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quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu problema


    Quando eu era adolescente, lá pelos meus catorze, quinze anos, lembro que tirei uma nota 3 em alguma das matérias do colégio. Provavelmente, Química ou Física. Naquela época, meus resquícios de garoto estudioso e nerd ficaram apenas para Português, Literatura e Redação. Com o desempenho escolar abaixo da média, em comparação a anos anteriores, fiquei muito preocupado, ao ponto de chorar. Não pelo boletim salpicado de tinta vermelha, mas sim pela singela advertência da minha mãe, durante a semana das provas: “Se você tirar nota baixa novamente vai levar uma surra”. No fundo, tratava-se mais de um jogo psicológico. Levei uns bons tapas quando era pequeno, mas nunca uma surra. Naquele tempo, do alto de minha inocência, lembro que pensei estar diante do maior problema da minha vida, sem solução. Não poderia estar mais enganado.

    Quando minha mãe “descobriu” que eu era gay, já tinha meus 20 anos. Foi na Quarta-feira de Cinzas de 2009. Ali, sim, eu entendi o que era um problema de verdade. Alguns meses antes, eu estava me apaixonando - de forma platônica - pela primeira vez por um menino. No máximo três pessoas sabiam dos reais sentimentos que se passavam dentro de mim. Havia dado o primeiro beijo em outro garoto (e não gostado da experiência). E tive um namoro de um mês com Rodrigo, no qual nos vimos somente duas vezes e nada passou de uns beijinhos. O resto de nossa “convivência” era pela internet, com direito a um fim dramático. Em seguida, veio o primeiro namorado oficial, que durou seis meses: Roberto.
    No começo, a vida dupla era divertida. Mentiras em cima de mentiras, álibis, amigas que acobertavam a situação, meninos com nomes trocados para parecerem meninas. Um James Bond frio e calculista. Não demorou para eu começar a me odiar por estar enganando o mundo daquela forma. Até que eu decidi que era, na verdade, culpa do próprio mundo, por não aceitar nem compreender a diversidade sexual. Senti vontade de mudar isso. Comecei a ler, fazer pesquisas pela internet, procurar livros, conversar com outros homossexuais ou bissexuais. Eu queria contar tudo para meus pais, que juravam que eu namorava a Alice, minha melhor amiga até hoje. Eles tinham motivos. Nos víamos com frequência e, quando eu não estava com ela, dizia que estava. Bonita, simpática, inteligente... seria a primeira namorada do filho mais velho.  
    Meu pai sempre foi mais calmo e brincalhão. Mamãe, muito guerreira e com gênio forte. Mulher braba. Os dois passaram fome na infância. Ele morava em uma cidade no interior de Minas Gerais. Ela, no interior de Pernambuco. Com apenas o ensino médio, jamais pisaram em uma faculdade. Tinham origens humildes, mas honestidade e perseverança para vencerem na vida. O destino os uniu em Recife. Juntos, superaram dificuldades e tiveram dois filhos, um casal. Eu e minha irmã fomos muito amados e mimados. Estudamos em um dos melhores colégios da cidade e tivemos tudo o que faltou a nossos pais. Sei que eles jamais vão ler isso, mas são meu orgulho e lamento muito não ter coragem de dizer isso na frente deles.
    Eu queria contar e tentei inúmeras vezes, mas não consegui. Numa delas comecei a insinuar que tinha uma revelação a fazer e era sobre vida amorosa. Meio de brincadeira, meio séria, minha mãe soltou: “Eita, não vai me dizer que é bicha não, né?”. Em vez de entrar na brincadeira, devolvi sério: “Será? Amanhã conversamos melhor sobre isso”. Ela sentiu algo. Começou a tremer e perder força nas pernas. Tudo aconteceu no meu quarto e ela foi sentando no chão e ao mesmo tempo caindo, apoiada somente pela parede. “Meu filho, você não é homossexual não, né? Pelo amor de Deus, diga que não é isso”. Na mesma hora, eu me arrependi do que fiz e contei uma mentira. Olhei nos olhos dela, segurei suas mãos e jurei que não. A “verdade” era que eu estava começando a namorar Alice. Sim, sobrou para ela. Afinal, amizade é para essas coisas, mesmo. Só que minha irmã não engoliu minhas lorotas.


(Continua...)

