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domingo, 24 de março de 2013

Não quero ser gay

    Mentira, claro que eu quero. Ser gay tem seu lado bom quando se sabe aproveitar, apesar de toda a turbulência inicial. Mas o título deste texto não é apenas sensacionalismo, pois algumas coisas me chocaram nos últimos dias:
(1) o preço dos ovos de páscoa;
(2) o pastor presidente da Comissão de Direitos Humanos, sentado na bancada da presidência ao lado da figura engraçadíssima de Jair Bolsonaro. Coisa de país sério, claro;
(4) o ibope que a eleição do papa deu. Até eu que sou mais relapso assisti com curiosidade e gostei, pois acho poderia ter sido ser pior. Não tem nada de novo sobre temas polêmicos, de nosso interesse, e ainda assim os católicos mais conservadores estão arrancando os cabelos com esse papa supostamente mais liberal;
(3) o maior choque fica com a quantidade infinita de homens e mulheres que tem se manifestado em um site de reversão de sexualidade através da fé, relatando suas dificuldades na luta contra o mal perverso do homossexualismo. Surpreendentemente, muitos comentários ali também relatam a vitória em cristo, se auto-proclamam ex-homossexuais, mas que recorrentemente, se pegam lutando desesperadamente contra o desejo proibido, seja quando estão sozinhos na frente do pc tentados a ver pornografia de anões gays, ou quando veem algum cara mais bonitinho. Sente o drama!

"Vi esse blog e fiquei muito feliz em saber que tem outras pessoas que, assim como eu, ainda travam essa luta constante, e por isso gostaria de pedir ajuda ao criador do blog para tentarmos entrar em contato com a Associação dos Médicos Católicos da Alemanha para nos informar a respeito do tratamento que eles dizem estar realizando com as pessoas que querem deixar de ser homossexuais. Dizem ser um tratamento baseado não apenas na religião e na psicologia, mas um tratamento mais concreto: “TRATAMENTOS HOMEOPÁTICOS... COM DILUIÇÕES, POR EXEMPLO, DA CHAMADA PLATINA, A PSICOTERAPIA E O ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL”. Por favor, me ajude, antes que eu perca minha família (sou casado e tenho uma filha) ou acabe me matando de tanto sofrimento. Faço qualquer loucura pra me livrar de vez dessa doença maldita. Abraço a todos e força nessa luta que não é nada fácil."

"Eu sou um futuro ex-homossexual, pois TENHO CERTEZA de que Cristo vai me ajudar nesta dura batalha contra a homossexualidade, tenho certeza que EU e CRISTO vamos vencer esta batalha, é difícil, mas com muita fé e confiança em Deus, eu posso qualquer coisa! Amém!"

"Nessa noite que passou aconteceu algo que eu fiquei muito triste, eu acordei como se estivesse me masturbado, mas não fiz, fiquei desse jeito pelo sonho homossexual que tive, o que me frustra é que em sonho eu não tenho o total controle e as vezes não consigo evitar e acaba acontecendo. Quando isso acontece, eu geralmente tenho um dia horrível só consigo me sentir como mal durante o dia inteiro, e hoje eu estou assim, estou um pouco baleado. Acabei de sentir vontade de praticar o pecado novamente mas não o fiz, as vezes para evitar me masturbo com pornografia heterossexual ou lésbicas não sei se é certo, mas pelo menos não me sinto tão culpado e não fico triste, foi uma válvula escape q eu encontrei, mas gostaria de nem ao menos me masturbar e me guardar para minha futura esposa."

    Depois do que relatei no último texto, e devido aos acontecimentos no circo de nome Brasília, dá vontade de desanimar mesmo. Ou pedir asilo político (se ainda não existir asilo sexual) em algum país mais liberal. Quiçá começar a estocar viagra e pinga, e casar com uma dessas mulheres, as quais jesus ama, mas ninguém as come.
