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sábado, 22 de junho de 2013

Pastor melancia

Alguém chame o SAMU! Estou com um caso gravíssimo de homossexualismo!!!

    Ainda bem que sim. Deve ser uma daquelas doenças que causam mais benefícios do que danos. Tipo aquela mulher com um transtorno que a faz ter orgasmos por mais de hora. Como eu gostaria de estar doente como ela... Mas eu divago.
    Então, meus caros, o deputado infeliz voltou a colocar a melancia no pescoço. Na verdade, apenas apareceu de gaiato, já que o projeto de cura gay não é de autoria dele, e sim de João Campos (PSDB-GO). 
    O deputado Anderson Ferreira (PR-PE) faz uma argumentação em defesa do projeto dizendo:
"Essa resolução cerceia a independência e liberdade dos profissionais e o direito da pessoa de procurar um psicólogo e de receber orientação. É direito do paciente procurar atendimento que satisfaça seus anseios. O projeto de decreto legislativo garante o direito ao homossexual a mudar sua orientação sexual e ser acolhido por um profissional".

        Eu particularmente achei essa argumentação do deputado Anderson Ferreira bastante chata de refutar. Isso porque eu gostaria de ter a liberdade de poder decidir o que usar e ser quando bem entendesse, independente de leis restritivas que existem para, por exemplo, (algumas) drogas, aborto, eutanásia, etc. Cada um sabe o que é melhor para si, e sabe as consequências que suas decisões podem implicar, e me sinto reprimido quando não tenho a condição de exercer essas minhas decisões. Esse raciocínio poderia se estender à mudança de orientação sexual, uma vez que os gays deveriam ter a liberdade de mudar sua orientação caso desejassem. Eu teria a oportunidade de experimentar uma buceta, pelo menos uma vez na vida, e quem sabe depois voltar a ser gay de novo. Isso porque, se a terapia funciona para um lado, por que também não pode funcionar no outro sentido? Esse argumento do deputado só é valido se virar viado for uma liberdade também, o que eu suspeito que não seja. 

    Também, podemos considerar o direito desigual que existe em sociedades mais avançadas, que garante a proteção das classes mais desafortunadas. Delegacias de mulheres, fundações indígenas, leis contra discriminação de raças, estatutos da criança e do idoso, tudo isso tenta colocar essas classes, que estão longe de serem dominantes, em uma zona especial de proteção, pois são vulneráveis ao preconceito e infortúnios que suas condições podem trazer ao longo da vida. Por que isso será diferente com a classe dos homossexuais? Um direito desigual aqui poderia garantir a não existência dessa proposta, uma vez que se aprovada, haveria apenas a conversão para o heterossexualismo. 
    Imagine que, por exemplo, houvesse formas de se tornar um homem, alto, jovem e branco (de preferência louro), o mundo não teria muitas pessoas diferentes desse tipo, pois é o modelo e é perseguido. Da mesma forma, se um suposto tratamento de conformação sexual funcionasse, além de homens brancos, altos e jovens, todos também seriam heterossexuais. 
    Não convém nem falar sobre a ilegitimidade do tratamento de conversão de sexualidade, exatamente porque o órgão máximo da classe no Brasil, que deve entender mais do assunto do que os pastores melancia, já tem sua posição sobre o assunto. Enfim.

    A proposta é obviamente ofensiva e um tapa na cara de toda a comunidade LGBT. É ruim especialmente para a juventude que está construindo a imagem de si, e que pode vir a se identificar como um homossexual que precisa de tratamento. Pior ainda é para os que vivem em famílias onde existe menos receptividade com um filho gay, que podem querer levá-lo a um psicólogo cristão para a retirada da pomba gira. Apenas a existência dessa proposta dá espaço para que surjam considerações de que a sexualidade pode ser moldada e revertida, mas não a é por pressão dos ativistas que não querem abrir mão da sem vergonhice. Esta pode ser uma conclusão deles, que sabemos ser equivocada, mas ainda pode ter um efeito nocivo se difundida. 
    Por outro lado, existem coisas legais acontecendo em torno dessa proposta também, pois a repercussão foi majoritariamente positiva para nós. As pessoas percebem a repressão que essa proposta causa sobre nós, e criam empatia conosco. O que se sente das redes sociais é total repúdio pela cura, e que pode até sair como tiro pela culatra para a bancada evangélica. Eles ficam com a imagem de fundamentalistas e mancham a reputação de toda uma classe de pessoas religiosas que podem, inclusive, estar do nosso lado, mas que carregarão os estigmas trazidos pela associação de evangelismo pentecostal com ignorância, atraso e burrice.

