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sábado, 30 de junho de 2012

Do colorido para o cinza

Muitos leitores daqui tomaram conhecimento da confusão que rolou na Câmara dos Deputados nesses últimos dias, por conta de um projeto de decreto legislativo que se propõe a interferir no Conselho Federal de Psicologia. Alegando liberdade de expressão e o direito do paciente de requisitar o tratamento que ache adequado, as propostas querem duas coisas: permitir que psicoterapeutas possam trabalhar com reversão de sexualidade, caso a pessoa manifeste este desejo, e deixar que esses "profissionais" propaguem suas ideias à respeito da diversidade sexual como um transtorno psicológico e não algo natural. Imagino como os senhores (e senhoritas) ficam indignados lendo sobre isso. João Campos, Jair Bolsonaro, Myrian Rios e Marisa Lobo são pessoas que machucam e despertam nossos piores sentimentos com seu ódio desenfreado e sua ignorância diante da população homossexual.

Mas precisamos perceber que essas figuras não estão distantes de nossa realidade como imaginamos. E quando o Bolsonaro é o seu pai? Ou seu melhor amigo, seu colega de trabalho ou qualquer outra pessoa que convive com você? Sinceramente, o que mais me preocupa nem é o projeto em si, porque tenho certeza de que não será aprovado. O pior é existirem pessoas com essa mentalidade. Por preconceito, ignorância, fundamentalismo religioso, falta de senso crítico e medo, condenam a diversidade sexual com base em argumentos pífios. Precisamos tirar as pessoas que valem a pena desse abismo de intolerância. É uma luta.

A minha luta começou há três anos, na Quarta-Feira de Cinzas de 2009. Já comecei a contar esta história no blog e quero retomá-la, porque acho necessário e importante. O primeiro post começa aqui. O outro é este daqui. Tiveram outros, sobre alguns temas e pensamentos, mas sem retomar os acontecimentos.

Era uma manhã que parecia um dia comum. E, como de costume, eu estava acordado muito cedo. Sempre levantei seis, sete da manhã. Nunca curti muito o carnaval, geralmente eu vou vários dias para o cinema ou faço programinhas lights com os amigos. Tinha uns dois meses que eu namorava o Roberto, um garoto mais velho do que eu, super afeminado, com bom coração, mas que estava perdido quanto a seu futuro profissional. Hoje entendo isso como um erro que teve consequências ruins, mas nos deu mais amadurecimento.

Na véspera, saí com amigos meus e o encontrei, com seus amigos, no Recife Antigo, que é a parte "velha" da capital pernambucana e funciona como uma espécie de sítio histórico. Em datas comemorativas, o Marco Zero e a Praça do Arsenal, locais turísticos, concentram boa parte das programações culturais e festas. Lembro que tivemos um desentendimento e brigamos sobre ele beber demais, fumar cigarro e ter uma alimentação ruim. Passou mal e precisou ser socorrido para um posto médico, montado naquele espaço.

No dia seguinte, de manhã cedo, tivemos uma DR pela internet, quando o MSN ainda era mais popular que o chat do Facebook. Como demorei demais e, por incrível que pareça, eu iria trabalhar naquele dia, acabei saindo às pressas e não me despedi direito. Corri para o banheiro e bateu um sexto sentido.

Lembrei que não peguei meu celular. Minha mãe, naquela época, invadia muito minha privacidade. Às vezes, eu a flagrava examinando quanto dinheiro tinha na minha carteira ou mexendo no meu celular. Sempre era motivo de discussões, mas eu não tinha maturidade o suficiente para saber impor limites e me livrar disso. Para a minha idade, eu ainda era muito controlado pelos meus pais. Por conta disso, precisava trabalhar álibis, mentiras, jogar fora papéis de nota fiscal, combinar histórias com meus amigos e apagar mensagens. Uma vida que no começo parecia divertida, mas eu já estava muito cansado de mentir o fingir o tempo todo.

Comecei a me despir e entrei no banho. Na minha cabeça, passou a hipótese de que Roberto mandaria mensagens para meu celular porque eu não me despedi direito. Pensei em minha mãe pegando ele e lendo tudo. Ela poderia estar naquele momento com meu pai, escandalizada. Minha farsa iria por água abaixo. Seria desmascarado!

