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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Medo: um sentimento que nos assombra

Interlúdio - por Lucas

    Muitos amigos e colegas acham o máximo eu ter conseguido contar a verdade sobre mim para meus pais, ter lutado contra o preconceito dentro de casa e rompido barreiras. Sair do armário ou até mesmo começar a abrir as gavetas, para alguns, é quase uma espécie de ato heroico. Talvez eu seja, na realidade, um grande covarde, porque ainda sinto muito medo. Esse é um dos sentimentos mais persistentes na vida das pessoas que se interessam pelo mesmo sexo. 

    Quando você ainda está no armário, tem medo de ser descoberto pelos amigos, pela galera do trabalho, pela família. Quando sai, tem medo de como será a reação deles, todo o processo até a aceitação. Será que no final do arco-íris vamos encontrar o pote de ouro? Ah, nem tudo são flores! O arco-íris do caminho para a independência, para conseguir ser você mesmo, é mais preto e branco do que colorido. E o medo da violência urbana? De descobrir que o que falam de nós tem algum fundamento? Medo de acabar sozinho... talvez um dos piores.

    Sabe do que eu mais tenho medo? De perder a minha mãe mais do que já perdi. Isso é uma das coisas que ficaram mal resolvidas dentro de mim ao longo desses três anos. É difícil falar sobre isso, mas se eu ajudar uma pessoa que seja, valerá a pena. “Ninguém ama você mais do que sua mãe”, é o que dizem por aí. Senso comum. Infelizmente, eu penso que não é regra geral. Existem realmente pais que espancam, matam e cometem barbaridades com os filhos. 

    Não é o meu caso. Tenho plena certeza de que fui e sou muito amado pelos meus pais. Nada no mundo supera isso. Nenhum amigo, nenhum namorado. Quando eu fazia minhas buscas pela internet e procurava me abastecer de informações, na época em que planejava dizer algo a eles, ficava com muito medo dos relatos que lia pela internet. Vários falavam coisas do tipo: “Contei para minha mãe, saí de casa, moro sozinho e tenho minha própria vida. Conquistei minha independência financeira e meus amigos me apoiam. Ah, e minha mãe não fala mais comigo há dois anos. Está tudo bem”.
    Como pode estar tudo bem? Ou então depoimentos que simplesmente omitem a figura do pai, colocando uma grande elipse no relacionamento paterno, como se ele de nada valesse. Acredito que ninguém deseja viver afastado, rejeitado ou em pé de guerra com a própria família. Nem sempre há escolha.
    Não condeno quem reluta em sair de sua zona de conforto do armário. Que, por sinal, não tem nada de “conforto”. Na outra ponta da história, nossa vida é tão difícil quanto. 
    O Dia das Mães acabou de passar. A minha tem um problema hormonal sério: hipertireoidismo associado à Doença de Graves. Tomou remédios durante vários meses e não surtiram efeito. O médico recomendou que ela fizesse um tratamento com ingestão de iodo. Os efeitos colaterais são diversos. O pior é que os exames mostram as taxas indo em direção contrária aos valores de referência. O que deveria estar alto, está baixo. E continua caindo. Ou vice-versa. Hoje (17) saíram novos resultados de um exame. Todas as taxas, sem exceção, pioraram. O médico fala que é normal isso acontecer, mas bate aquela insegurança.
    E aqui voltamos a falar dos medos com direito a uma confissão triste, mas sincera: Eu tenho muito medo de perder minha mãe porque sinto que passei a amá-la menos. As confusões, brigas em casa, o que escutei, coisas que fui obrigado a fazer... o caminho que encontrei para encontrar forças e não me curvar à vontade deles foi endurecer meu coração.
    Eu era muito carinhoso e passei a ser mais grosso, irritadiço e frio com ela. Cheguei ao ponto de que vê-la chorar, muitas vezes, em nada mexeu comigo. Afinal, quantas vezes chorei por conta de atitudes e palavras dela? 
    É uma culpa “desculpada”, mas ainda assim, uma culpa que sinto. Ter consciência disso e falar sobre só não é mais difícil do que se esforçar para reverter o quadro. Atualmente, tenho tentado me controlar e ser mais amável. Claro, sem forçar a barra e com sentimentos verdadeiros.   
    Espero que todos vocês lutem contra o preconceito, a começar pela autoaceitação e pelos pensamentos e atitudes dentro de casa. Defenda sua liberdade, você tem o direito de ser feliz e ser você mesmo. Você tem o direito até de ser triste e melancólico. A decisão está nas suas mãos. Crie forças e lute, a vida não é infinita para você perder tempo. Mas, por favor, entenda o lado dos seus pais. Isso não significa se curvar a eles nem ser dominado, mas entenda o sofrimento deles, também. Não seja oito nem oitenta. 
    No meio do caminho, podemos machucar e afastar pessoas que nos amam e se importam de verdade com nós. Mesmo que tenham ferido seus sentimentos, engula o orgulho, tente se livrar da mágoa e do rancor. 

All You Need is Love!

