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terça-feira, 27 de março de 2012

Finalmente, eu mesmo


    O dia em que sua vida muda de cabeça para baixo começa como outro qualquer. Nada de presságios ou pressentimentos. Tampouco, sinais de Deus, do além ou de qualquer outra coisa em que você acredite. Não existe frio na espinha ou aviso prévio. Nem mesmo um quê de poesia, como um nascer do sol diferente ou algo de estranho na brisa da manhã. Você simplesmente acorda e segue em frente, no piloto automático, sem imaginar que, de repente, nada mais será como antes. 

    Em retrospecto, olhando para as lembranças daquela Quarta-feira de Cinzas, parece-me injusto como o destino pode ser implacável. Até hoje, parte de mim guarda uma pontinha de medo de receber alguma notícia inesperada. Ao mesmo tempo, talvez seja a dúvida o que nos move a viver cada dia como se fosse único. Acho que todos temos muito o que aprender.
    Minha primeira tentativa de revelar meus sentimentos à minha família não deu muito certo. Mamãe quase desmaiou e meu pai ficou com vergonha e reclamou com ela. Isso era coisa que se fizesse com o filho? Desconfiar da sexualidade dele, que horrível! 
    Acabei mentindo e dizendo que comecei a namorar Alice, minha melhor amiga. No dia seguinte, quando meus pais não estavam em casa, Juliana, minha única irmã, perguntou sobre o que tinha acontecido, pois ouviu a conversa e percebeu o clima tenso da noite anterior. Reuni toda a coragem que sobrou dentro de mim e a chamei para meu quarto. Sentados na minha cama, respirei fundo e comecei a falar:
    - Sei que você sabe que a história que eu contei ontem não é verdade. Você já saiu comigo e Alice várias vezes e sabe que nós somos apenas amigos.
    - Eu sabia que não era verdade, mas não entendi por que você falou aquilo - ela respondeu.
    - Às vezes, eu sinto muita falta de ser um irmão mais próximo. Sei que eu me isolo, converso pouco e queria ter um convívio melhor. E eu acho que você sabe o motivo disso.
    As lágrimas começaram a brotar dos olhos dela. Senti um desespero enorme tomando conta da minha irmã. Eu também estava nervoso, mas precisava dar o primeiro passo e não voltaria atrás novamente.
    - Nunca tive namorada, nunca apareci com nenhuma menina e nem fico falando de mulher. De todos os primos, eu sempre fui o diferente. Sei que isso vai ser muito difícil para você e para nossos pais, eu li e pesquisei muito. Sei o que vocês vão pensar e o que vão achar. Mas a verdade é que eu sou gay e tenho um namorado. Gostaria muito de ter falado isso antes.
    Juliana caiu no choro e me abraçou. Disse que era minha irmã e ia me amar custe o que custasse. Mas também disse que papai e mamãe iriam sofrer muito quando soubessem, porque até para ela foi uma surpresa. 
    Pelas próximas duas semanas, as coisas aparentemente se resolveriam. Falei o que eu sentia quando adolescente pelos garotos do colégio e do cursinho de inglês. Expliquei os relacionamentos que eu tive e falei minhas ideias sobre homossexualidade. Por estudar Arquitetura, ela tinha amigos e amigas que se relacionavam com pessoas do mesmo sexo.
    Chegamos a ir juntos com Roberto, meu namorado à época, para uma boate GLS muito conhecida em Recife, a Metrópole. Até nos beijamos na frente de minha irmã, que pediu para eu não ter vergonha e chegou a declarar que estava “preparada” para aquilo. Na volta para casa, perguntei sobre as impressões dela e ouvi, como resposta, que a boate era muito legal e ela gostaria de voltar novamente, mas que Roberto era um pouco estranho, embora parecesse ser boa pessoa.
    “Estranho” era um eufemismo muito delicado. Este é um dos raríssimos assuntos que se tornou um tabu para mim no que diz respeito à vida amorosa. Conheci Roberto pela internet e, no primeiro encontro, no cinema, as diferenças começaram a surgir. Ele vinha de uma família muito humilde e, mesmo três anos mais velho que eu, sequer tinha concluído o ensino médio. Vaidoso, gostava de tingir o cabelo com um preto bem escuro e deixá-lo espetado. Falava gírias gays, adorava sair para baladas bancadas pelos amigos e era afeminado. Seu futuro profissional era colocado em segundo, terceiro ou quarto plano.
    Mas, a despeito de tudo isso, tinha um bom coração e não existia maldade nele. Desde criança, cresci aprendendo a escolher as pessoas que fariam parte da minha vida pelo seu interior e não pelas aparências. Ainda com essa visão mais romântica do mundo, abri minha cabeça e procurei me despir de qualquer tipo de preconceito. Quis acreditar que, juntos, poderíamos transformar um ao outro em indivíduos melhores. Somado a isso, havia em mim uma necessidade urgente de ser amado e ter alguém.
    Durou seis meses que não foram fáceis nem para mim, nem para ele. No fim das contas, pedi para acabar. Talvez seja feio dizer isso, mas nosso namoro foi um erro. Amadurecemos muito e devo admitir que ele aguentou um período da minha vida bastante conturbado com a descoberta da minha sexualidade pelos meus pais. Só que não deveríamos nem ter começado. 
    Quando penso nisso, lembro de meninas adolescentes, que costumam se apaixonar por um cara doidão que vira o primeiro namorado e choca toda a família. Isso também acontece conosco, com um sério agravante: não podemos nos dar ao luxo de errar porque isso complica muito a tão sonhada aceitação dos pais.
    Um amigo meu, que tempos depois mostrou-se uma cobra traíra, não cansava de repetir:
    “Lucas, quando teus pais souberem de tu vão ficar muito mal. E quando eles souberem quem é teu namorado, aí sim eles morrem”.
(Continua...)