    Apesar das coisas que me chocam, e apesar do início enganoso do texto, este texto não é sobre as angústias de viver a homossexualidade. Isso porque o que se vê nos inúmeros blogs de jovens gays são comportamentos e pensamentos extremamente auto-destrutivos, textos depressivos, revolta com o mundo e relatos da dor e da solidão que é viver sendo o que se é.
    É interessante, porém, como lá fora, na escola e no trabalho, não se vê os deprimidos que tem inundado a internet. Isso poderia nos levar a pensar que o índice de pessoas deprimidas que usam máscaras no mundo offline pode ser absurdamente alto. Como não são todas as pessoas que tem blogs para deixar seus pensamentos fluírem, se tivessem, talvez estariam ali expondo suas angústias também. Estaríamos vivendo uma epidemia de depressão, ou será que sempre estivemos em epidemia, e essa percepção da depressão generalizada só é possível graças ao compartilhamento anônimo que a internet permite? Talvez, no fundo, todos temos que usar aquela máscara de feliz, e quando se está em casa, na intimidade da cadeira do pc, as nossas angústias acham um escape. É tão difícil imaginar que aquele cara que passa o dia sorrindo e rodeado de pessoas tenha alguma crise dessas, mas quem somos nós para saber se aquilo tudo demanda muito esforço dele para sorrir e ser agradável. 
    Tem uma coisa legal que eu ouvi há um tempo na aula de sociologia que somos obrigados a assistir para humanizar o engenheiro. Durkheim (um sociólogo) escreveu um livro sobre o suicídio no qual disse que se o cara pertence demais à sociedade, ou se ele não consegue achar seu lugar ali, suas chances de suicídio são mais elevadas. No caso do cara que não acha seu lugar, é intuitivo entender o porquê. Mas o que pertence demais, às vezes pode se sentir pressionado e vigiado, como se cada deslize fosse um fracasso visto ao mundo, e como se fosse cobrado demais para continuar a responder expectativas, etc etc. Por isso que, antes de dizer que a vida do cara hétero popular é muito boa, temos que nos colocar no lugar dele e imaginar que ser assim também pode demandar muito esforço, paciência e trazer algum tipo de pressão, e que ele pode ter crises na intimidade do seu ser.
    Sabem, senhores, ser otimista é difícil e desgastante demais, e é muito mais fácil falar do que estar em sua pele, sentindo suas angústias que justificam o sentimento de impotência diante das circunstâncias, muitas delas relacionadas ao fato de se sentir atraído pelo mesmo sexo. Podemos pensar que é exatamente isso que nos traz solidão e sofrimento. Olhando com mais cuidado, porém, são variáveis demais para culpar exclusivamente a sexualidade pela solidão. Mas eu divago.
    Ser otimista é o exercício de viver, pois nada de bom na vida vem sem trabalho e esforço, e o desânimo que nos bate às vezes é o reflexo do cansaço em ser otimista, exemplificado pelos gays enrustidos dos comentários acima. Lendo estes e muitos outros comentários, eu, particularmente, fiquei dividido entre compaixão e os risos. Compaixão porque talvez eles sofram mais do que nós por problemas comuns a todos os gays, como o medo da rejeição, as piadas, etc, mas principalmente, e diferentemente de nós, por não estarem satisfeitos consigo e tentarem, de todas as formas, evitar os sentimentos "impuros". Risos porque eu sou mau, mesmo, pois querer mudar isso é muita inocência. 
    Não vou dizer que agir dessa forma e tentar mudar os tratá tristeza, ou que eles serão infelizes para sempre, ou que vão ser frustrados sexualmente e não vão viver suas vidas. Claro que não, porque isso é leviano. Vou explicar.
    Cada vez mais me convenço de que a atração pelo mesmo sexo é universal, podendo conviver com a atração pelo sexo oposto em diferentes níveis. O que estes caras estão fazendo é tentar se ajustar ao que é esperado deles perante as pessoas próximas. Isso traz sofrimento pela constante supressão dos desejos, mas também traz uma certa satisfação pelo sentimento de pertencimento, que pode ou não pesar mais que a angústia da negação e anulá-la. Do nosso lado, fazemos o contrário: abraçamos os nossos desejos e isso compromete o nosso sentimento de pertencimento perante nossos próximos. Se ter experiências gays é melhor ou pior do que suprimir esses sentimentos e tentar levar uma vida de hétero, só a vida dirá.
