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sábado, 1 de junho de 2013

Manifesto gayzista


Homossexuais de todos os países, uni-vos!

Temos que trocar urgentemente o hino nacional por uma música da Britney Spears e substituir o cristo redentor por uma estátua de Daniela Mercury. Os feriados religiosos serão substituídos por dias de adoração das divas do pop. Também, todos serão obrigados a terminar suas frases com uma palavra em inglês ou francês, e classificaremos pochete como um crime previsto no novo código de conduta fashion, exceto para as lésbicas. Viva à ditadura gayzista, que mistura gay com nazista!

    Muitos aqui já devem ter tido algum contato com as paranoias de gente que acredita que gays querem implantar uma ditadura no país, baseando essa brilhante conclusão no fato de a PLC 122 impedir a crítica do comportamento homossexual, ferindo assim seus direitos à liberdade de expressão. Em outras palavras, a criminalização da homofobia é uma ameaça à família brasileira, e toda aquela ladainha. Digo brilhante porque é absolutamente viável e beira o óbvio que uma parcela minoritária da sociedade venha a subjugar a maioria tradicionalista.

    Infelizmente, companheiros gayzistas, tivemos nossos planos de dominação mundial vazados, e temos que ser mais espertos se quisermos destruir 'a família'. Afinal de contas, eu estive pensando seriamente em como fazer isso de forma eficiente, pois estou sem planos para destruir algumas famílias usando apenas a minha homossexualidade. Sem bombas. Deve ser, tipo, se eu chegar para uma família e dizer "Olá, eu sou gay", ela se desfaz. Ou se eu me assumir para a minha família, ela se desfazerá, também, como uma alergia terrível. Talvez quando dermos o golpe de estado poderemos destruir a família a bombas, por que este é o nosso objetivo! 

    O engraçado é que muitas pessoas que falam sobre a ditadura gay e defendem a tradicionalíssima e respeitosíssima família brasileira usam colocações tão falaciosas pela vagueza, que se você perguntar a elas o que é a ditadura gay, acho que nem elas conseguiriam ouvir suas respostas sem rir. Algum gay aqui tem ideia de como destruir uma família, que não seja pelo próprio preconceito dela ao não aceitar um ente homossexual? É muita pérola num discurso só, e eles divagam nas suas loucuras como se um mundo de homossexuais fosse vantajoso para os gays... A gente precisa dos casais héteros para gerarem os futuros homossexuais também, né?

    Num exercício de imaginação, dá para pensar na ditadura gay em algo parecido como um bando de gays que se juntam numa praça para ir fazer bullying contra héteros, forçar a conversão dos filhos e maridos em gays, atacar quem critica e jogar bombas nas casas das famílias tradicionais, e tudo isso com o incentivo do governo central. Preciso confessar que no fundo isso é o que eu sempre quis, pois não tenho nada melhor para fazer. Enfim.


    O problema da crítica, que a PL tenta amenizar, é que a crítica é a exteriorização de uma opinião, e num mundo onde as coisas funcionassem, ninguém explicitaria a sua sem ser expressamente requisitado para fazê-lo, pois é deselegante. Não é igual ao Facebook, onde só de abrir você já é inundado de opiniões sendo esfregadas em sua cara, de assuntos absolutamente polêmicos e profundos, mas que ninguém pediu para saber e que as pessoas que geralmente se expressam ali são as que menos sabem do assunto. 


    Opiniões e posicionamentos motivam decisões. Certa vez, aquele mesmo pastor que se senta na cadeira de presidente da CDH disse o seguinte sobre uns cachorrinhos muito fofos: "Pitbulls são monstros criados pelo homem. São aberrações como Frankstein. Se quiserem guardar um para a posteridade, que seja num zoo". Reconheço a existência  dessa corrente de pensamento determinista racial, que não considera que o cachorro pode ser agressivo pelos maus tratos que sofreu e pelo seu treinamento violento, taxando a todos como monstros. É a opinião dele, e ele tem todo o direito de tê-la, independente do nível do tosco. O problema é que esse tipo de opinião justifica (para os alinhados a ela) os inúmeros abusos que ocorrem com animais, pois os agressores se sentem no direito de dar pauladas gratuitas nos cachorros que são considerados aberrações e monstros. E se são muitos os casos noticiados de crueldade, imaginem então os casos não noticiados!

    Outra opinião que justificou uma das maiores vergonhas da humanidade é a de considerar o negro como humano inferior, que deu no que deu. Outra, é a opinião de que católicos são inferiores aos protestantes (e vice versa) que desencadeia inúmeros conflitos na Irlanda movidos por estes motivos fúteis. E por fim, a opinião de que gays são aberrações, e que seus comportamentos são imorais ou indignos, resulta em tudo isso que a gente vê e sente, pois as pessoas sentem-se legitimadas a repreender verbal e fisicamente. 
    Por isso que, na minha humilde opinião, mesmo que ela enfrente alguma resistência inclusive entre gays, esta PL tem muita validade no sentido de forçar uma redução na exposição de opiniões que possam incentivar a desmoralização de uma minoria, ou que possam trazer consequências piores. Eu, particularmente, nunca dei importância ao discurso da ditadura gayzista, por achá-lo ridículo em demasia (e divertido em alguns casos), mas a coisa muda quando ele chega a sua porta. Alguém mais tem problemas com pessoas distribuindo opiniões no Facebook (ou Orkut/Google+, para os hipsters)? Virou bagunça já, é inacreditável como tudo mundo tem uma opinião lá. Falta o povo saber que se abster de ter uma opinião pode ser uma virtude muito em falta hoje, principalmente quando o assunto não lhe é de conhecimento satisfatório.

Enfim!
Um abç.
N.B.

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