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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Frevo, samba e xote

    Minas é um estado mediano em todos os sentidos. Está no centro do norte/sul do Brasil e tem níveis de educação e de renda que são exatamente a média do país. Deve ser um senso comum que a educação de um povo e a melhor aceitação de gays estão diretamente relacionados. Mesmo que não seja uma regra aplicável a todos os bem educados, não podemos negar a alta correlação que existe entre as duas características. Ainda existem grupos muito especiais, como os meus companheiros engenheiros, que tem uma falta de jeito enorme em lidar com sexualidade. Estes não deixam de ser bem educados.
    Se fizermos uma análise imediatista do brasil, somos levados a acreditar que nos estados do sul as pessoas são mais leves com gays, enquanto nos estados do norte não. Mas será que isso se traduz no nível de satisfação que os gays locais tem na relação entre sociedade e sexualidade?
    Por aqui, eu sinto que lidar com assuntos sexuais de forma impessoal é mais fácil, mas isso pode expressar apenas a minha experiência. Existe muita concentração de grupos gays em vários pontos da Savassi (coração da vida notura, casas de show e boites de BH). Quando permaneço nas filas, por exemplo, nunca presenciei nenhum tipo de ofensa, evangelização ou outro problema. Na minha cidade natal, a 1a boite gay apareceu há apenas 10 anos, e não creio que havia local para socialização de pessoas sexualmente alinhadas por lá antes disso. Quando trago isso para meu grupo de convívio (amigos/família), isso se torna muito mais incômodo, mesmo que todos tenham um nível satisfatório de educação acadêmica. 
    Sempre tive a ideia de que no Rio de Janeiro esse tema é visto de maneira muito menos escandalosa. Não sei se é ilusão da mídia, ou se a Globo faz um trabalho inclusivo e mais intenso por lá, mas imagino que não deva existir melhor lugar para gays no Brasil do que a cidade do Rio de Janeiro. Não tenho ideia se isso se estende pelo interior do estado. Se bem que o estado é tão pequenininho que é até difícil imaginar que exista interior algum... Enfim.
    Em São Paulo, então, era de se esperar que, por ser um dos mais educados e o mais rico do Brasil, gays pudessem viver mais tranquilamente por lá. Porém, um dos problemas que ocorrem em lugares muito desenvolvidos é o aparecimento de grupos extremistas para defender o que eles 'conquistaram', como acontece muito na Europa. São Paulo é o estado com maior número de ataques motivados por homofobia, em porcentagem da população, e muitos casos ganham destaque pela brutalidade, como o famoso ataque da lâmpada fluorescente na Av. Paulista, ou do pai e filho que foram confundidos com um casal gay e foram agredidos, perdeu-se uma orelha, etc... 
Já conheci pessoas dos estados do norte que vivem uma vida gay quase plena e quase feliz. Em contraste, também conheci pessoas do sul que vão passar a vida sem ser vivida plenamente, exatamente pelo desconforto que causariam na sociedade local com sua sexualidade. 
    São muitas as variáveis envolvidas para se analisar como um local trata a diversidade sexual, porém suspeito que a satisfação individual com sua própria cidade está mais relacionada com o grupo que o cerca do que pelo próprio número de pessoas liberais da cidade. É claro que uma cidade com um grande número de pessoas liberais aumenta a chance de o indivíduo se sentir confortável com assuntos sexuais no seu núcleo de convívio, o que leva à genial conclusão de que há casos e casos. 
    Ou não? Qual o seu nível de satisfação com a sua cidade? Ela possui locais de socialização para gays, ou como muitos tem chamado ultimamente, "alternativos"? Ou ainda, será realmente necessário um local declarado para gay?
Um abç,
N.B.
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