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terça-feira, 1 de maio de 2012

Rotina numa sala de engenharia

    Semana passada surgiu um tema interessante durante minha aula. Começamos falando sobre uma famosa imagem de uma modelo usada em processamento digital de imagens. O detalhe é que a modelo estava nua e como era uma turma majoritariamente masculina, já era de se esperar risadinhas nervosas para disfarçar o desconforto com o assunto, e cada um querendo se mostrar o mais macho possível. Típico.
    Não mais que de repente, assunto passou da nudez da modelo para um caso que aconteceu em outro departamento, tido como mais tolerante com homossexuais, sobre um suposto professor homossexual assumido nesse departamento exibindo um filme erótico para a turma e explicando a dinâmica do sexo anal.
    Achei desnecessário ele ter mencionado a orientação sexual do professor, uma vez que a exibição de filme erótico seria de extremo mal gosto em qualquer circunstância para uma atividade acadêmica (exceto em situações em que se estudam o comportamento humano, assuntos antropológicos e etc).
    Dali, saiu a mais inoxidável das passagens da última semana "Ser homossexual antes era reprimido, depois foi aceito e hoje é incentivado. Eu não sou um fã de tudo que Dilma faz, mas pelo menos ela acertou quando não deixou aquelas cartilhas serem distribuídas às crianças. Imaginem só! Crianças de 10 anos de idade que nem sabem o que é sexo iam receber um material fazendo apologia ao homossexual-ismo. Mas eu não tenho nada contra os gays.", disse o professor.
    Eu, que sou um aluno tipo moita, fiquei tão inquieto na hora que me deu vontade de chamar o professor para um debate. Acho que ele não deve ter considerado o fato de que, mesmo que obviamente não tenham iniciado suas vidas sexuais e nem ainda sentem necessidade disso, as crianças precisam saber que quando iniciarem, será normal se sentir atraído pelo mesmo sexo, se esse for o caso. A grande maioria delas teve contato apenas opiniões contrárias  ao sentimento entre o mesmo sexo e por isso eu acho importante que as crianças possam ter uma oportunidade de saber que aquilo é normal. É evidente que muitas nunca vão ouvir isso dentro de casa, o que causa tristeza profunda no crescimento, caso elas se identifiquem como gays.
    As cartilhas, pra mim, eram uma questão de saúde pública e bem estar, ao deixar a juventude confortável com sua sexualidade, qualquer que seja, e assim evitar gays depressivos e suicidas.
    Eu me lembro a primeira vez que me senti atraído por um menino. Era na segunda série e ele era da terceira. Lembro que eu ficava muito concentrado olhando-o passar, não conseguia desviar os olhos. Acho que na 2a série temos 8 anos? Não sei. Tenho memórias bloqueadas da época em que estudei numa escola estadual apelidada de "Mobral". Ela tinha fama de ter os piores alunos e muitos maconheiros também. Eu sentia confusão dos meu sentimentos desde antes do meu despertar sexual e isso provavelmente acontece com outras crianças também. Eu tive sorte, apenas ignorava ao passo que eu também me sentia atraído por garotas. Ou eu achava que me sentia atraído. É muito obscuro pra mim. Enfim.
Não concordo que isso é apologia. Também não concordo que seja muito cedo. Nunca vi ninguém virando gay apenas pelos outros dizendo para que virassem. E nem gay virando hétero por apologia, que existe em exagero. 
    Dizer que existe apologia a uma determinada sexualidade é tão estúpido quanto dizer que gostar de uma pessoa por sua personalidade é apologia a feiura. 
Pra mim, a cartilha era importante que viesse cedo para que se evitasse a formação de mais preconceitos antes da aceitação desses quase adolescentes. Não é possível que por trás do projeto do governo não houvesse psicólogos e especialistas em sexualidade que soubesse lidar com o assunto melhor do que quem fez pressão para que o projeto não fosse aprovado. Não acho que gente sem preparo devesse se meter na especialidade de quem trabalha com o assunto. 
    Uma política governamental não é posta em projeto sem ser detalhadamente estudada por especialistas, por isso eu acho que deveriam pensar duas vezes antes de dizer que aquilo seria apologia ou que o público alvo é novo demais para ouvir palavras de tolerância.
    O professor saiu como piadista, apoiado por um aluno abaixo da média que namora uma piriguete que foi estimulada a ser feia. E na minha omissão durante a aula, aumentei a inércia do mundo que insiste em permanecer opressor de viadinhos.
Um abç
N.B.