Beijos e abraços,
Lucas




46 comentários:

  1. Quando eu fico sabendo desse tipo de coisa,me entristece muito mas tambem me deixa feliz.Eu posso me consederar um grande sortudo,meus pais são muitos tranquilos,ainda não oficializei a "saida do armario" mas ja estamos em um nivel do tipo qeu eles fingem que não sabem,no entanto com certeza ja sabem e aceitam.Eu só espero a hora certa para que isso não seja muito doloroso pra mim e minha família.Eu era muito distante deles por medo,ainda sou mas estou evoluindo pouco a poucoe me aceitar tem me aproximado muito deles.Mas é ter fé em Deus,ou no que seja,e esperar e esse conselho vale pra ti tambem ^^

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  2. Arthur, mesmo sem nos conhecermos, desejo toda a sorte e felicidade do mundo para você. Se você tem essa segurança de que eles sabem e entendem, acho que devia tentar começar uma conversa para se livrar disso logo e ficar mais à vontade.

    Acredito que você não passará pelo que eu passei, muitos passaram e outros passarão. Realmente é complicado você entrar nessa luta e sair igual como tudo começou.

    Acho que amadureci em muitas coisas, eu era muito controlado e muito menino também. Só que isso teve um custo emocional e estou tentando fazer as coisas voltarem a ser como eram.

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  3. Caro amigo, quando falou em sua mãe, me lembrei de uma frase de Guy de Maupassant; "Amamos as nossas mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação".
    Infelizmente não tenho mais a minha, mas foi exatamente o que senti.

    Grande abraço e vida longa.

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  4. Tiago, nome bonito. Seria o do meu filho, se eu quisesse ter um (mas não descarto a ideia). Gosto mais com H.

    Mas eu divago... (imitando o N.B.)

    Olha, eu muito minha mãe, mas acho que nossa relação se estragou um pouco com as coisas que aconteceram e ainda pretendo narrar, retomando a história que comecei.

    Já guardei muita mágoa e rancor, ainda tenho um pouco, mas acho que me libertei mais desses sentimentos. Eles fazem um mal danado!

    Sobre a derradeira separação... nem fala nisso, às vezes eu choro sozinho no quarto ou até no carro, dirigindo, quando penso nessas coisas.

    Tenho três amigos gays muito próximos de mim, dois são meus melhores amigos. Um não tem a mãe e os outros dois não têm o pai.

    Eu os tenho e às vezes sinto culpa por algumas atitudes, por não passar mais tempo com eles nem me envolver tanto como antes.

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  5. Minha mãe sabe que sou gay por já ter visto pornografia no meu computador. Já tentou por algumas vezes conversar comigo mas eu sempre reluto. É muito complicado esse assumir pra terceiros quando ainda, dentro de mim, tem um carnaval de sentimentos e questionamentos.

    Apesar dessa 'aceitação' não consigo sair pra algum local e dizer: 'mãe, vou no cinema com o Sávio', 'mãe, vou dormir fora'... não imagino o que ela vai achar, não me imagino voltando pra casa depois desse 'programa' e encarando-a.

    Enfim.. enfim..

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    1. Gustavo, como foi essa abordagem dela?

      Olha, aqui em casa todo mundo sabe já oficialmente há três anos (se você olhar os posts anteriores, eu comecei a contar a história de como aconteceu).

      Atualmente, eles aceitam, mas não se envolvem em nada nem perguntam nada. Nem eu fico falando que dormi fora com meu namorado ou que acabei de fazer um ano e sete meses de namoro.

      Nem tudo precisa ser dito, mas acho que é bom ter uma conversa para esclarecer as coisas.

      É ruim você ter o elefante na sala e o tempo todo fingir que não tem nada ali.

      Mas, claro, você precisa se resolver primeiro.

      Enquanto isso não acontece, desejo pelo menos que você tenha sorte e sabedoria com paquerinhas, ficantes e namorados.

      Tens quantos anos, que mal pergunte?

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    2. Ola, Lucas

      Foi tranquila, de um forma amigável. Sem pressão ou rispidez.. mas eu sempre inventava uma desculpa e fugia.

      Também não queria contar ou dizer pra onde estou saindo [ou melhor, mentir, porque nunca digo de verdade onde/com que vou] mas ela pergunta sempre. Até com meu irmão, hétero, ela pergunta.. rs Então não tem como escapar. Da última vez, que iria me encontrar com um rapaz, respondi meio 'seco': 'vou ao cinema', meio pra deixar subtendido que não iria ao cinema coisíssima nenhuma!

      ahh Tenho 26 anos, Lucas e ainda mora com mãe e 1 irmão e 1 irmã.

      abrx

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    3. Às vezes digo que estou com meu namorado, às vezes não... o que eu percebo é que ela tem perguntado menos com quem estou, mas quer saber onde estou e se vou demorar.

      Muitas vezes, quando vou pernoitar, eu digo que vou dormir na casa de alguém. Mas tem vezes que você fica abusado e fala seco mesmo. Outras, dá vontade de dizer "vou pra cama com meu namorado!"

      Um ponto que eu acho importante é você mesmo morando com eles, saber separar as coisas, mostrar que é adulto e responsável. Pagar as próprias contas, se impor e etc, o que imagino que você já faça.

      Abs :)

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  6. eu não sai do armario, mas penso muito em como será esse dia. Em casa, não sei como será, mas com meus amigos acho que será tranquilo, talvez fiquem tristes porque não contei antes ou soltem um "eu já sabia". Com minha irmã será tranquilo, mas me preocupo com minha mãe. com meus tios e primos eu nem me importo. com minha chefe tb será tranquilo, e quando digo isso é pq no decorrer desses 5 anos de relacionamento ela tornou-se uma amiga e ja deu indicios de que ela sabe mais. uma vez comentou que eu seria mais feliz se me libertasse, eu apenas fingi que não ouvi. mas eu só vou ter coragem no dia que estiver realmente apaixonado e correspondido, pq pode parecer piegas, mas o amor tudo vence.
    bjao

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  7. Se for piegas, somos dois. Também acredito que o amor supera tudo.