***


Abraços,
Lucas

42 comentários:

  1. Lucas, cara, eu não sei nem o que dizer. Primeiro, acho que, como a maioria que passa por aqui, tenho meus medos. Quando você começou a contar sobre a parte da sua conversa com a Juliana, eu me imaginei, com a minha irmã, tentando fazer isso e acabei chorando. Eu tenho muito do que me orgulhar do que fiz até hoje, apesar de ser jovem, 17 anos, mas acho que nem o "orgulho" de ser um bom filho, estudioso e bem comportado, seria o bastante para os meus pais se soubessem da "verdade". Talvez eu esteja sendo apenas muito pessimista, mas sinto um fundo de verdade no que eu pressinto. Espero que um dia eu tenha essa mesma coragem que você teve, e possa mudar a minha realidade. Minha mentira. :(

    Obrigado por compartilhar a sua experiência, e espero que tudo de certo pra você. Estou ansioso pelo próximo post.

    Abraços. Max.

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  2. Todos temos medos Max, só não podemos viver amedrontados o tempo todo. Infelizmente, também fui o orgulho da minha família em matéria de comportamento, educação, estudo, conquistas profissionais e vários outros quesitos. O preconceito falou mais forte no meu caso e, pelas histórias que ouço, normalmente ele passa por cima de tudo isso.

    Entretanto, com o tempo, as coisas vão se ajeitando. Acho que ter a consciência limpa de que você é uma pessoa do bem já ajuda muito a superar as dificuldades. Isso colabora para eles perceberem que gostar do mesmo sexo não implica mudar ou colocar tudo a perder.

    Sobre minha irmã, ela se voltou contra mim quando meus pais descobriram e só há pouquíssimo tempo que começou a me apoiar novamente.

    A caminhada é muito difícil, mesmo depois de três anos.

    Desejo que você fique bem e tome as decisões corretas.

    Um abraço,
    Lucas

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    1. Agradeço muito pelo apoio Lucas. Tentarei sim me focar nos meus princípios e tomar as decisões corretas.

      Força na sua jornada!!! Abraço.

