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sábado, 30 de junho de 2012

Do colorido para o cinza

Muitos leitores daqui tomaram conhecimento da confusão que rolou na Câmara dos Deputados nesses últimos dias, por conta de um projeto de decreto legislativo que se propõe a interferir no Conselho Federal de Psicologia. Alegando liberdade de expressão e o direito do paciente de requisitar o tratamento que ache adequado, as propostas querem duas coisas: permitir que psicoterapeutas possam trabalhar com reversão de sexualidade, caso a pessoa manifeste este desejo, e deixar que esses "profissionais" propaguem suas ideias à respeito da diversidade sexual como um transtorno psicológico e não algo natural. Imagino como os senhores (e senhoritas) ficam indignados lendo sobre isso. João Campos, Jair Bolsonaro, Myrian Rios e Marisa Lobo são pessoas que machucam e despertam nossos piores sentimentos com seu ódio desenfreado e sua ignorância diante da população homossexual.

Mas precisamos perceber que essas figuras não estão distantes de nossa realidade como imaginamos. E quando o Bolsonaro é o seu pai? Ou seu melhor amigo, seu colega de trabalho ou qualquer outra pessoa que convive com você? Sinceramente, o que mais me preocupa nem é o projeto em si, porque tenho certeza de que não será aprovado. O pior é existirem pessoas com essa mentalidade. Por preconceito, ignorância, fundamentalismo religioso, falta de senso crítico e medo, condenam a diversidade sexual com base em argumentos pífios. Precisamos tirar as pessoas que valem a pena desse abismo de intolerância. É uma luta.

A minha luta começou há três anos, na Quarta-Feira de Cinzas de 2009. Já comecei a contar esta história no blog e quero retomá-la, porque acho necessário e importante. O primeiro post começa aqui. O outro é este daqui. Tiveram outros, sobre alguns temas e pensamentos, mas sem retomar os acontecimentos.

Era uma manhã que parecia um dia comum. E, como de costume, eu estava acordado muito cedo. Sempre levantei seis, sete da manhã. Nunca curti muito o carnaval, geralmente eu vou vários dias para o cinema ou faço programinhas lights com os amigos. Tinha uns dois meses que eu namorava o Roberto, um garoto mais velho do que eu, super afeminado, com bom coração, mas que estava perdido quanto a seu futuro profissional. Hoje entendo isso como um erro que teve consequências ruins, mas nos deu mais amadurecimento.

Na véspera, saí com amigos meus e o encontrei, com seus amigos, no Recife Antigo, que é a parte "velha" da capital pernambucana e funciona como uma espécie de sítio histórico. Em datas comemorativas, o Marco Zero e a Praça do Arsenal, locais turísticos, concentram boa parte das programações culturais e festas. Lembro que tivemos um desentendimento e brigamos sobre ele beber demais, fumar cigarro e ter uma alimentação ruim. Passou mal e precisou ser socorrido para um posto médico, montado naquele espaço.

No dia seguinte, de manhã cedo, tivemos uma DR pela internet, quando o MSN ainda era mais popular que o chat do Facebook. Como demorei demais e, por incrível que pareça, eu iria trabalhar naquele dia, acabei saindo às pressas e não me despedi direito. Corri para o banheiro e bateu um sexto sentido.

Lembrei que não peguei meu celular. Minha mãe, naquela época, invadia muito minha privacidade. Às vezes, eu a flagrava examinando quanto dinheiro tinha na minha carteira ou mexendo no meu celular. Sempre era motivo de discussões, mas eu não tinha maturidade o suficiente para saber impor limites e me livrar disso. Para a minha idade, eu ainda era muito controlado pelos meus pais. Por conta disso, precisava trabalhar álibis, mentiras, jogar fora papéis de nota fiscal, combinar histórias com meus amigos e apagar mensagens. Uma vida que no começo parecia divertida, mas eu já estava muito cansado de mentir o fingir o tempo todo.

Comecei a me despir e entrei no banho. Na minha cabeça, passou a hipótese de que Roberto mandaria mensagens para meu celular porque eu não me despedi direito. Pensei em minha mãe pegando ele e lendo tudo. Ela poderia estar naquele momento com meu pai, escandalizada. Minha farsa iria por água abaixo. Seria desmascarado!

Foi um daqueles pensamentos que estão lá na sua cabeça mas você não quer acreditar. Ainda assim, eu pensei que não voltaria ao quarto para pegar meu celular e deixá-lo comigo. Assumi os riscos, mas sem acreditar que algo pudesse, de fato, acontecer.

Terminei o banho e voltei para o quarto. Coloquei uma roupa e percebi que meu celular não estava ao lado do computador, onde normalmente eu deixo. Mas como sou esquecido, abri as gavetas, olhei dentro do calção que usei antes do banho, procurei em cima da cama e nada.

Isso tudo foi muito rápido, questão de um ou dois minutos. De repente, eu me dei conta de um silêncio terrível em casa. Voltei para o corredor e girei a maçaneta do quarto dos meus pais. Não abriu. Estava trancada.

Naquele momento eu tive a certeza do que estava acontecendo.

Senti meus pulmões ficarem sem ar. Senti também um aperto no coração e um estado de torpor, de medo. Ouvi passos pesados. Minha mãe sempre andou pela casa pisando no chão apoiando os pés com os calcanhares, produzindo uma marca sonora inconfundível.

Quando ela destrancou e abriu a porta, estava com uma expressão de raiva, os olhos vermelhos e lágrimas nos rostos. Na sua mão, a prova do crime: meu celular. Atrás dela, meu pai, olhando em outra direção, para a parede, com os braços cruzados. Parecia pensativo.

Ela começou a perguntar com raiva que mensagens eram aquelas no meu celular. Não sei o que ela queria que eu respondesse, até porque ela quem viu as mensagens, eu sequer sabia do conteúdo. Não lembro bem dessa parte, o que ela falou, mas lembro que eu disse que era um amigo que gostava muito de mim. E ela perguntou, áspera, que amigo era esse que falava "eu te amo", entre outros adjetivos que denunciavam tudo.

Percebi que não tinha para onde correr. Eu até poderia inventar uma história mirabolante, mas tomei um caminho mais digno. Virei as costas e bati no quarto da minha irmã, Juliana, que abriu meio desorientada de sono. Ela sabia de mim há poucas semanas.

- Me ajude, painho e mainha acabaram de descobrir.

Minha mãe veio atrás de mim e perguntou:

- Meu filho, você é gay?
- Sou.