    Amigo dramático, tudo de bom para você :)

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  8. Pode ser piégas, mas é verdadeiro: comprovado por mim nesse domingo passado, do dia das mães! ^.^


    Nota: estava brigado com ela...

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    1. Eita, espero que tenham se resolvido.

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  9. Acompanho o blog tem quase um ano apenas lendo, refletindo, me reforçando e criando raízes mais fortes.

    Esse é meu primeiro post.

    Sou cristão evangélico, tenho 41 anos e desde os meus 32 passei a ter conhecimento que todos os meus irmãos e minha mãe já sabia de tudo. Vivi fases péssimas, vivendo escondido, sofrendo e fugindo de relacionamentos sérios.

    Tudo aconteceu numa manhã de janeiro na cidade do Recife.

    Eu não sai do armário, simplesmente fui tirado de lá pela minha irmã, que numa certa manhã chamou-me para conversar e foi direto ao ponto.

    Disse o quanto sofria em me ver isolado e fugindo da vida e que ali estava conversando por ela e pelos meus demais irmãos.

    Sou o caçula de oito. Ela falou o quanto eles me amavam e o quanto sofriam.
    Em tom afirmativo disse que sabiam de minha vida sexual e de minha orientação e nem por isso iriam deixar de está comigo me apoiando e me amando.

    Ouvi tudo silenciosamente e no final confirmei o que ela afirmou.

    Só perguntei pela minha mãe e a mesma disse que ela viria falar comigo.

    Foi forte e ao mesmo tempo muito emocionante a nossa conversa.
    Nos abraçamos, choramos, trocamos confissões e depois rimos muito.

    À tarde veio a minha mãe falar comigo. Olhou-me profundamente e disse: EU TE AMO!
    "Você é meu filho e nada muda, aliás, apesar de agora você pode me apresentar seus amigos e até trazer um namorado pra casa."

    Fiquei espantado e ao mesmo tempo feliz com as palavras e atitudes de mainha.

    Pois é, minha 'expulsão' do armário ocorreu dessa forma.

    Hoje estou com um relacionamento sério a três anos, moro com minha mãe e é aqui em casa onde sou feliz.

    Igualmente a você Lucas, meu maior medo hoje é perde minha mãe, ela está com 74 anos de vida, tem os problemas da idade e um problema que carrega desde os seus 19 anos.

    Sei que minha realidade é oposta a maioria dos companheiros e companheiras sofrem por causa de sua orientação sexual.

    LucAS

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    1. És de Recife? Também sou.

      Olha, fico feliz em você ter dado essa sorte, até mesmo porque há uma forte imagem de que uma família cristã evangélica vai sempre fazer o maior terror e reprimir um filho/parente gay.

      Isso mostra como sua família é esclarecida e que não podemos desistir de vivermos nossas vidas sossegados.

      Fique à vontade para voltar mais vezes e escrever seus comentários. Será um prazer. Espero que o relacionamento continue firme e forte.

      Meus pais já tiveram "contato visual" com meu namorado, mas acho que falta muuuuito ainda para ele vir aqui em casa ou meus pais saírem comigo e com ele.

      Abraços e se cuida!

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  10. GUS- RECIFE

    Bem... ótimo texto, cheio de sentimento!

    Eu tenho uma relação de amizade com minha mãe... A gente briga vez ou outra e confesso que sou duro com ela alguma vezes...Mas a amo mais que qualquer coisa nesse mundo.
    Falando dos "medos", já disse aqui algumas vezes que o meu maior medo de sair do armário é a reação dela. Acredito que meu pai vai compreender melhor, pelo fato de ser mais esclarecido. Minha mãe é uma pessoa simples, criada com hábitos BEM interioranos e um tanto machistas e isso pode fazer com que todo o processo seja mais duro. Minha irmã já sabe, contei esse ano e nada mudou entre a gente... somos parceiros mesmo. O medo dos amigos "descobrirem" é cada vez menor... acho que alguns já sabem, mas sou muito reservado com minha vida e acaba que não dou espaço pra que comentem, ao menos na minha frente!

    O medo de ficar sozinho, esse sim tá sendo GRAAAANNNDE!
    Não sei se pelo fato de estar com 24 anos e estar sozinho...sei lá. Eu tô sentindo cada vez mais a necessidade de ter alguém!

    O medo de ter medo de ser eu, esse eu aniquilei! E me sinto orgulhoso!!!

    Nessa caminhada da aceitação eu também acabei percebendo que a forma dos outros me tratarem e as situações que já passei, acabaram me mudando. Criou-se uma casca e agora eu sou muito menos sensível que antes. Acho válido tentar voltar a ser mais acessível, mas também acredito que enchergar o mundo duma ótica mais da razao, é bom.

    É isso!!

    Como você disse, Lucas: "Ah, nem tudo são flores! O arco-íris do caminho para a independência, para conseguir ser você mesmo, é mais preto e branco do que colorido" !

    Vivamos, então!

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    1. "O medo de ter medo de ser eu, esse eu aniquilei! E me sinto orgulhoso"

      Também fico feliz e orgulhoso por você, porque nunca passei por problemas de autoaceitação, mas vi colegas sofrerem com isso.