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  3. Minha família toda sabe que sou gay. Não que eu seja afemindado, não sou. Mas porque eles simplesmente percebem em cada maneira minha de agir. Nunca me ¨assumi¨ para eles. Digo isso porque, para mim, é preciso de um esclarecimente real. Mas percebo, até por meio de comentários de novelas, filmes, e até mesmo por exemplos da vida real que muitos da minha família não têm ou dizem não ter preconceitos, sobretudo meu pai, para minha felicidade. O ¨problema¨ mesmo seria uns tios e meu avô por serem muito conservadores. Aos meus olhares, eu sou a ovelha negra da família. Mas em contrapartida eles me têm como exemplo por ser muito ligado nos estudos, bem decidido, educado, nunca aprontei. Não vejo a hora de, enfim, me ¨assumir¨. Tenho 17 anos e acho que está mais que na hora. Tive um namoro que durou uns 6 meses e pude descobrir como é bom o amor. No dia em que acontecer, quero compartilhar com vocês!
    Grande abraço, Lucas. Estou adorando os posts. :)
    Kennedy, Manaus.

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    1. Tenho uma família muito grande e apesar de ter boas relações com todo mundo (alguns mais próximos, outros não, claro), quem sabe de mim são meus pais e minha única irmã.

      Acho que algumas pessoas da família desconfiam.

      Minha única preocupação é que minha avó descubra. O resto do mundo, se souber, eu não me importo. Só com ela.

      Espero que você tenha outro namoro (ou até esse de volta) e ame beeeem muito, Kennedy. Os que querem amar merecem ser amados.

      Um abraço!

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  4. Que lindo, Lucas. Amei a introdução. Os namorados que tive, foram todos como você descreveu o Roberto, sendo que só um era masculinizado por completo. Antes mesmo de me assumir, meu pai vivia reclamando de mim porquê eu passo muito tempo na internet e no período do esclarecimento, quase reprovei. Isso na 8º ano, mais ou menos... Frases do tipo: "Você pode ser o que quiser, contanto que estude, só isso que eu cobro de você. Estude muito, muito mesmo." Eram frequentes, e quando ele viu que não estava adiantando, começou a apelação. Correu para os pais dele para que eles me dessem conselhos. E depois correu para os amigos dele. E depois para uma psicóloga, que ao contrário do que eu imaginava, não percebeu que eu tinha trejeitos que indicaria uma certa homossexualidade e isso era só o que eu queria discutir.
    É estranho isso... parece que eu não tinha vida antes de me aceitar rs
    Como você falou em posts anteriores, confessar a atração por homens te tira um fardo enorme que tu tens de carregar, apesar de atrair outros fardos, como o pre-conceito.

    Sanxxx.

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    1. Olha, eu não acho que a rejeição por afeminados é um preconceito, é uma questão de gosto. Da mesma forma que em um casal hétero, tem mulheres que preferem homens mais brutamontes, outros equilibrados e outros até bastante delicados.

      Já namorei um menino (como falei no post) que era muito pintoso. Eu até brinco quando vejo alguém assim dizendo que é um "dálmata", mas isso é um pouquinho de maldade com humor.

      Não voltaria a fazer isso porque acho que é um peso muito grande que eu não consigo lidar nem carregar nas costas. Mas também não diria por aí "nunca namore um cara que dá na cara que é gay".

      Coração é coração, ninguém manda nele.

      Agora a voz da razão fala para pensar nas consequências.

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  5. quando isso aconteceu? há qntos anos atrás?

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    1. Foxx, na Quarta-Feira de Cinzas deste ano fez três anos, mas eu acho que dava para entender isso lendo os posts anteriores e este. De qualquer forma, taí sua resposta.

      Abs

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  6. GUS- RECIFE

    Super me identificando com essa 2ª parte da história.
    Como já comentei antes, eu contei pra minha irmã esse ano!
    Foi de uma naturalidade ímpar. Somos muito ligados, ela com certeza já havia percebido, mas nunca deixei espaço para niguém perguntar.
    Certo dia em janeiro, fui a uma festa (a Boogie Night, conhece Lucas??!) com um primo nosso que é gay, inventando que havia ido com uma amiga minha, que também é gay. Daí no outro dia, depois do jantar, ficamos só eu e minha irmã na mesa conversando, ela falando de um festa que tinha ido e eu comecei a falar dessa festa que fui. Ela comentou que soube que essa festa era alternativa. Eu confirmei e disse que tinha ido com nosso primo. E então saiu: "Ó.. tu já sabe que eu sou gay, né?!".
    Qual a reação??!

    "As lágrimas começaram a brotar dos olhos dela." -I-G-U-A-L!!!!!