Ela colocou a mão na boca e voltou para o quarto dela. Fui atrás, com Juliana. Ela e meu pai sentaram no chão, Juliana sentou na cama e eu também. Ninguém chorava. Acho que eles não conseguiram digerir a informação.

Tomei a iniciativa e comecei a contar tudo. Falei dos sentimentos quando era adolescente, das primeiras paixões, de como eu estava triste em precisar mentir e esconder aquilo tudo deles, mas que as coisas iriam ficar bem, que eu amava muito eles e precisava de compreensão.

Lembro que em dado momento meus pais começaram a chorar muito e se abraçaram. Lembro de minha mãe gritar que queria que aquilo fosse um sonho, um pesadelo. Meu pai se lamentou por ter dado tanta educação, boa condição de vida e aquilo estar acontecendo.

Minha irmã chorava calada.

Eu não consegui. Acho até que eu estava sorrindo. Sentia um peso enorme sair das minhas costas. Independentemente de aceitação ou rejeição, tinha ultrapassado uma grande barreira. Estava com a alma leve.

Falei que tinha um namorado, sem entrar em detalhes. Minha mãe, certa hora, chegou a dizer que isso era pior que ter um filho drogado, porque o filho drogado podia ter um tratamento. Aquilo me magoou demais e remoí isso por muito tempo.

Lembro também que eles perguntaram sobre sexo, sobre o que tinha acontecido. E eu falei que já tinha feito sexo oral. Quiseram saber se eu fiz ou se fizeram em mim e eu respondi que "os dois". Não estava para mentiras nem omissões.

Meu pai disse, uma hora, que aquele sem dúvida era o pior dia da vida dele e nunca ia conseguir esquecer.

Eu falei que queria ter contado antes, pedi desculpas pelas mentiras e disse que levaria tempo para eles me entenderem, mas eles iam perceber que não era pecado, que não era nada errado e que eu era normal. Sei que eu também disse que eles iam passar por várias fases até me aceitarem, que eu tinha lido, que eu imaginava a reação deles e para eles saberem que não têm culpa de nada, que eram ótimos pais.

Não fui trabalhar naquele dia. Eles me forçaram a telefonar para meu chefe e falar que estava doente ou alguma outra desculpa qualquer. Passei o resto do dia quase todo trancado no quarto. Um turbilhão de coisas passavam pela minha cabeça.

Era só o começo.

(Continua...)

* A título de curiosidade, este post levou duas horas e meia para ser escrito







* Desconsiderar slides toscos. Não sei por que as pessoas fazem isso =/

59 comentários:

  1. Sabe, Lucas.
    Você foi bem paciente. Tanto na parte do controle, do celular, mas principalmente na parte sobre ter um filho drogado =\ E pior! Fiquei rindo e imaginando que constrangedor foi falar sobre suas experiências! Não caberia ali um "Mãe, vc e o pai fazem sexo anal? oral? 69? qual a posição favorita de vcs?" Porque né, invasão de privacidade de um dos lados só é injusto.

    Acho que eu perderia o foco se me viessem com "é pior que dorgas". Sei que foi um choque para eles no momento, mas pelo menos demandaria uma retratação depois. Isso aconteceu?

    E sobre o projeto, é como vc disse. Não me preocupo porque nunca vai ser aprovado, mas ao mesmo tempo é interessante ver até onde vão essas ideias (dos de sempre). Pra mim isso tem mais a ver com auto-promoção por parte dos deputados que apoiam. O eleitorado deles acha uma beleza, pois estão defendendo os valores da família e "tradição", mas esse eleitorado é tão insignificante (não em número, mas em peso social) quanto a bancada própria evangélica, que se não me engano são 56 deputados, em torno de 10% do total.

    No final, esse tipo de projeto ganha repercussão devido à temática e por isso temos a sensação de que são projetos grandes e com chances de serem aprovados. Mas não são.

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    1. N.B., é um momento de muita tensão e delicado... seus pais descobrindo, você nervoso, todos ao seu redor chorando copiosamente...

      É difícil você raciocinar e avaliar o que está dizendo. Sou muito conciliador, tentei entender o lado deles e eu sabia que eles poderiam falar aqueles absurdos, porque eu vinha lendo relatos e estudando diversidade sexual pela internet. Estava virando um PhD!

      O pouco de raciocínio que sobra, pelo menos no meu caso, fala para não chutar o pau da barraca porque pode piorar as coisas.

      No início de tudo eu estava mais fragilizado e eles também, as brigas mais sérias vieram bem depois.

      Gosto dos seus pensamentos sobre esses projetos, principalmente quando você fala que são as mesmas pessoas, porque é uma verdade.

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  2. A tua história é muito triste, contar para os pais que se é gay é quase como contar que se matou alguém. A maneira como os pais reagem é muito desagradável. Percebo que seja difícil mas se é para eles para nós não ade ser melhor. Vida de gay não é fácil, mentiras, preconceito, ilusões, falta de amor-próprio … não sei como existe gente que pensa ser uma “escolha de caminho mais fácil” sabendo eu que as dificuldades são muito mais acentuadas do que as do mundo hétero.
    Quando publicas o resto da história? Estou muito curioso para ler o resto XD O titulo esta excelente, um grande título para um grande texto. Parabéns,
    Miguel
    P.S - Dizer ao pais que já se fez sexual oral num homem é algo bastante forte, não achas?

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    1. Miguel, alguns reagem até bem ou se recuperam rápido, mas são minoria. Eu acho que o blog é importante, assim como outros blogs e sites nesse estilo, porque podemos compartilhar nossas histórias, medos, angústias e vitórias.

      Além de ser um grande divã, é bom que você esteja bem informado para o Dia D. Creio que ajuda a lidar com os pais e consigo.

      Sobre o sexo oral, minha mãe perguntou, chorando, mas num tom nada amigável. Fui colocado contra a parede, não no sentido de agressão física, porque meus pais nunca encostaram um dedo em mim por conta de sexualidade. Foi no sentido emocional, mesmo.

      Acabei falando, mas se fossem outras condições, eu teria dito que não ia responder aquilo.

      Sobre o resto da história, a narrativa é bem focada na minha relação com meus pais.

      Agora que eu falei sobre a descoberta, eu pretendo contar do que veio depois... das torturas psicológicas, das crises e de como isso evoluiu até chegar em como estamos hoje.

      Arrisco que em três posts eu faria isso, mas é impossível dizer, porque eu sou muito detalhista e gosto de explicar algumas coisas no meio da história.