35 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. a questão é: pq vc não puxou esse debate?

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    1. Particularmente, eu não culpo o N.B.

      Acho que se assumir para os pais e defender uma postura favorável ao kit de combate à homofobia, em um reduto de homofóbicos mal esclarecidos, requer muita coragem e ousadia, em igual proporção.

      Tudo tem seu tempo... o importante é você tentar ajudar alguém dentro do que você sente que é capaz de fazer, naquele momento.

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  3. Ainda bem que na minha faculdade o assunto foi "puxado" por um típico homofóbico, mas a professorA defendeu o kit, alegando que poderia ajudar meninos afeminados e diferentes e ela falou também que hj em dia as crianças sabem o que é sexo, dando exemplo a sobrinha (acho) dela, e que o governo deveria ensinar (não incentivar) sobre o assunto. Aí outro colega falou que isso não era pra escola fazer e sim os pais, ai ela falou que muitos pais evitam falar sobre o assunto. Também no msm dia um colega que trabalha em uma escola disse que uma menina de 11 anos engravidou, ai eu disse, que se as crianças pudessem discutir o assunto sexualidade talvez isso não tinha acontecido, pois ela saberia se previnir ou até deixaria pra mais tarde o inicio de sua vida sexual. Eu acho que discutir sexualidade é importante, pq discutir não é incentivar.
    Nick

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    1. Concordo com ti, acho que não se trata de homo ou hetero, mas sim de estudar e discutir a sexualidade na sala de aula.

      As crianças - não quero entrar no mérito se isso é bom ou ruim - estão muito ligadas em sexo e relacionamento bem mais cedo que a maioria de muitos aqui. Elas, aos dez anos, são diferentes de nós, quando tínhamos dez, em inúmeros aspectos.

      Eu acho que os pais devem e têm obrigação de conversar sobre sexualidade, mas a escola também não pode ser omissa em repassar valores, educar e (tentar) transformar um aluno em cidadão.

      E dentro do estudo da sexualidade, está a diversidade sexual. O que não pode acontecer é que a diversidade sexual seja vista como uma doença ou uma coisa à parte do tema, porque não é.

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  4. Caro N.B.

    Queria parabeniza-lo por mais uma ótima postagem, sou novo aqui mais já li muitos dos seus posts e definitivamente vc é um ótimo escritor.

    Graçs a Deus encontrei seu Blog numa boa hora pois estou passando por uma faze muito difícil na minha vida. Mudei de cidade e ainda tenho que lidar com o Armário.
    É muito bom saber que tem esse cantinho aqui onde podemos encontrar pessoas que estão passando ou passar pelas mesmas coisas que eu isso me faz sentir mais humano.

    Continue com com seu exelente trabalho pois pode ter certeza que com esse blog vc ajuda muitas pessoas que como eu precisam desesperadamente de ajuda!

    Abçs

    Atenciosamente: Léo

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    1. #meme_feelings: oh stop it, you
      =)
      Obrigado por ler e pelo incentivo!
      Abç.

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  5. GUS-RECIFE

    N.B. mais uma vez, muito bom o texto! Já havia uns dias que passava por aqui em busca de texto novo!
    Bem... Eu também sou muito a favor que essa cartilha fosse distribuída. Mas sinceramente, e talvez erroneamente, acho que a idade para se tratar isso é por volta do começo do ensino fundamental, sabe?! Tipo, 5ª série. Antes disso, acho que acaba acontecendo uma super valorização do sexo - Sim... eu sei que o sexo já está mais que banalizado e que as crianças de 10 anos de hoje fazem coisas que eu/nós não fazíamos... Enfim, apoio que a homossexualidade seja tratada de uma forma natural, mas ainda não sei explicar o que/como seria natural.
    =\
    Confuso, eu?! Sim!!
    hehe..
    Abraço!

