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sexta-feira, 9 de março de 2012

Sobre olhares e gritos

    Faz tempo, eu passei pela Praça Sete de Belo Horizonte numa tarde bastante movimentada de um dia de semana, saindo de um McDonald's - percebe-se o meu vício em fast foda food nessa altura... Por lá, vi um casal de gays se abraçando e se beijando no meio da multidão, esperando o sinal para atravessar a rua. 
    Para quem não conhece BH, a Praça Sete é uma esquina bem no coração do comércio popular da cidade, um cruzamento de duas das mais famosas avenidas daqui: a Afonso Pena e a Amazonas. Obviamente, encontram-se por lá populares como escritores anônimos de blogs, clientes da tele-sena, do Baú da Felicidade e pessoas que colocam nos seus Fiats Unos os letreiros com os dizeres "Presente de Deus', o que para mim é de extremo mau gosto. Enfim.
    Eu fiquei olhando as pessoas olharem o casal e previ que um barraco estava para acontecer a qualquer momento, mas ninguém ofendeu os dois. Se por um lado muitos olharam, alguns apenas desviaram o olhar e começaram a andar assim que o sinal de pedestres ficou verde. Apenas reparei duas mulheres conversando sobre como aquilo era estranho, mas poderia ter sido muito pior como se alguém gritasse 'viados desgraçados'. 
Talvez as pessoas tenham tanto medo de criticar estranhos diretamente e em público quanto de serem criticadas. Ou  será que as pessoas sabem respeitar a individualidade em público apesar de seus preconceitos? 
    Meh,  inocência. O comportamento de massas humanas é bastante semelhante ao de animais de rebanho. Naquele momento o efeito manada estava engatilhado: se alguém começasse uma repreensão, outros se manifestariam também, especialmente pelo tipo de gente que passa pelo local (sem ofensa aos cliente do baú da felicidade, mas com isso quero dizer que são pessoas de baixa instrução, e isso por si só desencadeia uma séria de comportamentos padrão).
    Isso me fez pensar se eu teria coragem de fazer o mesmo com meu namorado. Quando saímos, percebo olhares, mesmo que não troquemos carícias em público, mas que por enquanto não me incomodam. Andamos como amigos e às vezes a vontade de tocá-lo é tão forte que um dia rolou um abraço e uma mulher ficou me encarando por isso. Ou será porque ela achou bonitinho que dois 'amigos' expressassem seu afeto assim com tanta naturalidade? Vai saber...
    Gostaria de saber dos senhores se, como casais ou avulsos, já sofreram algum tipo de repreensão pública e se tocariam nos seus companheiros quando a vontade não fosse controlável e o ambiente não fosse favorável, como fez esse casal que presenciei. A impressão que tenho é que a repreensão pública, que talvez seja um dos maiores medos de gays, não ocorre muito frequentemente. Também porque não presencio muitos casais gays pelas ruas, mas os poucos que vejo são quasi-quasi ignorados, com exceção dos olhares - ou estou sendo eu inocente de novo?
Um abç.
N.B.




38 comentários:

  1. Gostei muito do assunto. Essa semana presenciei o mesmo em um semáforo na frente de um shopping muito popular do centro de Brasília. Nesse caso foi com garotas.
    Havia visto as duas dentro do shopping de mãos dadas. Lá fora, a cena foi outra : demonstrando carinho, intimidade... nada de vulgar, cláro ! Mas as pessoas ñ as encararm, nada de óbvio pelo menos.
    Já tive muito desses momentos com meu ex namorado. Chegou um momento da relação em que acabava acontecendo. Nada forçado, tinha lugares que tbm evitávamos, justamente pra ñ criar esses momentos desagradáveis. Mas como citei, tinha hora que acabávamos demonstrando carinho e nem nos tocávamos do local.
    Uma vez, estavamos em uma parada de ônibus, próximo de um shopping bem conhecido de Brasília e na hora de nos despedirmos ele simplesmente me deu um beijo e se foi. Tudo muito natural. Poucas pessoas viram, mas teve gente que encarou. Havia uma pracinha pública que costumávamos ficar lá durante o dia, numa boa.
    Ñ faço nada disso forçadamente, para causar. Mas quando a gente gosta... arrisca !