      Em paralelo, vou continuar escrevendo sobre outros temas... alguns gerais e outros mais pessoais, como minhas psicólogas e traição.

      Não sei quando será, mas não gosto de passar mais de dez dias sem escrever nada, sinto um vazio :)

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  3. Ótimo texto Lucas! Acompanho as suas histórias como também as do N.B a um tempinho já e muitas das coisas que voces contam acontecem comigo. Só que eu nunca tive a coragem de me abrir com meus pais e nem sei se um dia terei. Eles dizem que esperam o dia do meu casamento, dos netos que vou dar pra eles e isso so faz eu me afastar deles. Enfim, tomo vocês como um exemplo a ser seguido,seja pelo comportamento ou pela coragem. Por exemplo se os meus pais perguntassem se eu ja fi sexo oral com outro homem eu piraria ou inventaria um história mirabolante como você disse, mas nunca falaria a verdade. Espero que continuem assim, abraços.

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    1. Anônimo, o lance do sexo oral eu comentei acima, em responda ao Miguel.

      Realmente é muito doloroso você ouvir as expectativas dos seus pais e saber que precisará acordá-los para a realidade.

      Várias vezes eu saía com eles e minha irmã para comer fora e eles comentavam: "Daqui a dez anos, Lucas e Juliana estarão casados, quem sabe já vão ter algum filho pequeno... aí vão lá em casa, querer correr e brincar no jardim".

      Coisas assim, sabe?

      Não é que eu fique triste comigo, é porque a inocência e a cegueira deles me deixava arrasado por dentro.

      Como se eu fosse o adulto com a missão de contar àquelas duas crianças que Papai Noel e Coelho da Páscoa não existem.

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    2. Isso ainda acontece Lucas? Voce disse "deixava".

      Tem conseguido se sentir melhor?


      Seu texto foi mesmo de cortar o coração. Deve ser dificil demais ouvir essas coisas. Aqui doeu só de imaginar.

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    3. ** Eu estava digitando a resposta e aí, com minha delicadeza, dei um chute no estabilizador e meu PC apagou -_-

      Preciso de um notebook :P

      Olha, eu me sinto bem melhor porque contei a eles a verdade. Fiz minha parte, fui verdadeiro om eles e mostrei quem eu sou.

      Só isso já tira um peso enorme das nossas costas, sabe?

      Se eles vão aceitar de imediato, se vão levar anos ou se vão rejeitar para o resto da vida já é outra história.

      Aqui em casa eu pensava que nunca daria certo e sofri demaaaaais mesmo. Mas as coisas até que foram evoluindo aos poucos.

      Quando comparo hoje e como era no começo de tudo, fico espantado de ver como eu estava desesperançoso e hoje tudo mudou.

      Ainda não é como eu queria, mas convivemos muito bem.

      Se quiser conversar, meu email é lucas.armariobh@gmail.com tá bem?

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    4. É msn Lucas? Pega o meu aí pra conversarmos tb: vanzinho310881@hotmail.com (tô te add agora, é só tu aceitar depois)

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  4. Eu sei que temos que tentar entender que os nossos pais viveram em um tempo diferente, tem mentalidades diferentes e que esse é um momento difícil.Mas quando ela falou de drogas eu teria rido ou ironizado não ia aguentar, haja paciência.

    Lidar com a ignorância das pessoas desperta o pior em mim.Acho que se fosse comigo, quando perguntassem se eu fiz ou recebi sexo oral, responderia que só fiz, que só dei o cu.Daria a entender que sou a "mulher" da relação só de sacanagem, por que provavelmente era isso que eles estavam se perguntando, e tenha certeza que se você demonstrasse ser o "macho" eles ficariam um pouquinho mais aliviados.

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    1. Anônimo, eu nem iria comentar isso, mas eu já falei uma vez mais do que deveria e aí foi um momento de demência minha e falta de bom senso, eu acho.

      Uma vez, acho que com um ano e meio desde os fatos narrados no post, minha mãe me chamou no quarto dela e perguntou se eu estava com alguma DST, se eu estava bem, se estava me cuidando.

      Insistiu tanto que eu acabei dizendo:

      "Mãe, é impossível, faz tempo que eu não faço nada"

      Aí ela:

      "Não entendi"

      Aí eu falei e apontei:

      "Lá atrás, a última vez tem seis meses"

      Ela ficou parada por por uns dez segundos me olhando e eu olhando pra ela. Aí ela começou a chorar, eu me virei e saí do quarto dela, envergonhado comigo mesmo.

      Coisas da vida.

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    2. Lucas,
      Meu, não se ofenda, por favor, sei que deve ter sido foda, mas não pude deixar de rir do dialogo, foi surreal... desculpe ;)
      Abç,

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  5. essas situações são sempre tensas desse jeito... mas quero saber o resto da história...

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    1. Sempre são tensas, mas acho que devemos ter um pingo de esperança.

      Eu estava perdendo a minha e as coisas melhoraram.

      Talvez os próximos posts choquem vocês, porque vão falar do período mais sofrido que tive com isso tudo, mas no fim do túnel há uma luz. Fraquinha, mas está lá.

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  6. Lucas obrigado por mais um texto. Realmente, a terapia continua e eu adoro ler a opinião de todos. Vocês leram essa semana sobre dois irmãos gêmeos que estavam juntos e foram confundidos com gays? Foram atacados e um morreu e o outro acho que estava no hospital. Estão vendo? Os pais não querem ter filhos gays, então será que preferem ter filhos como esses animais que atacam os outros? Um amigo de um amigo meu está no hospital com problemas no cérebro, em estado vegetativo e só tem 20 anos. Ele não foi atacado por ninguém. Ele já tinha esse problema. Será que os pais esperavam por isso? Todos querem ter os filhos perfeitinhos, educados, inteligentes. Tem hora que dá vontade de mandar todos pro inferno ( se existir hahaha! ). Tendo 29 anos, e estando no armário, só posso dizer que é difícil, e que temos que ir vivendo e ver como as coisas evoluem...

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    1. Li, sim.

      Eu fico muito ligado em qualquer notícia envolvendo nossos pares, não só pelo fato, mas para analisar a forma como ela é noticiada, as pessoas que se pronunciam e o tom dos comentários.

      Muito triste, mas infelizmente acho que episódios assim vão continuar acontecendo durante um tempo.

