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domingo, 15 de dezembro de 2013

Um estudo sobre relacionamentos


    Senhores, eu gostaria de poder concluir algumas coisas acerca de relacionamentos homossexuais e seus fracassos, e para isto preciso da vossa ajuda. 

    Imagino que seja um grande problema se encontrar outros homens que atendam ao que esperamos de um namorado, principalmente estando no armário, pois isto restringe o número de parceiros em potencial que conhecemos.


    Desta forma, peço que vocês enumerem as características que vocês julgam ser as piores que um homem pode ter, dando um número menor às piores características, tais como:

[x] - nível educacional;
[x] - estado financeiro;
[x] - religioso ou não;
[x] - beleza ou falta dela;
[x] - estar fora ou dentro do armário;
[x] - ser afeminado ou não;
[x] - posição política;
[x] - preferência de posição sexual;
[x] - outras.
    Destas, quais características vocês dão maior peso para recusar uma pessoa como possível namorado?

Um grande abç e ótima semana,
N.B.

domingo, 17 de novembro de 2013

#chupa #frangas

    Já comentei aqui no blog que não me interesso nenhum pouco sobre futebol, apesar de ter um carinho especial pelo Cruzeiro, como uma certa herança do meu pai. Não me importo de estar mergulhado num ócio colossal durante os jogos, e mesmo assim nem me importar de ligar a TV para acompanhar. 
    Não sei nomear mais do que três jogadores do "meu time", e este desinteresse pode ser uma das causas da minha deficiência em acompanhar papos de futebol - que surpresa! 
    O futebol é um assunto leve quando tratado sem fanatismo, e desta forma ele une os homens, funcionando como um catalizador de laços emocionais, pois com ele é possível conversar de uma forma impessoal, apesar das preferências pessoais pelos times. Este assunto pode ser falado com menos amarras quando se está com pessoas as quais não se tem a devida intimidade para conversar ou discutir sobre assuntos pessoais ou polêmicos, como música, família, relacionamentos, religião e política.
    Nesta semana, o Cruzeiro foi campeão do Campeonato Brasileiro, e como aconteceu quando o Atlético a Libertadores, a cidade parou para comemorar o título com um entusiasmo maior do que se comemoraria o fim de uma guerra mundial, ou a queda de uma ditadura. Eu sinceramente não entendo como a vitória de um time de futebol pode significar tanto para estas pessoas, porque eu não vejo como isso agregue valor à vida delas, exceto pela possibilidade de argumentar com o torcedor do rival de que seu time é melhor, e isto me parece absurdamente fútil. 
    Não vou ser o chato que sempre critica este comportamento com um discurso pseudo intelectual relacionando novelas e futebol à política de pão e circo, pois estes são entretenimento, e entretenimento também merece espaço na vida das pessoas. O que não compreendo, contudo respeito, é o espaço, tempo e dinheiro dedicados ao que nada acrescenta à pessoa. Ou talvez acrescente a possibilidade de poder conduzir conversas impessoais, sobre um assunto superficial, com recém conhecidos, e assim se entrosar mais rapidamente em um ambiente novo. Talvez este seja o papel funcional de tamanha dedicação ao futebol na vida das pessoas.
    Alguém que torça e tenha uma visão diferente, por favor compartilhe as razões que te motivam a torcer para abrir a nossa mente, apesar de que imagino que futebol é um assunto tão diametralmente oposto aos interesses dos gays quanto o PT é da livre iniciativa.
    De qualquer forma, o intuito de falar sobre futebol neste texto seria poder, finalmente, chegar ao machismo associado com as ofensas entre torcedores rivais, que geralmente vêm acompanhados de feminilização. Isto é comum porque a associação com o sexo feminino dá maior peso à ofensa, exatamente porque qualquer coisa associada ao sexo feminino é repugnante: frangas e marias são ofensas mais comuns aqui em Minas, por exemplo. 
    Este machismo é o mesmo que denigre gays por tomarem uma posição que é tradicionalmente da mulher, e é inaceitável que um indivíduo com o poder nato de homem abdique desta posição ao assumir o papel de uma mulher. Porém este assunto é cansado e óbvio, mas daí eu gostaria de pegar um gancho para compartilhar um insight que tive nesta semana sobre o machismo na Língua Portuguesa. 
    
    Na verdade, não há nada de novo nesta constatação, mas este tema me recorreu à cabeça. O machismo está tão incrustado na sociedade brasileira, que temos a possibilidade de dar gênero aos pronomes e artigos, e  também aos substantivos (de frango à franga, e de Mário à Maria) para que elas se tornem mais ofensivas. Em um grupo de amigos com 01 homem e um número N de mulheres tendendo ao infinito, nos referimos ao grupo como "meus amigos", pois para as mulheres nele contidas, está tudo bem ser tratado pelo pronome masculino, mas para o homem é inaceitável ser tratado pelo feminino como aconteceria se fosse dito "minhas amigas".
    Enquanto as línguas de base latinas apresentam distinção de gênero, as de base germânica não. Nesta brincadeira, pode-se associar regiões com níveis de machismo mais elevados, como o sul da Europa (Itália, Espanha e Portugal) e América Latina, e regiões que falam línguas de origem germânica, e que são menos afetadas por sexismos. Isto se traduz em maior probabilidade de estas regiões já terem aprovado casamento igualitário, terem aborto legalizado, além de oferecerem menor distinção entre homens e mulheres no mercado de trabalho, por exemplo e etc. 
    Percebam, porém, que falar uma língua que não distingue gêneros nas palavras não faz com a região seja menos machista, pois isto envolve uma série de outros fatores, e a língua é apenas um deles. Estados Unidos e África do Sul são exemplos disso, pois falam línguas de base germânica e ainda são tão puritanamente e primitivamente machistas como o Brasil-il-il. Porém é interessante perceber como o machismo está enraizado em coisas tão corriqueiras, mas que não podem ser chamadas de detalhes por nos acompanharem o tempo todo.
Um grande abç!
N.B.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Amor no YouTube e cantoras pop

