em profunda depressão por não sermos perfeitos como aquelas imagens todas é saber que também ninguém é perfeito. Numa conversa com um ex modelo, ele salientou que as pessoas nem imaginam o trabalho que existe por trás das fotos: horas de maquiagem, horas de photoshop e uma sessão de 200 fotos para se tirar uma que preste. Inclusive ele estava satisfeito com a própria aparência antes de começar a carreira de modelo, mas começou a achar defeitos em si próprio com o tempo.

    Felizmente, a ideia da figura adorada varia de pessoa para pessoa, e mesmo que seja mais comum se encontrar pessoas que busquem por um dos modelos tradicionais de homens altos, fortes e brancos (e héteros), outros podem achar que a imagem tradicional é musculosa demais, branca demais, alta demais, etc etc. A partir da premissa de que todos tem imperfeições, não necessariamente físicas, fica mais fácil imaginar que existe alguém no mundo capaz de achar beleza nos nossos defeitos, e seremos perfeitos para quem importa.
    E quanto aos senhores, vocês acham que gays são mais sensíveis à propaganda da estética do que os héteros? Ou tanto quanto? 

Um grande abç, e bom fds a todos =)
N.B.
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