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    1. Sobre as meninas trocando carícias na rua, me esta parecendo ser uma coisa comum de cidade grande! Na minha cidade natal (200 000 hab) nunca vi isso mas em BH estao por todos os lados :O
      ate me surpreendo pela quantidade

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  2. Aqui em Joinville-SC temos dois cenários; as gurias que saem de mãos dadas e trocam carinhos e maioria das pessoas não liga, aliás os homens até gostam. E nós homens que em hipótese nenhuma podemos andar de mãos dadas ou trocar carinhos em espaços públicos, nunca presenciei nenhuma cena de discriminação, mas é ninguém se arrisca muito em público aqui não. Só em espaços LGBTs mesmo, casas noturnas e pubs.
    Acredito que isso seja uma questão de nós começarmos a agir com naturalidade e com o tempo as pessoas irão perceber que não é uma afronta a elas, e sim que queremos viver bem como todo mundo, sem limitações.
    Se nem nós mesmos agimos naturalmente como outras pessoas podem ver desta forma?


    Att. Mr. FG.
    http://queermrfg.blogspot.com/2011/07/seja-voce-mesmo-sempre.html

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    1. Muito bem colocada a parte sobre as pessoas pensarem que isso é uma afronta! Acho que explica bastante a indignação de alguns reacionarios ;O

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  3. Aqui na minha cidade no interior de Goiás já vi vários meninos de 15, 16 e 17, andando coladinho de bicicleta (acho q é uma espécie de carona) e acho "fofo" e isso parece não incomodar. Uma vez em uma cidade turistica, dentro de um clube, tinha um casal gay, eles não se tocavam, pareciam ter um filho pequeno ou era sobrinho deles, ouvi um dizer amor pro outro, e eles eram muito gatos. Primeiramente eu vi eles e achei eles muito gatos, mas ainda não tinha certeza que eram gays e não tinha visto o menino, mas depois que eles o levaram no escorregador deu pra perceber que eram um família. Minha prima falou olhas as bichas, mas depois falou nossa o mais bonito é o tal, eles forma bastante notado pela minha família e eu sempre olho para dois caras juntos, eles podem pensar que é de repúdio/ódio mas é de felicidade/admiração.

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  4. Geralmente, quando rola alguma notícia que tenha como tema a homossexualidade, eu costumo ler os comentários que as pessoas postam. Por eles, é possível perceber que a grande maioria das pessoas tem preconceitos contra nós. Pelo jeito que elas se expressam, dá pra tentar definir desde aqueles que acham rídiculo e vergonhoso mas, que se topassem com um casal gay na rua, se limitariam a criticar ou debochar discretamente, e outros que revelam um verdadeiro ódio sem fronteiras e, pelo jeito que falam, seriam capazes desde proferir ofensas ou até mesmo partir para a agressão física se puderem. Menciono tais comentários pois, neles, as pessoas, protegidas por um monitor, tendem a dizer o que pensam sem papas na lingua. E é impossível saber quando iremos topar com alguém insano assim pelas ruas. Pra quem é da paz e só quer sair em paz com seu companheiro(a), é difícil ir passear temendo o que pode acontecer em cada esquina que virar e com quem irá encontrar. Sabemos que a violência, em todas as suas formas, existe na nossa realidade e, por mais triste que seja, com vistas a preservar nossa segurança, temos que ter bastante cautela nas nossas demonstrações de afeto em público. Todavia, se não ganharmos visibilidade, o resto da sociedade jamais conseguirá nos ver de outra forma. Como sair então desse que parece um impasse insolúvel?
    Talvez simples gestos como passear de mãos dadas em um local seguro ou um abraço, enfim, podem ser ótimos começos para que a sociedade se acostume com o fato de nós existirmos e termos os mesmos direitos que qualquer outro casal. Mas tudo isso pautado em critérios de bom senso e prudência em relação ao lugar escolhido, ao horário, enfim, pois antes de qualquer causa que estejamos lutando vêm a nossa segurança e integridade acima de tudo. E sempre temos que estar mentalmente prontos e antecipadamente preparados para enfrentar as adversidades que surgirem, dar as devidas respostas quando for necessário e até saber se defender e até como pedir ajuda se for o caso. Pés no chão sempre galera!!!

