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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Por favor, mais um dia...

Nunca consegui gostar de Química no colégio. Mas um dos professores de Química do meu ensino médio, este eu adorava. Em parte, porque metade das aulas não era destinada às explicações chatas sobre equações, balanceamento, molar, polar, ligação trivalente e todas aquelas coisas que fazem de você um aluno cobra. Aquele que passa se arrastando, como dizia meu pai. Este professor dedicava vários minutos a uma espécie de terapia. Dava muitos conselhos, conversava com os alunos e tentava passar toda uma filosofia de vida para aquele bando de adolescentes - eu incluído - que eram felizes e bobos e não tínham noção de como o mundo é difícil fora da sala de aula.

De tantas frases, o que entrou para minha memória foi quando ele falou o seguinte, ao divagar sobre problemas: "Não adianta se aperrear, nem chorar, nem ficar com medo ou quebrar a cabeça. Se o problema tem uma solução, corra atrás dela. Sempre tem uma solução para tudo. A única coisa que não tem solução é a morte. E se não tem solução, por que se desesperar se você nada pode fazer?"

Depois disso, acho que me tornei uma pessoa mais paciente e calma mesmo sob pressão. Fiquei mais zen, como se tivesse passado uma temporada com os budistas e os monges lá no Tibete. Sim, às vezes explodo por acumular muitos sentimentos ruins, mas quando isso ocorre é uma exceção e não uma regra.

Porém, nunca me deparei com a Dona Morte perto de mim, então não sei como reagiria em uma situação dessas. Mas o fato de nunca ter lidado com o falecimento de alguém próximo pouco me ajudou a afastar alguns pensamentos negativos da minha cabeça. Por mais brega e batido que seja, concordo com o ditado "Viva cada dia de sua vida como se fosse o último, pois um dia desses vai ser mesmo".

Mas, às vezes, acho que penso demais em morte. Digo, não é algo que eu converse com meus pais ou discuta em mesa de bar (falo como se vivesse em bar, coisa mais rara do mundo eu ir). Então não sei com que frequência as demais pessoas pensam em morte e se eu estou na média ou se preciso visitar um psicólogo. 

Desde criança, isso eu lembro bem, a ideia de morte me assustava demais. Alguns dias, do nada, eu me dava conta de que iria morrer e meus pais também. Chorava demais, inconformado, quase sempre escondido, como se tivesse descoberto um câncer. É uma dor diferente, de algo que não existe, mas que você sabe que vai chegar. Inevitável. Sofrimento por antecipação. Com vocês também é assim?

Hoje, aos 23 anos, a sensação não mudou. Família, amigos, trabalho, namorado, compromissos, diversão... tudo parece dentro dos eixos. Até que uma hora, do nada, eu sinto como se estivesse saindo do piloto automático e tomando consciência de que estou vivo. Do que significa estar vivo. E que irei morrer. Não estarei aqui em 2112, nem vocês. Nós, jovens, principalmente, temos a mania de achar que somos eternos. Morreremos, também. Algo me faz lembrar disso desde menino e não sei se isto é bom ou ruim. Bate uma depressão, uma vontade imensa de chorar.

Por conta de alguns trabalhos que fiz, já vi muitos corpos. Inclusive, vítimas de crimes violentos, com balas, sangues ou até acidentes de trânsito. Triste, mas uma tristeza com uma nota fria de indiferença. Meus avós paternos morreram antes de nascer. Não conheci. Os outros, felizmente, estão vivos. Um tio que morava em outro estado, querido, mas com pouco convívio, morreu há alguns anos. Foi triste, vim chorar muito tempo depois lendo as poesias que ele fazia. Mas não compareci ao velório ou enterro. Ano passado, o pai de uma amiga morreu. Pela primeira vez, cumpri esses rituais. 

Chorei de me acabar, pela dor dela e por uma dor minha. Olhar para aquele caixão me fez ver meu pai, minha mãe ou qualquer pessoa que eu ame demais ali dentro. Dá um medo muito grande. Tantas coisas que eu gostaria de consertar, de mudar, de voltar atrás. E se algo acontecer e eu não tiver a chance? Sinceramente, tenho mais medo ainda da morte de alguém que eu ame do que da minha.

Não sou religioso, embora mantenha as aparências por instinto de sobrevivência e para socializar. Não me orgulho de fingir isso. Verdadeiramente, sinto-me agnóstico. Existe algo lá fora, alguma força, entidade, uma razão para os mistérios, uma origem de tudo. Só não sei se isso interfere ou está preocupado conosco.

Independentemente de religiões, minha ideia de morte segue alguns princípios e moldes da minha imaginação de criança. Acho que quando morremos, nossa alma e nossa consciência transita neste mundo. Somos invisíveis aos vivos, mas podemos vê-los e podemos ver os mortos, também. Acho que até podemos aparecer, mas evitamos ao máximo fazer isso por algum motivo sábio. De repente, não seria sadio para quem está vivo. O mistério e o sofrimento amadurecem. Talvez seja isso, espero.

