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sábado, 14 de julho de 2012

Hipoteticamente falando

    Um dos poucos argumentos que ouço na repreensão dos relacionamentos homossexuais, e que não se baseia em delírios religiosos, é o da extinção da raça humana. Dizem que se a homossexualidade fosse uma regra, estaríamos extintos em alguns anos, pois nossas relações não geram descendentes.

    Cabe a esse argumento a classificação de hipótese. Nela, propomos uma ideia que deverá ser testada para se observar os resultados e, numa (rara) discussão séria e formal, não se deve usar isso como um argumento, como se fosse o único fato que poderia ser observado. Se todos fossem homossexuais, devemos nos perguntar como a sociedade se organizaria. Teríamos sítios de reprodução ou recorreríamos à clonagem? Ou simplesmente facilitaríamos a questão da barriga de aluguel, para os casais gays, e bancos de esperma, para os lésbicos?

    Não faz sentido usar uma hipótese como um argumento porque os resultados não são conhecidos. A outra parte poderia muito bem dizer que se todos fossem homossexuais, todos seriam ricos, felizes e teriam 5 filhos pelos métodos descritos acima. Isso com a mesma credibilidade da hipótese da extinção da raça humana, porque os resultados também são desconhecidos.

    Não existe motivo sério e observado que sustente a premissa de que um relacionamento homossexual é menos 'correto' do que outros. Nota-se que os outros argumentos usados por defensores de políticas anti-gay são também hipóteses. Dentre elas, as mais famosas são: “se dois gays se casam, logo estarão casando crianças, animais, objetos, etc”, ou “gay não tem lugar no céu”. De início (e às vezes no meio e fim), faz sentido para alguém que ouve e não indaga sobre os outros possíveis resultados. 

    Essas besteiras se difundem no meio mais maleável da massa, que toma as hipóteses como verdades, e as usam para tomar uma posição sobre esses assuntos, por preguiça de pensar mais além sobre as levianidades que ouvem. E dá no que dá...
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