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    1. Gosto de ler esse tipo de matéria tb. As vezes ate pulo a materia em si e vou direto para os comentarios. É dificil falar se a maioria é pro ou contra por la, sempre tem muito dos dois. Noticias de adocao, direitos de pensao, agressao a homos, etc, são sempre assim. Ou dizem que é coisa do capeta ou parabenizam o 'avanço'. Tambem depois de uns poucos comentarios, alguns escritos em caps lock e outros tantos sem pontuacao, sem sentido ou referência aa norma culta, costumo rir e irrelevar.
      Mas que ha algum tempo atras eu ficava com roxo de raiva... ah, eu ficava rsrs
      abç

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    2. Concordo !!! o preconceito contra nós é muito forte!! na verdade, eu antes de me descobrir tinha preconceito comigo mesmo! pra ver como nascemos e somos criados programados a discriminar e ter muito preconceito com qualquer relação fora do modelo heterossexual! Realmente, eu evito os comentários! é neles que eu vejo o tamanho do preconceito contra homossexuais!
      abraço

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  5. Moro em cidade pequena, 150.000 hab aproximadamente, e certamente por isso quase nunca vejo este tipo de coisa na rua. Exceto no natal, que de vez em quando tem casais (visivelmente) gays juntos na rua, de mãos dadas. Ninguém faz nada, pelo menos não vejo. A única vez que vi se beijando foi de noite, quando a rua estava deserta, em um espaço recluso, ninguém mais estava no local exceto eu e as duas garotas, ao longe.
    Mas eu já beijei um garoto em espaço público (na verdade por impossibilidade de ser em qualquer outro lugar). Havia um número considerável de pessoas no local, apesar de nós termos ficado meio distante do povo. Ninguém fez nada, exceto um grupo de moleques que quando nos viu juntos (nem estávamos fazendo nada ainda) começaram a vir diretamente em nossa direção, após olharem muito de longe. Saímos do local quando percebemos, e não nos seguiram. Não os vi mais.

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  6. Muitíssimo interessante o assunto.


    Aparentemente, as pessoas em geral parecem não saber como proceder.

    Casais gays sabem que tem o direito, teórico de expressarem afeto assim como os heteros, mas sabem também que há grande desaprovação da sociedade.

    Os observadores, por sua vez, não sabem se olham ou desviam o olhar, se atacam ou deixam passar. Elas sabem que não devem prejudicar quem está em paz, mas foram ensinadas também que ser homossexual é "errado", ou algo negativo. Alguns chegam ao ponto de pensar, como já foi dito, que é "uma afronta".


    Creio não ser possível detectar respostas absolutas a essas questões, por enquanto. Pelo menos, não a essas perguntas:

    Os gays estariam se preocupando demais? As pessoas são na verdade tolerantes?


    A mim parece claro que é simplesmente um terreno muito irregular, no qual não sabemos onde é firme para pisar.

    Gays devem ser leais ao direito constitucional de serem quem são, enfrentando os desafios que vierem de frente? Vale a pena? Ou devem ser leais à precaução originada do histórico de preconceito que tem esse país?

    Observadores devem ser leais ao principio de deixar os outros em paz? Ou às crenças ridículas tradicionalistas que dizem que ser gay é algo ruim e que quem se manifesta em publico está apenas querendo afrontar? Qual é o correto? Qual vale a pena?


    A mim parece que são perguntas demais e gente disposta a "testar" de menos.

    Todos deduzem o que vai acontecer. Ninguem arrisca. E há sempre aqueles dispostos a fazer se mais alguem fizer. Mas ninguem começa o ato.

    É o "mexican stand-off" supremo.