    De qualquer forma, a sexualidade não pode justificar a rejeição de alguém perante seus próximos. Porém, dadas as circunstâncias de preconceito e críticas ao relacionamento gay, a decisão de seguir vivendo como hétero que rejeita seus desejos homossexuais é compreensível, mas buscar pelo fim desses desejos é perda de tempo, ainda mais se baseando em espiritualidade para isso. Uma paulada na cabeça teria mais chance de funcionar. Talvez a pior parte em brincar de ser hétero é que isso não contribui para nenhuma mudança mais drástica no cenário da sexualidade no país. 
    Também, é claro que podemos chegar lá na frente e perceber que fizemos uma escolha errada, como por exemplo, o cara casado do comentário acima, que não parece muito recompensado pela sua decisão em ter se casado.
    Este blog, a internet e infinitas campanhas de conscientização estão aí para quem quiser conhecer mais sobre sexualidade, e assim chegar à conclusão de que esses desejos nunca vão passar, são comuns e são naturais, pois são inerentes a todos humanos.
    Mas isso tudo não é motivo para deixarmos de ser otimistas, pois a tendência do nível de informação das pessoas é sempre melhorar, e o processamento das informações leva à questionamentos e a consequente ruptura do tradicional.
    Sabem, senhores, acho que a gente tem muita sorte por sermos gays e esclarecidos o suficiente para termos consciência de que isto tudo é normal, e por sabermos tomar nossas decisões de forma mais confiável do que esperar por um milagre. Pelo menos tivemos tempo de chegar a essa conclusão, e temos a chance de estarmos em paz conosco e vivermos mais leves, enquanto o pessoal do "não quero ser gay" vai continuar dando soco em ponta de faca. Estar em paz consigo já é motivo para ser otimista, e pensar que amanhã, quem sabe, de leve na academia, conheceremos o nosso marido que tanto esperamos.
    Temos motivos para sermos otimistas porque, mesmo que o pastor esteja na presidência da comissão, ele enfrenta mais e mais dificuldade em se manter onde está. O governo, inclusive, está preocupado com o tamanho do erro político que cometeu. Quantas manifestações em favor dos direitos humanos e homossexuais estão acontecendo! Sejamos otimistas porque temos representantes ativos (e passivos) no circo também! Dá até vontade de curtir Jean Wyllys (com dois éles e dois ípsilons mesmo?) no Facebook.
    Ou otimistas porque o papa chegou abalando os católicos conservadores, e por mínima que seja, é uma mudança! Otimistas porque, mesmo que os ovos de páscoa estejam absurdamente caros, ainda podemos comprar uma caixa de bombons, que é chocolate também!
    E por fim, sejamos otimistas porque mesmo quando não parece, podemos achar a beleza da vida em todos os lugares, e também porque ser otimista nos faz viver melhor, e viver mais!
Um bom fds e um grande abç
N.B.

domingo, 3 de março de 2013

dramas em 1ª pessoa

http://4.bp.blogspot.com/-XxmIb3e8bVA/Ua5vHH1pszI/AAAAAAAABVU/lM_m4RkTfY4/s1600/Nico-Tortorella-15.jpg    Estou passando um mês na casa dos meus pais, e encontrei com minha antiga paixão de pré-adolescente. Creio ter sido a mais intensa que tive com uma menina e, muito estranhamente, ainda sinto como se quisesse tê-la quando a vejo. Eu não entendo isso. Ela me faz me sentir estranho, com vontade de tocá-la mais, me faz me sentir possante e masculino, e esse sentimento é bom. Hoje ela mora com um namorado e tem um filho de 6 meses, o que me deu motivo para me imaginar no lugar desse namorado. Resumindo: ela ainda mexe muito comigo.