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    1. Gus, rapaz, não sabe como ando corrido!
      Tb acho que no começo do elementar é uma boa aposta, no fundamental é mto cedo. No começo do ensino médio, eu já acho tarde demais. Eu deixaria essa data para que os especialistas decidissem, quem sou eu para saber quando intervir. Se isso fosse tratado como se tratam políticas de tolerância racial, acho que poderia ser mais natural. A criança aprende que existem diferenças e que precisamos respeitar. A criança problema provavelmente tem uma má influência em casa, que é quando os coordenadores e supervisores da escola deveriam conversar com os pais, fonte mais provável da má influência. Talvez, só uma idéia... rsrs

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  6. Acho que o tal 'kit gay' é um pouco avançado demais para nosso sistema educacional, não sei se daria certo ou se as escolas estariam preparadas. Imagino o professor mostrando o vídeo na sala e dizendo "olha só o que esse viado tá falando...". Mas podiam pelo menos distribuir uma cartilha com as informações mais básicas sobre a homossexualidade, e assim podemos evitar ter de explicar pela milionésima vez a um retardado que NINGUÉM ESTÁ FORÇANDO SUA SEXUALIDADE PARA CIMA DE NINGUÉM, POIS NÃO HÁ SENTIDO NENHUM EM FAZER ISSO, CARALHO!

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    1. Há pouco tempo ouvi a mesma desculpa de que o brazil é atrasado demais para uma determinada política. Estava conversando com uma amiga, defendendo o aborto, e citei o exemplo da Holanda, onde os assistentes sociais primeiramente tem dias de conversa com as mulheres que desejam fazer um aborto. Elas tem assistência psicológica e, em alguns casos, financeira. Ela disse que isso não seria aplicável ao brazil por não temos condições de botar o projeto pra funcionar, falta de pessoal, infra-estrutura, etc. Eu penso que para mudar alguma coisa no país devemos parar de pensar que somos incapazes e ter a coragem de aplicar políticas inovadoras. O problema não é falta de estrutura, mas político/religioso/ideológico.

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  7. Interessante o seu ponto de vista. Primeiro, já vivenciei um clima totalmente desagradável quanto a homossexualidade, mas infelizmente não pude me manifestar. Sei bem o que é esse sentimento de revolta interna, e o quanto é frustrante dividir a rotina com um tanto de pessoas babacas. E o pior, minha área não tem predomínio masculino, já está bem dividida; o problema está mesmo na cabeça das pessoas.
    Quanto ao tal "kit gay", eu o desconheço, apenas ouvi falar a respeito. Vi apenas um vídeo e achei bastante apelativo e fraco em argumentos. Eu acho que é necessário discutir sexualidade e sexo nas escolas, porque em casa isso é coisa que quase nunca acontece de forma amigável. A grande questão é que os professores são ainda bastante conservadores, e poucos estão qualificados para falar a respeito. Infelizmente esse é um problema que ainda vai se arrastar pelos próximos anos.
    Concordo que o governo deveria basear suas ações em especialistas, e não numa massa opositora alienada. Mas infelizmente é assim que vamos viver, no submundo. Não existe combate a homofobia, nao existem políticas de saude para homossexuais (haja vista que muitas doenças PREVENÍVEIS são mais frequentes nesta população), nao existe incentivo a tolerância, nem mesmo na TV a coisa é mostrada sem hipocrisia, e até a gente se omite.
    Homossexualidade é realmente uma situação complicada que ninguém quer enfrentar de frente.