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    1. Assim como na matemática, algumas coisas na vida são de natureza determinística e outras de natureza probabilística. Eu particularmente prefiro muito mais a manipulação determinística, nas duas situações. Eventos probabilísticos tem uma incerteza relacionada na matemática e inúmeras dúvidas, na vida, o que não acho prático. A distribuição de vítimas de repreensao pode ser considerada um evento probabilistico, o que gerou todas essas questoes.
      Na matemática, também, quando uma função é dificil de ser manipulada, fazemos por partes e depois juntamos o resultado. Podemos trazer esse exemplo pra vida, ao tornar a demonstracao de afeto entre pessoas do mesmo sexo uma coisa natural, mas para pessoas de perto... ate que os amigos e familia, que tanto viram a naturalidade desse afeto, um dia vai estar nas ruas e irrelevar quando verem estranhos fazendo o mesmo.
      Como são muitas familias e amigos e há gente de menos disposta a 'testar', creio que o problema do loop infinito só foi quebrado em partes menores também :O Quem sabe o mais viavel seria uma revolução em que todos saissem do armario e que não sobrasse uma pessoa no brasil que nao tivesse um conhecido proximo gay, trazendo o respeito e tolerância um por um. Um delírio, mas que seria muito bonito =)

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    2. Eu acredito que a tolerância pode ser propagada e estimulada sim, aos poucos e lentamente como você destacou.No entanto, infelizmente o preconceito e o machismo continuarão a ser propagados, sendo sempre um obstáculo a ser vencido na mesma proporção que a aceitação aos gays.

      Enquanto houver a religião como formadora de opinião, grande parte da população, rica ou pobre, continuará a lançar olhos tortos ou a desrespeitar publicamente homossexuais, mesmo sendo parentes ou amigos próximos.

      Também não vejo a criminalização da homofobia como solução para esse problema.

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    3. Voces dois mencionaram ótimos pontos!



      -> N.B


      Realmente, um movimento massivo poderia influenciar o quadro geral o suficiente para fazer a diferença.

      Penso que boa parte do problema está na ausencia de uma estratégia em comum para todos. São tantas pessoas, cada uma com seus medos, inseguranças e incertezas, que cada um acaba por agir de uma maneira muito particular.

      Assim, alguns poucos assumem publicamente, outros apenas em contextos especificos e outros nunca. E esses poucos que se assumem publicamente às vezes não tem apoio de outros, que com receio não agem quando necessario.

      De forma alguma isso é uma critica negativa. Afinal, mesmo na sabendo que a categoria é composta por um numero imenso, os "valores" sociais de menosprezar o homossexual como sendo "cidadão de segunda classe" ou "algo ruim de se ser" são pregados com tal maestria, que aqueles que o são hesitam mesmo em um contexto favorável. Às vezes essa crença é forte até mesmo na cabeça daqueles que lutam para desconstruí-la.

      Aparentemente é uma tarefa em estágios. A propria categoria precisa sentir-se à vontade consigo para então organizar-se e então se tornar uma voz com grande peso na sociedade.

      Claro, aliados também a quaisquer defensores da desconstrução dos preconceitos, sejam de que orientação forem.

      Posso estar deixado passar alguma coisa, mas creio que esta seja a idéia geral da essencia do problema. Não é apenas o medo das atitudes do publico em geral, mas também a ação do rotulo da cabeça de cada um. Este tem um grande peso.





      -> Lucid Dream


      Ótimo ponto sobre a influencia religiosa.

      Há muita militancia para que se respeite toda as religiões, mas como respeitar algo que consiste em desrespeitar quem está de fora da doutrina?

      Sim, existem muitos que apesar de se manterem conectados com alguma forma de fé ou instituição religiosa, respeitam as diferenças. Mas não estariam estes já desvirtuando os dogmas que supostamente seguem? Se podem fazer alterações convenientes nessas crenças até certo ponto, por que não desconectam-se de uma vez?

      Essa reverencia que instituições religiosas tem possibilitam muita manipulação da cultura em favor de valores discriminatórios.

      "Respeito à tradição", sem reflexão, é besteira. Isso se aplica a tudo. A propria noção de que é algo "ruim" ser homossexual vem daí. A tradição cultural machista do país.

      "Tem sempre sido assim, logo devemos respeitar" não é nada perto de "o que podemos criar para melhorar a qualidade de vida?". Uma pena que quase ninguem veja isso.

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  7. Continuando,

    Por mais incertas que sejam as coisas, por mais imprevisível a reação das pessoas, ainda penso ser uma dica válida "se informar sobre o histórico do lugar".