Foi um daqueles pensamentos que estão lá na sua cabeça mas você não quer acreditar. Ainda assim, eu pensei que não voltaria ao quarto para pegar meu celular e deixá-lo comigo. Assumi os riscos, mas sem acreditar que algo pudesse, de fato, acontecer.

Terminei o banho e voltei para o quarto. Coloquei uma roupa e percebi que meu celular não estava ao lado do computador, onde normalmente eu deixo. Mas como sou esquecido, abri as gavetas, olhei dentro do calção que usei antes do banho, procurei em cima da cama e nada.

Isso tudo foi muito rápido, questão de um ou dois minutos. De repente, eu me dei conta de um silêncio terrível em casa. Voltei para o corredor e girei a maçaneta do quarto dos meus pais. Não abriu. Estava trancada.

Naquele momento eu tive a certeza do que estava acontecendo.

Senti meus pulmões ficarem sem ar. Senti também um aperto no coração e um estado de torpor, de medo. Ouvi passos pesados. Minha mãe sempre andou pela casa pisando no chão apoiando os pés com os calcanhares, produzindo uma marca sonora inconfundível.

Quando ela destrancou e abriu a porta, estava com uma expressão de raiva, os olhos vermelhos e lágrimas nos rostos. Na sua mão, a prova do crime: meu celular. Atrás dela, meu pai, olhando em outra direção, para a parede, com os braços cruzados. Parecia pensativo.

Ela começou a perguntar com raiva que mensagens eram aquelas no meu celular. Não sei o que ela queria que eu respondesse, até porque ela quem viu as mensagens, eu sequer sabia do conteúdo. Não lembro bem dessa parte, o que ela falou, mas lembro que eu disse que era um amigo que gostava muito de mim. E ela perguntou, áspera, que amigo era esse que falava "eu te amo", entre outros adjetivos que denunciavam tudo.

Percebi que não tinha para onde correr. Eu até poderia inventar uma história mirabolante, mas tomei um caminho mais digno. Virei as costas e bati no quarto da minha irmã, Juliana, que abriu meio desorientada de sono. Ela sabia de mim há poucas semanas.

- Me ajude, painho e mainha acabaram de descobrir.

Minha mãe veio atrás de mim e perguntou:

- Meu filho, você é gay?
- Sou.

Ela colocou a mão na boca e voltou para o quarto dela. Fui atrás, com Juliana. Ela e meu pai sentaram no chão, Juliana sentou na cama e eu também. Ninguém chorava. Acho que eles não conseguiram digerir a informação.

Tomei a iniciativa e comecei a contar tudo. Falei dos sentimentos quando era adolescente, das primeiras paixões, de como eu estava triste em precisar mentir e esconder aquilo tudo deles, mas que as coisas iriam ficar bem, que eu amava muito eles e precisava de compreensão.

Lembro que em dado momento meus pais começaram a chorar muito e se abraçaram. Lembro de minha mãe gritar que queria que aquilo fosse um sonho, um pesadelo. Meu pai se lamentou por ter dado tanta educação, boa condição de vida e aquilo estar acontecendo.

Minha irmã chorava calada.

Eu não consegui. Acho até que eu estava sorrindo. Sentia um peso enorme sair das minhas costas. Independentemente de aceitação ou rejeição, tinha ultrapassado uma grande barreira. Estava com a alma leve.

Falei que tinha um namorado, sem entrar em detalhes. Minha mãe, certa hora, chegou a dizer que isso era pior que ter um filho drogado, porque o filho drogado podia ter um tratamento. Aquilo me magoou demais e remoí isso por muito tempo.

Lembro também que eles perguntaram sobre sexo, sobre o que tinha acontecido. E eu falei que já tinha feito sexo oral. Quiseram saber se eu fiz ou se fizeram em mim e eu respondi que "os dois". Não estava para mentiras nem omissões.

Meu pai disse, uma hora, que aquele sem dúvida era o pior dia da vida dele e nunca ia conseguir esquecer.