      Aliás, vale observar que os casos de suicídio e transtornos mentais entre homossexuais e bissexuais são mais provocados pelo preconceito internalizado do que pelo preconceito externo. Não sei se existe alguma pesquisa que comprova isso, mas é minha opinião com base no que leio. E olha que leio bastante sobre o tema.

      Espero que você se desarme com os outros e não endureça seu coração como eu fiz. Entendo você, sei o que passou e acho que às vezes é necessário, mas isso deixa cicatrizes e faz mal. É como você usar uma máscara por muito tempo que acaba deformando seu rosto.

      Quero voltar a ser mais carinhoso com meus pais. Acho que agora que a poeira já baixou e as coisas voltaram a caminhar, tem sido mais fácil. Mas nas fases críticas, quando a família ainda luta muito contra o fato do filho ser gay, é bem mais complicado.

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  11. Lucas, fiz um comentário alguns dias atrás em um outro blog e o N.B. comentou logo abaixo que se o mundo tivesse mais pessoas como o autor do blog tudo seria melhor. Eu também digo isso, mas agora incluo vocês também. A importancia do que você escreveu é imensa cara!!! Acho que vocês devem imaginar como isso tudo afeta a vida da gente. Muito obrigado pelo seu texto! Não me assumi ainda. É difícil escutar primas, amigos dizendo coisas do tipo: ''A pior coisa pra mim seria ter um filho gay. Não aceitaria.'' Eu tento, sem me expor muito, argumentar e questionar essa declaração. As vezes pergunto. Já pensou que não foi uma escolha? E se ele for honesto, inteligente, amigo, trabalhador e integro, isso de nada vale? As reações variam. Alguns dizem que sim, outros que não. Já sei que nunca vou poder mudar o mundo, mas graças ao blog e pessoas como você Lucas e o N.B. e todos que comentam aqui, tenho forças renovadas. Hoje em dia eu me amo mais, cuido mais de mim, faço exercícios e tenho quase certeza que minha mãe aceitaria esse fato. Só que eu, como outros aqui, prefiro esperar por alguém que eu goste muito e que goste de mim. Não critico ninguém pois não sei o meu futuro, mas não gostaria de pegar estranhos só por sexo. Até o momento estou conseguindo esperar por alguém que me mereça (Só espero não esperar tanto também hahaha). Nunca abandonem o blog pois o que fazem não tem preço. Muito obrigado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    1. Espero que você não espere muito, porque só de ler esse comentário, dá para perceber que você é alguém que vale a pena e merece ser feliz e encontrar um cara bem legal.

      Li seu comentário de madrugada, pelo celular, e dormi mais feliz por conta dele, sabia?

      Um grande abraço e querendo conversar, meu email é lucas.armariobh@gmail.com

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  12. Impressionante! Você disse tudo o que eu vivo e sinto. É bom saber que não é algo "meu", exclusivamente. Você lançou um desafio, o de também tentar entender o lado dos pais e não ser 8 ou 80, concordo.
    Parabéns pelas reflexões e pelo belíssimo texto (belo pelas ideias e pela escrita). AJP BHte. MG

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    1. Obrigado pelos elogios. Acho que nossos pais são muito importantes para ficarem perdidos num mar de rancores.

      Esses sentimentos são ainda mais complicados de serem administrados no começo (quando você faz as coisas escondido, sem eles saberem ou quando eles sabem e ainda lutam muito contra).

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  13. Gostei tanto da sua exposição de sentimentos...
    Mas ainda mais que isso, gostei do seu set de fotos.
    Impecável!

    E não se preocupe, estou lutando por tudo isso tbm!

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    1. Lutemos todos juntos e unidos, então, pois seremos mais fortes.

      Sobre o set de fotos, de qual gostou mais?

      :-)

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    2. Ah, não é que tenha gostado mais de alguma... Achei que elas sintonizaram muito bem com o texto, conversaram comigo enquanto eu lia... achei legal mesmo, vc tem talento na arte de expor informações =D

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    3. Obrigado!

      As flores de cerejeira são lindas, né?

      Acho que tem algo de feminino, de mãe, nelas.

      Abs
      ^^

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  14. Boa noite a todos!