    Não é segredo nenhum que comentários em videos do YouTube tem um altíssimo índice de desagradabilidade, nos quais os usuários se aproveitam do anonimato para disparar bobagens contra tudo e todos, tornando esta seção um lado meio obscuro da internet. Só não é superado pelos comentários do G1.
    Algumas pessoas, ainda, nem precisam usar o anonimato para deixar ali uma opinião que ninguém pediu, mas que fazem questão de expôr. Parece até uma utopia alguém não ter opinião sobre tudo na internet, mesmo que não saibam nada sobre o assunto. 
    Divago sobre isso porque fiquei incomodado com muitos comentários nos videos de Miley Cyrus que tentavam rebaixar sua honra, baseando-se apenas no seu comportamento mais recente. Miley é ex Hanna Montana, do canal Disney, que teve uma abruta ruptura com o passado.
    Um parênteses (
Sim, fui no YouTube ver videos de Miley. Sintam-se a vontade para julgar meu gosto musical. Na verdade, não tenho vergonha de admitir (para vocês) que escuto muito frequentemente às divas que muitos gays tanto amam. Vocês podem checar no meu perfil do lastfm
    Cantoras pop internacionais são coisa de viado mesmo. Por exemplo, o show de Beyoncé que aconteceu aqui em BH em setembro foi praticamente uma festa gay ao ar livre, e em grandes proporções. Eu não fui , mas tiro de base a fila que se formou, composta majoritariamente por gays óbvios e com sotaque. 
    Gosto musical é um ótimo indicativo para descobrir se a pessoa é gay. Isso não significa que todo gay goste de música pop e cantoras internacionais, mas o que quero dizer é que quem curte este tipo de música, muito provavelmente (para não dizer certamente) é gay. Gay que não curte divas vai curtir coisas mais hipster como música norueguesa, fado, indie rock, mas que também levantam grandes suspeitas. Hétero não sai muito do eixo rock sem sal tipo nickelback ou clássico, do sertanejo e do funk. 
)
    Fechando o parênteses e voltando ao comentário que me incomodou, ele dizia algo do tipo "O pai de Miley deve estar realmente orgulhoso da filha", num óbvio tom de sarcasmo, e foi feito por uma menina que não devia passar dos seus 20 anos. 
    De fato, Miley tem agido de forma polêmica, dançado de forma sensual e apelado à exposição do corpo nos últimos tempos, mas porque isso justifica aquele comentário? 
    Parei para refletir por um instante e concluí que Miley é famosa, bonita, magra, rica, loura, cristã, talentosa e gentil com os fãs. Para mim, estes motivos são suficientes para que o pai esteja realmente orgulhoso da filha que tem, porém aqueles comentários insinuavam que Miley fosse promíscua e baixa por agir daquela forma, e usar aquelas roupas. 
    Ao chamá-la de promíscua, os comentários insinuavam que o número de parceiros da garota é muito alto, mas não a vi fazendo sexo com ninguém naqueles videos. Ou será que ela é puta porque não se portava submissivamente como manda a tradição cristã? 
    O machismo vindo das próprias mulheres é terrível. Neste caso, ele foi invocado quando assumiram que a vida sexual de Miley era muito ativa apenas penas roupas que usava e pelo jeito que dançava, e quando desconsideraram seu talento e a poesia de sua música por acharem o comportamento da garota como inadequado. Este pensamento é o mesmo que põe todas as qualidades de uma pessoa à sombra da sexualidade quando ela é gay, na famigerada frase "ele é tão bom, mas é gay". Este pensamento é o mesmo que justifica policiais perguntarem o que a vitima de estupro estava vestindo, como se esta vítima tivesse parte na culpa do crime. Quando se trata de mulheres que mostram seus corpos, estupradores se sentem no direito de molestá-las, física e verbalmente, como se não fossem dignas de respeito, como se uma saia curta fosse um convite ao sexo.
    O comentário que esta menina fez no YouTube, apontando Miley como profana, é uma tentativa de se mostrar como adaptada às regras da sociedade, mesmo que estas regras sejam antiquadas e incoerentes. Para se mostrar como normal, a ela precisou apontar o anormal, que neste caso é foi a cantora rebelde.
    Essas doses diárias de machismo, em frases que se ouvindo rapidamente nem damos atenção, é o que segura a humanidade de evoluir. Estas pobres mulheres nem percebem como são vítimas do próprio machismo quando escolhem se vestir como não gostam, ou quado ela se contem ao comentar sobre sexo, ou quando diminuem o número de parceiros que já levaram pra cama, apenas com o intuito de não terem suas honras postas em dúvida, e para não serem chamadas de profanas. 
    Porém, contudo e entretanto! Será uma sociedade machista a mais natural aos humanos? Às vezes sinto que a grande massa não pensante vive tão harmoniosamente com isto, com (alguns) benefícios tanto para homens e para mulheres. Mas isto é tópico para divagações em outro texto.
Grande abç!
N.B.

PS: O ex noivo de Miley é Liam Hemsworth (irmão do Thor), que é motivo suficiente para ficar louco com o término do noivado.

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma adolescência mental


   Uma vez um amigo me questionou se gays, em geral, ao terem a oportunidade de experimentar suas sexualidades, passam por uma espécie de adolescência atrasada.

    Este questionamento voltou à minha cabeça recentemente por eu fazer aniversário neste mês (sou escorpiano, a quem interessar), e exatamente por isso relacionei a proposta deste meu amigo com a minha situação, pois eu não soube opinar na época, e ainda não sei em que lado me coloco. 

    Já fui muito biscate na vida (sem conotação negativa), e isso se estendeu até o ano passado quando cheguei a sair com mais de dois caras no mesmo dia, e até ao mesmo tempo, ao contrário deste ano, quando as coisas ficaram mais calmas e o número de pessoas com quem eu saí até agora no ano todo foi a média semanal do ano passado. Não sei se é por falta de tempo, ou por eu ter elevado meus requisitos, ou ainda por causa de um desinteresse que pode ser pela idade, e que pode estar relacionado a um sossego sexual.
    De qualquer forma, este questionamento parece pertinente quando se percebe que uma grande quantidade de gays, nos seus vinte e poucos, parecem estar dispostos a fazer sexo com o mundo, ou com qualquer coisa que se mexa, e estão fugindo de relacionamentos como uma mulher com chapinha foge da chuva. Não digo que isto seja bom ou ruim, mas este comportamento nesta idade contrasta com meus amigos héteros que, em sua maioria, querem uma companhia estável para passar o final de semana, e estão mais sossegados nesse aspecto da vida.
    Por outro lado, a repressão que estes homossexuais sofreram ao longo da vida pode tê-los levado à questionamentos do status quo moral, além de ter instigado a curiosidade e o desenvolvimento de um bom senso crítico de tudo o que lhes é postulado. Por ser uma questão de sobrevivência e de preservação da própria sanidade, nós tivemos que questionar o que nos era tido como "o correto", para que não fôssemos "os errados" no mundo e para que não morrêssemos de depressão pelo auto julgamento, o que caracteriza maturidade. 
    Dessas hipóteses generalistas e superficiais, pode-se resumir que o homossexual passa por um amadurecimento intelectual antecipado e uma busca pela satisfação sexual atrasada, em contraste com o hétero que tem a satisfação sexual garantida nos seus anos mais joviais, mas que por ser ajustado à sociedade, não precisa questionar as regras do mundo. 
    Tentando não generalizar, vejo que casais gays nos seus vinte e pouco anos são as raríssimas exceções, inclusive entre gays assumidos. E o mais engraçado disso tudo é que, mesmo existindo tão poucos casais gays estáveis, a falta de gente que quer um relacionamento gay sério é uma reclamação constante das pessoas com quem converso. Sei que querer um relacionamento sério não exclui a possibilidade de ir para a cama com outras pessoas sem compromisso, justificado pelo pensamento: "Eu quero um relacionamento sério, mas não com eles...". Isso pode nos levar a pensar que os requisitos para quem está nesta situação são muito altos.
    Neste contexto, gostaria de saber da situação de vocês. Digam como foi o seu comportamento sexual ao longo dos anos, se começou atrasado, ou se ainda não começou, e se vocês fazem sexo casual ou estão a espera do cara certo. Por fim, alguém gostaria de levantar hipóteses sobre a contradição de se haver tantas pessoas que gostariam de ter um relacionamento sério, e mesmo assim tão poucos casais gays?
Um grande abç e feliz dia das crianças atrasado!
N.B.

sábado, 5 de outubro de 2013

Platonisses recorrentes


"Past behaviour is the best predictor of future behaviour"

    Vi isso num filme, e me soa como uma daquelas verdades universais que ajudam muito a conhecer uma pessoa. Acho que estou começando a entender a dinâmica do amor platônico, e como isso se relaciona ao conceito de amizade. Dizia Aristóteles que "um amigo é uma única alma vivendo em dois corpos", o que sempre me serviu como uma boa definição para explicar esse conceito sobre os laços emocionais com outras pessoas. Pela definição do filósofo, este sentimento parece ser de uma intensidade desconsertante, e não tão banal como sinto que é divulgado e usado por nós. 
    É incrível como algumas pessoas chegam na sua vida assim, do nada, e de repente você se sente mais intensamente conectado a ela do que o que te liga aos teus amigos de muitos anos e de múltiplos interesses em comum. 

    Vou acrescentar que nestes casos também existe uma certa atração da minha parte pelos exemplares a quem me conecto tão fluidamente, e isto torna clara a existência de um certo amor platônico meu por eles. É engraçado como a evolução de uma amizade, nas suas definições tradicionais, para o amor platônico, pode ser apenas pela adição do desejo sexual à equação, pois é assim que sinto que ocorre comigo.

    A partir disto e da reciprocidade da intensidade do sentimento, alguém pode formular a hipótese de que o amor platônico é o que deveria ser chamado de a verdadeira amizade, baseando-se na premissa de que, quando este existe, as outras 'amizades' perdem o brilho e a prioridade na nossa vida.
    
    Outro motivo para se pensar que o amor platônico é a verdadeira amizade é o fato de que, mesmo que exista um desejo sexual envolvido na relação, não se pode agir sobre ele, pois caso se agisse, não seria nem amizade e nem amor platônico. A existência do desejo torna o interesse no amigo maior, traz insegurança e traz a vontade de querer agradar para se tornar também interessante ao outro. Traz também ansiedade e medos sobre os limites das conversas e dos toques (ah! os toques...), e ronda a cabeça incessantemente procurando sinais de que seu amor é correspondido. Este pensamento de que uma relação emocional tem que ser intensa para ser chamada de amizade está mais alinhado com a definição de Aristóteles, e o desejo sexual (e somente ele?) causa essa intensidade. 