Eu falei que queria ter contado antes, pedi desculpas pelas mentiras e disse que levaria tempo para eles me entenderem, mas eles iam perceber que não era pecado, que não era nada errado e que eu era normal. Sei que eu também disse que eles iam passar por várias fases até me aceitarem, que eu tinha lido, que eu imaginava a reação deles e para eles saberem que não têm culpa de nada, que eram ótimos pais.

Não fui trabalhar naquele dia. Eles me forçaram a telefonar para meu chefe e falar que estava doente ou alguma outra desculpa qualquer. Passei o resto do dia quase todo trancado no quarto. Um turbilhão de coisas passavam pela minha cabeça.

Era só o começo.

(Continua...)

* A título de curiosidade, este post levou duas horas e meia para ser escrito







* Desconsiderar slides toscos. Não sei por que as pessoas fazem isso =/

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Boladão

    Quando era mais novo, e um pouco mais bobo, lembro-me de ter ficado curioso ao ver que os pênis dos homens que eu via em fotos ou videos, americanos em sua maioria, eram tão diferentes do meu. Estaria tudo bem se fosse só um caso, afinal, ninguém é igual a ninguém, mas os seus pênis seguiam um padrão. 
    Eu já havia tido contato com outros pênis, desde muito cedo, com coleguinhas em situações sortidas, das quais me absterei dos detalhes. Inevitavelmente, havia a observação e comparação, o que me deixava mais aliviado ao ver que os nossos seguiam o mesmo padrão, mas ainda diferente dos atores americanos. Nunca havia questionado isso com ninguém, afinal, soa suspeito para o rapaz que assiste pornô e presta atenção do pênis ao invés da mulher.
    Ao longo dos anos, as coisas foram ficando mais claras, com o advento da circuncisão ao meu vocabulário, a qual alguns dos meus amigos foram submetidos. Um deles até ficou com o apelido de fimose desde que sofrera a operação, aos 13 anos, eu acho. Daí, era uma questão de tempo até ligar os pontos e perceber que os pênis dos modelos e atores que eu via eram, também, circuncidados. A questão era, porque existiam tantos pênis assim, se a única razão que eu conhecia para fazer o procedimento era a famigerada fimose que apenas uma parcela mínima dos meus amigos tinham?
    Depois de algum tempo e pesquisa, descobri que era uma coisa cultural, e me adentrei mais no assunto. Gosto muito de me referir aos EUA (_de novo, N.B.?), como uma sociedade muito interessante, bem sucedida, onde tem-se liberdade de pensamento, de negócio e democracia, mas com algumas anomalias épicas que contrastam escandalosamente com sua imagem de país desenvolvido e moderno. 
    A história da circuncisão é antiga, e faziam-na desde muito tempo antes da descoberta do Novo Continente, por motivos higiênicos e religiosos. Ela é obrigatória (estou aberto à correções) para judeus, muçulmanos e alguns cristãos que queiram seguir as escrituras estritamente, pelo acordo de Jeová com Abraão (ver Gênesis 17:10). Quanto à higiene, eu assumo que, como antigamente não havia Dove Fresh e nem o costume de se lavar todos os dias, o prepúcio facilitava o aparecimento de infecções e mau cheiro.
    Se por um lado os motivos que levam a maioria dos americanos a circuncidarem seus filhos não é religioso, por outro o real motivo é mais desnexo e doentio que esse. Sabe-se que apenas uma ínfima parte dos americanos são judeus ou muçulmanos e não chegam a 3% somados, enquanto aproximadamente 80% dos homens são circuncidados (mapa legal).
    Em algum momento da história dos povos que deram origem aos americanos atuais, houve uma massiva campanha moral anti-masturbação, lá pelo século 18. Para completar, alguns doutores vieram com a ideia que a forma mais eficaz de se evitar que um menino explore seu corpo com mãos, é fazer com que isso não seja atraente. Quando se corta o prepúcio, a glande fica completamente exposta ou pouco coberta, fazendo com que o prepúcio fique justo demais ao corpo do pênis e a masturbação seja desconfortável. A masturbação com o pênis circuncidado é feita com lubrificantes, em alguns casos.
    Hoje, continuam-se circuncidando os meninos, não por motivos de prevenção de infecções e nem para se evitar a masturbação, mas simplesmente por inércia. Alguns dos pais dizem que querem que seus filhos sejam iguais aos pais, ou que eles sofreriam preconceito dos coleguinhas se fossem diferentes. Motivos bobos à parte, também li que algumas mulheres (inclusive mães a favor) preferem o pênis circuncidado. Porém, não peso muito esse lado por ser o gosto uma questão individual, mas isso priva o bebê da escolha.
    O procedimento é horrível. Eu tenho um lado obscuro em mim que procura vídeos perturbadores na internet, e hoje assisti um bebê sendo circuncidado. O procedimento é feito sem anestesia, por algum motivo que ainda pesquisarei para colocar aqui. Preciso confessar que este é um dos vídeos mais perturbadores que já assisti e entrou para o meu top 10 de vídeos desse tipo. Eis o motivo que escrevo esse texto (para quem tiver estômago forte, link aqui).