      Por outro lado, acredito de verdade que a sociedade, como um todo, tem evoluído na questão da aceitação. O que não significa que estamos em um "nível" bom, mas acho que há melhoras.

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  7. Mesmo não sendo aprovado acho bem perigoso a população evagelica está crecendo bastante. As vezes até consigo imaginar um estado religioso acho bem preocupante esses tipos de projeto. Quanto aos seus pais achei normal comparando com as atitudes dos outros pais. Gente só dele não ter sido expulso de casa isso quando não chega na agressão física já pode ser considerado uma"vantagem" comparando com outros casos. Muitos pais dizem que preferem ter um filho drogado e assassino do que ter um filho homossexual sim. Na adolescência falei para meu pai que talvez não iria me casar e nem ter filhos. Lembro até hoje da cara de espanto parecia que tinha falado que tinha matado algué ou não era filho dele me perguntou quem estava colocando essas idéias na minha cabeça(como se não fosse capaz de pensar),e por último me disse que o normal era nascer ,crescer,casar, reproduzir e morrer que era um ciclo natural da vida. Até hoje fico bobo com essa fala do meu pai como as pessoas são condicionadas o que é melhor para "a" pode não ser o melhor para"b" e o natural da vida é ser feliz. Por essas e outras aconselho a quem for se assumir a já ser independente financeiramente. Meu pai me falava uma frase na adolescência que me marcava bastante que era "meu dinheiro minhas regras" fica dica. Ass: Carlos

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    1. Carlos, vou dizer duas coisas que talvez muita gente atire pedras em mim.

      Pesquisei bastante antes de contar aos meus pais sobre mim, como já disse em posts e comentários. Li muito por aí esse discurso de "o ideal é esperar a independência financeira".

      Duas coisas que penso:

      1) Não é tão simples ter independência financeira, principalmente porque muitos de nós ainda são adolescentes ou jovens com 20 e pouquinhos anos. Independência financeira, remuneração que dê para se manter e estabilidade geralmente exige experiência e tempo na profissão.

      2) É uma desculpa para muitos para não admitir que não têm coragem. E não acho nenhum demérito o cara assumir que não tem coragem.

      Olha, meu namorado, três dos meus melhores amigos e minha melhor amiga são homossexuais e moram longe dos pais, que estão no interior ou em outro estado. Dividem casa ou moram sozinhos, mas todos têm independência financeira e se viram muito bem por aqui.

      Nenhum contou ou pretende contar aos pais. O discurso muda. "Ah, agora estão mais velhinhos, pode não ser bom". Ou "moro sozinho, eles não sabem da minha vida, não devo satisfação a ninguém e não vejo mais necessidade".

      Sei que tem gente que realmente pensa assim e está de bem com isso.

      Mas, para outros, isso vira uma mentira e uma desculpa, porque gostariam mesmo de se livrar da imagem de filho ou filha idealizados pelos pais.

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  8. Mesmo não sendo aprovado acho bem perigoso a população evagelica está crecendo bastante. As vezes até consigo imaginar um estado religioso acho bem preocupante esses tipos de projeto. Quanto aos seus pais achei normal comparando com as atitudes dos outros pais. Gente só dele não ter sido expulso de casa isso quando não chega na agressão física já pode ser considerado uma"vantagem" comparando com outros casos. Muitos pais dizem que preferem ter um filho drogado e assassino do que ter um filho homossexual sim. Na adolescência falei para meu pai que talvez não iria me casar e nem ter filhos. Lembro até hoje da cara de espanto parecia que tinha falado que tinha matado algué ou não era filho dele me perguntou quem estava colocando essas idéias na minha cabeça(como se não fosse capaz de pensar),e por último me disse que o normal era nascer ,crescer,casar, reproduzir e morrer que era um ciclo natural da vida. Até hoje fico bobo com essa fala do meu pai como as pessoas são condicionadas o que é melhor para "a" pode não ser o melhor para"b" e o natural da vida é ser feliz. Por essas e outras aconselho a quem for se assumir a já ser independente financeiramente. Meu pai me falava uma frase na adolescência que me marcava bastante que era "meu dinheiro minhas regras" fica dica. Ass: Carlos

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    1. Carlos, é uma pena que esse tipo de atitude do seu pai aconteça, mas precisamos nos impor e estabelecer limites.

      Isso independe de sexualidade, mas claro que ser homo ou bi, tanto para homens como para mulheres, é um fator complicador a mais.

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  9. Definitivamente a mera existencia de uma iniciativa dessas trás repercussões!

    Isso dará munição aos preconceituosos, alimentará a raiva daqueles que já estão doidos para ter um motivo para tratar os homossexuais como "inferiores" ou "inadequados". Nada mais útil para essa causa insana e deturpada que rotular de doentes. Doença tras uma carga de "defeito" ou "errado", "não de acordo com como as coisas devem ser". E isso é terrível.






    "E quando o Bolsonaro é o seu pai? Ou seu melhor amigo, seu colega de trabalho ou qualquer outra pessoa que convive com você?"

    Eu diria que deve-se fazer o melhor para se ter uma vida saudável.




    Achei interessante a parte do "estar cansado de mentiras". As vezes a vida não nos pergunta do que estamos cansados e só fazemos o que é preciso para nos proteger.

    Não sei como termina a história, espero que bem. Mas não me entra na cabeça que certas posturas mais dignas como ser aberto e ser quem se é a todo custo sejam as melhores, em casos em que a familia é muito intolerante.

    É claro que falo de maneira mais geral, inspirado no texto. Cada um sabe de si.

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    1. Concordo com você que a iniciativa traz repercussões só ao existir, porque muitos covardes preconceituosos e intolerantes se escondem atrás de propostas e projetos nojentos como esse.

      Sobre o seu outro comentário, acho que a pessoa também precisa ter noção. Minha família é muito intolerante, mas eu achava que poderia melhor com o tempo. Depois, fiquei desiludido e sem esperanças, porque vi como demorava e nada acontecia. E, então, as coisas foram caminhando.

      Acho que intolerantes e preconceituosas, quase todas as famílias são. Na casa dos outros tudo bem, mas quando é seu filho tudo muda de figura. A questão é avaliar as chances deles mudarem.

      Mas tem uma coisa que eu aprendi com a terapia e me ajudou muito, porque isso era um problema meu. Não podemos fazer da nossa diversidade sexual pano de fundo de todos os problemas de relacionamento com a família e amigos.

      Não é só a questão da aceitação... quem já tem ou tinha problemas em casa, é importante lavar a roupa suja e tentar resolver ou dialogar.