    Isto pode explicar a existência dos brothers (grupo de amigos geralmente muito bonitos e que adoram divulgar e comentar sobre a intensidade das suas amizades nas redes sociais) pela possibilidade de existir amor platônico de um pelo outro.

    Por outro lado, baseando-se nesta hipótese, alguém pode levantar outra hipótese dizendo que não existe a verdadeira amizade sem o devido desejo sexual. Bom, talvez seja assim, talvez não, e esta era a conjectura que eu queria chegar como tópico deste texto. O que vocês acham?

    Pergunto isso porque, como sugere a frase que pus no começo do texto, estou vivendo amores platônicos novamente (e dessa vez no plural), e também porque eu tenho a mania de tomar minhas experiências como verdades universais. As minhas amizades mais intensas geralmente vem atreladas a um certo desejo pelo rapaz em questão, em contraste com as minhas outras amizades onde não existe desejo. Mesmo que exista uma infinidade de interesses em comum e convergência de humor, quando não existe desejo essas amizades me parecem um tanto sem sal, como se perdessem prioridade quando uma amizade platônica entra em cena. Não é muito honroso dizer isto, eu sei, mas é só comigo que acontece? Ou é um reflexo da minha terrível característica de objetificar as pessoas, priorizando quem serve unicamente aos meus anseios, e dispensando quem eu não posso sugar algo de meu interesse? Ou, na raiz da questão, existe amizade completamente desinteressada? Além disso, existe amizade entre homem e mulher estritamente heterossexuais?

    Talvez esta última questão seja óbvia para muitos, e nem mereça tanta atenção assim. Tantas questões existenciais me parecem óbvias, e tantas outras simples como esta, me parecem tão misteriosas... 

    Porém, destoando do que imagino que seja o pensamento mais comum, uma amizade nestas condições enfrentaria empecilhos baseados em questões morais e em convenções não escritas. Aos olhos de quem vê a amizade por fora, é fácil imaginar o tanto de rumores que rondariam a sexualidade do rapaz, ou a pureza da moça por manter um parceiro potencial sem compromisso, o que pode trazer desconforto ao casal de amigos. 

    Eu me estressava muito quando tinha amizade com mulheres. A minha parte medieval e machista sempre ficava alerta por ter que defender sua honra, eventualmente, quando saíamos a dois. Vou generalizar aqui, e dizer que mulher caça muita confusão, pois por algum motivo, imagino que elas se sentem intocáveis a algum tipo de repreensão mais intensa ou física, pois por estarem acompanhadas de um homem, ela espera que este venha a defender sua honra e amenizar seus problemas quando a coisa aperta. Ou talvez eu tenha essa impressão pois tive amigas machistas, majoritariamente. Ela bota a cara, mas quem leva o tapa é o cara, e sair com uma mulher me deixa tenso, estressado, de mau humor. É uma excentricidade minha que descobri bem recentemente, e que pode explicar o motivo de eu ter quase nenhuma amiga.
    _Atenha-se ao tópico, N.B.

    Enfim!

    Vocês acham plausível a ideia de se considerar o amor platônico como a verdadeira amizade? Ou que a amizade é mais intensa quando se existe interesse sexual, e que isso pode subjugar outras amizades que demonstrem maior convergência de interesses? Ou não tem nada a ver e eu sou uma puta sem coração e sem ética por propôr isso?
Bom final de semana a todos!
Um grande abç, 
N.B.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um defeito perfeito


    Buscar as fotos que ilustram este blog me dá a oportunidade de passar o olho por um mar de homens perfeitos e esta é a minha parte preferida de publicar, tanto porque vem com a sensação boa de ter terminado um texto, tanto porque posso apreciar estas figuras que admiro tanto, e que me trazem um turbilhão de sentimentos. 
    Fico imaginando se sou apenas eu, e sinceramente espero que não, que fica muito impressionado com todos esses modelos. Talvez até um pouco transtornado no sentido de me sentir tão diferente deles. Fico pensando também se esse sentimento tem culpa, ou parte dela, no fato de eu apreciar a figura masculina, e principalmente, no fato de eu sexualizá-la.
    Esse meu exemplo, tão pontual e pessoal, abre espaço para levantar uma hipótese de que a propaganda da estética masculina afeta homossexuais de uma maneira mais intensa do que afeta a héteros. Não tenho casos de outras pessoas para sustentar essa hipótese além do meu próprio, e por isso tentaremos tirar uma conclusão a partir dos comentários dos senhores. 
    Podemos pensar em razões para sustentar esta hipótese. 
    Primeiramente, porque vaidade e preocupação com a própria imagem são tradicionalmente coisas de viado. 
    Numa outra abordagem, e mais séria, podemos dizer que desejamos ser o que queremos ter. No caso dos homossexuais, procuramos características nos nossos parceiros que gostaríamos que tivéssemos também, pois as achamos nobres e agradáveis aos olhos. Esta busca é, talvez, uma auto crítica às fixações que temos com a nossa própria aparência. 
    Também podemos imaginar que, ao se desejar ter a figura masculina adorada, o homossexual pode imaginar que outros homossexuais também desejarão pela mesma figura, o que pode dar um grande peso sobre esta figura para o homossexual desejar se parecer o mais próximo dela.
    E como explicar o maromba hétero comedor de vagina que idolatra a figura masculina musculosa? Não sei, mas suspeito que idolatrias de formas corporais e/ou pessoas vêm acompanhadas de uma carga de sexualização desta mesma imagem ou pessoa por quem idolatra. Talvez o comportamento hétero do maromba seja apenas externo, e internamente ele deseja sexualmente o que idolatra, mesmo que negue a si próprio. Ou talvez ele não deseja ter o que quer ser.
    Nesta conversa sobre quem está mais impressionado por estas figuras, sempre me vem à cabeça as tais campanhas pela real beleza para as mulheres, pois ao mesmo tempo que a idealização da imagem feminina causa transtornos como bulimia e anorexia nelas, a idealização da imagem masculina também pode causar transtornos para nós homens. Nem por isso temos campanhas direcionadas a nós...

    A super exposição às imagens de modelos pode causar depressão, exatamente por serem inatingíveis, e também pode estressar uma característica controversa nas pessoas, que é a superficialidade pela super valorização do exterior. Não é pra menos, pois somos animais visuais, e também porque o exterior é altamente capitalizado.

    Não sei se este é o momento em que falo que devemos valorizar menos o exterior, porque debaixo de toda pele não há beleza e porque o tempo é ingrato com o corpo. É tipo aquele papo de que dinheiro não traz felicidade. É verdade, não traz felicidade necessariamente, mas pelo menos traz conforto na tristeza, ou paga um bom psicólogo. Neste mesmo raciocínio, o exterior é importante sim, e muito, pois expressa saúde e status, além de ser o primeiro contato que o mundo tem contigo, te dá conforto e segurança psicológica, além de abrir as portas do mundo pela beleza.

    Nesse aspecto, o que nos salva de entrar em profunda depressão por não sermos perfeitos como aquelas imagens todas é saber que também ninguém é perfeito. Numa conversa com um ex modelo, ele salientou que as pessoas nem imaginam o trabalho que existe por trás das fotos: horas de maquiagem, horas de photoshop e uma sessão de 200 fotos para se tirar uma que preste. Inclusive ele estava satisfeito com a própria aparência antes de começar a carreira de modelo, mas começou a achar defeitos em si próprio com o tempo.

    Felizmente, a ideia da figura adorada varia de pessoa para pessoa, e mesmo que seja mais comum se encontrar pessoas que busquem por um dos modelos tradicionais de homens altos, fortes e brancos (e héteros), outros podem achar que a imagem tradicional é musculosa demais, branca demais, alta demais, etc etc. A partir da premissa de que todos tem imperfeições, não necessariamente físicas, fica mais fácil imaginar que existe alguém no mundo capaz de achar beleza nos nossos defeitos, e seremos perfeitos para quem importa.
    E quanto aos senhores, vocês acham que gays são mais sensíveis à propaganda da estética do que os héteros? Ou tanto quanto? 