    Felizmente, hoje, existem campanhas e grupos que defendem o fim desse procedimento que não sejam por motivos de saúde. Como não é reversível, alguns defendem deixar o menino crescer e decidir por si próprio, além dos argumentos usados sobre o risco do procedimento como perda de sensibilidade pela queratinização da glande, cicatrizes inevitáveis e enormes, deformações em alguns casos e trauma. Submeter o bebê a esse procedimento torturoso, em favor da estética dos pais e da tradição, não me parece muito diferente dos rituais de mutilação genital que ocorrem na África. 
Esses americanos...
E o que os senhores pensam sobre a circuncisão por motivos estéticos?
Um abç.
N.B.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sobre corações gelados e ursinhos carinhosos

    Hoje é aquele dia em que vejo casais se abraçando e se beijando por todos os lados, e a única coisa que passa na minha cabeça é 'eca, casais...'
    Não que eu tenha inveja (aham), e pra falar a verdade, eu nunca me importei muito com essa data. E não me importo ainda. Escrevo hoje, extraordinariamente, para quem se importa e se encontra desanimado para encontrar um namorado (ou namorada). 
    Não sou uma referência de pessoa namorável que permanece solteira. Alguns dos senhores as vezes me mandam mensagens e comentários dizendo que estão se sentindo sozinhos e perdidos à medida que o tempo passa por não conseguirem encontrar um namorado, mas a minha situação não me dá muita credibilidade para dar conselhos sobre o tema, afinal, nunca consegui manter nenhum relacionamento. Mas se não posso dar conselhos, então que sejamos companheiros no drama, se isso alivia o fardo! 