      Por exemplo... meus pais sempre me controlavam demais para a minha idade e eu ficava puto, porque isso piorou com a descoberta. Mas já existia! Só que eu enxergava tudo como preconceito e intolerância. Minha psicológa (a normal, porque outra era meio doida) ajudou a perceber isso.

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    2. Excelentes colocações, Lucas! É por aí sim. O importante é saber diferenciar que relações tem chance de melhorarem e quais não.


      E definitivamente nem tudo tem a ver com a sexualidade. Muito bom.


      Mas é compreensível essa confusão. Dificil crescer em uma sociedade que diz tudo de pior e rejeita aquilo que somos e não desenvolver um pouco de paranóia.

      O legal é que parece que voce está crescendo bastante. E com certeza pode ajudar outros.

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    3. Espero mesmo conseguir ajudar os outros, faz com que eu me sinta útil.

      Sofri demais... acompanho muito os problemas dos meus amigos mais próximos. Gostaria de ter coragem para fazer militância mostrando a cara mesmo ou participando de uma ONG.

      Como não tenho, encontro no anonimato da internet uma chance de levar conforto às outras pessoas.

      Até porque ONG e militância na rua também não atende todo mundo. As pessoas evitam se expor quando precisam de ajuda envolvendo essas questões.

      É difícil.

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  10. Puxa Lucas, que tenso! Você foi forte e digno, é uma situação que temo até hoje, embora saiba que jamais acontecerá...
    Quanto ao lance do "debate" o que temo não é o projeto ou esses senhores em si, mas sim a ideia que eles representam, isto é apenas a ponta de um iceberg, e, como escrevi em um post sobre o assunto, no fim das contas é o jovem gay de 15 anos que morre na rua a pauladas, fruto da intolerância que é nutrida por esses fundamentalistas.
    Muito tocante o seu texto, estou no aguardo da continuação.
    Fique mui bien!

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    1. Jamais acontecerá?

      Meu amigo Tiago, a verdade é que nunca sabemos de nada. Amanhã, de repente, nem estou mais aqui.

      Eu também temo esse restante do iceberg... da mesma forma que reprimimos nossos sentimentos, acho que existe muita gente intolerante que também reprime os seus.

      E, da mesma forma que nós, quando os outros agem, sentem energia para fazer o mesmo.

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    2. Realmente, o "jamais" foi exagero.

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  11. GUS-RECIFE

    Tensoo..Isso define a situação.
    Esse ano eu contei a minha irmã, que recebeu numa boa anotícia, depois de algumas lágrimas. Já rismos e conversamos.
    Semana passada, foi a vez de abrir o jogo pra queridas amigas... Na verdade tõ curtindo uma fossa horrorosa e não queria ficar sozinho em casa. Daí chamei elas e entre uma cervejinha eoutra, saiu tudo! Foi divertidíssimo e eu fiquei 500kg mais leve. Pai e mãe ainda não estou pronto, mas vai ser algo que em breve virá à tona. Estou deixando as coisas no subentendido. Afinal, um cara de 24 anos que NUNCA levou uma mina me casa, ou é doido ou tem algo diferente!
    ahushuas...
    Não imagino, ou procuro não imaginar como será.
    Mas o que é certo, é que tô muito mais desencanado...E é até engraçado ouvir de amigos próximos, que outras pessoas perguntam; será que ele é?!?!? E depois eu falar com essas pessoas, sem elas imaginarem que eu sei q ue estão doidas pra que eu conte!!
    ;D

    Ancioso pro resto da história.

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  12. Ah Gus, sei como é isso. Lembro de no começo de tudo, quando eu comecei a contar para as primeiras pessoas... sentia uma enorme euforia.

    Só em ter alguém por perto para dividir isso já deixa a gente melhor por dentro.

    Abs :)

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  13. ufa!
    li numa estocada só. muito forte esse depoimento! e que coragem!
    inevitável lembrar de como me descobriram também.

    Era um domingo à noite, quando estava no banheiro e suspeitando de um conversa em tom baixo de minha mãe e irmã, resolvi abrir o chuveiro e colar o ouvido na porta.

    'liga pra psicóloga e pede pra ela conversar com ele' [eu fazia terapia na época] - minha irmã

    'eu não to acreditando' - minha mãe

    'se tem isso no pc, é porque ele é, mãe' - minha irmã

    três frases que me derrubaram, que me fizeram ficar sem chão. se tivesse como morar no banheiro pra sempre eu aceitava! tudo para não encará-las.

    a única frase que minha mãe disse foi: 'eu não vou julgar, mas não quero mais isso nesse computador aqui dentro dessa casa'

    Hoje, eu 'agradeço' por terem descoberto. Não teria coragem de dizer, e nem ela de perguntar. Os conflitos diminuíram, os medos foram domados, a tristeza de esconder foi acabando.. Enfim. E assim vivemos.

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    1. Vale processar por invasão de privacidade? paksaospakksa
      Essas mulheres que tem mania de mexer nas nossas coisas, viu...
      Apesar de ficar possesso por invadirem um espaço que era teu, fico feliz que tenha causado alivio, afinal, não há outra opção se não seguir em frente =) neh

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    2. Também agradeço, às vezes, por meus pais terem descoberto.

      Não sei se eu teria coragem de falar para eles. Até tentei, mas minha mãe sempre foi muito nervosa, tinha medo de mandá-la para o hospital ou provocar algum problema de saúde.

      Consegui contar para minha irmã e queria falar a meus pais, mas eles acabaram descobrindo. De repente, foi melhor assim.

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  14. Lucas parabéns pela paciência e compreensão u.u.

    To louco pra saber o resto da sua historia. Eu sempre tomava cuidado pra que uma coisa dessas não acontecesse comigo, bom agora que eu já contei a eles (e cada vez mais acho que eu estava drogado quando fiz isso ¬¬’) não tenho de me preocupar tanto, e realmente eu senti um grade peso saindo das minhas costas.
    Eu também concordo com vc nessa de esperar ser independente, cara isso demora muito, e se vc conhece a sua família vai saber se da pra contar ou não, como eu fiz já sabendo que ninguém ia me botar pra fora de casa (mesmo que meu pai tenha citado algumas vezes).
    Boa sorte para todos que ainda vão enfrentar essa fase que todos nos compartilhamos, inclusive pra min porque ainda esta longe de acabar.

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    1. Álvaro, falando nisso, como estão as coisas em sua casa?