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    1. De fato, até nós nos omitimos. Eu, particularmente, em breve tomarei essa luta pessoalmente.
      Tenho vontade de me fazer uma pessoa bem sucedida e gay admitido para servir de exemplo e inspirar outros jovens gays.
      Concordo contigo em todos os pontos, exceto num. Eu tenho a percepção de que os professores não são tão conservadores a respeito desse assunto quanto vc afirma. Pelo menos o contato que eu tive com os professores me fez me sentir assim. Casos de professores como esse descrito no texto me foram (felizmente) a exceção, ao longo de muitos anos de estudo e muitos professores rsrs

      Quanto ao video do programa, eu assisti a apenas um, sobre umas lésbicas. Fraco em argumentos, sim, mas vai saber o nível da lavagem cerebral por mensagens subliminares que estão fazendo rsrs brimks

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  8. Bom dia!
    Parabéns pelo post N.B! Mais uma vez a sua perspicácia transformou um acontecimento corriqueiro, que não deixa de ser importante, em uma forma de reflexão. Uma reflexão necessária!

    Assim como outros colegas falaram acima, concordo plenamente que o seu blog é de grande importância para muitas pessoas, principalmente, para as que se encontram em processo de conhecimento introspectivo, sendo a minha atual condição. Também frequentei o blog nos últimos dias em busca da nova postagem, mas entendo, ou melhor, entendemos, se é que posso dizer assim, que o seu tempo está "corrido".

    A questão central desse post, por sinal bem sugestiva para um debate, foi bem apresentada. É inegável a necessidade de um trabalho de (re)educação sexual na educação brasileira de crianças e jovens, pelo menos. Contudo, não se apresenta de maneira fácil. A "coisa" é mais complexa do que imaginamos. Por que é mais complexa? Os livros didáticos, bíblias de alguns professores, ainda apresentam visões distorcidas acerca de negros e índios, por exemplo. Mas o que isso tem haver? Tem tudo haver. Os negros e os índios ganharam seus direitos de forma legal há um bom tempo, porém, nem por isso os autores de livros didáticos são processados por suas "incompetências", sendo mais grave ainda, os professores distribuírem tal preconceito deslavado e cínico.

    Isso acontece também porque as mudanças de cunho mental nas sociedades(no sentido de um pensamento coletivo) não acontecem da noite para o dia. Mas, é bom deixar claro, que não podemos diminuir a importância da legalidade, pois, trata-se do prático. Porém, é preciso termos a consciência de que para ser feito o trabalho de (re)educação sexual nas escolas, antes de tudo, é preciso que a lei nos ampare, pois, caso contrário, os professores irão falar sobre algo que nem mesmo o governo legitima. Qual validade teria? Pouca ou nenhuma!

    Sabendo disso, percebemos que o fato do kit não ter sido aprovado, não foi somente pela alegação de provocar uma promiscuidade homossexual entre os alunos, que na minha opinião não iria acontecer, sendo esse apenas um argumento de desejos maiores, mas pelos simples fato que seria também, quase por completo, a aprovação da lei que iria tornar crime atos de homofobia. Basta vermos quem foram os primeiros a fazerem oposição. Aqueles que mais praticam a homofobia gratuita.

    A importância do kit ser trabalhada com as crianças e adolescentes, mas, principalmente com os primeiros, é que, as formas que vemos o mundo são construídas principalmente na infância. Sou eu quem estou dizendo isso? Não! É a Sílvia Lane da Psicologia. Ela afirma que a aquisição da linguagem, ou seja, o período em que começamos a falar, é uma condição necessária para a nossa entrada na sociedade, já que não escolhemos o idioma que queremos falar. Com isso, muitas das ideias culturais que foram formadas nos são repassadas junto com a linguagem. Ela chama essas de representações.

    Uma última categoria apresentada por ela é a consciência, sendo perceber que as construções culturais nem sempre são "verdadeiras". Assim, quando houver essa (re)educação sexual nas escolas, as crianças e adolescentes perceberão que xingar um amigo de "viadinho", apedrejar um colega por ele andar diferente, perseguir uma pessoa por ela sair de uma boate homossexual, sorrir na classe de um amigo que supostamente é homossexual, dentre outras situações, não é bom. Pois, pode trazer muitos problemas, principalmente os famosos suicídios de homossexuais que não se aceitam, citados pelo N.B, sendo os autores das práticas citadas acima como exemplo, contribuintes para isto.