***

Pessoal, tentei ser resumido, mas não dá. 
Ainda tem muitos outros temas que quero explorar melhor, como autoaceitação, primeira paixão, primeiro beijo, namoro pela internet, etc. Desde o começo eu sabia que precisaria deixar muita coisa para depois. Mesmo assim, minha ideia inicial era contar como minha família descobriu e passou a lidar com minha sexualidade em um único post. 
Estou sentindo que é impossível, a menos que eu escreva um tratado aqui. Como trabalho com comunicação, entendo que isso não dá certo na internet. Acho melhor concluir essa história com mais um ou, no máximo, dois posts, com este mesmo tamanho. Também gostaria da opinião de vocês sobre esse formato. Só não quero tornar o blog cansativo.

Abraços,
Lucas

60 comentários:

  1. Lucas, fiz cara feia com sua entrada no blog, mas estou surpreso. O texto é excelente! Me faz lembrar que, aos vinte e cinco anos, tento ensaiar uma conversa com minha mãe. Me dói muito pensar nisso.
    Enfim, como estou acostumado a ler longos textos por longas muitas horas não me incomodo com post do tipo "tratado". Mas, como vc disse, não sei se na internet funciona. Continue assim e acredito que é o bastante. Estou ansioso para ler o próximo. Parabéns!

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    1. Eu sei o que você sente. Chega uma hora que você começa a se corroer por dentro. De um lado, ataca o medo e a insegurança da rejeição. Do outro, ataca a própria consciência, dizendo que você esconde quem você é da sua própria mãe.

      Olha, tirando pela minha experiência e pela experiência de muitos amigos meus, percebi como essa reação dos pais é extremamente subjetiva.

      Eu acredito, por exemplo, que um adulto que tenha concluído o Ensino Superior será mais instruído. Entretanto, conheço dois casos de meninas que foram expulsas de casa. Depois, as coisas se acalmaram, elas voltaram e está tudo realmente bem. Por outro lado, já tive um ex (que me traiu - ainda escreverei sobre isso) e a família é do interior. Com duas semanas, fez mais avanços do que eu em dois anos.

      Então, levando em conta que você não tem como prever a reação deles, reflita sobre essas perguntas:

      1) Você está de bem consigo mesmo e bem resolvido, quanto aos seus sentimentos?

      2) Você ama seus pais ou vive em uma relação de ódio com eles?

      3) Existe chance deles agredirem você fisicamente? Ainda que não dê para prever reações, você tem uma noção se eles seriam capazes

      Se as respostas forem felizes, acho que você tem condições de contar, é questão de criar coragem. Uma coisa é certa: é um peso ENORME que você tira das costas.

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  2. GUS - RECIFE

    Fala Lucas!
    Bem... eu também sou um que estou nessa de ensaiar uma conversa com meus pais, aos 24.
    Na verdade... eu não tenho muita certeza se quero contar pra eles.
    Contei à minha irmã esse ano e foi muito mais tranquilo do que eu imaginei...
    Quanto ao tamanho dos post, eu também não me incomodo se forem longos e bem escritos... mas acho que na internet as pessaos fazem muitas coisas ao memso tempo, então, se forem mais curtos - mesmo que distribuídos em alguns posts, pode ser mais interessante!
    Voltarei pra ver a continuação, hein!

    Ah..de repente, que tal arrumar uma forma de assinar seus textos visualmente?!?! O tipo das fotos, ou sei lá o que....
    Sorte!

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    1. Gus, sobre os posts, devo concluir com mais dois este "episódio" da minha vida. Quanto à assinatura, eu conversei com o N.B. e ele está me deixando solto para escolher as imagens.

      Se você observar, são bem diferentes do restante do blog. Elas são pedacinhos de mim em vários sentidos. Não garanto que vá continuar seguindo isso, mas te digo que não quero me apegar a nenhum formato rígido.

      Sobre sua irmã, espero que não aconteça o mesmo que aconteceu comigo. Talvez você fique meio cismado com a continuação da história, mas também não sei como é a relação de vocês.

      Um abraço recifense!

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    2. GUS e Lucas, essa história de ensaiar uma conversa é terrível! Espero que sejamos felizes nesse quesito.

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    3. Como é a cabeça deles? Você acha que desconfiam ou que nem fazem ideia?

      Se você contasse, como você imagina que seria?

      Vocês têm uma convivência boa em casa?

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    4. Acredito que desconfiem, pois, fico rejeitando todas as propostas de namoro que me arrumam. Já tive uma crise existencial uma vez e minha mãe presenciou meu desespero. Ela me interrogou sobre o que eu estava sentindo e eu apenas disse que não queria decepcioná-la. Fiquei muito mal e ela disse que estava comigo em todos os momentos. Há um pouco mais de dois anos que tenho um relacionamento estável e essa pessoa frequenta minha casa na condição de amigo. Acredito que boa parte das pessoas saibam, mas preferem fingir (talvez seja menos doloroso). Existe uma diferença entre desconfiar e ter certeza, quando se tem certeza o sofrimento é maior.
      Enfim, fico nesse dilema...