    Meus amigos dizem que sou egomaníaco. Talvez isso tenha alguma influência sobre minhas tentativas frustradas de relacionamento, ou sobre eu não me importar com a data. Ultimamente, a ideia de ficar sozinho não me assusta, isso porque ainda ainda debato se o amor (daquele tipo que dizem eu saberei quando sentir) existe ou não. Talvez eu apenas não tenha experimentado o "verdadeiro" amor, e por isso me mantenho cético. Ou tenho dificuldades de gostar de alguém o tanto quanto gosto de mim mesmo, o que torna os meus associados dispensáveis. Ou talvez o amor não exista realmente, e seja uma forma mais bonita de chamar e de se convencer da acomodação com alguém conveniente. Ou uso isso tudo como desculpa para mim mesmo, pois não nego que espero ansiosamente pelo dia em que eu vou achar a minha metade do limão. Mas eu divago, azedo.
    Recalques à parte e tomando riscos nos conselhos, encontrar alguém é uma questão de se abrir às novas pessoas, uma questão de tempo e de oportunidade. Antes que se martirizem por acharem que não são bons o suficiente (ou que são bons demais em alguns casos :P), tenham paciência e deem-se a oportunidade!
Aos sortudos que já estão num relacionamento, estável e respeitável, minhas felicidades =) E compartilhem o segredo da estabilidade!
Um abç.
N.B.
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     Sim, é mais uma data extremamente comercial onde as lojas e o capitalismo malvado querem comer o dinheiro de vossos bolsos. Já pensei muito nisso e ainda acho que faz sentido. Talvez vocês também pensem assim. Mas, se formos analisar qualquer festividade com esses olhos, sequer faria sentido comemorar aniversário na mesma data, já que o ano nunca encerra seguindo um ciclo certinho de dias. Sobram horas, entra o ano bissexto e, no fim das contas, quem sabe realmente quando completamos mais um ano de existência?
    Atribuímos significados às coisas e é assim que o mundo vive. Vou passar o segundo dia dos namorados com meu namorado atual e talvez seja o terceiro de toda a minha vida. Não vou dizer que entrava em depressão e queria rasgar os pulsos quando estava solteiro, mas batia aquela vontade de estar com alguém.
    E já estive com vários alguéns que não valiam merda. Como diz o velho ditado, antes só do que mal acompanhado. Ou mal casado. Então vou fazer uma proposta que serve tanto para solteiros como comprometidos: namore você mesmo. Tenha amor próprio. Sem ele, ninguém vai gostar de você. Afinal, se nem mesmo conseguimos nos resolver, o que esperar de um intruso? 
    A vida é uma só e está aí para ser curtida na base da tentativa e erro. Vale ter medo, vale ter coragem, vale se arrepender e também vale ter certeza dos momentos. Às vezes sabemos o que queremos e às vezes não. Mentir faz sentido quando você engana alguém. Mas tentar mentir para você mesmo é fazer papel de bobo. 
    Sejam loucos, se for necessário. Superóxido dismutase. Sempre quis escrever isso em algum texto. Viram?
Amor próprio, acima de tudo. Merecemos ser felizes. Então, amiguinhos solteiros e comprometidos, viva o cinco contra um!

Lucas


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Insanidade institucionalizada