    E eu perguntei se ela tava com vergonha de mim. Ela disse que não, foi só o impacto da notícia e o fato dela ter medo de eu sofrer de alguma forma.
    Pronto. Depois disso nós rimos...

    Nunca saímos juntos ainda pra baladas alternativas, mas acho que não teria problema. Aliás, ainda frequentas baladas aqui em Recife?!?! Super "in" essas festinhas da Gollarolê e a Boogie, minha primeira balada alternativa, é toda estilosa, produzida pelo pessoal que az cinema na UFPE, enfim...
    Eu não faço questão ainda de me assumir pra toda família, na verdade nem tenho vontade. Só quero assumir pros meus pais.Mas isso... fica pra depois, em outro post que tenha mais haver eu comento..

    Quanto aos estereótipos, eu devo assumir que prefiro homens que não dêem na cara que são gays. Talvez por eu ainda estar no armário, mas acho que não. Pode ser ridículo da minha parte, mas eu só acho que o fato de ser gay não implica em você se afeminar. nEu respeito quem é,e exijo que me respeitem tamnbém, já que pra eles eu posso ser um retrógrado.

    No aguardo de um novo post!

    N.BN. meu fí, dê suas caras aqui também!!!

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    1. GUS, se puder deixar seu contato para que eu possa colher sua experiência com mais detalhe...
      = )

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    2. rapaz! eu não vou sumir rsrs
      daqui a pouco tem texto novo!
      abç

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    3. O lance dos estereótipos eu comentei o que penso em resposta a outro leitor. Dá uma olhada aqui nos comentários deste post.

      Sobre as festas, conheço todas que você falou de nome, fama e histórias, mas nunca fui a nenhuma. Não sou tão baladeiro, gosto mais de programinhas com cinema, barzinho e outras coisas para conversar. Falo pelos cotovelos, não é à toa que trabalho com comunicação.

      O N.B. anda ocupado com as coisas da faculdade dele, mas enquanto não posta, deixou um estagiário para conversar com vocês. Hahahaha!

      :-)

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    4. GUS - RECIFE

      Oi "AnônimoMar 28, 2012 12:48 PM", a gente pode sim troca idéia numa boa! Deixa teu msn ou qualquer e-mail, que eu te add e a gente vai papeando!

      N.B., ficamos na espera de duas reflexões!

      Lucas, vi sua resposta no que diz respeito aos estereótipos, e sigo uma linha d epensamento bem parecida, como você deve ter percebido no meu comment. Eu adoro balada, mas não sou de ficar indo. E SIIIIMM... barzinho pra papear e bebericar de leve, é vida!!
      ahushuhas!!
      \0/ Eu gostaria mais de frequentar o Recife Antigo, tem toda uma magia no ar por ali! ahhhehhehe!!

      Tô percebendo uma dinâmicaboa aqui esses dias, post, comment, respostas, etc! Que massa!

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    5. Oi GUS! Taí meu msn: armarioanonimo@hotmail.com

      Abraços

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    6. Eu gosto do clima do Recife Antigo, mas vou pouco por lá.

      Gus e demais, qualquer coisa, querendo conversar, eu uso o lucas.armariobh@gmail.com. Não tenho msn fake e confesso que há um bom tempo não uso o original.

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  7. #medo, muito #medo! Fico imaginando como seria se eu fizesse como tu e contasse a minha irmã. Apesar de ela parecer muito "in", acredito que veria muitas lágrimas e uma certa vontade de contar para meus pais vinda da parte dela. Pois bem, já tomei uma decisão: vou suportar a pressão até o dia em que lograr minha independência a ponto de sair de casa. Depois de ler muitos relatos na internet e até aqui no blog vi que o melhor (no meu caso) é esperar mais um pouco. Já tenho 25anos e logo isso acaba. Bem, como sei que as coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente imagina, estou tentando me preparar para as situações inesperadas, desta forma, continuarei lendo outros relatos e esse maravilhoso blog.rs

    Lucas, gostei das imagens! Parabéns pelo post = )

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    1. Obrigado pelo elogio.