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    5. GUS- RECIFE



      Lucas,

      A minha relação com minha irmã é ótima, de parceria mesmo. Talvez por isso, tudo tenha acontecido muito naturalmente!
      Com meus pais eu ainda não sei como seria... Talvez meu pai aceitasse mais racionalmente e minha mãe fizesse mais drama...

      Ficarei na espera da continuação da sua história.

      Agora, minha maior preocupação, ou seja lá como se nomeia, é encontrar um companheiro.

      Enfim...Por enquanto, eu tô vivendo. Quem for descobrindo, descobriu. Se me perguntarem eu não afirmo, nem discordarei...

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    6. Curioso que geralmente se tem a ideia do senso comum que a mãe vai acolher e o pai vai ficar furioso.

      Aqui em casa, sempre achei o meu pai o mais tranquilo. Ou melhor, o menos problemático com relação a isso.

      Quanto ao paquera, uma hora aparece!

      :-)

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  3. Parabéns Lucas! Gostei muito do post e apoio a ideia dos textos curtos, apesar de não ter nenhum problema com textos mais longos. Sabia que sua participação no blog traria bons frutos! Espero a continuação ansiosamente! Abraços, Max.

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    1. Você não tem ideia do quanto eu fico feliz quando alguém elogia um texto meu. Escrever é minha vida. Um abraço!

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  4. Obviamente ninguem precisa pensar como eu.


    Mas eu acredito que o preconceito origina-se do ódio do que é diferente. E este pode ser expontaneo ou "herdado" das lavagens cerebrais feitas por outros.

    Acredito também que a tentativa de entender o que é diferente e dedicar-se a procurar uma maneira de conviver origina-se da compaixão, do desejo de ver todos bem.


    Acredito que se o mundo é mais preconceituoso é porque escolhe se apegar ao ódio. Escolhe não pensar. Escolhe ignorar a habilidade especial de pensar e agir como um robô.

    E se alguem, indivíduo ou coletividade, escolheu criar problemas absurdos por causa de detalhes que deveriam ser irrelevantes sobre a essencia de uma pessoa, não merece consideração.

    Que espécie de realidade é essa, onde alguem é tratado como inferior apenas por ser o que é, naturalmente?

    E pior, além disso deve sentir-se culpado por não se abrir exatamente com seus perseguidores?


    Esse é o mecanismo de controle mais perverso já criado: A presunção de que alguem merece honestidade quando não pode oferecer sensatez e compreensão em troca.


    Então, caro Lucas, "James bond frio e calculista" não é má idéia. Não é mesmo!


    Aqueles que não puderem ter apoio dos supostos "entes queridos" devem cuidar de si mesmos. E encontrar, no mundo, os que serão os verdadeiros entes queridos. Aqueles que não julgam sem motivo. A verdadeira familia.

    Acredito que temos dois tipos de pessoas intolerantes. Aqueles que tem o potencial para pensar, refletir e rejeitar os valores que geram sofrimento e aqueles que morrerão viciados nesses valores.

    Com os primeiros, vale a pena gastar tempo e energia na construção de boas relações. Já os restantes, não valem o esforço e não merecem honestidade. Afinal, não podem oferecer sensatez e compreensão.


    Desculpe usar o seu espaço para um desabafo. Mas seu texto me levou a um estado reflexivo.

    E eu realmente acredito que perdemos tempo e sofremos demais estando em duvidas sobre a dignidade de nossas estratégias.

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    1. Concordo com o que você falou sobre as razões para o preconceito e como funciona a compaixão, mas tenho uma ressalva: não necessariamente (em minha opinião) o preconceito anda de mãos dadas com o ódio.

      O nome já diz, é a atitude de pré julgar alguém. Veja o caso de quem possui Síndrome de Down. Certas pessoas podem até querer o bem ou sentir pena, mas enxergam os portadores da síndrome como se fossem incapazes de qualquer coisa. Não existe ódio, mas existe preconceito aí.

      Sobre o restante do que você disso, concordo com tudo, sobretudo com isto daqui:

      ***

      "Acredito que temos dois tipos de pessoas intolerantes. Aqueles que tem o potencial para pensar, refletir e rejeitar os valores que geram sofrimento e aqueles que morrerão viciados nesses valores.