    Seja do bairro, shopping, setor da cidade, enfim. É importante antes de tomar uma decisão que tenha algum risco, saber minimizar esses riscos ou estar preparado para o que pode vir.

    Mostrar ao mundo que ser homossexual é natural e tão digno quanto ser hetero é importante. Mas estar vivo, bem e mais a salvo quanto possível de agressões me parece mais importante.

    Não defendo o nunca se mostrar, mas o ter sempre um plano em mente.

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  8. Gus - Recife

    Eu compartilho da seguinte idéia: nem casais héteros, nem casais gays precisam ficar se "comendo" em lugares públicos. Mas pequenas demonstrações de carinho, como mãos dadas, um abraço, de repente um selinho são coisas que naturalmente vão acontecer entre um casal. Olhares vão haver sempre, e particularmente acho que já melhorou bastante. Talvez quanto mais cosmopolita o lugar, menor a atenção vão lhe dar...mas sempre vai ter aquela pessoa pra dar olhada atravessada ou fuxicar algo.
    Numa das minhas idas a SP, fiquei pensando como as pessoas lá se "arriscam" ligam o foda-se e são felizes. Aqui no NE (e me refiro agora a Recife), é possível ver isso, mas em determinados bairros que são mais frequentados por gays, num determinado Shopping, etc...
    Eu acho que SE e QUANDO eu tiver um namorado, não vou ser do tipo que se agarra em público, temo ainda muito pela reação dos outros. Mas com o tempo...quem sabe?! Fica o meu VIVA! àqueles que conseguem ser felizes e expressarem isso sem medo [ sou meio revolucionário de sofa, né?!! hehe].
    N.B. ótimos textos este ano, hein?!

    Abraço!

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  9. Concordo com o Gus - Recife: acho que deveria imperar o respeito e o bom senso. Não acharia legal um casal hétero se "comendo" (leia-se afagos bem calientes) num lugar público. Ou será que eu deveria tolerar? Até onde vai a minha ideia de tolerância, respeito e bom senso (se é que deveria exisitir?)? Talvez o mesmo aconteça com héteros em relação aos gays. A eles causa estranheza ainda ver dois homens ou duas mulheres mantendo atos carinhosos entre si em público. E, a nós causa surpresa ou admiração, incluindo aí o heroísmo. Talvez para eles, se assemelhasse a algo demasiado escandaloso. Mas, o que devemos fazer para sermos respeitados? Respeito não se impõe, em alguns casos não necessita de nada para ocorrer, em outros, de compreensão. É uma via de mão dupla. Respeite e provavelmente terás respeito. E, o que para nós pode ser algo natural e desejável, como já disse, não é considerado assim tão natural pela maioria. Mas, cabe, como falei no início a estes, talvez por não compreenderem os outros, manter simplesmente a distância, ou, no mínimo, o respeito (com ou sem compreensão). Talvez não seja algo que gere aplausos aos que respeitam, mas também não gera zombaria. Só que para alguns, e aí é que mora o X da questão, isso é intolarável, seja por um simples olhar de estranheza ou condenação ou o pior de tudo, por meio de uma agressão física. E, arrisco a dizer com quase 99% de certeza que há algum trauma seja em relação à homoafetividade ou a compreensão em geral (eles provavelmente não toleram alguma coisa em si para não tolerar algo do outro) ou são extremamente narcisistas. Portanto, como não sabemos, absolutamente, que consequências carinhos em público podem trazer. Mas, genericamente, até podemos, como já foi falado antes, dependendo do lugar fazê-los sem medo. Mas, em outros, não por causa da imcompreensão moral (que não deve ser o nosso temor), mas pelo resguardo da integridade física, é melhor protelar ainda. E, que o império do receio e do medo um dia acabe.

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  10. Já tive a coragem de andar de mãos dadas e ainda o cara me dar um beijo na porta de casa. Era de madrugada, mas se fosse de dia o resultado não seria nada legal, ainda mais em uma cidadezinha do interior de SP. Eu concordo com vocês...eu acho desagradável ver casais héteros se pegando, tudo vai do respeito e bom senso claro. Devemos respeitar cada ocasião. Não me comporto com meu amigo do mesmo jeito com meu pai né?
    Só desejo que o respeito e a aceitação da sociedade continue a melhorar.