      Ah... só um comentário... vc é de Serra Talhada, né? Uma de minhas melhores amigas é daí, mas está viajando.

      Abs

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    2. Então Lucas as coisas estão “indo”.

      Eu e meus pais continuamos indo para uma psicóloga (só a minha irmã que não vai pq ta ai em Recife estudando),graças a Deus ela é ótima e ajudou muito a acalmar os meus pais e fazer diminuir as brigas. Mas as vesses eu penso que eles estão se iludindo que ela vai conseguir me mudar e me transformar em hetero , por isso estão tão calados. Só que na ultima seção, na semana passada, ela me pedido para pensar mais seriamente sobre ser gay, então eu cheguei a conclusão que ser gay é uma das coisas que eu mais gosto em min ^^ e que me trousse as melhores coisas também (tirando os problemas ne ¬¬’) como por exemplo a minha maturidade e paciência (que já foi elogiada por ela) são todas provindas dessa situação.

      E que se eu fosse hetero provavelmente eu ria ser um idiota sem a mínima opinião própria.

      Eu percebi que me amo do jeito que sou, e que se ela me “provasse” que sou hetero eu teria de ,acredite se quiser, tentar me aceitar como hetero,isso é meio reciproco pq agora eu me amo mais tem um monte de gente que pode me descriminar e se eu virasse hetero seria o contrario, ninguém ia ligar pra essas coisas e eu ficaria infeliz com minha orientação sexual.

      Sim eu sou de Serra, vc já esteve por aqui? Legal queria conhece-la depois, mas acho que ia ficar meio tenso pra falar com ela rsrrsrsr ^^’

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  15. Lucas, porque você não cria seu próprio blog?
    Sinto que NB está utilizando de suas experiências de vida e seu dom de escrever bem para ressuscitar o falido armarioembh.
    Minha opinião :x

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  16. Amigo anônimo, todos temos direito à liberdade de expressão.

    Li sua opinião. Leia, agora, minha resposta:

    Talvez você precise rever seus conceitos sobre "falido". Como pode ser falido um blog que recebe, diariamente, centenas de visitações? É muito raro fazermos um post e não choverem comentários dentro de poucas horas.

    Muitas pessoas comentam por aqui e uma quantidade maior ainda acessa. Eventualmente, alguém se manifesta e diz "acompanho faz tempo e resolvi comentar somente hoje".

    O blog também é relevante para o Google. Se você testar algumas tags, como "Gay Belo Horizonte" ou "Homossexualidade blog", entre outras, o Armário em BH figura nas primeiras posições. Não vamos discutir com o Google, né?

    Eu? Acabei de chegar. Quem criou e sustentou isso aqui tudo foi o N.B. Por sinal, uma pessoa que escreve muitíssimo bem e tem um amadurecimento e uma visão crítica essenciais para fazer com que o Armário em BH dê certo.

    Não tenho a menor intenção de criar meu próprio blog. Já fui blogueiro há muito tempo, mas falava sobre cinema, música, crônicas... nada relacionado ao que fazemos aqui.

    Outra: quem sai por aí se espalhando e criando inúmeras divisões, pregando o que acham melhor (para si, só se for) são as religiões.

    Nós, que vivenciamos as mesmas dúvidas, angústias e situações precisamos é de UNIÃO. É isso que falta.

    Um abraço e volte sempre. De preferência, com uma visão diferente do blog.

    ** Minha opinião, também :x ;-)

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    1. Lucas, não se deixe levar por algum comentário ruim que alguém faça. Eu fiz vários comentários sobre o blog e a importância dele para todos nós. Na época mais escura da minha vida foi aqui que eu encontrei um socorro imediato. Eu ficava sem dormir, comer pensando que não aguentaria mais um dia. Certa vez fui a uma festa, mesmo me sentindo muito mal, e fiquei olhando todos os casais de moços e moças e pensando, nossa, mesmo que eu tenha um relacionamento vai ter que ser escondido. Cheguei em casa e chorei como nunca na minha vida. Parecia que meu peito ia explodir. Então, por alguma razão, descobri esse blog e vi que apesar de ter 29 anos, meus problemas, angustias, medos e inseguranças não eram diferentes dos mais novos ou mais velhos. Somos todos muito parecidos. Depois disso fui melhorando cada vez mais e já te disse isso aqui no blog. Então isso é que importa. O bem que o blog faz pra muita gente. A chance da gente se encontrar é quase nula mas, mesmo assim sinto uma amizade diferente ( virtual, não é? ) por todos aqui. Um abraço e até a próxima vez.

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    2. - Não sou o anonimo de cima /\ -


      Hey Lucas, gostei do que disse sobre união. E nunca vi um blog tão bom quanto esse sobre o tema. Aredito que voce e o N.B criaram uma espécie de "refúgio" virtual para aqueles angustiados por terem que viver no armario e sempre ouvindo o que a sociedade tem a dizer (and it ain't nice) sobre os homossexuais.

      Com mais divulgação (não que já não tenha audiencia) e talvez algumas inovações, isso aqui poderia se tornar um excelente ponto de convergencia para pessoas de toda parte do país (ou mesmo, quem sabe, de outros países de lingua portuguesa) que sofram com os mesmos problemas.

      O que pensa sobre isso?

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    3. Pessoal, obrigado pelos elogios ao N.B. e a mim.

      Fico muito feliz em saber que gostam dos meus textos e da minha participação, mas acho que o "NimBus" merece quase todo o crédito de ter criado isso daqui e conseguido chegar nas pessoas.

      Sobre maior divulgação, estamos estudando um trio elétrico na próxima Parada Gay de São Paulo... rs.

      Brincadeiras à parte, tenho algumas noções de SEO (Search & Optimization, para quem não é muito familiarizado com marketing digital).

      Tenho conversado com o N.B. e talvez estudemos algumas formas de fazer o Google dar mais relevância ao blog.

      Mas isso não é uma grande prioridade agora. Estamos felizes com os leitores que temos. Claro que se o blog ganhar um alcance maior, vai ajudar mais pessoas. Isso é muito bom.

      Voltando para o Anônimo de cima, acho que idade não nos torna diferentes com relação aos problemas de aceitação da nossa orientação sexual.