Um grande abç, e bom fds a todos =)
N.B.
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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Uma sociedade secreta

    O ócio que me é permitido nas férias me dá a oportunidade de colocar alguns projetos em prática, e tendo em vista o sucesso do post "Que tal um novo amigo", me passou pela cabeça criar um grupo secreto no Facebook para os amigos do Blog, inicialmente: o Bar do NB.
    A proposta deste grupo é dar oportunidade de a gente confraternizar entre semelhantes, discutir e compartilhar coisas pertinentes (ou não) a nossa situação e fazer amizades. Para proteger a privacidade de quem está lá, ele é secreto, e portanto, ele não aparecerá no seu perfil, nem em buscas, e nem os comentários e outras interações que acontecem no grupo aparecerão em nenhum outro lugar, a não ser para outros membros do grupo. 
    De cara, já temos um problema terrível, pois quem está no armário, total ou parcialmente, preza pela discrição e vai oferecer uma certa resistência a querer entrar. Como contornar isso?
    Eu sinceramente não sei se é possível resolver esta questão, mas vou tentar convencê-los.
    Não serão permitidos perfis fakes e nem postagem de conteúdo pornográfico, e a moderação atuará pesadamente nisso para se evitar uma exposição desnecessária de quem integra o grupo. Certamente quem está totalmente no armário não vai se sentir seguro para pertencer ao grupo, e é necessário um maior nível de maturidade e de satisfação com a própria situação para estar aberto e se expor a pessoas que estão essencialmente na mesma situação. 
    Se é um risco? É sim, e inclusive eu estou lá com meu perfil real. Mas o que é a vida sem tomar alguns riscos de vez em quando? Acho que a gente morre lentamente quando não se faz nada para sair da rotina do dia a dia, ou quando se vive refém do medo que nos segura de fazer a vida andar. Como dizia aquele monge tibetano: "Existem pessoas que morrem sem ter vivido".
    Creio que este pode ser um passo importante na conquista da paz consigo mesmo, por estar entre pessoas semelhantes, além de ser um convite à derrubada de preconceitos. Então, se você já está seguro o suficiente para interagir com outras pessoas como você, sem filtros e sem julgamento, junte-se a nós!
    Se você se interessar em entrar, mande-me um email, já com seu email vinculado à conta do Facebook para receber o convite, ou para tirar dúvidas =) 
   Vocês acham que a ideia é válida ou será que vai ficar travada, exatamente pelo medo da exposição? E vocês tem alguma sugestão para tornar o processo mais confortável e seguro, se isso for possível? Também gostaria de ter um retorno sobre aquele post "Que tal um novo amigo". A proposta funcionou?
Um grande abç,
N.B.

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Momento marketing 29/07: 
Já somos mais de 50! Não sabia para onde esse barco iria, mas estou ficando muito satisfeito com a direção que o grupo tem tomado. Todos os membros são respeitosos, amigáveis e divertidos. Para quem estiver se sentindo sozinho, venha experimentar! =)
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28/02
Grupo fechado

sábado, 13 de julho de 2013

McBanheirão 2.0

"O Homem não é o único animal que pensa.
Entretanto é o único que pensa que não é animal." - Clarice Lispector Pascal

  Esse frio intenso me faz lembrar de um protótipo de namorado que tive há exatos dois anos. A gente gostava de dizer que se usava para se aquecer nas noites frias de inverno, pois foi exatamente durante essa época que tivemos o nosso lance. Usávamos isso como desculpa para não admitir o sentimento que começava a rolar, e era ótimo sentir o toque da sua pele macia, ficar ali vendo filmes repetidos e fazendo cafuné, numa união de espíritos que eu jamais senti de novo. Nos dávamos bem em tudo, conversávamos por horas, e tínhamos interesse em fazer o outro se sentir interessado nos nossos assuntos.
    Hoje fico me remoendo ao olhar sua página do Facebook, considerando a possibilidade de adicioná-lo de novo depois do motivo fútil que fez com que o nosso lance terminasse, com a minha liderança para tal destino, mas o orgulho me é um traço muito pesado. As noites de inverno nesse tempo me vinham com a ansiedade e alegria de poder esperar pelo final de semana e passar junto a ele. Hoje, elas são apenas frias, mas não mais frias que meu coração (tomando uma xícara de café e ouvindo música depressiva).
    Brincadeira. Estou apenas exercitando minha capacidade de fazer um texto melancólico em retrospectiva, porque o tempo passa e a gente percebe o tanto que fomos burros em certos momentos da vida. Inclusive, às vezes passo o olho em textos antigos e tenho vontade de enfiar minha cabeça no buraco mais próximo por vergonha, e nunca mais sair de lá. Felizmente o blog é anônimo, mas mesmo assim não resisto a ter vergonha alheia própria quando leio coisas que escrevi até bastante recentemente, então vou lá e intervenho. Lá se vai um parágrafo ou dois que tenho que apagar, ou alguma frase que está tão mal escrita que tem de ser refeita (assim como alguma neste mesmo texto). Quem me dera se a vida fosse assim também, e a gente pudesse apenas ir em certos momentos e editar coisas que a gente fez e se envergonha hoje. 

    É, também, interessante ver como a gente muda a posição sobre determinadas coisas, muda a ordem e as prioridades na vida. Há pouco mais de dois anos eu escrevi sobre as minhas primeiras percepções sobre pegação em banheiros públicos, e alguns pontos ali são até razoáveis. Aquela coisa sobre DSTs e a possibilidade de se traumatizar crianças que venham a presenciar esse tipo de ato podem ser de preocupação de até o mais liberal dos homens.

    Desde que descobri a dinâmica do sexo de banheiro, minha posição foi sempre contrária a essa demonstração que, da minha perspectiva, era doentia e pervertida. Alguns preconceitos como "apenas gente feia e velha precisam disso", fizeram parte daquele texto, e é claro que toda generalização é burra. Suspeito, porém, que esse é o pensamento e a posição generalizada da a maioria das pessoas com relação a este assunto.

"Em todos os banheiros de um shopping da região central, um aviso dá o alerta de que o ato obsceno, crime previsto no artigo 233 do Código Penal, é passível de detenção. Por trás do recado, homens se reúnem para exibicionismo, voyeurismo e encontros casuais. É a "pegação", segundo explicaram à reportagem alguns frequentadores, em gíria própria da comunidade gay, cena comum à maioria dos shoppings e outros locais públicos." [folha]

"O Estado entrevistou clientes heterossexuais do Frei Caneca para saber o que eles acham de se manter ali um "segurança de banheiro".
O engenheiro Adílson Cabral, de 38 anos, e sua mulher, a fonoaudióloga Mara Lima, de 39, acharam graça da situação. "Qual a função dele ?", perguntou Mara, achando que se tratava de casos de assalto.
Ao saber que o problema era a eventual prática de sexo em público, e isso poderia incomodar frequentadores, riu mais ainda. "Isso acontece?" Para Adílson, não é tão estranho: "Volta e meia você percebe que tem cara olhando de maneira diferente. Mas em qualquer lugar tem". [Estadão]

     Em oposição ao que eu disse naquele texto, agora eu gostaria de poder criticar o tratamento desses atos "obscenos" como crime, e para isso temos que passar por uma leve reflexão do porquê os genitais são obscenos. A razão histórica do porquê é bastante óbvia, e está relacionada com o fato de sermos uma sociedade baseada no pudor, na bíblia e na moralidade relacionada a estes dois fatores. Porém, esses fatores não são suficientes para explicar a raiz da consideração do corpo como obsceno, pois o pudor e as leis bíblicas são frutos de uma moralidade vigente, da mesma forma que a moralidade é influenciada pelo pudor e pela bíblia. Ou seja, a explicação é cíclica e, portanto, inaceitável. Tenho dificuldades de pesar em outras explicações, pois considero os genitais apenas partes do corpo como qualquer outra, mas com funções muito específicas.