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  11. gente, como os comentários aqui são grandes...

    eu morei em BH e é uma cidade que o preconceito homofóbico é pouco. eu sempre sofri preconceito, mas ai sempre foi menor do que em qualquer outro lugar que já morei/visitei.

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  12. NB, pq vc não entra mais no e-mail do blog? Vou fazer minhas perguntas aqui mesmo. Bom, eu "descobri" seu blog a partir do link que vc deixava em comentários em blogs estrangeiros. Já vi comentários seus em blogs brasileiros. Mas um dia vc me disse que não gosta de blogs com coisas/histórias pessoais sendo que nos blogs estrangeiros que já te vi (secrets of an all american e virginiaclosetcase- da qual vc "pegou"o nome do seu blog), tem muitas histórias pessoais. Agora tbm vc aparece pouco nos blogs estrangeiros (o tempo está pouco?). Bom queria saber o motivo disso, só curiosidade, não fique "bravo" com minhas dúvidas, são bobas mas quero saber. Disse isso também pq já te pediram uma mudança no blog (apesar de eu continuar segui-lo msm que uns achem q esta repetitivo), e tem um blog estrangeiro que estou seguindo de um casal gay que resolveu postar sobre eles, pois é o primeiro relacionamento que estão tendo em suas vidas (http://2boysinlove.blogspot.com/p/about-blog.html, e como vc está em sua primeira relação amorosa, não seri legal vc "pegar" a ideia deles emprestado?

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    1. Oi anonimo!
      De fato, tempo curtíssimo, ainda to me esforçando para responder aos emails que o pessoal manda =)
      Pelo que me parece o closetcaseinVA fechou, uma pena. Agora o allamerican, foi muita coincidencia tua ter achado meu comentario por la poaksopksa
      Era a 1a vez que eu entrava naquele blog e foi o unico comentario que deixei... quais sao as chances de um brasileiro achar meu perfil por la ? rsrs
      Quanto a ideia, me parece original, sim. Seria um ótimo tema para alguns textos, acatarei a ideia.
      Um abç

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  13. Depois de milênio sem postar...
    Bom, eu sou tranquilo quanto a isso, aqui em Recife o cenário é favorável na maior parte do tempo para os gays; inclusive com meu atual namorado, a gente andou pra cima e pra baixo de mãos dadas e nos beijamos (não foi selinh), pelo carnaval... Mas não é só no Carnaval que é possível; com meu namorado anterior, eu saí com ele meus amigos da facul, fomos pra uma exposição ao ar livre no Recife Antigo (bairro cultural daqui), e andamos de mãos dadas o tempo todo, e teve um show de Los Hermanos em 2010 aqui que ficamos abraçados e nos beijamos muuuuito e ligeiramente caliente, onde um homem que estava perto de nós, já meio alto de cerva, qdo viu começou a falar meio alto: véi os cara se beijando, mas depois se afastou e pronto! Enfim, não me reprimo, pois se nos reprimirmos, a sociedade também reprimirá... É questão de mostrarmos mesmo que é normal, se não nunca será!

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  14. Pra mim..o clima contra gays nunca foi desfavoravel...eu ja andei, como vou andar de mãos dadas no Shopping Recife, no bairro da Boa Vista e em outros locais...ate hje nunca fui zoadooo....reprimido e nao vou deixar de sair com meu namorado e de trocar caricias com ele por causa de um bando de gente...Vejo que a sociedade e o povo gay reprime e condena os gays pintosos e maquiados que saem nas ruas fazendo todas as peripécias e excessos de gay...isso ninguem gosta, assim como o povo ñ curte mulheres vulgares ou homens bebarrôes e sem escrupulos. Tudo é questão de atitude, comportamente e saber entrar e sair! Qualquer coisa paparei junto com ''os incomodados'' na DELEGACIA mais proxima ou em uma VARA CÍVEL...num processo judicial! Pra bom entendedor, meias palavras bastam!

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  15. NOTA: corrigindo: "qualquer coisa pararei junto com..."