      Sobre as imagens, prefiro não me pronunciar levando em conta que tenho um namorado ciumento fiscalizando tudo :x

      Olha, a priori, pensei em contar só quando tivesse minha independência financeira. Tenho 23 anos e ainda dependo dos meus pais. Imagino que vá morar só lá pelos 25 ou 26.

      Meu primeiro relacionamento foi em 2008, quando tinha 19 anos. Mas desde os 15, 16, que sentia atração por homens.

      Eu não conseguiria aguentar uma década da minha vida escondendo uma parte de mim. Além de que também dá uma certa pena dos pais. Imagina... tem a tristeza de ver o filho sair de casa e depois saber que ele é gay.

      É muito complicado essas coisas, mas acho que se livrar logo do segredo é melhor do que guardar.

      Eu indiquei no meu primeiro post, mas reforço aqui: procura ler Mãe Sempre Sabe? da Edith Modesto e pesquisa sobre ela.

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    2. Lucas, você não acha que com o tempo as coisas vão ficando melhores? Independência financeira já é um bom objeto de barganha e pode pesar na reação da família....
      Obrigado pela indicação! Conheço o trabalho do GPH e da profª Edith, é fantástico!

      Abraços

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    3. Olha, eu acho que tem casos e casos. Acredito que é bom ter esperança, mas também os pés no chão. Só sei que é uma fase muito turbulenta.

      Eu cheguei a acreditar, durante um tempo, que as coisas nunca iam melhorar aqui em casa. E melhoraram. O tempo faz maravilhas, mas também não faz milagres.

      Acho que a independência financeira é um bom objeto de barganha sim, mas preferi encurtar o caminho e contar tudo logo. Em pequena parte por eles e em grande parte por mim.

      Era muito sofrimento guardado por ter que lidar com o segredo, além da insegurança de alguém descobrir algo.

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  8. Olá Lucas, sou eu o Miguel (o que mora em Portugal).Para não estar sempre a dizer isto vou assinar estes comentários como assino normalmente na internet (Miguel 21).
    Na última vez que aqui comentei tu me perguntas-te a minha idade e se o rapaz por quem eu estava apaixonado tinha mostrado algum sentimento. Bem tenho 18 anos e estudo numa escola secundária perto de Lisboa. Estou a estudar economia e na minha turma há um rapaz (como já disse brasileiro) por quem tenho uma pequena paixoneta. Ele se dá muito bem comigo, falamos numa boa e ele até já disse que "gostava bué de mim" mas claro se referindo a gostar de mim como pessoa e não doutra forma. Para além disso ele metesse muitas vezes comigo sempre em tom de brincadeira. Bem ele não sabe que sou gay e eu já pensei lhe dizer, mas tenho medo que ele se afaste. Este blog tem me ajudado muito e adoro ler as vossas histórias de vida, apesar de ás vezes me assustar com medo que também aconteça comigo.
    PERGUNTA: Desde que percebi que era gay que olho com mais atenção para os rapazes e ás vezes vejo atitudes estranhas e olhares estranhos que eu fico a pensar será que ele é gay ou bi. Vou dar um exemplo, eu passo pelo corredor da escola com uma rapariga muito bonita ao me lado e vejo alguns rapazes que olham para mim em vez de olhar pra ela. Isso me acontece muito. Queria saber como é que fazes para ver se um rapaz esta interessado ou esta a olhar por olhar.
    Parabens pelo texto. Abraço Lucas

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    1. Miguelito, todo mundo se apaixona por um hétero ou sente admiração/tesão/feelings por um. Acho que faz parte da caminhada e de ter experiência de vida.

      Mas, salvo a hipótese dele "dar defeito" e também ter um lado gay oculto, torço para você encontrar um cara com reais chances de te corresponder no sentido amoroso.

      Sobre sua pergunta, acho que é algo muito de intuição. É como se fosse um sexto sentido, sabe? E, com o tempo, você vai ficando mais sensível a perceber isso. Não tem uma fórmula nem passo a passo para descobrir.

      Mas sei lá... joga uma barata de plástico em cima dele. Se ele der um pulo, quem sabe?

      Brincadeira, viu?!