    Podemos divagar e dizer que talvez sejam obscenos porque são objetos de fetiche e excitação. Mas por que o são? Uma hipótese diz que a nudez como existe no nosso mundo dá espaço para que exista pornografia, pois o corpo coberto funciona como um instigador da curiosidade e do desejo em vê-lo descoberto, pele por pele. Se essa premissa é válida, o fetiche por trás dos genitais poderia ser explicado pelo terrível tabu que está amarrado a eles desde sempre. Se não fosse assim, poderia-se considerar a hipótese de os genitais como instrumento de alívio sexual apenas, e não de excitação. Neste mundo hipotético, isso causaria o ciclo contrário ao que existe hoje: genitais seriam tão banais quanto mãos, não causariam excitação e não seriam obscenos por isso, ao contrario de hoje, que a obscenidade causa excitação e a necessidade de se esconder pelo pudor. 
    Se dizem que se exibir e se masturbar no banheiro é ato obsceno por ser imoral, também usam a mesma justificativa para dizer que dois homens não podem se beijar em público. Eu tendo a não aceitar justificativa que possam levar atos a serem considerados obscenos baseando-se apenas na moralidade para isso. Vai lá saber quem foi que criou todas essas leis idiotas que nos prendem eternamente, mas não estão escritas. E além disso, considerar certo ato como imoral/obsceno é estritamente subjetivo. Vide o seguinte exemplo:


"Vindo para cá no aeroporto vi dois homens se beijando de língua e tocando suas partes íntimas", contou ao apresentador Danilo Gentili, que retrucou: "E você não teve tesão?". "Se as pessoas quiserem beijar, beijem, façam o que quiser, mas não na frente dos meus olhos", disse o pastor. "É constrangedor para uma pessoa de família". [Fonte]

    Da mesma forma que o pastor melancia se sentiu ofendido ao ver dois homens se beijando, outros homens poderiam se sentir ofendidos ao ver homens de pau duro nos banheiros, quiçá de mãos dadas nas ruas. "Oras, as pessoas vão ao banheiro para fazer suas necessidades e não são obrigadas a ver homens com o pau duro de fora", argumentariam. Eles esquecem, porém, que o pau também fica duro por necessidade, e se esquecem que elas não são obrigadas a ver ninguém se masturbando, e ninguém mijando também. Que olhem para outra direção, se isso incomoda tanto. Não faz sentido proibir certas demonstrações corporais pela moralidade, porque o limite entre o aceitável e o obsceno varia para cada pessoa, e esta declaração do pastor ilustra muito bem isso.

    Claro que não estou de acordo com todo mundo ir pro banheiro fazer pegação, pois ainda existe a questão das crianças, e esse liberalismo despudorado abre brecha para a seguinte hipótese: "se a gente for levar esse raciocínio para fora do banheiro, isso é a mesma coisa de permitir que todo mundo faça sexo na rua". Apenas uma mente pervertida como a minha poderia concordar com isso, pois ao contrário das necessidades excrementícias, esta não causa poluição. Em outras circunstâncias, onde o sexo não fosse tão cercado de tabus, qual seria o problema disso?
    Poderiam dizer que crianças vão ver, mas também não entendo essa super-proteção delas com o alcance ao sexo. Mas cuidado com as interpretações, pois não estou aqui dizendo que elas deveriam participar também. Apenas não creio que elas devam ser privadas da consciência de que sexo existe.

   A criança não vai entender em princípio, pois não demonstra interesse nenhum em nada disso até seu despertar sexual. Ela deve sim ser protegida de outros que queiram fazer sexo com ela até que ela seja madura sexualmente (adulta), ou até que demonstre interesse (leia-se 25 anos, que seria o caso de um filho meu, porque sou hipócrita mesmo. Claro que falo isso porque não tenho filhos, mas creio que mesmo defendendo estes pensamentos, eu tentaria proteger o meu disso tudo). Acredito que essa blindagem das crianças em relação ao sexo que existe atualmente causa transtornos, insegurança, confusão, medo e apenas funciona para alimentar o ciclo do tabu. Quantas pessoas aí fora não poderiam ter uma vida sexual que fosse menos pesada pelos tabus, e se sentirem mais confortáveis com o sexo, se não tivessem sido omitidas dessa existência e sido blindadas como se sexo fosse uma coisa ruim e impura? Reforçando, não digo que elas devam ser introduzidas a este mundo desinibidamente, mas critico a superproteção que existe. Ainda nesta reflexão das consequências do fim da obscenidade sexual, poderiam dizer que "outros vão ver/se excitar/querer participar/roubar a mulher/meter junto/vai virar uma orgia". Talvez sim, talvez não. Se sexo não for um tabu, poderia não ser tão excitante ver outros fazendo sexo. Se os praticantes do sexo estivessem de comum acordo com quem queira entrar na orgia, não vejo problemas também. E por fim, ainda poderiam dizer que é desrespeitoso, mas isso é subjetivo.
    19/07 - [Não existe motivo lógico e racional para subsidiar a moralidade que condena o sexo em público. Esta proibição não faz sentido, a não ser que pela própria moral, e por isso a proibição é cíclica. Esta é a mesma dinâmica que condena um casal gay que demonstra seu afeto em público, não pelas leis, mas pelas coerções implícitas no medo deles em sofrer rechaço em público. É contra a moral de alguns, que também não é baseada em nenhum motivo lógico para que seja dessa forma, e por isso deve-se confrontar toda a moral, que é pessoal, com a lógica que é (ou deveria ser) geral. Se as pessoas usassem a lógica para se posicionar quanto aos homossexuais seríamos completamente aceitos, entre outros assuntos que seriam beneficiados.]
    Eu, como todo mundo aqui, não sou isento de sofrer das rédeas comportamentais que a nossa moralidade usa para nos domar, e certamente me sentiria incomodado em presenciar certos atos em público. Da mesma forma que não sou contra que estes atos ocorram, também não preciso me posicionar como estimulador, pois posso apenas estar ciente da existência deles e desconsiderá-los, pois isso não afeta a minha vida. 
    Creio que esta seja a melhor forma de lidar com isso, e a humanidade poderia viver muito mais harmoniosamente se o fizesse também com assuntos que os incomodam. Não gosta de banheirão? Não pratique, e se ver um homem de pau duro do lado, não olhe. Faça o que tem que fazer, e saia. Não gosta de ver homens se beijando? Não beije, e não olhe quando alguém estiver beijando. Ninguém vai te obrigar a ficar olhando, pois seu campo de visão ainda vai ter alguns 200 graus de visão livre no eixo azimutal.

Um bom fds e um grande abç.
N.B.

Atualização 15/07
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Como pude me esquecer desse curta espanhol que gostei tanto, e é exatamente sobre o tópico! Vale a pena assistir =) Abçs





sábado, 22 de junho de 2013

Pastor melancia

Alguém chame o SAMU! Estou com um caso gravíssimo de homossexualismo!!!

    Ainda bem que sim. Deve ser uma daquelas doenças que causam mais benefícios do que danos. Tipo aquela mulher com um transtorno que a faz ter orgasmos por mais de hora. Como eu gostaria de estar doente como ela... Mas eu divago.
    Então, meus caros, o deputado infeliz voltou a colocar a melancia no pescoço. Na verdade, apenas apareceu de gaiato, já que o projeto de cura gay não é de autoria dele, e sim de João Campos (PSDB-GO). 
    O deputado Anderson Ferreira (PR-PE) faz uma argumentação em defesa do projeto dizendo:
"Essa resolução cerceia a independência e liberdade dos profissionais e o direito da pessoa de procurar um psicólogo e de receber orientação. É direito do paciente procurar atendimento que satisfaça seus anseios. O projeto de decreto legislativo garante o direito ao homossexual a mudar sua orientação sexual e ser acolhido por um profissional".

        Eu particularmente achei essa argumentação do deputado Anderson Ferreira bastante chata de refutar. Isso porque eu gostaria de ter a liberdade de poder decidir o que usar e ser quando bem entendesse, independente de leis restritivas que existem para, por exemplo, (algumas) drogas, aborto, eutanásia, etc. Cada um sabe o que é melhor para si, e sabe as consequências que suas decisões podem implicar, e me sinto reprimido quando não tenho a condição de exercer essas minhas decisões. Esse raciocínio poderia se estender à mudança de orientação sexual, uma vez que os gays deveriam ter a liberdade de mudar sua orientação caso desejassem. Eu teria a oportunidade de experimentar uma buceta, pelo menos uma vez na vida, e quem sabe depois voltar a ser gay de novo. Isso porque, se a terapia funciona para um lado, por que também não pode funcionar no outro sentido? Esse argumento do deputado só é valido se virar viado for uma liberdade também, o que eu suspeito que não seja. 