    Bom era isso que eu tinha para falar. Espero que ajude a todos de alguma forma positiva.

    Mais uma vez parabéns pelo blog N.B.

    Abraço a todos!

    J.M.

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    1. Oi J.M.
      Primeiramente, obrigado pelas palavras.
      Gostaria de poder investigar melhor qual a idade ótima para educação sexual. Anotarei o nome da psicóloga que você citou para procurar os seus trabalhos.

      Entendo sua colocação de que a ordem está trocada. De fato deveria-se ter aprovado a criminalização da homofobia antes de se tentar fazer a defesa da integridade dos homossexuais. Se eu não me engano, esses dois projetos estavam caminhando paralelamente, até que a cartilha afundou, mas não ouvi falar mais daquela PEC-122 (não tenho certeza do numero). Essas duas coisas esbarraram na sensação de segurança e quebra de tradições que a maioria dos brasileiros imaginam que têm, por isso não foram pra frente. Além do mais, sexo ainda é tabu na maioria das famílias, o assunto dificilmente é ao menos citado dentro de casa. Imagine o que esses pais pensariam se soubessem que seus filhos estão ouvindo que homossexualidade é normal nas escolas. Isso, sem contar todo o marketing contra o projeto e quase nenhum a favor, porque mtas das pessoas que são a favor ficam mudas diante da dificuldade de expor essa opinião para os outros (eu, por exemplo).

      Por isso, acredito em pequenas revoluções, daquelas que não são feitas em grandes eventos que só servem para chocar, mas que são promovidas em papos leves com seus contatos, à medida que se expõe uma ideia razoável e que é capaz de mudar o pensamento do outro. Dessa forma podemos mudar o pensamento coletivo mais suavemente, mas como mencionado, demora.

      Mesmo assim, o futuro é brilhante!
      Um abç,
      N.B.

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  9. Infelizmente em quase todas as salas de engenharia impera o machismo e a homofobia, e as vezes é melhor ficar calado se você não for ou tiver a intenção de se assumir...
    Sem contar que os debates sobre sexualidade nessas aulas sempre acabam em zoações...

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    1. De fato, acho que se eu me manifestasse ia ficar sozinho contra 40 + professor rsrs

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  10. olá J.M. hoje vi uma matéria muito interessante e queria que vc a vise pois contribuiria para o seu blog e só traria a acrescentar na sua vida e na vida de nossos amigo homo-afetivos é muito interessante essa matéria conta a história de 2 amigos gays,vale a pena ver é sério!!! aí vai o linc:http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/pedro-e-joao-historia-de-dois-meninos-gays-e-uma-infancia-devastada.html

    Ass.: A.M.

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    1. Bom dia A.M!

      Agradeço pela sua sugestão, pois, trata-se de uma história intrigante. Porém, não tenho blog. Na verdade sou leitor novo aqui no blog do N.B, escrevendo, ou melhor, comentando as postagens do N.B. Tento contribuir de alguma forma.

      Abraço!

      J.M.

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  11. olá J.M. hoje vi uma matéria muito interessante e queria que vc a vise pois contribuiria para o seu blog e só traria a acrescentar na sua vida e na vida de nossos amigo homo-afetivos é muito interessante essa matéria conta a história de 2 amigos gays,vale a pena ver é sério!!! aí vai o linc: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/01/pedro-e-joao-historia-de-dois-meninos-gays-e-uma-infancia-devastada.html

    ass: A.M.

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  12. Geralmente psicólogos dizem que o melhor a fazer quando a sexualidade começa a despertar em uma criança o ideal é não reprimir, nem incentivar.Eu concordo, até a página vinte, pois existem comportamentos sexuais que crianças possam apresentar que precisam sim de interferência, mas não vou me ater a isso para não fugir do assunto.