    Tudo bem Lucas? Espero que sim.
    Inicialmente parabenizo você e o N.B. pelo blog, pois, como já foi dito em algumas respostas acima, bem como,em postagens anteriores, vocês trazem os ventos que prumam várias caravelas desnorteadas ou não, imersas em um sentimento diferente e estranho, para alguns, mas, gostoso e vital para outros.
    O bem da escrita desse blog não é somente para os leitores. O N.B, ao falar do que o motivou para a criação desse, deixou claro que pretendia utilizá-lo também como forma de terapia. Creio que você também deve compartilhar de tal pensamento. Posso definir dois benefícios para vocês continuarem fazendo esse blog. Faço isso como forma de os encorajar a continuar a escrita desse, pois, assim como vários outros leitores, afirmo isso pela percepção, um de meus medos atualmente é o fim desse (srsrsrs).
    O primeiro motivo para seguirem é humano. Sei o quão prazeroso é poder levar o conforto para semelhantes. Pode parecer algo pequeno para quem apenas ler, mas para quem consegue silenciar uma dor e dormir em paz depois de ter lido um post e comentários de semelhantes/amigos virtuais, é de uma importância muito grande. Já o segundo, e não menos importante, trata-se de enterrar as aflições individuais/coletivas.
    Concordo plenamente com você Lucas. É preciso haver uma superação desses sentimentos que nos afastam dos nossos familiares, principalmente. É difícil, não é simples, mas, as mágoas só fazem mal para quem as guarda. Porém, não podemos livrar-nos destas de hoje para amanhã. O processo é longo e necessário para que não se transformem em arrependimento futuramente.
    Já que você abordou como tema o medo vou falar um pouco dos meus. Em relação a minha mãe, não tenho certeza, mas acho que ela e o resto de minha família não sabem que sou homossexual. Não posso afirmar porque não sei o que se passa na cabeça deles. Podem ter percepções sobre a minha vida que não tenho conhecimento. Por enquanto vivemos sem grandes problemas.
    Em relação aos meus amigos não posso dizer o mesmo. No período de meus dezessete anos vazou no meu colégio, através de um cidadão que dizia ser meu amigo, sobre a minha homossexualidade. Foi um período muito difícil (um dia fui tão humilhado na escola que cheguei em casa cogitando colocar um fim) e,desde esse período, venho tentando conviver com a possibilidade ser arrancado do armário. Tudo foi colocado a prova pelo meu comportamento de nerd. Nunca fui baladeiro e sempre tive mais interesse nos estudos, pois, desde que me percebi como homossexual (por volta dos 10 anos de idade), passei a ter em mente que o estudo era a forma de conseguir a minha independência/liberdade, o respeito dos meus amigos e tirar o foco do meu "problema". Também coloquei em mente, nesse mesmo período, que eu deveria ser sempre uma pessoa boa para servir como exemplo e mostrar as outras pessoas que independentemente de ser homossexual, uma pessoa pode ser boa. Sonhos necessários de uma infância!
    Houve um período que tive que trabalhar a minha própria aceitação, algo mais resolvido atualmente. Nos últimos meses passei a sentir uma necessidade muito grande ter alguém ao meu lado para me completar. Pode parecer ilusão amorosa de um jovem, mas as vezes me sinto como se faltasse algo. O problema é que na minha cidade, pequena, as pessoas cogitam sobre tudo e, conviver com comentários homofóbicos todos os dias na rua ou na Universidade, incomodam, principalmente, por ouvir e não poder defender. A minha vontade é contar a todo mundo e ser realmente quem desejo, mas, infelizmente, ainda não sou dono do meu nariz. Dependo dos meus pais. É muito difícil se sentir sozinho e, nem mesmo, um amigo homossexual tenho.

    Já escrevi demais. Tenho essa mania! (srsrs).
    Espero ter ajudado de alguma forma.
    Boa noite a todos!

    J.M.

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    1. Eu também escrevo demais e não consigo perder o costume, não se preocupe. Escrever é minha vida e isso significa que preciso ler muito, também. Não tenho medo de texto grande :-)

      Seus primeiros parágrafos sobre o blog em si estão certíssimos. Eu gosto de ajudar as pessoas, fico solidário aos problemas envolvendo essas questões de aceitação. Já fui muito ajudado quanto precisei e sei o quanto é importante, o quanto fortalece.

      Ao mesmo tempo, escrever aqui também é terapia. Eu estava sumido há um tempinho e o N.B. quase me "demite". Brincadeiras à parte, escrevi no dia que rolou a história do exame e fiquei assustado. Para piorar, tinha visto um episódio recente do seriado House M.D que trata da morte de uma maneira delicada.

      Fragilizado, deixei as palavras fluírem, até porque eu também pretendia falar sobre isso uma hora ou outra. Comento com meu namorado que família é meu calcanhar de Aquiles. Sinto remorso por coisas que já fiz. Talvez eles também sintam por coisas que fizeram.

      Concordo com você que o processo é longo e acontece aos poucos. Veja no meu caso... desses três anos, acho que um foi horrível e outro foi ruim. Depois as coisas melhoraram. Mas 24 meses vivendo conflitos quase que diariamente em casa, com a família, desgastam a relação.

      Esse sonho que você tem é comum entre nossos pares: querer ser melhor, dedicar-se aos estudos, ser um grande profissional, muitas vezes, com foco em reafirmar uma imagem positiva sobre si próprio. Aliás, a Edith Modesto fala muito bem disso no livro dela Mãe Sempre Sabe?

      ** Pergunta de nerd para nerd: Mario ou Sonic?

      Cidade pequena é muito complicado, meu namorado é de uma cidade pequena e tenho amigos gays que moraram boa parte da vida em um interiorzão.

      Espero que você encontre um cara legal que te complete. O conselho que te dou é para buscar bem direitinho. Às vezes estamos tão ávidos para encontrar alguém que fazemos escolhas erradas e depois nos arrependemos.

      Abraços e se cuida,
      Lucas

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    2. Boa noite!

      Prefiro o Mario no snes. O Sonic deve ser do seu tempo, no sega. Só tenho 21 anos. Brincadeira!(srsrssrs). Joguei o Sonic, mas, muito pouco.

      Abraço!

      J.M.

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    3. Eu tenho 23 completados já este ano, seu engraçadinho ¬¬

      Sonic > Mario.

