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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

gays superiores

    Nas minhas andanças pela web encontrei um site sobre um grupo de homens que fazem sexo com outros homens e que querem respeito por isso. Até aí nada de novo, mas eles têm um diferencial bastante peculiar: não são gays, mas autodenominados 'espartanos', e possuem um manifesto que explica detalhadamente o que os diferencia dos supostos gays - leitura interessante, à beira do cômico. De acordo com o manifesto, ser gay é idolatrar mulheres, ser extravagante e comprar tudo o que está na moda, enquanto que ser espartano é praticar sexo com outros homens sem perder a masculinidade.
    Gostaria de receber um sentimento de cumplicidade quando digo que já culpei a figura do gay estereotipado - afeminado, cabeleireiro, fashion e amigo das mulheres - pelo preconceito que todos os outros gays sofrem. Quem vê o grupo gay de dentro sabe que este não é apenas formado pela idealização popular, e receber as piadas e críticas dirigidas ao grupo que se baseiam na feminilidade que alguns homens carregam pode causar frustração por ser gay e repúdio contra os portadores do sotaque feminino, o que é facilmente percebido em frases do tipo 'não sou e não curto afeminados' ou 'odeio gay fada'.
    Pode ser impressão minha, mas muita gente tem usado a expressão 'gay afetado' para se referir aos afeminados ultimamente, sem nem se dar conta da conotação negativa que essa palavra carrega. Afetado está diretamente ligado a uma pessoa pega por alguma doença, ou que sofre por portar algo prejudicial a ela. Será que isso implica que, num mundo onde o homem (masculino) é o centro do poder e ditador das regras, qualquer homem que queira se portar femininamente está seriamente doente?
    Todos tem o direito de se sentirem atraídos por um tipo específico de homens, e gosto não se discute. É desnecessário, porém, atrelar o afeminado a algo negativo, como a palavra 'afetado', ou proferir palavras para menosprezá-los e diminuí-los, e assim se sentir um gay superior.
    Essa necessidade de atacar um grupo em favor de outro é tão boba e tão humanamente comum que se estende por inúmeros exemplos. Além de gays machos vs bichinhas, também é possível citar a dualidade nordestinos vs paulistas, donos de iphone vs android, funkeiros vs rockeiros, católicos vs protestantes, etc etc... Estes estão em discussões intermináveis para se convencerem de que são melhores do que o outro, e se esquecem que são absolutamente farinhas do mesmo saco, numa tentativa de definir suas qualidades em parâmetros tão pontuais e irrelevantes como estes. Nenhum membro conservador da sociedade está interessado em saber se você é um gay masculino ou feminino. Você é julgado simplesmente por se relacionar com homens, assim como estrangeiros não veem diferenças entre brasileiros nordestinos ou paulistas, ou ateus não veem diferença entre católicos e protestantes.
    Por outro lado,  a tentativa de se criar um novo conceito para homens que fazem sexo com homens, ainda fresco e sem alguns dos preconceitos amarrados aos gays (se for possível desvencilhá-los) pode ser uma alternativa interessante para amaciar os conservadores, assim como tentaram fazer quando mudaram a denominação de 'favela' para 'comunidade'. Suspeito que essa não tenha sido a intenção dos espartanos deste manifesto, e isso também não justifica as injúrias feitas contra os gays. 
    Se tentamos culpar nossos companheiros afetados pelas piadas sobre gays e pela discriminação, estaremos abrindo brechas para a desunião e mais preconceitos num grupo que já é frequentemente atacado por todos os lados. A origem do preconceito não está no sotaque afeminado de alguns homens e nem nas roupas ultra justas que alguns usam, mas sim na dificuldade que as pessoas tem em aceitar qualquer outro que exiba algum traço diferente do que elas estão acostumadas. Neste contexto, a mudança começa por nós =)
    Enfim. O que os senhores pensam sobre isso? Será que é válido criar um grupo à parte dos gays, como os espartanos, numa tentativa de fugir do preconceito? Ou será que criar um novo conceito para gays não afetados é uma boa alternativa? Ou o que significa ser gay para vocês? 

Um abç,
N.B.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Até mais, e obrigado pelos peixes!

No último sábado, dia 15, uma data passou despercebida pelos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta Terra, com exceção de apenas um deles. O único capaz de entender como aquele momento foi especial. Seis meses atrás, surgia um post diferente no Armário em BH, postado pelo autor N.B., mas escrito por outra pessoa. O título era assustador: Oi, eu sou o Lucas.

Imediatamente, surgiram as dúvidas se aquilo realmente daria certo. A polêmica podia ser observada nos comentários, com gente defendendo a abertura do espaço para colaboração e outros criticando a novidade. Com alguns posts, as reclamações diminuíram e os elogios aumentaram. Melhor do que isso foram as discussões - ora mornas, ora acaloradas - mas sempre com uma diversidade de opiniões que orgulha qualquer escritor.

Nas últimas semanas, após algumas conversas amistosas, o N.B. e eu decidimos apostar na "carreira solo" para deixar o blog com um estilo e uma identidade bem definidas. A princípio, confesso que pensei em parar de contar minhas histórias de vida. Logo vi que não daria certo. Vocês me conquistaram e sou apaixonado por esta energia que passa não só pelo Armário, mas por vários outros blogs da internet: A união e a vontade de ajudar o próximo compartilhando experiências e, ao mesmo tempo, oferecendo os ouvidos para escutar os leitores.