      Abs a todos :)

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  17. -----------------------------BETO-------------------------------


    N.B., Lucas e demais,
    Primeiramente gostaria de dizer que este blog é "The best".
    A vida no armário é muito solitária, tirando alguns bons amigos da internet que provavelmente nunca os verei pessoalmente, ninguém sabe que sou gay ou bi (ou sei lá o que), verificar que outras pessoas passam pelas mesmas situações que passo é algo que me alivia.
    Pois bem passar do Arco-iris para o cinza é o esperado (pela maioria) por isso este momento é tão adiado, e revelado em situações insustentáveis.
    Lucas eu estou iniciando minha graduação em "Reações familiares dianta a Homoxesualidade" e após ter visto um video no Youtube que mostra a reação de uma avó ao saber da IDENTIDADE SEXUAL de seu neto e outras gama de situações posso lhe garantir que no meu caso a possibilidade de me assumir para minha família esta fora de cogitação no momento.
    Espero que ninguém metido a espertinho mexa no meu not e abra meu armário.
    Galera Amo Muito Tudo Isso, inclusive os comentários.

    Aproveito para deixar meu msn beto.wenn@hotmail.com add please adoro teclar com pessoas inteligentes. Ah! tenho 23 anos e sou de Divinópolis.

    Um abraço pra todos,
    e até a próxima.

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    1. Sugestão: /\

      Se preferir não correr o risco de algum conhecido ver seu e-mail aqui, crie um novo, sem o seu nome nele, para postar aqui.

      Não é bom dar bandeira, dependendo do seu contexto de vida.

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    2. Não sei se o email é fake ou não, mas tome cuidado com exposição. Claro que se for o email que você sempre usa e não tem problemas com isso, a decisão cabe a você.

      Seja bem vindo ao blog e espero que o conteúdo que encontrar pela internet sirva como uma forma de acolhê-lo e melhor prepará-lo para as situações da vida.

      Ah... só uma piadinha... uma cidade com esse nome, Divinópolis, os homens já nascem com uma tendência, né?

      Hahahahaha.

      Não me leve tão a sério, ok?

      Um grande abraço!

      Excluir
  18. Lucas,
    Pelas suas postagens:
    a) Você é muito afeminado; ou
    b) Cursa Letras/Pedagogia e afins; ou
    c) É o N.aB.ucodonosor tentando nos 'enganar';

    As postagens do N.B. tem um ar viril e de alguém mais velho (beeeem mais velho) enquanto as suas são meio 'femininas', lembram muito adolescentes homossexuais passivos.

    Foi só um devaneio neste fim de noite.
    Gosto do blog. Abraços.

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  19. Bem, o que posso dizer... acho que você nos pegou!

    Anônimo,

    Pelas suas postagens:

    a) Você é um detetive; ou
    b) Algum hacker que invadiu nossos emails; ou
    c) Um humorista!

    O N.B. na verdade se chama NimBus. Os pais dele tiraram dos quadrinhos da Turma da Mônica. Ele realmente é bem mais velho, tem 52 anos e guardou um diário com anotações sobre suas aventuras. Cada post dele, é, na verdade, um capítulo sobre o seu passado.

    A revelação sobre a idade viria no final. Uma coisa meio último capítulo de novela das sete. Com inspiração em Dom Casmurro, de Machado.

    Quanto a mim, tenho 16 anos. Faço chapinha no cabelo e pinto as unhas escondido dos meus pais. Geralmente quando escrevo no blog, estou brincando de coqueiro com meu namorado. Tinha medo de que isso chocasse os leitores.

    Também não sou de Recife. Nem de Pernambuco. Na verdade, sou baiano. Só que ninguém iria acreditar que eu morro de trabalhar e ainda escrevo aqui de graça.

    Apesar disso, espero que continue voltando ao blog.

    Abraços

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    1. Lucas, Lucas... Você leu meu comentário "Anônimo 6 de julho de 2012 20:52"? Repito novamente. NÃO LIGUE PARA CERTAS OPINIÕES DE PESSOAS QUE ME PARECEM, APESAR DE FAZEREM PARTE DE UM GRUPO JÁ BEM DISCRIMINADO, SOAM BEM PRECONCEITUOSAS TAMBÉM. FALEI!

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    2. Li sim, cara.

      Tudo o que vocês escrevem de comentários chega na mesma hora no meu email e no do N.B.

      Como temos um lado nerdinho, as mensagens também vão para os nossos celulares.

      Esses dias têm sido mais corridos para mim. Mas o comentário do amigão detetive foi tão incrível que eu levantei da cama de madrugada só para responder.

      E, falando sério... eu levei com humor e brincadeira. Se o cara aí de cima tiver ficado na dúvida, não fiquei com raiva nem chateado.

      Acho que precisamos ter bom humor também, senão vamos brigar com todo mundo o tempo todo. É importante saber quando alguém faz uma crítica construtiva, uma crítica vazia só para incomodar e quando alguém só quer rir com você.

      Levei na esportiva.

      Vou ali terminar de pintar as unhas :)

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    3. Rsrsrsr XD “adolescentes homossexuais passivos” acho que isso me define, se bem qeu se for levar pro lado afeminado nem tanto, mas pro lado do romantismo sim C3.

      N.B. seu ancião não te ensinaram que é errado mentir ò.ó e Lucas eu aqui achando que vc era meu conterrâneo, me desapontou com essa viu u.u num confio mais em vc.

      Lucas vai pintar as unhas e qual cor?

      Rsrsrsrr é bom levar na esportiva essas coisas.

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    4. /\ Eita, mais um Recifense, Álvaro-kun? E pelo visto otaku também! *-*

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    5. Sou otaku sim Maviaelson C3 vc é?E não eu na sou do Recife falei conterrâneo em relação ao estado mesmo ^^' mas todo ano eu vou pelo menos uma vez pra lá.Esse ano mesmo já fui um mote e ainda vou mais,la pros ultimos meses do ano,por causa de uma operaçao que eu fiz e outra que eu vou fazer. (nada sério gente u_u)

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    6. Sou sim... Faço Cosplay e tudo! ^.^

      Pega meu msn pra conversarmos: maverick.dom@hotmail.com

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  20. Muito bom N.B. é o que posso dizer desse post.
    Comigo a saída do armário foi um tanto diferente, pra resumir, eu estava namorando no ano retrasado e passada mais tempo no ap desse ex-namorado do que na casa dos meus pais, então um dia minha mãe me pôs contra a parede e praticamente me obrigou a contar, hoje está tudo certo, também pretendo contar essa história no meu blog, só não sei quando pois ando bem sem tempo. =/

    Att. Mr. FG
    http://queermrfg.blogspot.com.br/

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    1. Mister, desta vez, a história foi minha (repare no início do post o nome do autor).