      Eu tinha todos os cartuchos da franquia para Mega Drive, jogava loucamente. Velhos tempos :-)

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  15. E ae Lucas,tudo bem?
    Testo muito bom,tava precisando mesmo ler alguma coisa desse tipo,valeu.Esses dias tem sido uma falsa paz,pq assumi para os meus pais e depois de algumas brigas ninguém mais tocou no assunto.A psicóloga que eles arrumaram pra gente disse que isso é bom por enquanto,porque é tipo uma forma de respeito,mas que não pode durar muito tempo.
    Sobre os medos,os que mais me afligem são o de ficar sozinho,e de me tornar uma pessoa muito fria.Durante esses anos por causa de coisas como ter de fingir e de mentir acabei me distanciando dos meus pais e criando uma resistência automática aos sentimentos.
    Hoje eu tenho 18 anos e já estou a uns 5 anos sem chorar,é muito tempo e mais atualmente eu tentei chorar,um certo dia que estava triste,mas não consegui,isso me fez pensar por um tempo.Estou tentando ser mais amável com todos,esta começando a dar resultados mas as vezes me da algumas recaídas.E seu post me ajudou a sair do inicio de uma delas,valeu mesmo.
    Espero que todos nos consigamos ter uma vida tranqüila no futuro,e principalmente sem perder a família,as vezes me pego pensando se terei de viver sem eles.
    Estou mais feliz de ver que tem gente,como eu,que esta se preocupando mais em achar um parceiro para vida e não para o sexo,cru e frio.Aguardo encontrar alguém para mim logo,e que vcs também o encontrem,boa sorte para todos.

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  16. "Sobre os medos, os que mais me afligem são o de ficar sozinho e de me tornar uma pessoa muito fria. Durante esses anos por causa de coisas como ter de fingir e de mentir acabei me distanciando dos meus pais e criando uma resistência automática aos sentimentos"

    Eu entendo você e sei bem o que é isso. Bate uma sensação de culpa e remorso. Não somos culpados, mas precisamos tomar consciência do que aconteceu e nos esforçarmos.

    Veja como realmente é difícil!

    Salvo alguns casos que são exceções e tudo ocorre tranquilamente, a maioria de nós precisa:

    1) Encontrar forças para sair do armário e assumir para a família

    2) Viver um período conturbado de grande desgaste emocional

    3) Ainda por cima, tentar curar as feridas abertas ao longo desse tempo.

    Respire fundo, não desista e tenha esperança. O príncipe encantado não existe, mas você merece ser amado e ter um cara legal para dividir as tristezas e alegrias.

    Deixe o tempo fazer o trabalho dele e transformar nossas vidas.

    Tudibom!
    Lucas

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  17. Parabens Lucas! Belo texto. Eu ainda não contei para a minha mãe nem sei como ela vai reagir ;( mas acho que temos de esperar pela altura certe. Com paciência tudo se consegue. A minha mãe não é do tipo religioso por isso acho que ja tenho algo a meu favor, mas mesmo assim não quero dar um passo maior que a perna para evitar um grande choque para ela porque digam o que disserem é sempre um grande choque.Ja o meu pai prefiro nem falar nisso.

    Abraços e continua a fazer grandes textos.
    Miguel, Portugal

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    1. Meu amigo Dom Miguel, realmente precisamos esperar pelo melhor momento, sabendo que, na melhor das hipóteses, continuará sendo um momento bem complicado e delicado.

      Eu acredito que a afeição e o carinho da mãe têm o poder de induzir o restante da família (pai e irmãos) a seguirem a mesma aceitação que ela, quando a família é muito unida. Claro que existem exceções, mas acho que a figura da mãe determina muito como os outros vão se comportar.

      Espero que seu pai consiga lidar com isso com o tempo.

      Aqui em casa, curiosamente, eu sempre senti que meu pai iria reagir um pouco melhor que minha mãe. Não acho que ele sofreu menos, até porque ela tem o perfil de chorar, gritar, externar os sentimentos e ele é muito de guardar as coisas para ele. O sofrimento foi o mesmo, mas eu sabia que ele ia lidar e digerir de uma forma diferente.

      Grande abraço!

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  18. Oi,meu nome é Marcos Vinícius.Já cheguei a comentar neste blog(e como na vida tudo tem o porquê)exatamente no dia em que contei para minha mãe sobre minha orientação. A reação dela foi horrível,mas era de se esperar,apesar de que há uns tempos já vinha preparando ela com conversas familiares,e ela foi entendendo,mas mesmo assim não deixou de reagir de forma até dolorosa.No mesmo dia dessa conversa,ela até pediu pra que eu terminasse minha faculdade(de engenharia,como do N.B) e saisse,seguisse o caminho a qual eu escolhi,e não falou mais comigo.
    Entretanto,como já foi dito,a grande maioria das mãe tem um amor sublime,e na segunda,quando eu estava indo a faculdade,ela veio com todo seu amor me deu um abraço,me pediu desculpas,e disse que me amava acima de tudo. O interessante é que eu sempre me senti um filho mal-agradecido,até hoje na verdade sinto,minha mãe sempre foi a melhor mãe que alguém podia ter,sempre esteve do meu lado e sempre me amou,talvez por medo da sua reação eu não soube corresponder esse amor e até hoje sinto que não consigo,mas sei que a amo muito,quando também penso em lhe perder isso me gera um medo muito grande e é baseado nisso que eu sei o quão grande é esse amor.

    Lucas,eu também queria te parabenizar pelos seus posts,o interessante é que sua vida se assemelha muito com a minha,até faltou coragem de eu colocar aqui em outros posts as semelhanças de nossos caminhos. Tenho 18 anos,também moro em Recife e adoro ler esse blog,abro a página todos os dias sempre em busca de orientação,porque é isto que esse blog proporciona,parabéns por você e o N.B fazerem um trabalho tão bonito!