      Com os primeiros, vale a pena gastar tempo e energia na construção de boas relações. Já os restantes, não valem o esforço e não merecem honestidade. Afinal, não podem oferecer sensatez e compreensão"

      ***

      Como seres humanos, somos pessoas muito complexas (para não falar complicadas). Às vezes, você consegue distinguir bem esses dois grupos acima.

      Mas em alguns casos, existe um grande abismo de incerteza entre uma ponta e outra. Tem pessoas que fazem você preencher esse vazio com algo chamado esperança.

      Ninguém é uma ilha. Precisamos dos outros. Como você falou, tem pessoas que não valem a pena. Mas por outras, a gente luta para mostrar que as diferenças são bem menores que as semelhanças.

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    2. Concordo, Lucas!

      Meu texto focava nos intolerantes que praticam ações de represália aos diferentes. Mas voce fez bem em fazer a ressalva!


      Quanto ao abismo de incerteza, creio não ser tão difícil de encurta-lo.

      Sabemos se certa pessoa pode refletir e mudar de perspectiva de acordo com seu histórico.

      Observando ao longo dos anos se as reações da pessoa são moderadas ou extremistas. Se a pessoa aceita pensar no que o outro diz ou reage sempre com exaltações e grosseria.

      Não é tão dificil assim, pelo menos de maneira geral.

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    3. Eu concordo que tem muitas pessoas que em poucos minutos você percebe que jamais deveria contar.

      Agora tem muitas outras que eu não tenho certezas, apenas dúvidas. Acho que vale dar um voto de confiança. Muitos amigos e colegas que eu tinha dúvidas honraram a amizade e o respeito que tinham por mim.

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  5. Hm...
    Você tem um jeito bem fofo de escrever.
    Vou esperar a continuação.

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    1. Obrigado, mas tudo depende da situação.

      "A mão que afaga é a mesma que apedreja".

      Pode ser verdade, às vezes, hehehe.

      Um abraço!

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    2. oh.... eu tbm gosto de Augusto dos Anjos. rs

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    3. Eu conheço pouco. Dos poetas, meu favoritismo vai para Drummond e Bandeira.

      Um abraço!

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  6. Quando me descobri, passei por turbulações que eu mesmo tinha inventado. Achei que minha mãe ia me colocar pra fora, que ela e o meu pai iriam se separar, que ela ia pegar uma depressão. Acabou que quem pegou a depressão fui eu, e aos 11 ano, mais ou menos. Com 12 contei á minha mãe e ao meu pai e nunca vi aceitação mais tranquila que aquela. Claro que jogaram o papinho de que seria uma "fase", mas sempre converso abertamente com eles quanto á isso. Hoje estou com 14 e vivo numa relação de total intimidade minha + meus pais. Sabem com quem saio, quem eu odeio, quem amo... rs Se brincar, o único problema que encontrei é que, ás vezes, parece que o sexo na relação homossexual sobressai o sentimento, algo assim. Espero mesmo que não sejam todos, pois não quero viver sozinho até estar pronto para sexo. Esse era um tema que eu queria que ou você, Lucas, ou o N.B discutissem... "E quando se é mais sentimental que sexual?". Sei que caso não exista um equilíbrio, algum dos lados se sentirá indesejado, mas não creio que, quando exista amor, sexo seja tão necessário... Talvez eu mude de percepção, estou tentando mudar isso, mas adoraria ver seus pontos de vista. Adoro textinhos longos, Lucas, mas faça do modo que te agrade mais. rs x) Bons ventos, pessoal.

    Sanxxx aqui.

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    1. Sanxxx,

      Se um dia, bem longe, lá no futuro distante, eu vir a ter filhos, vou morrer de orgulho se eles escreverem bem aos 14 anos como você.

      Que bom que as coisas na sua casa aconteceram de forma mais harmoniosa e espero que continue tudo bem. Seus pais já conheceram algum pretendente ou namorado pessoalmente? Que tipo de pergunta eles fazem?

      Sobre a questão do sexo sobressair o sentimento, eu discordo de quem coloca isso como regra. Existem pessoas e pessoas.

      Homens costumam adorar (beeeem muito) sexo. Isso independe da sexualidade. Mas vão ter aqueles que também possuem um lado carinhoso grande e saberão te respeitar. Escolha direitinho, mas saiba que a procura não é fácil para ninguém!