      Abraços carinhosos :)

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  9. O meu relacionamento com minha irmã está longe de ser o mínimo suportável rsrs
    Em alguma parte das nossas vidas nós ficamos tão distantes que é até difícil tentar reverter, ela é muito diferente de mim em tudo.
    No meu crescimento eu creio ter considerado a minha sexualidade como um ponto que devesse ser compensado com realizações e comportamento irrepreensível. Também creio que isso fez com que ela se sentisse pressionada em ser tão boa quanto o primogênito, modéstia a parte. Lembro-me que em uma conversa ela dizia que eu não tinha problemas na minha vida e que eu era perfeito (ao olhos dela). Pensei ser este um momento conveniente para falar por que, de novo aos olhos dela, isso poderia fazê-la pensar que eu não sou tão perfeito assim, ia me apoiar num suposto preconceito dela para fazê-la se sentir melhor em relação a si mesma. Mas preferi não.
    Tenho planos porém. Mesmo que possa não fazer tanta diferença hoje quanto poderia teria feito há alguns anos, acho que eu contaria pra ela antes dos meus pais.
    abçs a todos!

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    1. N.B., eu acho você muito parecido comigo, às vezes. Se morássemos perto, seríamos ótimos amigos.

      Desde criança sempre fui quietinho e estudioso, mas acho que a descoberta da minha própria sexualidade eu passei a me cobrar mais e querer ser melhor do que os outros.

      Já li por aí que gays e bissexuais tendem a se esforçar mais como se precisassem dar essa resposta à sociedade, que são capazes. É uma forma de enfrentar o preconceito. A motivação talvez não seja tão justa, mas acho que o resultado é positivo.

      Também tive várias fases com minha irmã, nunca chegamos a ser inimigos mesmo, mas hoje nos amamos muito. Não conversamos nada do assunto, mas algumas ações mostram uma aceitação maior.

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    2. GUS -RECIFE

      Olha eu querendo ser "o participativo" ahsuhuahuhsuhuahuhs!!

      POis bem... Eu tb me acho muito parecido com você e seríamos um trio de nerds!
      =p
      Desde de pequeno, sentava nas primeiras fileiras, era o estudioso, não jogava futebol na educação física e me enturmava com a meninas, que geralmente também sentavam na frente. A minha relação com a galera do fundão só se estreitava quando tinha que fazer trabalho em grupo, daí todos gostavam de estar no meu grupo.
      ^^
      Eu não pensava necessariamente que, pelo fato de sentir atração por outros caras, eu tinha que ser melhor em algo.. Na verdade, me destacar nos estudos, por exemplo, era uma forma de sociabilizar, porque sempre fui mais calado.
      E como já falei antes, eu e minhar irmã somos "brother"..ahushuas!! Ainda bem!
      Não conto tudo pra ela, mas a gente ri de umas situações!
      ^^

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    3. Hey, N.B,


      Não entendi completamente o que voce disse nesse comentário.

      Voce acha que a sua irmã aceitaria e te apoiaria por se sentir melhor, após finalmente voce revelar uma "falha"?

      Sabe se ela realmente veria essa característica como algo negativo?

      Não sei se entendi bem, mas é triste pensar que ao revelar ser gay voce "perderia pontos". É claro, entendo que é assim que a maioria pensa, mas eu particularmente tenho dificuldades com esse conceito.





      Gostaria de comentar também sobre essa questão da perfeição. Acho interessante isso.

      Acho que é extremamente difícil encontrar alguem "perfeito" realmente.

      Todos tentamos utilizar mascaras para esconder as falhas e mostrar apenas as características positivas.

      Os "perfeitos" costumam ser simplesmente pessoas com mascaras melhores.

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    4. Lucas, se vc já teve problemas de relacionamento com tua irmã é bom saber que eu ainda tenho uma chance de melhorar o meu relacionamento com a minha rsrs
      Quanto a essa cobrança, será que vale ser politicamente incorreto e falar que os que sentem culpa no crescimento se tornam mais reflexivos e tentam compensar sendo melhores, enquanto os que não sentem culpa e que escandalizam viram as bichas pao com ovo? Só especulando, desnecessariamente...