    Se eu fosse pai e meu filho (vou usar apenas para o caso de um menino para não ficar confuso) me perguntasse sobre gays, eu responderia o mais objetivamente possível:

    "A maioria dos casais são homens e mulheres, alguns homens ficam com homens e algumas mulheres ficam com mulheres.E se você gostar de uma amiguinho , nem sempre isso quer dizer que você esteja apaixonado, isso você só saberá quando for mais velho."

    Não sei se falaria com essas palavras.E acrescentaria essa última parte porque existe aquela fase em que meninos ficam mais entre meninos e meninas entre meninas, e o melhor amigo acaba sendo do mesmo sexo, o que poderia confundir a criança quando essa já sabe que pessoas do mesmo sexo ficam juntas.A consciência sobre o que sentimos e o que queremos fica mais clara conforme ficamos mais velhos.

    Acho importante darmos espaço para as crianças desenvolverem suas próprias opiniões e não iludi-las cedendo a um instinto protetor e dizendo "que toda forma de amor é válida" ou ser "gay também é lindo" pois não será isso que elas vão encontrar no mundo, já que esse não vê a homossexualidade com bons olhos.É preciso prepará-los para a vida, e para a vida real, não para o mundo como gostaríamos que ele fosse.

    Quanto ao kit anti-homofobia preferi que não fosse aprovado.Acho que você deposita muita fé em quem quer que tenha organizado e aprovado o kit.

    Mesmo não sendo especialista achei os vídeos que eu vi muito pobres, um deles até continha uma frase "uma pessoa bissexual tem 50% a mais de chances de ser feliz" o que eu acho de uma irresponsabilidade imensa.Além de ser uma afirmação simplista, e (porque não?) mentirosa já que a felicidade depende de vários outros fatores, ela se encaixa justamente no tal incentivo que afirmam não existir.Se uma criança ouve que determinado comportamento sexual aumenta as chances de ser feliz, isso é ou não é um incentivo?Que criança não quer ser feliz?Se a homossexualidade pode ou não ser incentivada, isso são outros quinhentos, mas a questão é que existe ali um incentivo que não deveria existir.

    Não sei se consegui expressar tudo o que eu queria, até porque é um assunto complicado.E sou gay caso esteja se perguntando.

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    1. Achei muito válida a sua conversa com seu filho em potencial, com uma ressalva. Entendo que ele poderia ficar confuso ao conviver com mais crianças do mesmo sexo e que a última frase lhe parece aliviar essa dúvida que poderia surgir, mas ao mesmo tempo ele poderia interpretar que isso é uma mensagem de esperança dizendo que ele "ainda tem jeito". Ele receberá influências do pensamento coletivo de repreensão aos homossexuais, inegavelmente, e já terá uma ideia de que é errado. Essa última frase poderia deixá-lo mais confuso do que se não fosse dita. Também compreendo que queres prepará-lo para que não pense que o mundo é um mar de rosas para gays (ou qqr outro humano), mas também deve deixá-lo confortável para que possa ser natural em casa. Vi uma pesquisa que afirma que o ambiente familiar é o 1o lugar onde acontecem mais discriminação pela sexualidade, seguido da escola. Não tenho info se foram somente homossexuais que responderam. Ela foi feita pela fundação Perceu Abramo. Por isso acho muito importante dar apoio à criança, primeiramente em casa, para que ela tenha ao menos um ambiente em que se sinta segura.

      Não cheguei a ver o video que vc mencionou, vi apenas um de um casal de lésbicas e também achei fraco. Por outro lado, é interessante que se abra essa discussão no meio escolar. Como você disse, eu realmente deposito muita fé nos elaboradores desse projeto. Se tudo funciona como eu espero, políticas governamentais que beiram a polêmica e desafiam a dominância são (ou deveriam ser) cautelosamente estudados para que tenha o melhor impacto possível. Vide o sucesso das políticas de valorização racial e de classe recentes.

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    2. A preocupação que você teve com a última frase da conversa que eu elaborei também me passou pela cabeça.