      De antemão, te digo que já fui para um motel, passei três horas lá com um menino e nós dois só tiramos o tênis e a meia. Ficamos rindo de besteiras e rolou até uma brincadeira de associar capitais e estados.

      Alice até hoje ri de mim e lembra disso, afinal ela conhece toda a minha história. Mas foi opção nossa e foi muito bom. Foi durante o "namoro" que eu falei que durou um mês e rolou mais pela internet.

      Prometo que ainda farei um post mais centrado nisso.

      Se cuida!

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    2. Uau, Lucas. Ganhei minha noite (adoooro elogios). Acho que tive de amadurecer um pouco antes dos demais... Como te falei, a conturbação que sofri me deixou louco ao ponto de tentar suicídio que por sorte falhou, mas que foi o ponto chave para minha aceitação. Foi nesse período que desabafei tudo com os meus pais, apesar de não me lembrar de nada do que aconteceu após os remédios. Me lembro de ir cambaleando pra escola rs Antes de tudo eu era o carinha que odiava gays.
      Me lembro que após o episódio dos remédios e eu já estar total consciente, minha mãe falou assim:
      "Meu filho ficou falando cada coisa besta."
      - Tipo o quê?
      "Dizendo que *careta* era gay."
      - "Mas isso é verdade, gata."
      "Isso é uma fase."
      - Eu sei que não.

      Sempre nossas conversas são sobres rapazes que são homossexuais, e que são de boa índole. O unico namorado que os apresentei, foi o Tiago, que tinha 24 anos. Minha mãe não gostou nada da história... Bem, era o que aparentava. Foram tantas perguntas irritantes, que eu des-menti, dizendo que ele não era namorado, era só um ficante, que eu sou novo demais pra namoro e que era só um "teste". O bom é que ela acreditou rs
      Foi justamente com o Tiago que me surgiu na cabeça o que me confunde e pertuba hoje... Isso sobre o sexo.

      Nunca tive muitos namorados justamente pela idade. Ninguém põe fé em alguém de 14 anos rs. Fora que quando encontro alguém interessante, ela mora em Nárnia. Moro na Paraíba, os gays daqui somente servem pra sexo. Claro que não estou generalizando, mas as relações são de menos importância, muito menos. Fora os que namoram mulheres para a sociedade, e que já vieram dar em cima de mim. Me deixei levar por um, quase fui estuprado. KKK
      Tudo aqui é assim: "É gay, seja, mas não conte pra ninguém." Ninguém parece entender como dói sentir amor e não poder demonstrar a ninguém.

      E sim, irei cobrar a discurssão sobre "sexo sobressaindo sentimentos". rs

      Sanxxx.

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    3. Tenho a teoria de que Tiagos costumam serem safadinhos :-P

      Cuidado com suas escolhas e com isso de gente muito mais velha, sério mesmo. Se dê o respeito e pense bem antes de paquerar alguém, até porque eu senti que você (até pela idade) procura sentimento e não sexo.

      E nisso aqui eu entendo perfeitamente você, porque é assim aqui em casa:

      ***

      Tudo aqui é assim: "É gay, seja, mas não conte pra ninguém." Ninguém parece entender como dói sentir amor e não poder demonstrar a ninguém.

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  7. Lucas, vc é esperto... Conquistou a galera pela curiosidade! hehehehe
    Ficou ótimo o começo da tua história sobre revelação... Continue assim!

    @N.B.
    Assisti ao vídeo no youtube que vc falou e estou preparando um texto, mas já tenho outro assunto em mente, ok? Vou falar sobre os 2... Xêro!

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  8. Ainda bem que até agora vocês gostaram. Eu fico ansioso, acordo de madrugada para ver os comentários, dou uma olhadinha pelo celular...

    Abraços!

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  9. oi lucas obrigdo por nos dedicar um pouco do seu tempo e de suas experiencias...
    realmente a vida naum he tao bela quanto nos filmes, livros e na nossa mente!enfim
    gostei muito do seu texto...mas 1 vez OBRIGADO!
    PS: SUGESTAO DE POST:DICAS FILMES COM A TEMATICA GAY.( PORNO NAUM... FILME NORMAL COM A TEMATICA GAY...O Q VC ACHA?)
    ATE A PROCIMA!!!

