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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Pai ausente

“O filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”. - Jair Bolsonaro, Deputado Federal 
    Já tive dúvidas de que o relacionamento com os pais na infância pudesse ser um contribuidor para a expressão da homossexualidade quando adulto, exatamente pelo relacionamento com meu pai não ser o melhor do mundo. Já sabemos, porém, que investigar as causas da expressão de uma determinada sexualidades é inútil e contraprodutivo, mas ultimamente, alguns amigos gays tem-me reportado seu relacionamento distante com o pai, e levantam a questão de que essa dificuldade no relacionamento pode ter contribuído para terem uma inclinação homossexual.  
    Oras, é muito comum encontrar gays que têm dificuldades de relacionamento com o pai, e é muito chato ouvir de quem recrimina a homossexualidade que um pai distante, ou uma mãe super-protetora, faz com que o menino não siga um desenvolvimento normal, ou que se torne afeminado, etc etc. Até que faz sentido para quem ouve a hipótese levianamente. A ideia principal é: "o menino sente falta de uma figura masculina e busca o afeto com outros homens, que tomam a figura de pai", dizem. Essa hipótese é rapidamente refutada por exemplos de meninos que foram criados somente pela mãe, e que crescem gostando de vagina, com todos seus dentes e fluidos, o que mostra que isso não pode ser uma regra.
    Ainda, alguém pode afirmar que não é uma regra, mas que as chances de um menino se tornar gay, caso não tenha um pai presente, são maiores do que com um pai participativo e empenhado nas atividades pai-filho, tradicionais do papel de macho. Se alguém afirma isso, também tem que provar se quiser ser levado a sério, pois desconheço qualquer estudo (de fontes não tendenciosas) que indique isso. Esse tipo de estudo é muito difícil de ser realizado, pois tem que levar em consideração infinitas variáveis que possam influenciar na correlação, e a consideração ou não de cada uma pode levar a uma conclusão diferente. 
    Da mesma forma que afirmam que o homossexual-ismo é causado pelo distanciamento do pai, podemos facilmente inverter a direção de causa e efeito. Se gays têm um pai distante, a distância pode ser resultado da sexualidade do filho, e não o contrário, como é comumente acreditado. Neste caso, um filho gay faz com que seu pai se distancie, pois é comum que os pais percebam, mesmo que subconscientemente, que seus filhos são gays já em uma idade muito jovem. Com o distanciamento do pai, que também ocorre subconscientemente, a mãe se sente obrigada a preencher o espaço deixado por esse distanciamento, aparecendo muitas vezes como super-protetora.

    Em outras palavras, gays seriam gays independente do nível de comprometimento dos pais, e chegamos em outra hipótese que não leva a lugar nenhum na discussão de causas. Enfim. 
    E os senhores, como é o relacionamento de vocês com seus pais? Vocês acham que se tivessem um pai mais presente, que se empenhasse nas atividades para melhorar o laço entre pai e filho, faria alguma diferença nas suas sexualidades?
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Pausa para recomendação de um curta metragem espanhol, sobre banheirão. Um jovem que é adepto da prática, bastante comum mundialmente pelo que parece, lida com isso de uma forma bastante natural. Recomendadíssimo, tem apenas 20 min de duração, porém, não acho o video com legendas em português. Segue o link com legendas em inglês, de qualquer forma.

Um abç e bom fds.
N.B.


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