    Já disse algumas vezes aqui no blog que não gosto de falar muito sobre mim, tanto porque não me acho uma pessoa interessante, quanto porque este blog não é um diário. Acho desnecessário e entediante quando um texto de uma pessoa fora do meu interesse se foca muito em quem o escreve. Às vezes, porém, dá uma vontadezinha de largar a sequência de textos sobre coisas, e falar sobre... sei lá, algumas divagações, pessoalidades e nadas, talvez.
    Isso deve ser carência. Eu geralmente me acho uma pessoa forte, e alguns leitores podem ter sentido isso também pelos textos, ou não. Talvez sintam isso porque é um lado impessoal falando, aquele lado esquerdo do cérebro que é cinza, racional e matemático, enquanto meu lado direito fica reprimido, tadinho, pois é indeciso e volátil e não me tem sido de grande serventia. O lado esquerdo sabe por A mais B o que quer, quando e como, enquanto o direito se afoga em dúvidas. Claro que não acredito nessa divisão, que é muito simplória para uma máquina tão complexa como nosso cérebro, mas ajuda a ilustrar o que quero dizer. Acho que tenho sido muito impessoal em muitos aspectos da minha vida, e inclusive comigo mesmo. 
    Prevejo que este post está tomando um rumo de desabafo, pois preciso confessar que não sou tão seguro e nem certo do que defendo nesses textos quanto pareço ser. Sabem, senhores, eu sei do que gosto, mas não sei se sou forte o suficiente para buscar isso, e nem sei o que quero buscar. Não falo sobre buscar prazer, porque a juventude me garante uma abundância de carne. O pensamento de arrumar uma namorada, por mais ridículo e egoísta que isso possa aparecer, tem se tornado muito frequente nos meus dias. Não sei se deveria estar confessando isso neste blog, que tinha como objetivo original levar conforto para quem não se aceita, e dizer que isso tudo é normal, pois isso soa incoerente e pode minar todos os outros textos deste blog. "_O quê!!! O NB diz para nos aceitarmos, mas ele não se aceita? #chatiado"
    Não, não é isso. Eu me aceito do jeito que sou e sei que meus desejos são 'normais', mas o que não tenho certeza é se terei coragem de investir numa relação desse tipo. Sabe, é muito difícil, é muita pressão, e todo o processo é muito chato e desgastante. Estou me cansando de me ausentar em sociais de família ou amigos porque eu tenho medo de me sentir descolado com tantos casais. Vejo outros, até mais novos que eu, levando namoradas para sociais ou coisas de família, e isso me mata de vergonha por ser o primo que nunca namora. Primos e amigos levam suas namoradas para funcionarem como companhia caso a social esteja chata. Pelo menos vai valer pelo passeio e pela comida grátis...
    Sabem, eu odeio drama (exceto em filmes), e já estou prevendo como será se eu contar para a minha família. Meu pai deve ignorar, pois ele é sempre muito relapso com tudo, e minha mãe deve, em princípio, dizer que é uma fase, que eu não posso ser assim porque é errado, e quando ela perceber que eu não cederei sobre minha sexualidade, ela pedirá o sigilo para que ninguém fora desta família nunca saiba, como uma doença que traz vergonha para a família e mancha a imagem do filho perfeito dela, que ela insiste em usar como troféu. Claro que isso é involuntário, pois toda mãe gosta de ser reconhecida pela sua criação quem resultou em um homem 'de bem', pois a sociedade cobra isso dela. Nossa relação ultimamente está muito fria e distante, apesar das incessantes tentativas dela de reaproximação. Por mais que eu queira, eu não consigo me aproximar, e sei que a culpa é minha, o que me causa profundo remorso. Enfim.
