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sábado, 14 de abril de 2012

Ah, eu já sabia...


    O texto a seguir é uma tradução "pé de boi" de um site com publicações de artigos acadêmicos e estudos de muitas áreas. Através de testes e estudos psicológicos, os autores argumentam que pessoas homofóbicas são gays enrustidos. Achei bastante interessante e gostaria de compartilhar. Qualquer sugestão ou correção na tradução, favor me avisar =)

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    A homofobia é mais intensa em pessoas que tem uma atração pelo mesmo sexo não reconhecida e que cresceram com pais que proibiam esses desejos, demonstra uma série de estudos psicológicos.
    O estudo é o primeiro a documentar o papel que a criação dos pais e a orientação sexual exercem na formação de medo excessivo de homossexuais, incluindo atos auto-homofóbicos, inclinação discriminatória, hostilidade implícita direcionada aos gays e apoio às políticas anti-gay. O estudo foi conduzido conjuntamente pelas Universidade de Rochester, Universidade de Santa Bárbara (EUA), Universidade de Essex (Inglaterra) e será publicado na edição de abril no Journal of Personality and Social Psychology.
    “Pessoas que se identificam como héteros, mas em testes psicológicos demonstram forte atração pelo mesmo sexo, podem se sentir ameaçados por gays e lésbicas porque homossexuais os lembram de tendências similares consigo mesmos”, explica Netta Weinstein, uma professora da Universidade de Essex e a autora principal do estudo.
    “Em muitos casos essas pessoas estão em guerra consigo mesmas e eles tendem a exteriorizar esse conflito interno”, complementa o co-autor do estudo Richard Ryan, professor da Universidade de Rochester.   
    O artigo inclui quatro experimentos independentes, realizados nos EUA e na Alemanha, e cada estudo contabilizou com, em média, 160 estudantes universitários. As conclusões fornecem novas evidências para argumentar a teoria psicoanalítica de que medo, ansiedade e aversão que algumas pessoas supostamente heterossexuais tem contra gays e lésbicas podem ter surgido dos seus próprios desejos pelo mesmo sexo e que foram reprimidos , diz Ryan. Os resultados também apoiam uma teoria, desenvolvida por Ryan na Universidade de Rochester, que relaciona pais excessivamente rígidos a uma fraca auto-aceitação e dificuldade de achar os próprios valores e virtudes. 
    As conclusões podem ajudar a explicar a dinâmica pessoal por trás de bullying e crimes de ódio direcionados aos homossexuais. Na mídia, crimes contra gays sugerem que os ofensores geralmente se sente ameaçados pelos homossexuais de alguma forma. Pessoas que negam a sua própria orientação sexual podem explodir porque gays ameaçam e trazem esse conflito interno para a linha de frente.
    O estudo também lembra casos em que personalidades famosas na luta anti-gay são pegas se relacionando sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Os autores citam exemplos como Ted Haggard, o pastor evangélico que se opunha ao casamento de pessoas do mesmo sexo e foi exposto em um escândalo gay em 2006, e Glenn Murphy Jr., ex líder da Federação Nacional Republicana Jovem, opositor veemente do casamento gay, que foi acusado de abusar sexualmente de um homem de 22 anos em 2007, e que podem ser uma reflexão dessa dinâmica.
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    Para explorar a sexualidade implícita e explícita dos participantes, os pesquisadores mediram discrepâncias entre o que a pessoa dizia sobre sua orientação sexual e como eles reagiam durante um teste de palavras em flash. Mostravam-se figuras e palavras aos estudantes e era pedido para que eles as classificassem em categorias de ‘gay’ e ‘hétero’. Antes das classificações, os participantes eram apresentados, subliminarmente, às palavras ‘eu’ ou ‘outros’, jogadas na tela por 35 milissegundos, em flash.  Então, eles eram apresentados às palavras ‘gay’, ‘hétero’, ‘homossexual’ e ‘heterossexual’ juntamente à fotos de casais gays e héteros, e os computadores rastrearam precisamente seus tempos de resposta. Uma associação mais rápida de ‘eu’ com ‘gay’ e uma associação mais lenta de ‘eu’ com ‘hétero’ indicava uma orientação homossexual implícita.