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    1. Marcos, realmente existem semelhanças nas nossas histórias.

      Agora, que mal pergunte... e seu pai? Você tem irmãos? Se sim, como eles lidaram com isso? E os amigos?

      Também acho que meus pais deram tudo o que podiam me dar, inclusive, tudo o que eles não tiveram na infância e adolescência. Tenho um orgulho enooooorme deles.

      Já disse isso a eles algumas vezes, mas às vezes sinto vontade de dizer de novo e não tenho coragem.

      Olha que coisa meio estúpida... já briguei com eles, peitei os dois, disse que era gay, que tinha namorado, que fiz sexo e gostei, etc... e com vergonha/falta de coragem de falar abertamente o quanto os amo.

      Mesmo assim, acho que atitudes sempre valem mais do que palavras. Quero me esforçar para falar tudo isso a eles através de gestos.

      Obrigado pelos parabéns. Qualquer coisa manda um e-mail para lucas.armariobh@gmail.com.

      Abs!

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    2. Eu e meu pai somos muito distantes,tanto pela distancia geográfica,quanto pela afetividade também! Ele liga pra mim de mês e mês,e prefiro que ele não saiba de nada mesmo. Tenho um irmão mais novo,mas ele só tem 6 anos. Amigos mesmo tenho poucos,e uns que achavam que estavam do meu lado,acabaram se distanciando e eu prefiro que seja assim.

      Eu vou seguindo minha vida,acreditando que tudo vai da certo,mas é preciso ter calma!

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  19. Como o post é sobre família quero compartilhar uma comunidade:
    http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=17623894

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    1. Interessante, parece ser uma entidade similar ao Grupo de Pais de Homossexuais que eu falei em posts anteriores.

      Para quem não viu, é a comunidade do Repair, um grupo de apoio a homossexuais e familiares.

      Link direto do site: http://www.repaironline.org/

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  20. Realmente o medo nos assombra, principalmente de nossa família ficar sabendo de tudo de uma forma desagradável e não nos entender...
    Tenho quase certeza que minha mãe e minha irmã já sabem, já meu pai e irmão não. Minha irmã evita falar sobre certos assuntos comigo e observa bastante meu comportamento e minhas amizades, e minha mãe as vezes solta algumas indiretas e adora rir de assuntos que envolvem homossexualismo olhando pra mim e perguntar a minha opinião (muitas vezes de forma irônica).
    Minha família demonstra ser bastante liberal pros outros, mas dentro de casa se mostram bastante preconceituosos, realmente tenho medo.
    Só pretendo contar quando estiver em um relacionamento sério, onde eu esteja amando de verdade, ou quando já for independente já que apesar dos meus 22 anos ainda moro com meus pais, estou na faculdade e não trabalho ainda.
    Já quanto as amizades, sei que amigos de verdade não tenho, os amigos que tenho na maioria são bastante ligados a religião (alguns evangélicos) e demonstram claramente que não acham correto o homossexualismo além do que demonstram claramente o preconceito, mas pra mim isso é apenas um detalhe pois se quando souberem que sou demonstrarem desconforto ou desinteresse de estar comigo simplesmente me afasto pois se me conhecem e mesmo assim não entendem que a condição sexual não muda o caráter ou o que a pessoa é, é porque não devo te-los por perto.
    Abraço

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    1. Ricardo, é muito comum a família ser tranquila com relação aos outros, mas ter uma postura totalmente diferente dentro de casa.

      Infelizmente, tenho que dizer que é comum. Pelo menos, é o que percebo com base na minha experiência, dos meus amigos e de relatos que leio pela internet.

      Acho interessante que você queira contar quando estiver em um relacionamento sério.

      Não tenho opinião formada, mas acho que existem prós e contras sobre contar solteiro ou namorando.

      Prós: Você vai ter uma pessoa para te apoiar e não estará sozinho

      Contras: Dependendo da reação dos seus pais e do seu equilíbrio emocional, vai ser uma barra para ele... e pode desgastar a relação. Sem contar que se sua família não desconfia, vai descobrir de uma só tacada que você gosta de meninos e já tem um namorado!

      ** Isso rende post, aliás... acho que é uma ótima discussão a ser levantada.

      Quanto aos amigos, seria muito fácil dizer para você se afastar de quem puder condenar você. É fácil para eles, mas também é fácil para você!

      Difícil é percebermos que até nossos pais falam e fazem besteira, imagina os amigos! Lute por quem vale a pena, garoto!

      Grande abraço!

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  21. Lucas, ninguem pode proteger os entes queridos de se ferirem de vez em quando. E às vezes, em nome de uma mudança necessaria, somos nós a feri-los.

    Voce está observando seus proprios atos e refletindo. Isso já abre uma grande porta para reparar os danos que tenham ocorrido, e para melhorar ainda mais.

    Talvez a culpa que sente tenha sido útil para move-lo nessa nova direção, mas não precisa te acompanhar mais, uma vez dado o empurrão inicial. O que pensa disso?

    Voce ainda tem tempo.

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    1. Concordo totalmente com você, sábio anônimo!

      Só que não é fácil.

      Gosto de ser otimista e pensar que temos tempo, sim.

      Mas quem garante?

      Obrigado pelo ótimo conselho, de qualquer forma.

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    2. Olá!

      Quando digo que voce ainda tem tempo, me refiro ao fato de voce ter pensado nisso enquanto sua mãe ainda está com voce, o que te dá a chance de reparar quaisquer arrependimentos.