    O deputado Simplício Araújo (PPS - MA), em resposta a esta proposta, disse que "este projeto é a maior perda de tempo que esta casa já teve, e com todo o respeito à comunidade evangélica, vocês não vão entregar o que estão prometendo, pois não existe tratamento ao que não é doença."[...] "Os principais distúrbios que estão prejudicando a instituição família neste país, em nome da qual vocês estão defendendo este projeto, é a corrupção, a cara de pau de alguns políticos, a forma com que a classe politica tem se comportado, e o uso de dinheiro e da estrutura da câmara para debater um projeto que já nasce morto, e isso tem mobilizado milhares de pessoas a ir para as ruas." 
E no ponto mais interessante de seu discurso:
"Senhor presidente, eu quero ao final deste meu discuso, solicitar de VA Excelência mais uma vez, que não acredito que todos aqui estão surdos para o que está acontecendo neste país, neste momento. O país está terminantemente contra atitudes como esta. E aqui, porque vocês tem a maioria da casa, querem passar por cima de quem tem uma opinião que não é a opinião 100% de vocês, e querem votar a toque de caixa este projeto. Este projeto já está aprovado aqui porque vocês tem a maioria." (Video)

    Como disse o Deputado Simplício, esta proposta foi aprovada em votação simbólica apenas pelo motivo de que existe forte influência da bancada evangélica na CDH, que até a polêmica posse do pastor melancia, passava por desapercebida à maioria dos jornais. Por ter sido insignificante até este ponto, a bancada se apoderou dela, pois não era do interesse de ninguém, e soube fazer um circo por ali. 
    Acredito que a próxima rodada de deputados a assumirem os cargos da CDH não será tão escandalosa, dado o tremendo caos e insatisfação que isso tudo tem causado na população. E convenhamos: povo insatisfeito é a última coisa que o governo quer neste momento, e por isto estou esperando alguma intervenção do governo nesta situação. Cristiana Lobo, aquela jornalista da Globo que sou fã, disse que uma comissão que analisa os cartazes das manifestações tem auxiliado o governo no deciframento das insatisfações dos manifestantes, e confesso que existem muitos cartazes contra os pastores melancia. 

    Por fim, esta nobre proposta ainda tem que passar por duas comissões antes de ir para a Câmara dos deputados para votação (Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e Comissão de Seguridade Social da Câmara). Isso nos dá mais tranquilidade, pois o que aconteceu até agora não tem significado nenhum, além daqueles efeitos colaterais que citei acima (assim espero). Estou confiante que as outras comissões são mais sérias e que a proposta não vai nem chegar à câmara dos deputados. 
    No fim das contas, o Deputado Simplício Araújo, mesmo que não seja militante, se mostrou entendedor de direitos humanos e civilidade, e deve ter total apoio do povo Maranhense no ano que vem. E fica a proposta para já ficarmos de olho nos deputados que estão se mostrando alinhados com as nossas necessidades, e por isso quero propor um grande levantamento para que troquemos recomendações em todos os estados!
#Acorda #gays #vemprarua
Um grande abç
N.B.

sábado, 1 de junho de 2013

Manifesto gayzista


Homossexuais de todos os países, uni-vos!

Temos que trocar urgentemente o hino nacional por uma música da Britney Spears e substituir o cristo redentor por uma estátua de Daniela Mercury. Os feriados religiosos serão substituídos por dias de adoração das divas do pop. Também, todos serão obrigados a terminar suas frases com uma palavra em inglês ou francês, e classificaremos pochete como um crime previsto no novo código de conduta fashion, exceto para as lésbicas. Viva à ditadura gayzista, que mistura gay com nazista!

    Muitos aqui já devem ter tido algum contato com as paranoias de gente que acredita que gays querem implantar uma ditadura no país, baseando essa brilhante conclusão no fato de a PLC 122 impedir a crítica do comportamento homossexual, ferindo assim seus direitos à liberdade de expressão. Em outras palavras, a criminalização da homofobia é uma ameaça à família brasileira, e toda aquela ladainha. Digo brilhante porque é absolutamente viável e beira o óbvio que uma parcela minoritária da sociedade venha a subjugar a maioria tradicionalista.