    Num segundo teste, os participantes estavam livres para explorar fotos de casais do mesmo sexo e do sexo oposto. Este teste proveu informação adicional sobre a sexualidade implícita.
Através de uma série de questionários, os participantes discorreram sobre o tipo de criação que tiveram enquanto crianças, de autoritárias à democrática. Os estudantes tinham que concordar ou discordar de afirmações como “Eu me sentia controlado e pressionado algumas vezes’, e ‘Eu me sentia livre pra ser quem eu quisesse”. Para conferir o nível de homofobia dentro de casa, os participantes respondiam à afirmações como “Seria muito irritante para minha mãe se ver numa situação em que ela estivesse sozinha com uma lésbica” ou “Meu pai evita homens gays sempre que possível”.
[...]
    E finalmente, a pesquisadora mediu o nível de homofobia dos participantes – explicitamente, como expresso em questionários sobre política e opiniões, e implicitamente, como revelado em tarefas de completar palavras. Nesse segundo teste, os estudantes escreveram as três primeiras palavras que surgisse na cabeça, completando uma sequência como “k i _ _“ (exemplo kill, kiss, kilt, kiwi, etc etc). O estudo notou um aumento de palavras agressivas listadas depois que os participantes foram mostrados a palavra ‘gay’ na tela, subliminarmente, por 35 milissegundos.
    Ao longo de todos os estudos, os participantes com pais compreensivos e aceptivos estavam mais em sintonia com sua sexualidade implícita, enquanto os participantes que tiveram pais autoritários revelaram uma maior discrepância entre as orientações implícita e explícita.
    “Numa sociedade predominantemente heterossexual, “se conhecer” pode ser um desafio para muitos gays. Mas em lares de pais controladores e homofóbicos, aceitar a uma orientação sexual minoritária é assustador”, explica Weinstein. “Essas pessoas arriscam perder o amor e a aprovação de seus pais se admitirem a atração pelo mesmo sexo, portanto muitas pessoas reprimem ou negam essa parte deles”.
    Complementando, os participantes que se disseram ser mais heterossexuais do que o resultado dos testes indicaram sobre a orientação implícita foram os mais prováveis de agir com hostilidade contra gays, mostrou o estudo. A divergência entre as sexualidades implícitas e explícitas mostrou uma variedade de comportamentos homofóbicos, incluindo afirmação de atos anti-gays, hostilidade implícita contra gays e inclinação discriminatória, como o apoio de punições pesadas contra homossexuais, conclui o autor.
“Este estudo mostra que se você está sentindo um tipo de desconforto excessivo contra algum grupo, pergunte-se “porque?”. “Esses sentimentos deveriam servir como um precursor para uma auto reflexão”.
    O estudo teve muitas limitações, diz o autor. Todos os participantes foram estudantes universitários, então parece propício testar esses efeitos em adolescentes que ainda vivem na casa dos pais e em adultos mais velhos, que tiveram mais tempo para estabelecer suas vidas de forma independente dos pais.

fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2012/04/120406234458.htm
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    Gostaria de citar meu caso particular, mais bem descrito no texto "Meu armário incoerente". Um dos caras que divide apartamento comigo andou especulando sobre minha sexualidade e ele reportou a sua mãe, pelo telefone, como isso o incomodava. O outro rapaz com quem divido apartamento ouviu e me contou, e não pude deixar por menos. Fui tirar satisfações e acabamos discutindo. Ironicamente, foi achado histórico de pornografia gay no seu computador dois meses depois da discussão. Se alguém, souber de casos de homofóbicos pegos no flagra, compartilhem conosco!
Um abç e bom fds.
N.B.

P.S.: Bolsonaro e Malafaia, meu sinceros sentimentos de pena. 
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