    Eu me senti diferente sobre isso tudo durante meus relacionamentos ultrarrápidos. É interessante como ter uma pessoa que esteja sempre do seu lado muda a sua percepção de mundo, e tudo ganha um sentido melhor, mais otimista. Em alguns momentos eu sentia que essa ideia maluca de sair do armário poderia ser viável, mas ela logo passou, assim como os meus parceiros exclusivos, que convencionamos chamar de namorados.
    Eu sou muito crítico da monogamia, mas tenho que reconhecer que ela faz muito bem ao lado emocional/direito do cérebro, que no meu anda subnutrido. 
    E eu sou muito hipócrita também. Ainda não aprendi aquela lei básica sobre dar e receber, e quero mais do que ofereço (ou posso oferecer) num relacionamento. Não estou falando somente sobre fidelidade, mas no geral. Essas fotos do blog, os rapazinhos de comédias românticas, as histórias de amor incondicional, tudo isso me deu a chance de construir a ideia do que esperar de um namorado que eu possa amar. Vocês não precisam me dizer que isso é burrice, eu já sei. Só não consigo largar essa ideia ainda.
    Acreditem ou não, eu sou romântico, e acho que isso também fode com minhas possibilidades de relacionamento. Não digo romântico no sentido de ser um amante meloso e ultra atencioso com a pessoa, mas no sentido de buscar o relacionamento por amor. Digo isso porque eu não acho que faz sentido acreditar em amor. Eu queria não acreditar e poder sossegar com uma pessoa meia boca por conveniência, pois é mais fácil. 
Imagine: você conhece uma pessoa que mexe com suas emoções e vocês pensam que é amor. Pode ser ou não, mas será que é aquele sentimento de que tanto falam? Como saber? Como se aquietar sabendo que o verdadeiro amor e a chance de felicidade pode estar em outra pessoa, mas você não pode arriscar por ficar preso a uma pessoa pela possibilidade de ser amor também? Foda-se o amor e essa farsa que nos convenceram que existe. O que existe é pau, buceta e casais por conveniência, porque o mundo pede que casais fiquem juntos, se aturando até a morte, em relacionamentos subsidiados por alcoolismo e traições, principalmente nas gerações mais antigas. Tenho medo que a ideia de casais gays seja apenas uma tentativa de emular esses casais héteros, porque alguém inventou que gays também devem ter o seu exclusivo.
    Como previ, este texto tomou um rumo de desabafo, o que eu não gosto. Esse tipo de texto é um porre também, porque ninguém quer ficar lendo moleque reclamando da vida ou do mundo. Devo estar precisando de um lote pra capinar, ou de me preocupar menos em ser julgado o tempo todo.
    Acho que essa é a razão porque crio tanta impessoalidade e formalização nos textos. Onde já se viu engenheiro escrever textos que não sejam relatórios técnicos? Talvez seja uma forma de me proteger do julgamento, pois tem menos de mim por aqui. 
    Pois é, da mesma forma que me formalizo por aqui, por fora eu tenho preguiça de formalidades e intelectualidade. Ser formal é chato, entediante, e a percepção que tenho de mim mesmo é que sou muito besta, e adoro falar errado, especialmente em concordância de número, com meu sotaque lindo do oeste de Minas. Assim como dizem que o cara que é bonitinho te agrada pelos primeiros cinco minutos e precisa de conteúdo para agradar por mais tempo, também acontece o contrário. Ser formal cansa a quem o é, e a quem o presencia. Gostaria de deixar meu lado direito do cérebro ter mais voz por vez ou outra.
    Para vocês terem noção de tanto que sou largado com formalidades, alguns dos meus estilos de música favoritos são funk carioca e arrocha. Quanto mais indiscreto e vulgar, mais eu gosto. Gosto de axé também, e algum rock nacional como as músicas antigas do Skank. E Ana Carolina. Não gosto quando pessoas dizem que certo tipo de música é melhor ou pior que outro, ou que não é cultura. Isso me soa tão ignorante que chega a dar câncer. Porque as pessoas não podem apenas curtir suas músicas em paz, sem serem taxadas automaticamente de favelados, analfabetos e sem cultura só pelo seu gosto musical? Exceto quem ouve pagode. Esse é horrível e quem ouve tem merda na cabeça.