    Infelizmente, companheiros gayzistas, tivemos nossos planos de dominação mundial vazados, e temos que ser mais espertos se quisermos destruir 'a família'. Afinal de contas, eu estive pensando seriamente em como fazer isso de forma eficiente, pois estou sem planos para destruir algumas famílias usando apenas a minha homossexualidade. Sem bombas. Deve ser, tipo, se eu chegar para uma família e dizer "Olá, eu sou gay", ela se desfaz. Ou se eu me assumir para a minha família, ela se desfazerá, também, como uma alergia terrível. Talvez quando dermos o golpe de estado poderemos destruir a família a bombas, por que este é o nosso objetivo! 

    O engraçado é que muitas pessoas que falam sobre a ditadura gay e defendem a tradicionalíssima e respeitosíssima família brasileira usam colocações tão falaciosas pela vagueza, que se você perguntar a elas o que é a ditadura gay, acho que nem elas conseguiriam ouvir suas respostas sem rir. Algum gay aqui tem ideia de como destruir uma família, que não seja pelo próprio preconceito dela ao não aceitar um ente homossexual? É muita pérola num discurso só, e eles divagam nas suas loucuras como se um mundo de homossexuais fosse vantajoso para os gays... A gente precisa dos casais héteros para gerarem os futuros homossexuais também, né?

    Num exercício de imaginação, dá para pensar na ditadura gay em algo parecido como um bando de gays que se juntam numa praça para ir fazer bullying contra héteros, forçar a conversão dos filhos e maridos em gays, atacar quem critica e jogar bombas nas casas das famílias tradicionais, e tudo isso com o incentivo do governo central. Preciso confessar que no fundo isso é o que eu sempre quis, pois não tenho nada melhor para fazer. Enfim.


    O problema da crítica, que a PL tenta amenizar, é que a crítica é a exteriorização de uma opinião, e num mundo onde as coisas funcionassem, ninguém explicitaria a sua sem ser expressamente requisitado para fazê-lo, pois é deselegante. Não é igual ao Facebook, onde só de abrir você já é inundado de opiniões sendo esfregadas em sua cara, de assuntos absolutamente polêmicos e profundos, mas que ninguém pediu para saber e que as pessoas que geralmente se expressam ali são as que menos sabem do assunto. 


    Opiniões e posicionamentos motivam decisões. Certa vez, aquele mesmo pastor que se senta na cadeira de presidente da CDH disse o seguinte sobre uns cachorrinhos muito fofos: "Pitbulls são monstros criados pelo homem. São aberrações como Frankstein. Se quiserem guardar um para a posteridade, que seja num zoo". Reconheço a existência  dessa corrente de pensamento determinista racial, que não considera que o cachorro pode ser agressivo pelos maus tratos que sofreu e pelo seu treinamento violento, taxando a todos como monstros. É a opinião dele, e ele tem todo o direito de tê-la, independente do nível do tosco. O problema é que esse tipo de opinião justifica (para os alinhados a ela) os inúmeros abusos que ocorrem com animais, pois os agressores se sentem no direito de dar pauladas gratuitas nos cachorros que são considerados aberrações e monstros. E se são muitos os casos noticiados de crueldade, imaginem então os casos não noticiados!

    Outra opinião que justificou uma das maiores vergonhas da humanidade é a de considerar o negro como humano inferior, que deu no que deu. Outra, é a opinião de que católicos são inferiores aos protestantes (e vice versa) que desencadeia inúmeros conflitos na Irlanda movidos por estes motivos fúteis. E por fim, a opinião de que gays são aberrações, e que seus comportamentos são imorais ou indignos, resulta em tudo isso que a gente vê e sente, pois as pessoas sentem-se legitimadas a repreender verbal e fisicamente. 
    Por isso que, na minha humilde opinião, mesmo que ela enfrente alguma resistência inclusive entre gays, esta PL tem muita validade no sentido de forçar uma redução na exposição de opiniões que possam incentivar a desmoralização de uma minoria, ou que possam trazer consequências piores. Eu, particularmente, nunca dei importância ao discurso da ditadura gayzista, por achá-lo ridículo em demasia (e divertido em alguns casos), mas a coisa muda quando ele chega a sua porta. Alguém mais tem problemas com pessoas distribuindo opiniões no Facebook (ou Orkut/Google+, para os hipsters)? Virou bagunça já, é inacreditável como tudo mundo tem uma opinião lá. Falta o povo saber que se abster de ter uma opinião pode ser uma virtude muito em falta hoje, principalmente quando o assunto não lhe é de conhecimento satisfatório.

Enfim!
Um abç.
N.B.
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