Não vou deixar de frequentar o chat do Armário nem de participar nos comentários dos posts. Entretanto, minhas colaborações agora farão parte do NossoColorido, site recém-criado que será gerenciado por mim e atualizado periodicamente.

Portanto, isto aqui não é uma despedida, mas quero aproveitar para agradecer algumas pessoas que fiz amizade e me deram apoio aqui ou na nova empreitada. Só ter conhecido vocês já teria feito tudo valer a pena:

N.B.
Mavi
Gus
Duds
Artur
Álvaro
Miguel
Philip
Eduardo GM
Diiego
Carlos
Matheus
Gustavão
FOXX
Eduardo Santos
Max
Mr. FG 
Bruno Alves
Bruninho (L)



Vocês podem até pensar que eu é quem ajudei. Mas só eu sei como foram vocês que me ajudaram a recuperar a vontade de lutar, amadurecer e acreditar que dias melhores virão.

Até mais, e obrigado pelos peixes!


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Homo-herói

    Sou viciado em notícias, e quando tenho tempo ligo na Globo News por horas. Como não tenho TV a cabo em BH, uso a TV apenas para assistir ao Jornal Nacional, pois assim o adéquo ao meu horário de janta. Essa rotina me faz estar muito por fora de como novelas e outros programas têm tratado a sexualidade, mas vez ou outra me deparo com filmes ou curtas brasileiros de tema gay pela internet. Certamente é uma tentativa que deve ser reconhecida, mas temo que isso não atinja o público que realmente precisa assistir para começar a tratar o tema sexualidade com menos espanto.
    Imagine quando a senhora cliente da Tele-Sena iria se infiltrar no Youtube ou fóruns de discussão para conhecer mais sobre a vida de gays? Imagino que esse dia demorará a chegar, mas ver uma ação mais ousada por parte dos meios que detêm o poder de alcançar esse público seria muito motivador. 
    Questões de alta sensibilidade como sexualidade, etnia e religião são tratados com muita cautela e insegurança pelas emissoras. Por um lado, é compreensível quando uma emissora escolhe se abster de temas que possam causar alguma revolta aos espectadores, especialmente em um país "conservador" - coff coff. Recordo-me que mencionei a pressão que a Globo sofreu para dar menos atenção aos personagens gays de Insensato Coração. Por outro lado, deve-se insistir nesse tipo de iniciativa pois é preciso que a população saiba que existem tantos tipos de gays quanto roupas existem no armário da Lady Gaga, e não apenas os estereótipos.
    Suponhamos uma novela, ou uma minissérie, com esse tema como o central. É muito fácil escrever um bom drama em cima das dificuldades que os gays enfrentam ao longo da vida, desde a reprovação dos pais e da auto-aceitação até a dificuldade de não se saber se pode-se investir em uma pessoa de interesse, ou a dificuldade de encontrar um parceiro estável. A polêmica pode ser um risco, mas também vende muito.
     Publicamente, notariam-se pessoas dizendo que não assistem tal programa por "incentivar o homossexualismo", mas a curiosidade precisaria ser satisfeita em algum ponto. Assistiriam, também, 100% dos homens que querem obter mais informações sobre os calores que sentem com o amigo, ou as sacanagens que imaginam fazer com outros homens, só na 'broderagem'. Numa afirmação leviana e que deixarei aberta, imagino que este grupo deve englobar quase a totalidade dos homens.
    Talvez seja um delírio esperar um programa com tema gay central. Não imagino nenhuma emissora ousada o suficiente para pleitear os grupos opositores, inclusive quando algumas delas são a própria oposição. Prefiro não nomear, mas algumas delas batem record de intolerância.
    Recebi muitas recomendações para assistir ao seriado Queer as Folk, que traz basicamente a ideia para as novelas proposta acima, e tenho certeza de que muitos se identificariam ao assistir. Ainda não posso dizer se vale a pena, pois não comecei a ver. As séries americanas funcionam como as novelas daqui, exceto pelas histórias mais criativas e pela forma de exibição: vão ao ar uma vez por semana e dão aos autores e elenco mais tempo para fazer um trabalho melhor. Sem falar do maior orçamento.
    Essa série foi filmada e distribuída no Canadá, mas direcionada principalmente para o público americano, e sofreu cortes quando foi ao ar nos EUA. Se no país que se diz obcecado por liberdade de expressão acontecem cortes, imagine o que as emissoras daqui estarão aptas a transmitir. -Ah, sim, claro! Mulheres completamente nuas sambando. Porque isso é moral, e dois homens se beijando (com roupas) não...
    E os senhores, o que pensam sobre o tratamento da questão homossexual em novelas e na mídia brasileira?

P.S.: Pausa para recomendar um dos melhores filmes de minha vida. Um gay sai do armário aos 71 anos depois da morte de sua esposa, e vai viver plenamente sua vida depois de casado e com um filho. O filme se chama Beginners (Toda Forma de Amor, 2010). Link para o trailer.

Um abç.
N.B.
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