    Obviamente eu tenho preconceitos, mas eu tento controlá-los. Tenho alguns preconceitos que até me envergonho de dizer, mas acho normal, também. Por exemplo, eu não gosto de gay que se refere a outros no feminino. Somos homens, oras, tratemo-nos como tal. Tenho ódio disso, pois acho desmoralizante, desnecessário e escandaloso. Também não gosto de gente que se intelectualiza demais, ou gente 'cult', daqueles que recusam certas expressões artísticas por não estarem a altura das suas intelectualidades superiores. Arrogância geralmente anda de mãos dadas com essas pessoas. Enfim, chega de drama.
     Meu nome não é N.B. (_sério, N.B.?) e as letras apenas relacionam o B, que é a inicial do meu sobrenome. O N é a primeira letra do nome de um filho que eu teria quando eu ainda sonhava em ter filhos. Eu faço Engenharia Elétrica, nasci no final de 1989, tenho 23 anos portanto, e tenho crises de idade constantemente. Odeio fazer aniversários e tenho medo de entrar em colapso quando eu fizer 30. Eu amo cachorros, e tive uma cocker preta que me acompanhou por 9 anos, desde os meus 11. Ela morreu em 2011, e este é o meu contato mais próximo de perda de um "ente querido". Meus avós morreram quando eu era novo demais para me importar.
    Eu tenho esse meu lado hippie ao gostar de animais. Apesar disso, sou fã de churrasco e carnes em geral. Sou esganado, e frequentemente encontram-se mais de 3 tipos de animais diferentes no meu prato. Mas em política eu não sou hippie, e tendo a ser conservador/direitista na maioria dos assuntos.
    Eu já tive duas experiência de felicidade e infelicidade extremas, mas em sonhos. A sensação de felicidade, que parecia como o melhor sentimento possível e que se sentia como se eu tivesse atingido o objetivo mor de viver, foi quando sonhei que fiz sexo com meu amigo com quem eu tinha uma paixão platônica na adolescência. O extremo oposto aconteceu quando sonhei que meu pênis caiu, levando consigo toda a minha vontade de viver.
    Acho que fui injusto com meu pai no texto "Pai ausente", pois eu não apontaria nenhum desvio de paternidade até os meus 14 anos. Apenas depois nos distanciamos, talvez por ambos terem ficado ocupados demais, ou pelos motivos apresentados naquele texto. Até essa idade, íamos ao clube 3 vezes por semana, na maioria das vezes para jogarmos ping-pong. Era o que gostávamos de fazer juntos.  
    Tenho ido a boites gays, até bastante frequentemente, eu diria, já há mais de um ano, pois arrumei companhias ótimas para isso, graças ao blog, e confesso que eu me arrependo de não ter começado a ir mais cedo. É muito mais tranquilo do que eu pensava (dependendo do lugar, claro). O medo e preconceito eram exatamente pela falta de conhecimento sobre aquilo tudo.
    Hoje faz 2 anos que comecei a escrever neste blog, e fico surpreso que eu tenha levado esse projeto por tanto tempo. Este também é o 100º texto, e como não sei fazer textos comemorativos, resolvi fazer um fora do padrão e falar de mim. Não sei se é assim que se fala de si, mas espero ter respondido algumas perguntas que surgiram por aqui.
    Por fim, eu tenho que agradecer a todos que apoiam este blog, direta ou indiretamente, e agradecer aos melhores leitores que um blogueiro iniciante pode ter, pois sem vocês eu não teria nenhuma motivação para tocar isso por 2 anos. São muitos comentários elaborados e inteligentíssimos, que me inspiram. Tenho que agradecer aos amigos que fiz nessa jornada, e reafirmar que não tenho intenção nenhuma de parar com este projeto.

Então, isto é um pouco de quem vos escreve.
Um prazer, e até mais.
N.B.
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