Penso, também, que temos direito a saber ou entender alguma coisa. É como se fosse ter uma pergunta respondida. Será que ele me amou de verdade? Quem realmente se importava comigo? Fiz mal ou bem às pessoas ao meu redor? Quais as consequências daquela atitude? E se fosse diferente? Creio que somos irradiados de verdade e enxergamos a resposta com uma precisão sobre-humana.

Gosto de pensar que a força do pensamento nos levaria a qualquer lugar do mundo. E também nos leva a alguém que já morreu e gostamos, mesmo que desconhecido. Eu poderia conhecer Michael Jackson ou Steve Jobs. Ou, claro, meus avós. Acho que eles me protegem de alguma maneira. Não têm controle sobre tudo, mas influenciam em algo. Eu, quando morrer, provavelmente também poderei influenciar aqui na vida.

Chego a essas últimas linhas como hipócrita assumido. Ao pensar nisso tudo, dá vontade de agradecer por estarmos todos aqui em casa, hoje. Não digo em voz alta, mas imagino: "Obrigado, Deus! Permita que possamos viver mais um dia, juntos, porque eu não saberia o que seria de mim sem eles". Quando paro para observar as fotos de antigamente e as de hoje, vejo as rugas, os cabelos brancos... aí me seguro para as lágrimas não rolarem.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Habemus Chat

Olá, pessoal. Tudo bem com vocês?

Este é um post atípico, sem historinhas e reflexões. Vou tentar ser objetivo.

O N.B. e eu temos conversado sobre implementar um chat ou algo do tipo para que os leitores possam interagir e a gente também consiga se aproximar de vocês, de forma mais moderna, em tempo real e com mais recursos. Muitos aqui já se conhecem por conta dos comentários e até trocam mensagens pelo MSN ou GTalk, mas sentimos que falta alguma coisa mais prática, uma plataforma que consiga unir todo mundo e fazer com que os leitores se conheçam melhor.

No início do ano, o N.B. tentou implementar uma ferramenta de chat que não deu muito certo, pois era complicadinha, precisava de login com e-mail ou via Facebook e ninguém queria usar. Recentemente, tentamos estudar algumas opções. Como sou mais nerdzinho e rato de computador, fiquei à frente disso.

Então, a solução que estamos querendo testar agora é usar o mIRC.

Para quem já usou ou entende de mIRC, nossas coordenadas:

Servidor: irc.irchighway.net
Canal: #VidaNoArmario

Para quem não entende de mIRC, recomendo dar uma googlada, mas segue algumas perguntas e respostas que podem ajudar:

1) O que é IRC ou mIRC?
IRC é a abreviação de Internet Relay Chat. É um serviço de chat e bate-papo na internet, que fez muito sucesso até o surgimento do MSN e a explosão de redes sociais como Facebook e Orkut. Para você ter uma ideia, ele é da época do ICQ. Não sabe o que é isso? Pergunte a alguém que usava a internet nos anos 90.

Já o mIRC é o programa (software) que acessa o serviço de IRC e é usado para se conectar.

2) Como funciona?

Basicamente, tem os servidores, nicks (que são os usuários) e os canais. Cada canal é como se fosse uma sala de bate-papo. Nele tem um tópico (uma mensagem de abertura), os administradores e operadores do canal (que podem banir ou kickar alguém do canal, além de torná-lo moderado) e os usuários comuns.

Tudo no mIRC é feito à base de comandos que iniciam com uma barra (/)

3) Quais as vantagens?

Apesar de ter caído em desuso, o mIRC é bem mais organizado como bate-papo do que Gtalk, MSN ou o chat do Facebook. Ele é propício para criar canais temáticos, relacionados a um site ou tema. Também é rápido, prático e simples, além de permitir um certo controle e moderação, quando necessário.

4) Quero experimentar, como faço?

Baixe o mIRC;

Quando a tela abrir, digite /server irc.irchighway.net

Depois de conectado, /join #VidaNoArmario

5) Como escolher ou registrar um nick?

Para trocar de nick: /nick <Nick Desejado>

Para registrar o nick: /nickserv register <senha> <email>

Para fazer "login" ou autenticar o nick que você registrou: /nickserv identify <senha>

Sugiro que registrem nicks, mesmo que pseudônimos ou apelidos. Assim como nos comentários, ajuda a identificar quem está falando sobre alguma coisa. Se o problema for usar uma conta de e-mail, recomendo o 10MinuteMail, um e-mail que expira em dez minutos, muito útil pra se registrar em sites e serviços sem usar o e-mail real.

6) Em que horário encontro vocês por lá?