    Também, podemos considerar o direito desigual que existe em sociedades mais avançadas, que garante a proteção das classes mais desafortunadas. Delegacias de mulheres, fundações indígenas, leis contra discriminação de raças, estatutos da criança e do idoso, tudo isso tenta colocar essas classes, que estão longe de serem dominantes, em uma zona especial de proteção, pois são vulneráveis ao preconceito e infortúnios que suas condições podem trazer ao longo da vida. Por que isso será diferente com a classe dos homossexuais? Um direito desigual aqui poderia garantir a não existência dessa proposta, uma vez que se aprovada, haveria apenas a conversão para o heterossexualismo. 
    Imagine que, por exemplo, houvesse formas de se tornar um homem, alto, jovem e branco (de preferência louro), o mundo não teria muitas pessoas diferentes desse tipo, pois é o modelo e é perseguido. Da mesma forma, se um suposto tratamento de conformação sexual funcionasse, além de homens brancos, altos e jovens, todos também seriam heterossexuais. 
    Não convém nem falar sobre a ilegitimidade do tratamento de conversão de sexualidade, exatamente porque o órgão máximo da classe no Brasil, que deve entender mais do assunto do que os pastores melancia, já tem sua posição sobre o assunto. Enfim.

    A proposta é obviamente ofensiva e um tapa na cara de toda a comunidade LGBT. É ruim especialmente para a juventude que está construindo a imagem de si, e que pode vir a se identificar como um homossexual que precisa de tratamento. Pior ainda é para os que vivem em famílias onde existe menos receptividade com um filho gay, que podem querer levá-lo a um psicólogo cristão para a retirada da pomba gira. Apenas a existência dessa proposta dá espaço para que surjam considerações de que a sexualidade pode ser moldada e revertida, mas não a é por pressão dos ativistas que não querem abrir mão da sem vergonhice. Esta pode ser uma conclusão deles, que sabemos ser equivocada, mas ainda pode ter um efeito nocivo se difundida. 
    Por outro lado, existem coisas legais acontecendo em torno dessa proposta também, pois a repercussão foi majoritariamente positiva para nós. As pessoas percebem a repressão que essa proposta causa sobre nós, e criam empatia conosco. O que se sente das redes sociais é total repúdio pela cura, e que pode até sair como tiro pela culatra para a bancada evangélica. Eles ficam com a imagem de fundamentalistas e mancham a reputação de toda uma classe de pessoas religiosas que podem, inclusive, estar do nosso lado, mas que carregarão os estigmas trazidos pela associação de evangelismo pentecostal com ignorância, atraso e burrice.

    O deputado Simplício Araújo (PPS - MA), em resposta a esta proposta, disse que "este projeto é a maior perda de tempo que esta casa já teve, e com todo o respeito à comunidade evangélica, vocês não vão entregar o que estão prometendo, pois não existe tratamento ao que não é doença."[...] "Os principais distúrbios que estão prejudicando a instituição família neste país, em nome da qual vocês estão defendendo este projeto, é a corrupção, a cara de pau de alguns políticos, a forma com que a classe politica tem se comportado, e o uso de dinheiro e da estrutura da câmara para debater um projeto que já nasce morto, e isso tem mobilizado milhares de pessoas a ir para as ruas." 
E no ponto mais interessante de seu discurso:
"Senhor presidente, eu quero ao final deste meu discuso, solicitar de VA Excelência mais uma vez, que não acredito que todos aqui estão surdos para o que está acontecendo neste país, neste momento. O país está terminantemente contra atitudes como esta. E aqui, porque vocês tem a maioria da casa, querem passar por cima de quem tem uma opinião que não é a opinião 100% de vocês, e querem votar a toque de caixa este projeto. Este projeto já está aprovado aqui porque vocês tem a maioria." (Video)

    Como disse o Deputado Simplício, esta proposta foi aprovada em votação simbólica apenas pelo motivo de que existe forte influência da bancada evangélica na CDH, que até a polêmica posse do pastor melancia, passava por desapercebida à maioria dos jornais. Por ter sido insignificante até este ponto, a bancada se apoderou dela, pois não era do interesse de ninguém, e soube fazer um circo por ali. 
    Acredito que a próxima rodada de deputados a assumirem os cargos da CDH não será tão escandalosa, dado o tremendo caos e insatisfação que isso tudo tem causado na população. E convenhamos: povo insatisfeito é a última coisa que o governo quer neste momento, e por isto estou esperando alguma intervenção do governo nesta situação. Cristiana Lobo, aquela jornalista da Globo que sou fã, disse que uma comissão que analisa os cartazes das manifestações tem auxiliado o governo no deciframento das insatisfações dos manifestantes, e confesso que existem muitos cartazes contra os pastores melancia. 

    Por fim, esta nobre proposta ainda tem que passar por duas comissões antes de ir para a Câmara dos deputados para votação (Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e Comissão de Seguridade Social da Câmara). Isso nos dá mais tranquilidade, pois o que aconteceu até agora não tem significado nenhum, além daqueles efeitos colaterais que citei acima (assim espero). Estou confiante que as outras comissões são mais sérias e que a proposta não vai nem chegar à câmara dos deputados. 
    No fim das contas, o Deputado Simplício Araújo, mesmo que não seja militante, se mostrou entendedor de direitos humanos e civilidade, e deve ter total apoio do povo Maranhense no ano que vem. E fica a proposta para já ficarmos de olho nos deputados que estão se mostrando alinhados com as nossas necessidades, e por isso quero propor um grande levantamento para que troquemos recomendações em todos os estados!
#Acorda #gays #vemprarua
Um grande abç
N.B.

sábado, 1 de junho de 2013

Manifesto gayzista


Homossexuais de todos os países, uni-vos!

Temos que trocar urgentemente o hino nacional por uma música da Britney Spears e substituir o cristo redentor por uma estátua de Daniela Mercury. Os feriados religiosos serão substituídos por dias de adoração das divas do pop. Também, todos serão obrigados a terminar suas frases com uma palavra em inglês ou francês, e classificaremos pochete como um crime previsto no novo código de conduta fashion, exceto para as lésbicas. Viva à ditadura gayzista, que mistura gay com nazista!

    Muitos aqui já devem ter tido algum contato com as paranoias de gente que acredita que gays querem implantar uma ditadura no país, baseando essa brilhante conclusão no fato de a PLC 122 impedir a crítica do comportamento homossexual, ferindo assim seus direitos à liberdade de expressão. Em outras palavras, a criminalização da homofobia é uma ameaça à família brasileira, e toda aquela ladainha. Digo brilhante porque é absolutamente viável e beira o óbvio que uma parcela minoritária da sociedade venha a subjugar a maioria tradicionalista.

    Infelizmente, companheiros gayzistas, tivemos nossos planos de dominação mundial vazados, e temos que ser mais espertos se quisermos destruir 'a família'. Afinal de contas, eu estive pensando seriamente em como fazer isso de forma eficiente, pois estou sem planos para destruir algumas famílias usando apenas a minha homossexualidade. Sem bombas. Deve ser, tipo, se eu chegar para uma família e dizer "Olá, eu sou gay", ela se desfaz. Ou se eu me assumir para a minha família, ela se desfazerá, também, como uma alergia terrível. Talvez quando dermos o golpe de estado poderemos destruir a família a bombas, por que este é o nosso objetivo! 

    O engraçado é que muitas pessoas que falam sobre a ditadura gay e defendem a tradicionalíssima e respeitosíssima família brasileira usam colocações tão falaciosas pela vagueza, que se você perguntar a elas o que é a ditadura gay, acho que nem elas conseguiriam ouvir suas respostas sem rir. Algum gay aqui tem ideia de como destruir uma família, que não seja pelo próprio preconceito dela ao não aceitar um ente homossexual? É muita pérola num discurso só, e eles divagam nas suas loucuras como se um mundo de homossexuais fosse vantajoso para os gays... A gente precisa dos casais héteros para gerarem os futuros homossexuais também, né?

    Num exercício de imaginação, dá para pensar na ditadura gay em algo parecido como um bando de gays que se juntam numa praça para ir fazer bullying contra héteros, forçar a conversão dos filhos e maridos em gays, atacar quem critica e jogar bombas nas casas das famílias tradicionais, e tudo isso com o incentivo do governo central. Preciso confessar que no fundo isso é o que eu sempre quis, pois não tenho nada melhor para fazer. Enfim.