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  16. Consigo imaginar a cena. Reparo a mesma coisa quando passo pela Raul Soares voltando da aula. Aquela infinidade de casais gays e as pessoas encarando abismadas ou simplesmente ignorando. "Que horror.. dois homens se agarrando". É quase nítido no olhar de cada transeunte. Mas isso é típico de todo ser humano, não é? O diferente, o exótico causa repulsa. E sobre a questão levantada, com certeza eu não teria coragem de manifestar qualquer forma de carinho em público. Além de ser muito fechado, tenho muito receio dessas represálias populares que possam vir a acontecer. Mas nada contra quem faz, afinal de contas, eu não sou responsável pela vida de quem esteja ali. Somos todos livres. Ainda bem.

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  17. Praticamente Assumido11 de março de 2012 20:43

    Namoro a quase 3 anos e no inicio eu pensava assim tambem (sera que estao me olhando?) e ficava até com vergonha. Com o passar do tempo, percebi que a maioria mesmo nao esta nem ai pra voce, e os que estão, alguns acham legal, e os que nao acham, esses que tem que ver mesmo para mudar seus pensamentos pois se eles podem se beijar no meio da rua, pq nós não?
    enfim, nenhuma vez fui de fato descriminado, claro que em locais 'hostis' eu nao arrisco para nao perder meu pescoço mesmo, o que pode acontecer, mas aqui em bh mesmo, na região da savassi, ter medo de se mostrar lá é uma grande besteira (claro, se ver um skin head, melhor evitar né...) mas no geral, as pessoas la estao acostumadas, e pq estao acostumadas? pq atitudes como essa de nao se importar e dar um beijo na rua quando se tem vontade, ficaram comum nesta regiao e todos aceitaram, querendo ou nao. pouco a pouco estamos ganhando nosso espaço e precisamos de mais gays que consigam nao ter medo para que um dia nosso pais pare com esse preconceito horroroso. um dia viaje para o Rio e veja como gays la estao no centro, na favela, na zona sul, e em todos os lugares de uma forma COMUM e ngm (quase ngm) se importa, pq virou cultural, virou LEI(lá homofobia é explicitamente crime) e até tem uma politica de tornar a capital Gay do MUNDO. invejo muito essa cabeça que conseguiram colocar no pessoal de lá. abraços.

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    1. Não deve ser atoa que o rio foi eleito a capital mundial gay neh rsrs
      Eu nao sei como é o clima la com relacao a isso, mas pelo menos pela savassi é bem mais tranquilo. Ali no patio, mesmo que nao andem de maos dadas, da pra ver que sao mtos casais =) acho legal
      Mas quanto a caso de skinhead por BH, eu to por fora, nunca ouvi falar :O

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  18. Aconteceu algo até interessante, vamos dizer assim.

    Eu li aqui ontem este texto e o mesmo aconteceu comigo hoje. Vi um casal chegando ao shopping, de mãos dadas.

    As pessoas fechavam a cara, como se fosse algo muito absurdo.

    Sim, eu também olhei, mas foi um olhar de felicidade para eles. Acho ótimo que façam isso. Não precisam se esconder. Têm todo o direito de fazer algo tão banal, que para os "não-heterossexuais" torna-se algo tão grande.

    Tomara que um dia todo mundo possa algo tão ridiculamente simples, como andar de mãos dadas na rua, sem levar lampadada na cabeça.

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    1. As vezes eu encaro tb exatamente com esse sentimento aposkoapska mas fico sem jeito de ficar olhando, ai desvio o olhar depois... as vezes da vontade de dar parabens pelo 'ativismo', mas sempre fico com vergonha

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  19. Bom dia N.B. Fui apresentado ao seu Blog há pouco tempo (menos de um mês) quando estive em BH. Parabéns pelos textos, realmente são excelentes!
    Bem, tenho que discordar de você em um único ponto. A questão da reação das pessoas que costumam passar na esquina da praça sete (populares como escritores anônimos de blogs, clientes da tele-sena, do Baú da Felicidade e pessoas que colocam nos seus Fiats Unos os letreiros) me faz refletir sobre como as pessoas de "mais instrução" reagiriam, por exemplo, os clientes do Diamond Mall (só conheço esse.rs). Talvez o seu modo de discordar seja diferente do transeuntes da esquina da praça sete, contudo, mesmo assim eles estão comunicando certa aversão ou preconceito diante desta cena incomum.