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    1. Edsom, não conheço muito de filmes com temática gay, então não me aventuraria a escrever sobre isso. Também não sei se o N.B. é ligado nisso =/

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    2. eu indiquei uma vez o 'transamerica' aqui no blog. É meio triste e fala de uma transexual. Também é o único que me agradou até hoje com temática nao heterossexual.
      http://www.youtube.com/watch?v=4a7HXgYou-8

      Estou prestes a assistir um que chama 'beginners', é sobre um cara que o pai , ja muito velho, faz dois anuncios pra ele: que ele tem cancer terminal e que é gay. Ainda não sei se a que ponto a história lida com a vida gay do pai, só assistindo pra ver rsrs
      Se alguém já viu, diga o que achou do filme =)
      http://www.youtube.com/watch?v=DFM3AE64bgw&feature=fvst

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    3. Transamerica é bom mesmo.
      Já viu A single Man?
      Filmaço.

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    4. Ohhh, a single man, com o colin firth. é bom tb.
      assisti esse beginners antes de ontem.
      Entrou no meu top 10 ever. Vou ter que fazer um texto sobre ele rsrs

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  10. eu adorei
    de verdade
    um dos seus melhores textos...

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    1. Não entendi muito a última frase... foi meu segundo texto aqui no blog. Era para mim mesmo ou você me confundiu com o N.B.?

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  11. Parabéns eu gostei e fica aqui o convite se quiserem dar uma olhadinha no meu blog lá também tem muitas experiencias reais vivida por mim já visualizado por mais de 30 países UM EX EX GAY CONTA TUDO DESDE 5 ANOS DE IDADE beleza pessoa mais uma fez lindo sou fã do bLOg aqui acho que essa mudança vai abalçar geral o ArmáriO .
    ggatomachoblogspot.com

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  12. Lucas, coloque seu nome no início dos seus posts, pois é meio frustrante começar a ler sem saber quem é o autor.

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    1. É que geralmente se assina embaixo e eu acho que o texto e o conteúdo (a situação, a história) são mais importantes do que um rosto. Sabe V de Vingança? Tem muito disso.

      Particularmente, eu não queria assinar no início, até porque acho que dá para perceber quando é o N.B. ou eu. Mas o blog é dele e do público leitor. Se ele também achar melhor ou se mais leitores preferirem assim, eu vou pelo sentimento de vocês.

      Um abraço!

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    2. Um abraço, é que só depois de umas 5 frases eu percebo de quem se trata, e eu imagino que isso possa vir a causar confusão... mas vamos ver ^^

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    3. É uma questão a ser pensada! Discutirei com o Lucas pra ver como podemos resolver isso.
      abç

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  13. Cara, parabéns pelo texto, me identifiquei bastante com a sua história e a da sua família.

    Abraço!
    Artur

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    1. Obrigado, continue acompanhando.

      O próximo post vai ter um tom mais triste por conta do que aconteceu

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  14. Eu adoro este blog sou mega fã e tem-me ajudado imenso. Moro em Portugal por isso ás vezes há coisas que vocês falam que no meu país não existe e ainda bem. Mesmo assim as coisas não são mais fáceis cá o preconceito é o mesmo. Os meus pais não sabem que sou gay e não sei como vão reagir mas espero que seja melhor do que eu imagino. Estou apaixonado por um rapaz da minha escola (curiosamente brasileiro) e ás vezes torna-se difícil falar com ele sem dar nas vistas.Desculpem estar a desabafar aqui mas é o único sitio que tenho

    Lucas eu sei que és novo aqui no blog por isso eu queria te dar os parabéns pelos texto e gostava mesmo que explorasses os temas que mencionaste (primeiro beijo, namoro platónico etc) temas que eu acho bastante interessante

    Miguel

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    1. Miguel, que honra ter um leitor (e amigo) de Portugal por aqui, comentando meu texto.

      Infelizmente, o preconceito é universal. Você tem quantos anos? O rapaz da sua escola retribui os sentimentos?

      Obrigado pelos parabéns e pretendo contar esse episódio da descoberta na minha casa para começar a analisar um pouco o que aconteceu. Quero entrar nesses temas sim e em muitos outros.

      Abraços e se cuida!

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  15. Oi Lucas! Parabéns pelo texto. É envolvente, é gostoso de ler. Ao contrário de muitos, desde o começo, achei muito válida a posição do N.B. em ter você no "time" dele. Estou aqui, claro, aguardando a continuação disso! Abração!

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    1. Obrigado pelo voto de confiança, Vinícius (acho esse nome lindo). Espero continuar agradando e, principalmente, ajudando vocês com minhas histórias.