    Na semana passada o personagem da DC Comics, Lanterna Verde, foi declarado gay pelos autores da sua revistinha. Nessa mesma semana, um estado americano (North Carolina) se juntou a uma lista de outros 30 estados que tem leis contra o casamento do mesmo sexo. Percebam que não é somente a falta de regulamentação para o casamento entre pessoas do mesmo sexo e sim uma lei contra. Sabe-se, porém, que EUA são um país cristão conservador e isso os torna um bom exemplo da influência da religião nos assuntos de estado e na liberdade da população. Enfim.
    Eu gosto de ler os comentários em notícias relacionadas aos gays, como essa do Lanterna Verde, para ver a média das reações. Às vezes pulo direto para os comentários, sem mesmo ler a notícia, para sentir o clima e me divertir com as discussões descabidas, ou ter uma dose de indignação. Creio que todos aqui já tiveram a oportunidade de acompanhar esses comentários e, frequentemente, encontro um comentarista (ou muitos) profetizando sobre o fim dos tempos. Esta na moda dizer que os tempos estão chegando ao fim ou é impressão minha?
    Observando esses comentários (especialmente no G1, que eu acompanho quase todo dia), percebi que grande parte dos que fazem repreensão nas notícias relacionadas aos gays usam argumentos religiosos, e aproveitarei essa oportunidade para falar da influência da religião organizada sobre a liberdade sexual, além de fazer propaganda. Religião organizada porque essa é a forma de religião realmente nociva, não somente aos gays e outras minorias, mas ao mundo inteiro, passível de controle e manipulação, como observamos nos canais de exorcismo de pobres mulheres pobres e de venda de canetas ungidas para concursos.  
    Creio ser de comum senso que a religião organizada tem uma má influência sobre o preconceito contra os homossexuais, e isso é suficiente para explicar porque alguns homossexuais tomam posição anti-religiosa. O argumento mais básico que as pessoas desses comentários usam é que não é uma coisa permitida por Deus, afinal, já se dizia em Levítico 18:22 que o homem que se deita com outro homem como se fosse mulher é uma abominação. Pois então, ninguém gosta de abominações. 
Não tenho certeza que esta poderia ser considerada a fonte mais poderosa do preconceito contra homossexuais. Já relatei muitas outras fontes ao longo do blog, como o machismo (mesmo que o machismo também tenha uma parte de sua origem nas religiões paternalistas, afinal, Eva condenou toda a humanidade ao comer a maçã e por isso é inferior), ou a ameaça à sensação de segurança pela mudança do conhecido, ou a questão da nação forte com braços trabalhadores que os relacionamentos homossexuais não produzem, dentre outras, mas não dei prioridade a nenhuma. 
    A vontade de deus é um argumento é irrefutável pois ele é o dono do universo e devemos a ele nossa eterna gratidão pela criação. Se a bíblia exprime a vontade de deus, estamos automaticamente condenados por sermos homossexuais, e é difícil argumentar contra uma 'lei', ou contra a verdade divina. Pelo menos não seremos condenados sozinhos, pois quem come carne de porco, ou quem corta os cabelos também o está. Leiam o capítulo de Levítico, é o mais engraçado da bíblia.
    A forma mais fácil (talvez a única?) de responder à bíblia é assumir que ela não é nada além de um apanhado de contos de muito mau gosto. 
    Para mim é fácil pensar assim. Eu já me pronunciei acerca da minha crença por aqui e não escondo de ninguém que sou ateu - exceto quando minha mãe me pede para fazê-lo. Segundo ela, eu não deveria divulgar aos nossos parentes que “eu não rezo”, pois “é feio”, e preciso confessar que já choquei algumas pessoas com a minha descrença. Não gosto de usar este espaço para discutir crença. Crença é crença, e não se discute, por mais infantil, ilógica e prejudicial que ela seja, mas estamos aqui a refletir sobre os efeitos da crença.
    No Brasil, não existe religião organizada (significativa) que pouco se importe com os gays. Não adianta apenas deixá-los viver em paz, é preciso dizer que eles são perversos e quem é conivente com esse “comportamento” é tão pecador quanto o homossexual. Dessa forma, um meio que se auto-proclama difusor do amor entre os homens é o primeiro a separar e causar o ódio. Não entendo porque a crença, que devia ser tão pessoal, possa ditar tanto como vivemos. 
    Nas minhas viagens psicodélicas sempre chego a duas conclusões e ambas me assustam: eu ou o mundo está completamente louco. Egomania à parte, acredito que seja o mundo. Para mim, não há diferença entre a bíblia como prova da existência de deus, e a revistinha do Homem Aranha ou do Lanterna Verde, como prova das suas existências. 
    Me soa como uma insanidade indescritivelmente absurda que muitos dos nossos costumes, tabus e problemas existam devidos a um livro que tem tanta credibilidade de ser real como as revistinhas que mencionei. É interessante e triste ver como vivem as pessoas nos lugares onde se legisla pelos seus livros sagrados. Para mim, também é uma insanidade acreditar que um ser invisível te assiste 24 horas por dia das nuvens (esquizofrenia), que cria os problemas e soluções na sua vida, e se você não se comportar como ele quer, você será enviado a um lugar para sofrer por toda eternidade, apesar do seu amor.
    Se supusermos que Deus existe por um minuto, e que ele é exatamente como diz a bíblia, omnisciente, omnipresente e omnipotente, e existe desde o começo dos tempos até o infinito, porque uma criatura desse tamanho iria se preocupar se alguém tão pequeno aqui na terra o adora ou não? Se ele é tão poderoso, porque não derrota o mal de uma vez? Se ele é tão bom, porque crianças morrem de fome ou violentamente? Se ele sabe de tudo, porque não alivia nosso sofrimento?
    Oras, uma célebre hipótese diz que isso tudo é um teste. Porém, essa hipótese garante ao criador o título de sádico, por saber das necessidades, ter o poder e não intervir. Não tenho certeza que um ser assim seja digno da minha simpatia.
Religião existe para responder aos aflitos sobre as questões que a humanidade ainda não entende. Antes tínhamos deuses para os raios, para o Sol, para a chuva. Hoje temos um Deus para punir os homossexuais, além de nos salvar da morte e nos garantir vida eterna.
    Eu por outro lado, me assusto com a eternidade. Imagine o que é a razão vivendo para sempre, sem a possibilidade de interromper sua existência, mesmo que num lugar agradável como o suposto céu cristão, ou o muçulmano, ou Valhalla nórdico. Tenho medo do tédio eterno, num ponto da existência em que nada é mais novo, o que me parece um tanto como tortura eterna. A ideia de ter a existência interrompida não me assusta, e não deveria assustar a ninguém. A vida da qual se obtém prazer é essa, e deve-se viver sem medo de ser feliz ou medo de ser repreendido por forças invisíveis. Cada um pode ter sua crença, mas no momento em que se escolhe um líder, tão humano quanto qualquer pessoa, para guia-los no caminho da salvação, é assinar o próprio atestado de ingenuidade. 
    Eu tenho minha ideia de deus. Apesar de a ciência estar caminhando para explicar todo o universo, existe uma questão que demorará um tempo maior que minha passagem pela terra para ser respondida. Porque estamos vivos?
    Transcendendo o tópico, eu acredito que existe sim uma força que deu origem ao universo, mas ela não tem consciência, não tem forma e portanto não sabe da existência da vida, como nós. Alguns chamam essa força de deus. Existe um teorema da física que diz que massa pode ser transformada em energia, e vice-versa. Se essa força sempre existiu e o universo foi originado dela, nós também fomos, o que significa que o universo é deus e nós somos parte dele. Em outras palavras, deus somos eu e você, ou pelo menos uma parte dele. Mas eu divago, transcendentalmente.
    Sei que a maioria dos visitantes aqui são religiosos, mas deixo a questão: qual  vossa ideia de deus? E o que vocês acham sobre o posicionamento das religiões organizadas ao colocar a homossexualidade como algo não aceito por deus? Concordam ou não?