Vou aparecer mais de manhã, à noite e nos finais de semana. Qualquer coisa, deixem um comentário aqui pelo blog falando que estão por lá. Se der, a gente entra. Espero que consigamos criar algum movimento por lá.

7) Não entendi nada, estou cheio de dúvidas, não consigo conectar nem nada.

Mande sua pergunta ou dúvida nos comentários.




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Filhos sem sentido

    Tenho gastado mais tempo pensando sobre o sentido da vida do que eu gostaria, e numa quase revelação nesse final de semana, cheguei à conclusão de que a resposta é complexa demais para eu entender, ou chegar até ela. Isso se ela existir. 
    Ainda não me soa coerente que aquelas proteínas, que conhecemos como DNA, queiram se replicar incessantemente, e nós somos instrumentos dessa ambição. Querem se replicar até quando? Até cobrir o universo com DNA, parece. 
    Os outros animais parecem lidar bem com isso tudo. São instrumentos dessa ambição, assim como nós, mas não se importam em não saber o porquê fazem o que fazem. Desde a organização do DNA, este sempre buscou a forma mais eficiente de se replicar, protegendo sua informação dentro de células, estas organizadas em tecidos, esses tecidos em órgãos e os órgãos em corpos. A seleção natural dá o direito de o animal mais forte (ou mais atraente) passar seu DNA adiante para o máximo de descendentes, o que torna o processo mais eficiente. Os humanos desenvolveram a inteligência, o que garantiu a perpetuação da espécie, mas não torna o processo necessariamente mais eficiente.
    Imagino que muitas das angústias humanas tem origem no confronto do nosso propósito original com o que nos é permitido, pois ao mesmo tempo que a razão nos tornou mais fortes como animal social, ela também criou barreiras que nos impedem de satisfazer esse propósito. A evolução se encarregou de nos lembrar fortemente do nosso propósito ao nos fazer libidinosos e inconsequentes quando precisamos de alívio sexual. Ao mesmo tempo, isso lembra o comportamento animal, e portadores de uma razão tão evoluída não podem se comportar assim, pois é repulsivo, de acordo com a convenção social tradicional. Por isso nos casamos e somos monogâmicos, desafiando o propósito de existir ao evitar outros parceiros e evitar a reprodução em larga escala.
    Talvez por isso existam tantos casos de traição, tantos casais presos pela conveniência e medo, vivendo miseravelmente até o dia da morte. O homem, ou nenhum outro organismo, foi feito para ser monogâmico. A forma de passar o DNA para frente da maneira mais eficiente é através dos parceiros mais saudáveis, e isso se expressa pela atração física. Uns podem receber mais ou menos convites para a traição do que outros, de acordo com o nível de atração que a pessoa exerce sobre as outras. Inevitavelmente teremos contato com pessoas atraentes e ouviremos o chamado do propósito se manifestando na forma de necessidade de alívio sexual. Imagino que nos negar a isso causa frustração.
    Eu tenho considerado que viver, em linhas gerais, causa mais sofrimento que felicidade. Tanto sofrimento físico, pois a partir do momento que nascemos, nossos corpos apodrecem mais a cada dia, quanto também psicológico, por não sabermos o motivo do DNA original nos usar como instrumento de reprodução. Viver não tem sentido, e saber disso frustra. Trazer uma criança à vida seria condená-la a sofrer também, sem nenhum pedido dela para isso. 
     Não consigo achar motivos convincentes que me façam querer ter filhos. Perguntei a alguns amigos o motivo pelo qual eles querem tê-los. Um disse que é porque 'todos devem ter'. Outros porque trazem completude à pessoa. Desconsiderando a primeira resposta por achá-la vazia demais, talvez o cumprimento do propósito original seja o que lhes traz conforto, mas pela minha perspectiva, replicar-se para se sentir mais completo me soa muito egoísta. Creio que pessoas com uma visão mais otimista sobre viver pode discordar de mim e achar que trazer uma criança à vida é dar a um ser a dádiva de viver, o que soa justo.

    Eu, de novo, que não vivo na minha bolha intocável ou realidade paralela, não deixo de ser influenciado pela convenção social. Mesmo que eu acredite que o homem não é um animal monogâmico e que traições são inevitáveis, não acredito que sair fodendo com tudo que se mexa (ou que não se mexa) seja o que nos satisfaça melhor, tampouco. 
    Ao mesmo tempo que temos a necessidade de nos aliviar com diferentes parceiros, pelo propósito original, a nossa razão não se contenta com somente isso também, e precisa de afeto e atenção. Viveremos num eterno conflito desse propósito com a convenção social, que da forma que existe, não nos garante possibilidade de felicidade. Enfim.
    Gostaria de saber dos senhores se viver é sofrimento ou é felicidade, e se isso está relacionado com as suas vontades de ter ou não filhos. Também, se existe algum motivo para o qual possam querer ter filhos.
Um abç.
N.B.

P.S.: Não estou deprimido.




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