      Sr anonimo, estou sim supondo que ela acharia isso um 'defeito' meu. Ela tem problemas de auto estima que eu creio terem sido causados por essa cobrança que ela tem de ser boa também, mas não somente com os estudos.
      De fato, é triste pensar isso, mas mesmo assim creio que faria bem a minha relação com ela. Como vc disse, algo que parece perfeito é apenas uma mascara. Eu abdicaria dessa mascara de perfeição, aos olhos dela, para faze-la se sentir menos pressionada pela comparação comigo, mesmo que depois eu tentaria convence-la de que isso nao é ruim rsrs

      Gus, o que temos em comum ai é o futebol rsrs tb nao gostava... so me dava bem com dois esportes: volei (típico) e natação. Hoje as vezes ainda nado, é um esporte que pode ser praticado sozinho, gosto muito. Mas sempre fui de ter mais amigos homens, inclusive no meu ensino médio. A sala tb tinha uma proporcao de 1 menina pra cada 3 meninos rsrs

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    5. Bom, rola muita coincidência entre nós 4 pelo visto... Gus e Lucas tb são de Recife, N.B. eu também SEMPRE odiei futebol e fiz vôlei e natação na adolescência, e aos 3 - eu também tinha um ótimo relacionamento com minhas irmãs até eu virar ateu e depois saberem que sou gay... Enfim...

      P.S. Gus e Lucas, qdo vamos nos conhecer pessoalmente e fundar o CLube do armário na vida real? Somos da mesma city, povo!!!

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    6. Entendi, N.B.


      Bom, boa sorte, quando decidir ir em frente e contar!

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    7. Entendi, N.B.


      Bom, boa sorte, quando decidir ir em frente e contar!

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    8. Isso aqui bate totalmente com minha infância/adolescência:

      "Desde de pequeno, sentava nas primeiras fileiras, era o estudioso, não jogava futebol na educação física e me enturmava com a meninas, que geralmente também sentavam na frente. A minha relação com a galera do fundão só se estreitava quando tinha que fazer trabalho em grupo, daí todos gostavam de estar no meu grupo."

      XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

      Sobre o comentário do outro anônimo, perfeição não existe em lugar nenhum do mundo. E, se existisse, eu é que não queria um namorado perfeito. Imagina como eu me sentiria mal e inseguro? Hehehehe.

      XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

      NB, eu não sei exatamente como é o relacionamento com sua irmã, mas o meu com a minha melhorou bastante.

      Sobre sua hipótese, eu acho que ela acontece muitas vezes, mas também não podemos generalizar e sei que você concorda com isso.

      XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

      Mavi, tô fora desse encontros. Gosto muito de aparecer não ;)

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    9. Será que existe uma frequência maior de gays que são estudiosos, não jogam futebol e preferem vôlei e natação? xD Cheguei a fazer "escolinha" de vôlei no colégio (quando criança) e várias vezes comecei e parei aulas de natação (meu esporte preferido até hoje).

      Não que eu não jogasse futebol, mas como sempre fui muito ruim, preferia jogar com os amigos do meu irmão, que, na época, eram todos crianças (sou 2 1/2 anos mais velho que meu irmão). Jogávamos de "igual pra igual" na técnica xD

      Engraçado como vôlei tem um estereótipo de esporte de gays, mas boa parte dos meus amigos de infância (todos héteros) gostam bem mais de jogar vôlei que futebol.

      No colégio, eu me dava bem com a maioria do pessoal, meninos ou meninas. Meus melhores amigos eram homens, mas isso não me impedia de fazer amizade com as meninas. Só os "bullies" que me enchiam o saco -pelos motivos errados! afinal, antes dos 13 anos, eu não tinha interesse por sexo ou putaria (como muitas crianças "normais") e até era apaixonado por uma menina da minha sala! era tudo porque eu sempre fui muito quieto, na minha, e não procurava briga.

      (esses comentários foram o maior off topic que já vi por aqui, mas o assunto é bacana xD )

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  10. Eu tava achando interessante a história, seu relacionamento com sua irmã, até a hora em que eu li que vc beijou um afeminado na frente dela em uma boate GLS.

    :O

    É, tenho inveja de vc por ter tal relação com alguém da família. Minha irmã e eu somos quase estranhos. Ela é 6 anos mais velha que eu, sempre foi manipuladora e egoísta. Tento não nutrir nada de ruim por ninguém, mas há quase dois anos, ela foi morar em outro estado e provavelmente vai se casar e ficar por lá e eu sinceramente só me sinto aliviado. Não é algo de que eu me orgulhe, mas não posso evitar.