      Mas quando eu falo de um filho eu falo de uma criança mesmo.Quando se é adolescente, se tem mais consciência do mundo ao redor e se pode fazer uma escolha.Não, não acho que a homossexualidade é uma escolha, mas vivê-la sim, e por mais doloroso que seja, acho que todos devem ter o direito de fazê-la.

      Quando eu me coloco na hipotética posição de pai eu me imagino tentado exercer o mínimo de influência possível na sexualidade do meu filho mas se na adolescência, que é o período onde isso fica mas definido eu percebesse que ele de fato é homossexual (ou bissexual) eu passaria a me expressar de forma mais acolhedora, dizendo que é sim possível ser feliz sendo gay, apesar das dificuldades e essas coisas.

      Mas como você bem disse eu poderia, mesmo que sutilmente e não intencionalmente, induzi-lo e contribuir para uma repressão.

      Conclusão: Tentar ser um bom pai é foda até em pensamento, imagina na realidade.

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    3. Eu imagino que se essa preocupação existe, já é um bom sinal =)

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  13. E esse cara das suas últimas fotos do post anterior, sabe quem é?

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  14. Você é machista, tem muito a aprender.

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  15. NB, porque voce nao faz um post de "dicas"?
    Como por exemplo, "como saber se ele curte" ou "como pegar o telefone dele".
    Seria interessante você compartilhar suas experiencias e truques com nós
    Abç

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    1. Este não é o objetivo deste blog, se ainda não percebeu. Isto aqui é um espaço para a reflexão, o pensamento e o "sentir" sobre a questão da homossexualidade e tudo que envolve isto em nosso contexto sócio-cultural.

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  16. Hey, N.B, alguns rapidos comentários:


    -> Acho que vou uma boa escolha não falar nada. O contexto não te favorecia em nada. Pessoas com esse tipo de pensamento dificilmente mudam por causa de discursos de algum defensor da visão oposta, então voce gastaria energia demais e se estressaria por nada.

    Além do mais, poderia acabar se expondo muito. O raciocinio vigente ainda é "se voce defende - certa categoria - é porque faz parte dela".




    -> A Dilma não foi praticamente forçada a boicotar os kits pela bancada evangelica? O professor piadista esqueceu esse detalhe.




    -> Acho que uma boa idade para se começar a educação sexual (seja nas escolas ou em casa) seria na virada da infancia para a adolescencia. Sei que não há idade exata em que isso ocorre, mas talvez uns 12 ou 13?

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  17. Digo, acho que FOI uma boa escolha... /\

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  18. Caro amigo,

    gostei muito do seu blog , li alguns posts anteriores e os mais recentes e me senti muito identificado com as questões abordadas. Prazer em conhece-lo grande abraço

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  19. Não é nem um pouco simples "lutar pela causa" e ainda se manter no armário. Eu tenho compartilhado algumas vezes reportagens ou fotos no facebook que, de alguma forma, sejam contra a homofobia, ou que tentem abrir a mente das pessoas, mas, sinceramente, não imagino que tenha dado algum resultado. Pelo contrário, tenho até receio que um ou outro possa ter começado a desconfiar de mim, exatamente pela crença de muitos de que se você não condena os gays, você é gay também.

    Em conversas, quando vejo que dá, faço alguma intervenção. A maioria, infelizmente, não cede nem um pouco. O único que vi mudar de opinião, mas isso ao longo de muito tempo e muitas discussões, foi meu irmão, que era homofóbico como qualquer outro (jamais iria agredir alguém por isso, mas era do tipo que reprovava o comportamento), mas hoje, surpreendentemente, parece estar muito em sintonia com minhas próprias ideias (talvez ele já saiba ou desconfie de mim, mas eu não assumi nada até o momento). Admito que eu também era homofóbico como ele, mas informações sobre a homossexualidade (tanto causas, como relatos pessoais) e a minha própria descoberta acabaram com isso.