    Abraços

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    1. Exatamente, meu modo de discordar é diferente =) Eu guardo pra mim ou quando for necessário numa discussão, não comunicando a minha discórdia em público ferindo a honra de pessoas.
      Passagem pesada neh? Quis dizer que passam pessoas de todos os tipos, por isso me inclui no meio na passagem. Quanto ao diamond mall, me sinto mal quando vou la... é muito chique pra mim kasopakspa
      abç

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    2. "Talvez o seu modo de discordar seja diferente do transeuntes da esquina da praça sete" é referente aos frequentadores do Diamond Mall e não a você N.B. Acho que houve um mal entendido.

      Abraços

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    3. opa! de fato tinha entendido errado
      desculpe a interpretação :O
      um abç!

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  20. Eu detesto demonstrações de afeto em público. Acho uma falta de respeito com quem está ao redor. Ninguém é obrigado a assistir casais se agarrando, se beijando ou quase se masturbando em público. Indepentemente da sexualidade, gay/het/bi, sou contra.
    Quer garrar o seu namorado, procure um quarto.

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  21. Lembrando, Thiago aí de cima, que DEMONSTRAÇÕES DE AFETO são diferentes de PEGAÇÃO, que foi oq vc descreveu, a meu ver... Andar de mãos dadas, abraços afetuosos, selinhos carinhosos, cherinhos no cangote, enfim, isso é demonstração de afeto!

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  22. Malvia, eu quis dizer demonstração exagerada de afeto.

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  23. Olá amigo, tentei adicioná-lo, mas por culpa do google não consegui.
    Belo blog, abç,

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  24. Ola!!
    Muito interessante os posts do teu blog, primeiramente!
    Realmente é bem complicado demonstrar afeto publicamente
    no caso de um casal gay!
    Acho que mais por medo da repreensão pública como tu falou
    ou mesmo da homofobia... que não é tão infrequente no nosso
    país!
    Eu já demostrei afeto em publico com ex namorados...mas sempre
    de forma discreta, e em regiões com menos pessoas!
    as pessoas que veem normalmente estranham, prendem o olhar
    mas normalmente não fazem nada... pelo o que eu vejo!
    acho natural que prenda o olhar, afinal é diferente...
    Acho que para mulheres é mais tranquilo, porque socialmente
    é mais aceito que troquem afetos uma com as outras!
    Infelizmente, temos que ter todo o cuidado!ainda é complicado!
    abraço

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  25. As pessoas são bem mais covardes em tomar alguma atitude ou falar o que lhes vêm à cabeça quando estão cara a cara com alguém do que quando estão protegidas dentro de casa despejando suas bobagens e preconceitos nos comentários. Por isso que, na maioria das vezes, a reação das pessoas vai ser apenas de olhar feio ou virar a cara quando encontrarem na rua algo que as desagrada. Dificilmente acontece algo mais intimidador.

    Mesmo assim, é uma situação incômoda perceber que se está sendo "não-verbalmente" condenado pelas pessoas à volta. Eu já tenho vergonha de ser notado por algo de bom, que dirá por algo tão mal visto assim?

    Mas só vejo uma solução pra isso: costume. Quando as pessoas ficarem acostumadas a verem isso no dia a dia, vão se importar menos. Ainda que muitas permaneçam contra a homossexualidade, só as pessoas mais indiscretas vão continuar com esse hábito chato.

    Será que isso implica que mais pessoas precisam sair do armário? Possivelmente. Ao mesmo tempo em que nos protegemos enquanto estamos escondidos, perdemos oportunidades de derrubar alguns estereótipos ou visões distorcidas sobre o que é ser gay.

    O mundo de hoje, felizmente, já é mais receptivo à diversidade sexual do que antigamente. Talvez precisemos dosar a nossa cautela e acrescentar um pouco de ousadia pra ver se conseguimos também fazer a nossa parte.

    Abraços.

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