      Garantias nunca temos mesmo, só a oportunidade.

      Boa sorte com isso!

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  22. Oi de novo Lucas e todos. Sou o anônimo de 18 de maio 9:24. Muito estranho me identificar dessa maneira, quando seria muito melhor dizer meu nome e também colocar minha foto verdadeira pra que todos pudessem me ver, não é? Pois bem, é sobre isso mesmo que quero falar. No meu comntário, eu havia dito que tinha quase certeza de que minha mãe aceitaria o fato de eu se gay, mas por várias coisas que eu tenho ouvido neste periodo acho que não. Lucas, eu sou mais velho que vc e acho que vc tem muito mais experiência desse assunto do que eu, quando diz que realmente não há um momento certo para contar para a familia pois nunca vamos saber a reação deles. Às vezes fico revoltado porque acho que todos são cegos ou não querem ver. Será que eles acham normal uma pessoa saudável não ter uma namorada há anos? Acho que muitos ainda tem a imagem do gay promíscuo, e que só pensa em sexo o dia inteiro. Como se em nossas vidas não existisssem livros, filmes, música, sonhos... Ninguém questiona a sexualidade de um casal dito "normal" e o que eles fazem entre quatro paredes, às vezes, pode se muito mais imoral para algumas pessoas do que dois homens, mas eles não tem que dar satisfação disso pra ninguém, pois isso faz parte da intimidade deles. Já nós, se dissermos que somos gays, as pessoas já nos olham diferente. É como se tivessemos um pouco da nossa intimidade revelada, sem querermos. Realmente não sei se vou ter coragem de me assumir e lutar pra ser visto de forma diferente pelo resto da minha vida. Só o tempo vai me dizer isso. Só tenho medo de ficar violento, porque se alguém cita essa passagens bizarras de bíblia perto de mim, nem sei o que eu sou capaz de fazer. Realmente muitos aqui já viram que o blog funciona como uma terapia, e eu jamais vou cansar de dizer o quanto esse lugar é importante. Desejo felicidades a todos e que um dia todos comentem aqui usando o nome verdadeiro e colocando nossas reais fotos (eu incluído!!!) Até mais!

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  23. Obs. Desculpem os meus erros de digitação. É que eu escrevi correndo antes de sair para as aulas!!! Valeu!!!

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  24. Em primeiro lugar, eu ainda não sinto necessidade de sair do armário para ninguém. Sinto mais vontade mesmo é de trocar ideias com pessoas que estejam passando ou tenham passado por experiências semelhantes às minhas.

    Eu tenho plena confiança de que minha mãe e meu irmão vão me aceitar depois que eu contar a eles. Certamente vai ser um choque inicial para eles, porque sei que eles nem desconfiam. Mas o meu irmão já está com a cabeça bastante aberta a esse respeito e minha mãe, apesar de não concordar com o comportamento, respeita muito. O irmão dela é gay também e isso nunca foi motivo de conflitos; pelo contrário, eles se dão razoavelmente bem e minha mãe até chorou por ele quando descobriu. Em outro momento da vida dela, enquanto estava grávida de mim, ela teve um chefe que era gay e eles sempre se deram muito bem, posso até dizer que eram amigos. Ele até foi me visitar depois que nasci. Hoje em dia, muitos anos depois de sua morte, ela lembra dele com um certo carinho e respeito, mesmo tendo apresentado um comportamento de que ela discorda.

    No caso da minha mãe, eu entendo que o preconceito é mais por ignorância mesmo e por ter crescido num ambiente que condenava isso. Mas, desde que a pessoa tenha um bom coração e boas atitudes, ela é capaz de relevar muita coisa que considera errada.

    Meu pai, por outro lado, é bastante retrógrado, e jamais aceitaria isso. Se ele descobre enquanto moro e dependo dele, a briga seria feia. Não sei se ele conseguiria me tirar de casa - minha mãe é dura na queda quando se trata de defender a mim ou meu irmão. Mas ele certamente iria criar todos os problemas possíveis. Por isso, se ele tiver que saber, que seja só depois que eu conquistar minha independência financeira. Porém, pra ser sincero, há muito tempo não ligo para a aprovação dele, nem a presença dele me agrada muito. Então, o que ele pensará de mim depois que tiver saído de casa, pouco me importa.

    Quanto aos demais familiares, somos tão distantes que não importa muito, mas também não vejo ninguém que eu goste e que possa implicar comigo.

    Meus maiores medos estão nas pessoas ao meu redor. Futuros colegas de trabalho que possam criar problemas só por eu ser gay são minha maior preocupação. Ser agredido na rua, verbal ou fisicamente, também me preocupa. Tenho também um certo receio em descobrir quais dos meus amigos não vão me aceitar quando souberem. Pode soar ingênuo ou infantil, mas me chateia quando não tenho nada contra alguém e ele tem algo contra mim, especialmente se eu penso que a causa não é justa.

    Dureza, hein? Quem mandou nascermos especiais? ^^

    Abraços.

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  25. Olha ,odia que contei para minha familia foi horrível ... Minha mae chorou 2 meses , hoje convive os bem mas nao tocamos no assunto... Sinto que me toleram.aceitar nu nn ca. E assim tem dia que me sinto péssimo.as vezes penso em ir para bem longe viver minha vida , mas penso muito em minha mae .mesmo assim vou levando um dia melhor outro nao ....mas aos poucos estou crescendo muito...

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