      Abração ^^

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  16. Muito bacana! Achei o post muito gostoso de se ler, como disse o Vinicius. Me surpreendeu mesmo.
    Também me identifiquei muito com a relação na sua família. Há uns 2 anos, não sei como, comecei a falar com a minha mãe de assuntos amorosos e acabei por fim contando a ela, foi extremamente angustiante ver a sua reação, claro que não esperava algo muito diferente e também não estava nem um pouco preparado pra isso, eu tinha 14/15 anos. Meus pais também são muito humildes, meus avós eram muito pobres mas sempre muito batalhadores. Mas eles não tem culpa claro, não é fácil compreender pois nunca tiveram acesso a tudo isso, então ficamos numa situação neutra hoje.
    Abraços, parabéns e boa sorte!

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    1. Japa, é sempre um momento muito delicado. Mas se não houver o risco de uma reação extrema, como agressão física ou expulsão de casa, acho que vale a pena contar (embora é muito difícil tomar coragem para isso).

      É um peso enorme que você tira de você. Hoje, felizmente, a pior fase passou. Mas só eu sei como sofri. É uma dor que não para, você sentir ser rejeitado e tratado como um doente pela própria família.

      Abraços!

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  17. Marcelo - RJ

    Gostei do seu post... fiquei ansioso pala continuação... essas histórias sobre a aceitação dos pais são realmente complicadas e subjetivas!

    Eu pei para vc falar sobre bissexualismo pelo fato de algusn gays não aceitaem isso, acham que só se pode se rum o outro! Não concordo, pois sempre fiquei com mulheres e um dia resolvi ficar com um homem para ver qual é e dps disso cheguei a conclusão que bissexualismo existe!

    Quero casar com uma mulher, ter filhos e tal, mas enquanto esse dia não chega pq não ficar com meninos, acho que atração acima de tudo não é exclusivamente definir sua opção sexual. Entende?! Ou to enrolando as coisas! rsrs

    Tem algum meio de entrar em contato com vc?! Pq com o N.B desisti! rsrs

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    1. Não sou assim, mas entendo você!

      Ainda quero escrever sobre isso, mas é que teria que ser algo a parte e fora do episódio, porque não tem conexão com os temas que entram nessa minha história da revelação aos pais.

      Mas não estou esquecido de você, Marcelo.

      Sobre a forma de contato, eu estava esquecido... criei um e-mail fake (acabei não resistindo à ideia) para poder responder os comentários e falar melhor com vocês.

      É lucas.armariobh@gmail.com

      Agora olha, assim como o N.B., não sei se vai ser muito fácil me encontrar online. Geralmente eu trabalho à tarde, mas minha carga horária muda várias vezes ao longo da semana. À noite, costumo sair para ver meu namorado ou fazer alguma coisa com os amigos.

      De qualquer forma, vamos tentar.

      Um abraço :-)

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    2. Blz cara, assim que der te mando um email!

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    3. Te add também, qdo vc vir o convite de "vanzinho310881@hotmail.com", não se assuste, sou eu! ^.^

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  18. eu não tenho coragem de me assumir perante a minha família. é triste isso, mas eu não quero me rotular, não sou nem assumido para meus amigos! Eu não quero ter de falar, não quero que as pessoas perguntem, quero que apenas seja, e respeitem. pena não ser fácil assim...

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    1. Acho que viver isolado aumenta nosso sofrimento, Rei do Drama. Por mais que seja difícil encontrar forças e coragem não só para o momento da revelação, mas também para o futuro, acho que é algo que precisa ser feito uma hora.

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  19. Bom,tem certas coisas que realmente nos fazem acreditar em acaso,sorte ou coisa e tal...Mas essa introdução foi para dizer que você não imagina o quanto esse texto me ajudou(ainda que eu espero continuação). Tenho 18 anos e exatamente ontem,ao anoitecer,contei para minha mãe sobre minha sexualidade. Há um tempo que eu desenrolava esses tipos de assuntos pra poder de fato chegar na conclusão,a reação(como já esperada)não foi muito boa.Minha mãe chorou,disse que eu terminasse minha faculdade e que me mandasse...( Uma curiosidade é que também faço engenharia assim como o N.b,me acho estranho na minha turma,tenho uma visão antiga de que gays não fazem engenharia,e eu estou no caminho errado,mas vejo que não é bem assim,pelo fato de eu querer seguir isso)Tenho muito medo do que vem pela frente,minha mãe já não deixava eu "viver" muito bem,ela me prende muito e acha que o motivo dessa minha orientação é influência,pelo fato dela ver que tenho amigos gays.
    Eu sempre achei que minha mãe já soubesse,mas ela tem muito orgulho de mim,na verdade,tinha né? Foi isso que ela disse,e que eu também sempre soube que escutaria...
    Hoje estou em um relacionamento muito complicado,pelo fato de meu ficante(ainda não somos namorados) ter uma condição muito humilde,apesar de ser muito esforçado,e ele também é jovem.Não sei se posso o mudar,mas quero muito que ele pense em crescer...
    Bom estou sendo muito longo e perdido em minhas palavras,mas antes que esqueça,quero parabenizar pelo post,e aguardo uma resposta,da mesma forma que tb quero vim aqui e continuar como vai ficar minha situação...
    Um abraço! P.S: meu nome também é Vinícius ;P