    Não cheguei a ver o material desse tal "kit gay", mas, sem dúvidas, alguém precisa evitar que essa nova geração absorva toda a carga de homofobia já existente. Senão, teremos mais uma geração dividida entre aqueles que não respeitam as diferenças, e os que precisam fazer terapia para se aceitarem e serem aceitos.

    Abraços.

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  20. Comigo ocorreu recentemente de um professor substituto, se é que posso chama-lo de professor, começou um a dizer que concordava com alguns colegas de classe que a homossexualidade era 'modinha'. Não sei como me segurei, acredito que fiquei intimidado pelo apoio quase geral da classe preconceituosa e, como disse outro professor meu, filosofo,
    "quem pensa que homossexualidade é 'modinha' é mais raso que um sulfite" .

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  21. Bem, N.B., é assim que o chamam por aqui, não é?
    Pelo meu comentário, acredito que seja óbvio que esta é minha primeira visita ao seu blog. Mas o que mais me chamou atenção foi sua eloquência e delicadeza com as palavras. Alguns, certamente, irão me chamar de fútil, mas todos sabemos que nesse nosso meio o que vale mesmo é, desculpa o termo, pau!
    Conheço vários caras gays e muitos, diga-se de passagem quase todos, mal sabem escrever, pois passam seu precioso tempo procurando sexo e acabam esquecendo suas gramáticas junto com suas dignidades.
    Sou apreciador da língua bem falada, escrita etc. Não sou letrado, sou um reles estudante de engenharia, mas acho imprescindível que todos saibamos o básico da nossa língua materna.

    Mas indo ao que de fato interessa - o enredo do post.

    Este tipo de situação é lamentável, mas completamente comum. E digo mais: acredito que dure por todo sempre, amém.
    É essência do homem esse nojo de pensamento e atitudes. Grosseria, estupidez dentre outras coisinhas indesejadas compõem o maravilhoso universo masculino.
    A pouco, divulgaram em uma rede social de vídeos -youtube- um vídeo de um travesti lutando corporalmente com seu suposto cliente, que após o "serviço" não queria lhe pagar. Quem assistiu sabe do que estou falando, caso você não tenha visto, procura e dá uma olhada. O vídeo é narrado de uma forma inescrupulosa e digna de pena, dê uma olhada...

    Bem, o mínimo que posso dizer é parabéns pelos pensamentos atípicos desse universo sexualmente gay.
    T.D.

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  22. Bem, N.B., é assim que o chamam por aqui, não é?
    Pelo meu comentário, acredito que seja óbvio que esta é minha primeira visita ao seu blog. Mas o que mais me chamou atenção foi sua eloquência e delicadeza com as palavras. Alguns, certamente, irão me chamar de fútil, mas todos sabemos que nesse nosso meio o que vale mesmo é, desculpa o termo, pau!
    Conheço vários caras gays e muitos, diga-se de passagem quase todos, mal sabem escrever, pois passam seu precioso tempo procurando sexo e acabam esquecendo suas gramáticas junto com suas dignidades.
    Sou apreciador da língua bem falada, escrita etc. Não sou letrado, sou um reles estudante de engenharia, mas acho imprescindível que todos saibamos o básico da nossa língua materna.

    Mas indo ao que de fato interessa - o enredo do post.

    Este tipo de situação é lamentável, mas completamente comum. E digo mais: acredito que dure por todo sempre, amém.
    É essência do homem esse nojo de pensamento e atitudes. Grosseria, estupidez dentre outras coisinhas indesejadas compõem o maravilhoso universo masculino.
    A pouco, divulgaram em uma rede social de vídeos -youtube- um vídeo de um travesti lutando corporalmente com seu suposto cliente, que após o "serviço" não queria lhe pagar. Quem assistiu sabe do que estou falando, caso você não tenha visto, procura e dá uma olhada. O vídeo é narrado de uma forma inescrupulosa e digna de pena, dê uma olhada...

    Bem, o mínimo que posso dizer é parabéns pelos pensamentos atípicos desse universo sexualmente gay.
    T.D.

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