“Não há necessidade de templos, não há necessidade de filosofias complicadas. Meu cérebro e meu coração são os meus templos. Minha filosofia é a bondade”.

Um abç.
N.B.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Minha vida tem trilha sonora

Olá, pessoal. Tudo bem? Como vão vocês?

Lucas falando aqui. Então, eu estava conversando com o N.B. sobre como estamos sem tempo e criatividade para trazer alguma novidade para vocês. Sim, eu ainda quero continuar a história de como as coisas aconteceram lá em casa, com relação à descoberta e aceitação. Prometo retomar isso em breve.

Mas então, eu tava dizendo para o N.B. como, às vezes, o blog parece uma coisa pesada, depressiva... só problema, coisa ruim, fulano que tá sofrendo e não sei quem que pensou em se matar.

Vamos fazer um post diferente!

Espero muito que dê certo... depois vocês não gostam, eu sou demitido, meu namorado fica com crise de ciúme e lá se vai meu final de semana, logo quando não dou plantão no trabalho.

Sem mais delongas, qual a nossa ideia?

Isso é óbvio, Lucas. Está no título do post.

Nossa vida tem trilha sonora.

E eu quero falar da nossa vida amorosa.

Provavelmente isso já aconteceu com todos vocês. Alguma paixonite, amor à primeira vista, ficante, peguete, rolinho, namorado, noivo ou ex que tinha aquela música que lembra a pessoa. Uma canção que despertou sentimentos, fez você chorar ou sorrir, que acompanhou você e marcou durante uma parte importante de sua vida.

Fazendo um retrospecto, desde meu namorado atual até os primeiros relacionamentos e amores, acho que todos tiveram uma trilha sonora. Curioso que eu sou mais ligado à cinema do que música. Mesmo assim, até minhas amizades costumam ter uma música de fundo. Aliás, percebo que alguns amores acabaram mal, com traição ou brigas e, mesmo assim, deixaram uma música que desperta algo bom. Não é nem que continue lembrando alguém, mas remete a uma fase de sua vida. Não sei vocês, mas eu sou meio saudosista e nostálgico. Até os tombos, as coisas ruins, fizeram parte de um momento em que você cresceu e evoluiu, lidou com dificuldades e continua aqui para contar a história.

Então, isso é algo muito pessoal, mas eu gostaria de compartilhar com vocês. E, principalmente, gostaria de ver vocês - queridos leitores - compartilhando conosco nos comentários: a trilha sonora da sua vida amorosa!

Beijos e abraços e um ótimo final de semana!

Lucas



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