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    1. Um amigo meu passou em engenharia numa federal e desistiu depois de um mês, fui ficar sabendo depois, ele fez isso pq se achava inseguro, por ser gay.

      Porque você também pensa assim?! Eu simplesmente não consigo entender. Gay deve fazer o que, então? E o que que ser gay tem a ver com trabalho? Cara, abre sua mente... isso não faz sentido nem é visão antiga, sei lá o que é...

      Mas as coisas sempre são piores no começo, foi assim comigo. Minha mãe quase releva o fato de eu estar namorando, hoje em dia...

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  20. Hum,valeu! Mas eu estou realmente mudando esses conceitos. Vou continuar do mesmo jeito.

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    1. Acho Vinícius um nome super bonito :-)

      Olha, esse momento inicial é muito complicado, mas eu acredito que as coisas melhoram. Vou torcer muito para você.

      Sua história é parecida demais com a minha.

      Querendo conversar, meu gmail é lucas.armariobh@gmail.com.

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  21. A sua irmã desconfiou mas ela é do tipo que vai lidar bem com isso?

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    1. Se o nível de aceitação dela fosse um gráfico, eu diria que funcionou como uma montanha russa. Começamos subindo, depois despencou e agora voltou a subir.

      Espero não encontrar um "looping" no meio do caminho, mas atualmente as coisas estão bem quanto a ela.

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  22. Mulher braba (mãe, especialmente) em Recife é tão comum que chega a ser clichê xD

    Minha mãe é dura na queda. Ela quem sempre "chefiou" a família. Mas a cabeça dela é infinitamente mais aberta que a do meu pai, então certamente meu problema maior não seria com ela. Aliás, meu tio, que é irmão dela, também é gay e eles se dão razoavelmente bem (só não se dão melhor porque meu tio é muito "arengueiro", sempre arruma briga com alguém).

    Em todo caso, eu acho que essa questão de contar ou não aos pais varia muito de pessoa pra pessoa. Eu tenho uma relação muito próxima com a minha mãe e meu irmão e essa ideia vai e volta à minha cabeça. É mais pelo medo disso ser descoberto de maneira errada (uma foto mal escondida [ou deste blog enquanto leio xD], alguém próximo me encontrando na rua com uma pessoa "suspeita", etc.) do que pela necessidade de compartilhar. Às vezes é também pela vontade de mostrar que gays são pessoas "normais" como qualquer outra e isso pode "acontecer" em qualquer família. São, aliás, os mesmos motivos pelos quais ainda não me decidi em me abrir com meus amigos (que são todos héteros).

    Acho que todo mundo, mais cedo ou mais tarde, cansa da vida dupla. Ou pior, ela se torna uma rede tão complicada de mentiras que acaba-se perdendo o controle. Tenho para mim que quando a descoberta da própria homossexualidade acontece na infância ou na adolescência, as coisas têm mais chances de ser problemáticas. A pessoa é um potencial refém dos "bullies" na escola e refém da maneira de educar dos seus pais. Quando se é mais adulto, existe uma escapatória pela independência que naturalmente ocorre (melhor ainda se acompanhada de independência financeira parcial ou total) e pelo "bullying" que praticamente desaparece (apesar de não sumirem os comentários pelas costas ou mal disfarçados). Mas a natureza (= nosso corpo + nossa cabeça) tem seus próprios planos e nem sempre isso acontece no melhor momento...

    Sobre contar ou não e a quem, vale o bom senso. Não compartilho em mesmo grau de profundidade com todos os meus amigos. Alguns são só pra falar de interesses em comum, tipo livros, ciência, jogos, filmes etc. Alguns eu sinto que aceitariam numa boa, já outros eu não tenho essa certeza. Pra estes a gente não precisa se abrir. Deixa que a vida se encarrega disso. Nós devemos é nos cercarmos de pessoas que nos apoiem. Gente para nos ignorar ou apedrejar já tem aos montes.

    Abraços.

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