    O problema da crítica, que a PL tenta amenizar, é que a crítica é a exteriorização de uma opinião, e num mundo onde as coisas funcionassem, ninguém explicitaria a sua sem ser expressamente requisitado para fazê-lo, pois é deselegante. Não é igual ao Facebook, onde só de abrir você já é inundado de opiniões sendo esfregadas em sua cara, de assuntos absolutamente polêmicos e profundos, mas que ninguém pediu para saber e que as pessoas que geralmente se expressam ali são as que menos sabem do assunto. 


    Opiniões e posicionamentos motivam decisões. Certa vez, aquele mesmo pastor que se senta na cadeira de presidente da CDH disse o seguinte sobre uns cachorrinhos muito fofos: "Pitbulls são monstros criados pelo homem. São aberrações como Frankstein. Se quiserem guardar um para a posteridade, que seja num zoo". Reconheço a existência  dessa corrente de pensamento determinista racial, que não considera que o cachorro pode ser agressivo pelos maus tratos que sofreu e pelo seu treinamento violento, taxando a todos como monstros. É a opinião dele, e ele tem todo o direito de tê-la, independente do nível do tosco. O problema é que esse tipo de opinião justifica (para os alinhados a ela) os inúmeros abusos que ocorrem com animais, pois os agressores se sentem no direito de dar pauladas gratuitas nos cachorros que são considerados aberrações e monstros. E se são muitos os casos noticiados de crueldade, imaginem então os casos não noticiados!

    Outra opinião que justificou uma das maiores vergonhas da humanidade é a de considerar o negro como humano inferior, que deu no que deu. Outra, é a opinião de que católicos são inferiores aos protestantes (e vice versa) que desencadeia inúmeros conflitos na Irlanda movidos por estes motivos fúteis. E por fim, a opinião de que gays são aberrações, e que seus comportamentos são imorais ou indignos, resulta em tudo isso que a gente vê e sente, pois as pessoas sentem-se legitimadas a repreender verbal e fisicamente. 
    Por isso que, na minha humilde opinião, mesmo que ela enfrente alguma resistência inclusive entre gays, esta PL tem muita validade no sentido de forçar uma redução na exposição de opiniões que possam incentivar a desmoralização de uma minoria, ou que possam trazer consequências piores. Eu, particularmente, nunca dei importância ao discurso da ditadura gayzista, por achá-lo ridículo em demasia (e divertido em alguns casos), mas a coisa muda quando ele chega a sua porta. Alguém mais tem problemas com pessoas distribuindo opiniões no Facebook (ou Orkut/Google+, para os hipsters)? Virou bagunça já, é inacreditável como tudo mundo tem uma opinião lá. Falta o povo saber que se abster de ter uma opinião pode ser uma virtude muito em falta hoje, principalmente quando o assunto não lhe é de conhecimento satisfatório.

Enfim!
Um abç.
N.B.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Que tal um novo amigo?

   *Dica do NB*: como o post recebeu muitos comentários, para te facilitar a encontrar o seu estado, clique nos links das "respostas" (com as setinhas para baixo) para ajuntar os outros comentários.
    Você tem se sentido sozinho ultimamente, e acha que não pode mais conversar com seus amigos sobre tudo? Pois saiba que um dos maiores problemas que gays recém descobertos enfrentam é a solidão e falta de amigos com quem possam conversar sem tantos filtros, pois estão sempre paranoicos com medo de deixar alguma coisa escapar e que possa denunciar a nossa sexualidade. Se isolar gera solidão, e solidão machuca, enlouquece e mata.
    Grande parte da minha aceitação se deve ao fato de eu ter feito amigos com quem eu me sinto mais à vontade. Com eles, eu não tenho que dividir minha vida em socialmente aceitável e o resto, que é a parte mais interessante. Por isso, gostaria de propôr aos senhores uma chance de se conhecerem, fazer amigos entre si e ajudar a enfrentar a solidão do armário juntos.
    Sempre senti que os senhores são tão agradáveis e tão acima da média, e se eu tivesse a chance chamaria cada um para seu meu amigo na vida real, como aconteceu com alguns amigos recentes que fiz. É muito importante se sentir pertencido, criar um grupo de amigos que te aceitem pelo que se é, e também, quem sabe, ter companhias para explorar lugares alternativos! 
    Felizmente a internet tem alcance nacional, e essa proposta não se limita a apenas BH. Portanto, quero separar os senhores em quem está mais próximo um do outro, de preferência na mesma cidade, para que possam se conhecer de verdade. Por isso separei tópicos correspondentes aos Estados, assim fica mais fácil achar alguém próximo.
    Gostaria de deixar algumas recomendações para a postagem, pois não tenho o costume de moderar e nem de apagar comentários. Primeiramente, vamos ser respeitosos e lembrar que sexo tem à vontade ali no chat UOL. Também gostaria de propôr um modelo de comentários, mas não precisam ficar retidos a ele. Alguma coisa do tipo:


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Cidade:
Idade:
Você se identifica como gay ou é uma questão muito existencial?
Você está no armário?
Como seus pais tratam a sexualidade, ou o que eles pensam?
Duas músicas para recomendar:
Dois filmes para recomendar:
Pepsi ou Coca-cola?
Email:
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    Como disse, não precisam se ater ao modelo, mas lembrem-se de deixar a cidade e um Email de contato, mesmo que fake. O importante é escrever alguma coisa para que as pessoas tenham interesse na sua amizade e venham a te contactar.
    Espero que a proposta dê certo, pois ficar sozinho na dúvida e solidão não está com nada =D
Um grande abç, um ótimo fim de semana!
N.B.

domingo, 24 de março de 2013

Não quero ser gay

    Mentira, claro que eu quero. Ser gay tem seu lado bom quando se sabe aproveitar, apesar de toda a turbulência inicial. Mas o título deste texto não é apenas sensacionalismo, pois algumas coisas me chocaram nos últimos dias:
(1) o preço dos ovos de páscoa;
(2) o pastor presidente da Comissão de Direitos Humanos, sentado na bancada da presidência ao lado da figura engraçadíssima de Jair Bolsonaro. Coisa de país sério, claro;
(4) o ibope que a eleição do papa deu. Até eu que sou mais relapso assisti com curiosidade e gostei, pois acho poderia ter sido ser pior. Não tem nada de novo sobre temas polêmicos, de nosso interesse, e ainda assim os católicos mais conservadores estão arrancando os cabelos com esse papa supostamente mais liberal;
(3) o maior choque fica com a quantidade infinita de homens e mulheres que tem se manifestado em um site de reversão de sexualidade através da fé, relatando suas dificuldades na luta contra o mal perverso do homossexualismo. Surpreendentemente, muitos comentários ali também relatam a vitória em cristo, se auto-proclamam ex-homossexuais, mas que recorrentemente, se pegam lutando desesperadamente contra o desejo proibido, seja quando estão sozinhos na frente do pc tentados a ver pornografia de anões gays, ou quando veem algum cara mais bonitinho. Sente o drama!

"Vi esse blog e fiquei muito feliz em saber que tem outras pessoas que, assim como eu, ainda travam essa luta constante, e por isso gostaria de pedir ajuda ao criador do blog para tentarmos entrar em contato com a Associação dos Médicos Católicos da Alemanha para nos informar a respeito do tratamento que eles dizem estar realizando com as pessoas que querem deixar de ser homossexuais. Dizem ser um tratamento baseado não apenas na religião e na psicologia, mas um tratamento mais concreto: “TRATAMENTOS HOMEOPÁTICOS... COM DILUIÇÕES, POR EXEMPLO, DA CHAMADA PLATINA, A PSICOTERAPIA E O ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL”. Por favor, me ajude, antes que eu perca minha família (sou casado e tenho uma filha) ou acabe me matando de tanto sofrimento. Faço qualquer loucura pra me livrar de vez dessa doença maldita. Abraço a todos e força nessa luta que não é nada fácil."

"Eu sou um futuro ex-homossexual, pois TENHO CERTEZA de que Cristo vai me ajudar nesta dura batalha contra a homossexualidade, tenho certeza que EU e CRISTO vamos vencer esta batalha, é difícil, mas com muita fé e confiança em Deus, eu posso qualquer coisa! Amém!"