      Fiquei curioso para saber da sua história. Acho que nunca andei pelo seu blog, depois vou dar uma olhadinha.

      Estou sem tempo, também.

      #EscravaIsaura

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  21. Morri de rir com o anônimo leitor de mentes lá em cima. Eu mesmo achava o contrário, que o N.B era mais afeminado, pq ele diz gostar de homens másculos, e vc disse ter namorado um afeminado... Vai entender. =)

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  22. Eu entendo você, Lucas. Simples assim.

    Nunca te ví, provavelmente nunca nos veremos, mas te entendo, e é bem possível que você também pudesse perceber muitas coisas pelas quais passo, e que o egoísmo de familiares e farinhas do mesmo saco mental-comportamental por aí não permite que percebam.

    "Lembro de minha mãe gritar que queria que aquilo fosse um sonho, um pesadelo. Meu pai se lamentou por ter dado tanta educação, boa condição de vida e aquilo estar acontecendo."

    - pois precisam de um murro na face. Com todo o respeito que tenho por tudo que é vivo, e em especial pelos genitores, devem levar uma machadada na cara e no espírito, o quanto antes.

    VERGONHA e LÁSTIMA é transformarem uma condição natural em um cenário de holocausto INVISÍVEL (nem tanto, né gente) recorrente, em andamento, onde milhares de homossexuais são forçosamente postos à margem da dimensão cultural das coisas, do foco publicitário, dos modelos comportamentais, das valorizações humanas.

    Devem levar uma bela machadada na cara para saírem de seu EGOÍSMO absurdamente baixo, onde quem fere é quem tem a covardia de se dizer "sendo ferido", e isto já saturou em uma medida que, em meu caso, tampa meu bom coração, dócil e ameno originalmente, tendo tornado-o algo com uma capa escura, ácida, e de defesa.

    Continuo sendo bom, pois é quem Sou, mas a machadada deve ser dada, sim, por cada um de nós, em respeito à vida e ajuda aos cegos, sejam quem sejam.

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  23. olha
    Lucas estou rindo até agora pelo seu comentário hilário
    shausausahuhus
    penso que muitas vezes os pais agem assim pois pensam que isso nunca acontecerá com eles.
    eu estou pensando até hoje (desde meus 16 anos - até hoje nos meus 22) como será a reação da minha mãe, não sei se assistiram Insensato Coração (mas tem uma cena em que o filho da mulher que tinha um Quiosque na praia e era a favor dos gays, quando o filho dela contou que estava gostando do Hugo, ela surtou), vejo a minha mãe tendo uma relação igual a dela. Escuto as vezes minha mãe falar de algum gay da TV, de um "viadinho" que ela ouviu no rádio e tudo o mais (palavras dela), mas acho que quando o negócio cair pro lado dela sabe-se Deus o que acontecerá. Mas espero que mesmo ela surtando aceite de uma maneira natural (tão bem como aceitou e abraçou outros problemas na família, como meus irmãos morarem juntos com mulheres e terem filhos sem casar, como ajudou minha irmã e meu cunhado quando ele se envolveu com drogas), ela se sacrificou muito (e ainda se sacrifica) para ajudar e tentar compreender os outros, e espero a mesma compreensão comigo, que não é algo que ela tenha que aceitar ou que tem culpa, sempre procurarão culpados para tudo que acontece com "as crianças" deles (pais e mães - que exercem a "função" - shaussahsuah) pois não querem que seus filhos não sofram, eu penso isso toda vez que ilusiono uma conversa com eles, mas acho que isso sim terá que esperar até eu me formar e conseguir minha "independência financeira", podemos ficar sem depender do dinheiro dos outros, somente do nosso esforço, mas ainda dependemos da companhia das pessoas, ninguém quer morrer sozinho mesmo (pode até querer morrer sozinho, mas não quer viver sozinho).
    Pode levar anos para adquirir independência financeira (essa é a última que adquirimos), porém vamos ter que respeitar nossos pais da mesma maneira.
    Eles nos amam acima de tudo, nos aceitarão como somos, podem levar segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, entretanto nunca nos deixarão sozinhos para enfrentar as dificuldades que teremos que encarar devido a nossa orientação sexual.
    Se hoje vamos lutar sozinhos (cada um por si e Deus por todos) contra os ignorantes que não conseguem compreender que o mundo não é o mesmo de 1000 anos atras, quando contamos aos nossos pais não são mais sozinhos mas sim 3 por si, contra quantos vierem (e acho que pode ter até um Hulk contra que só uma mãe defendendo o filho da conta).
    mas para isso terei que esperar mais um pouco, pois não pretendo afirmar isso para meus pais ainda, digo afirmar por que também (nos meus 22anos) nunca levei ninguém (me refiro a mulher) em casa para apresentar como namorada, já dispensei comentários sobre uma amiga minha e eu termos algo.
    Para minha mãe e meu pai terem certeza sou estão esperando a confirmação vir da minha própria boca.
    abraços.

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  24. e quanto ao Roberto, Lucas? Fiquei curioso, vc sabe dele, se mudou seus habitos?

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  25. Tenso, hein?

    Fico feliz que as coisas tenham melhorado. Aqui em casa, eu certamente jamais poderei contar esse tipo de coisa ao meu pai (a menos que eu já esteja fora de casa e me sustentando). Minha mãe e meu irmão são mais abertos e, apesar do choque inicial, tenho certeza de que vão me apoiar.

    Quando mencionaram nos comentários as agressões aos gays, me toquei que isso certamente vai ser um motivo de preocupação pra minha mãe. Bom, é um risco que todos corremos e ninguém vai deixar de ser o que é por conta disso.

    Quanto ao momento certo em se contar pra família, eu digo que é complicado. Se a pessoa já tem 25 anos ou mais, até dá pra esperar a independência financeira antes de contar. Pelo menos a pessoa já está preparada para o que der e vier. Mas quando se está ainda na adolescência, não há como esperar tanto. Se a família for mente aberta, tudo bem, com jeito dá pra contar. Se não for, eu sinceramente aconselho alguma ajuda especializada. A gente já sofre o bastante com o mundo lá fora, não precisa transformar a vida em família num inferno também.

    Mas eu acredito que uma grande parcela dos pais acaba descobrindo sozinho. Aí é ver o melhor que se consegue obter da situação. É muito triste ver os próprios pais renegando ou agredindo (verbal ou fisicamente) os filhos.

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