"Nessa noite que passou aconteceu algo que eu fiquei muito triste, eu acordei como se estivesse me masturbado, mas não fiz, fiquei desse jeito pelo sonho homossexual que tive, o que me frustra é que em sonho eu não tenho o total controle e as vezes não consigo evitar e acaba acontecendo. Quando isso acontece, eu geralmente tenho um dia horrível só consigo me sentir como mal durante o dia inteiro, e hoje eu estou assim, estou um pouco baleado. Acabei de sentir vontade de praticar o pecado novamente mas não o fiz, as vezes para evitar me masturbo com pornografia heterossexual ou lésbicas não sei se é certo, mas pelo menos não me sinto tão culpado e não fico triste, foi uma válvula escape q eu encontrei, mas gostaria de nem ao menos me masturbar e me guardar para minha futura esposa."

    Depois do que relatei no último texto, e devido aos acontecimentos no circo de nome Brasília, dá vontade de desanimar mesmo. Ou pedir asilo político (se ainda não existir asilo sexual) em algum país mais liberal. Quiçá começar a estocar viagra e pinga, e casar com uma dessas mulheres, as quais jesus ama, mas ninguém as come.
    Apesar das coisas que me chocam, e apesar do início enganoso do texto, este texto não é sobre as angústias de viver a homossexualidade. Isso porque o que se vê nos inúmeros blogs de jovens gays são comportamentos e pensamentos extremamente auto-destrutivos, textos depressivos, revolta com o mundo e relatos da dor e da solidão que é viver sendo o que se é.
    É interessante, porém, como lá fora, na escola e no trabalho, não se vê os deprimidos que tem inundado a internet. Isso poderia nos levar a pensar que o índice de pessoas deprimidas que usam máscaras no mundo offline pode ser absurdamente alto. Como não são todas as pessoas que tem blogs para deixar seus pensamentos fluírem, se tivessem, talvez estariam ali expondo suas angústias também. Estaríamos vivendo uma epidemia de depressão, ou será que sempre estivemos em epidemia, e essa percepção da depressão generalizada só é possível graças ao compartilhamento anônimo que a internet permite? Talvez, no fundo, todos temos que usar aquela máscara de feliz, e quando se está em casa, na intimidade da cadeira do pc, as nossas angústias acham um escape. É tão difícil imaginar que aquele cara que passa o dia sorrindo e rodeado de pessoas tenha alguma crise dessas, mas quem somos nós para saber se aquilo tudo demanda muito esforço dele para sorrir e ser agradável. 
    Tem uma coisa legal que eu ouvi há um tempo na aula de sociologia que somos obrigados a assistir para humanizar o engenheiro. Durkheim (um sociólogo) escreveu um livro sobre o suicídio no qual disse que se o cara pertence demais à sociedade, ou se ele não consegue achar seu lugar ali, suas chances de suicídio são mais elevadas. No caso do cara que não acha seu lugar, é intuitivo entender o porquê. Mas o que pertence demais, às vezes pode se sentir pressionado e vigiado, como se cada deslize fosse um fracasso visto ao mundo, e como se fosse cobrado demais para continuar a responder expectativas, etc etc. Por isso que, antes de dizer que a vida do cara hétero popular é muito boa, temos que nos colocar no lugar dele e imaginar que ser assim também pode demandar muito esforço, paciência e trazer algum tipo de pressão, e que ele pode ter crises na intimidade do seu ser.
    Sabem, senhores, ser otimista é difícil e desgastante demais, e é muito mais fácil falar do que estar em sua pele, sentindo suas angústias que justificam o sentimento de impotência diante das circunstâncias, muitas delas relacionadas ao fato de se sentir atraído pelo mesmo sexo. Podemos pensar que é exatamente isso que nos traz solidão e sofrimento. Olhando com mais cuidado, porém, são variáveis demais para culpar exclusivamente a sexualidade pela solidão. Mas eu divago.
    Ser otimista é o exercício de viver, pois nada de bom na vida vem sem trabalho e esforço, e o desânimo que nos bate às vezes é o reflexo do cansaço em ser otimista, exemplificado pelos gays enrustidos dos comentários acima. Lendo estes e muitos outros comentários, eu, particularmente, fiquei dividido entre compaixão e os risos. Compaixão porque talvez eles sofram mais do que nós por problemas comuns a todos os gays, como o medo da rejeição, as piadas, etc, mas principalmente, e diferentemente de nós, por não estarem satisfeitos consigo e tentarem, de todas as formas, evitar os sentimentos "impuros". Risos porque eu sou mau, mesmo, pois querer mudar isso é muita inocência. 
    Não vou dizer que agir dessa forma e tentar mudar os tratá tristeza, ou que eles serão infelizes para sempre, ou que vão ser frustrados sexualmente e não vão viver suas vidas. Claro que não, porque isso é leviano. Vou explicar.
    Cada vez mais me convenço de que a atração pelo mesmo sexo é universal, podendo conviver com a atração pelo sexo oposto em diferentes níveis. O que estes caras estão fazendo é tentar se ajustar ao que é esperado deles perante as pessoas próximas. Isso traz sofrimento pela constante supressão dos desejos, mas também traz uma certa satisfação pelo sentimento de pertencimento, que pode ou não pesar mais que a angústia da negação e anulá-la. Do nosso lado, fazemos o contrário: abraçamos os nossos desejos e isso compromete o nosso sentimento de pertencimento perante nossos próximos. Se ter experiências gays é melhor ou pior do que suprimir esses sentimentos e tentar levar uma vida de hétero, só a vida dirá.
    De qualquer forma, a sexualidade não pode justificar a rejeição de alguém perante seus próximos. Porém, dadas as circunstâncias de preconceito e críticas ao relacionamento gay, a decisão de seguir vivendo como hétero que rejeita seus desejos homossexuais é compreensível, mas buscar pelo fim desses desejos é perda de tempo, ainda mais se baseando em espiritualidade para isso. Uma paulada na cabeça teria mais chance de funcionar. Talvez a pior parte em brincar de ser hétero é que isso não contribui para nenhuma mudança mais drástica no cenário da sexualidade no país. 
    Também, é claro que podemos chegar lá na frente e perceber que fizemos uma escolha errada, como por exemplo, o cara casado do comentário acima, que não parece muito recompensado pela sua decisão em ter se casado.
    Este blog, a internet e infinitas campanhas de conscientização estão aí para quem quiser conhecer mais sobre sexualidade, e assim chegar à conclusão de que esses desejos nunca vão passar, são comuns e são naturais, pois são inerentes a todos humanos.
    Mas isso tudo não é motivo para deixarmos de ser otimistas, pois a tendência do nível de informação das pessoas é sempre melhorar, e o processamento das informações leva à questionamentos e a consequente ruptura do tradicional.
    Sabem, senhores, acho que a gente tem muita sorte por sermos gays e esclarecidos o suficiente para termos consciência de que isto tudo é normal, e por sabermos tomar nossas decisões de forma mais confiável do que esperar por um milagre. Pelo menos tivemos tempo de chegar a essa conclusão, e temos a chance de estarmos em paz conosco e vivermos mais leves, enquanto o pessoal do "não quero ser gay" vai continuar dando soco em ponta de faca. Estar em paz consigo já é motivo para ser otimista, e pensar que amanhã, quem sabe, de leve na academia, conheceremos o nosso marido que tanto esperamos.
    Temos motivos para sermos otimistas porque, mesmo que o pastor esteja na presidência da comissão, ele enfrenta mais e mais dificuldade em se manter onde está. O governo, inclusive, está preocupado com o tamanho do erro político que cometeu. Quantas manifestações em favor dos direitos humanos e homossexuais estão acontecendo! Sejamos otimistas porque temos representantes ativos (e passivos) no circo também! Dá até vontade de curtir Jean Wyllys (com dois éles e dois ípsilons mesmo?) no Facebook.
    Ou otimistas porque o papa chegou abalando os católicos conservadores, e por mínima que seja, é uma mudança! Otimistas porque, mesmo que os ovos de páscoa estejam absurdamente caros, ainda podemos comprar uma caixa de bombons, que é chocolate também!
    E por fim, sejamos otimistas porque mesmo quando não parece, podemos achar a beleza da vida em todos os lugares, e também porque ser otimista nos faz viver melhor, e viver mais!
Um bom fds e um grande abç
N.B.
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