    Parabéns pela família assim.

    Mas vc namorou mesmo um afeminado? Pensei que gostasse de "machos". (Já vou adiantando que não tenho nada contra eles.)

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    1. Opa, peraí. Esse texto não foi escrito pelo autor do blog. Foi mal, não reparei.

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    2. "Não é algo de que eu me orgulhe, mas não posso evitar"

      Ah, Eduardo... sorte sua se esse sentimento for a única coisa que ficou no meio do caminho.

      Até hoje eu sinto uma grande tristeza (e às vezes choro escondido no meu quarto) por ter me tornado uma pessoa bem mais fria e, às vezes, cruel com meus pais e minha família. Sei que tive motivos e funcionou como um escudo, uma forma de me defender de tudo.

      Mas a sensação é a mesma que sua frase passou. Atualmente, estou trabalhando para voltar a ser um filho carinhoso, cheio de dengos e acho que recuperei um pouco o meio jeito de antes.

      Você não tem ideia de o quanto isso me incomoda... ainda irei escrever sobre isso.

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  11. "Juliana caiu no choro e me abraçou. Disse que era minha irmã e ia me amar custe o que custasse."


    Nobre.


    Só não consigo deixar de pensar que não deveria haver um "custo".


    É muito curioso que as pessoas geralmente vejam o "ser um "deles"" como uma barreira ao amor ou afeto.

    Isso porque se formos parar para pensar, ninguem é 100% "um deles" ou "um de nós". Todos somos amalgamas de características diferentes e muitas vezes conflituosas. Mesmo "eles" serão como "nós" em alguma característica, algum fator.

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    Respostas
    1. Amálgamas - Acho tão linda essa palavra! Talvez sejam as letras, ou então a sonoridade. Não sei, ela tem um certo charme.

      Mas eu divago... (momento de homenagem ao N.B.)


      Eu concordo com você, amigo leitor anônimo. Mas acho que estamos longe de conseguir mudar essa visão, infelizmente.

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  12. Passei por uma situação muito parecida com a sua, com o detalhe de que não tenho irmãos. Eu conheci um garoto, foi meu primeiro, eramos muito deferentes, mas eu não vi isso de inicio, só me entreguei a um novo relacionamento. Até então, nunca tinha ficado com caras e mal tinha ficado com mulheres. Ele era assumido, mãe liberal, queria fazer moda e era afeminado também, tinha todo um trejeito caracteristico de homens com um jeito feminino. Passei por situaçãoes constragedoras pra mim com ele na rua, tinha dificuldades de administrar um relacionamento escondido, ainda mais que eu não era muito de sair e minha mae sempre sabia onde eu estava. No fim, depois de pouco mais de um mes de namoro, contei pra minha mae o que se passava, pressionado por ela ter descoberto que eu havia mentido pra ela. Foi o período mais dificil da minha vida, o namoro ainda durou por mais dois meses, super conturbados, ela me obrigou a contar tudo pro meu pai, meu pai ameaçou o garoto pelo telefone, disse coisas horriveis, quase que meu pai se afasta de mim. Minha mae criou o inferno em casa, disse que eu era 'animalesco', que era um novo 'cazuza', etc. Isso constrantando com o fato de que sempre foi uma otima mãe, uma mãe dedicada, amorosa. Já se passou 1 ano e meio de tudo isso. Meu namoro terminou dois meses depois, mas meus pais nunca aceitaram, isso continua sendo um tabu, de vez em quando só escuto umas ironias da parte da minha mãe, mas nao tenho liberdade com esse assunto. Já saio com amigos gays e ela meio que sabe, nao liga mais quando eu saio, afinal já tenho 21 anos, mas muitas vezes ainda tenho que dizer que fui a outro lugar, pois dizer que fui boate gay seria um choque. Agora, namoro, isso eu acho que sempre será um tabu aqui em casa e com o meu pai, não vejo as coisas avançando mais, até aceitam a minha vida, mas bem longe deles, eles querem que eu invente desculpas, eles claramente preferem o meu silencio ou as minhas meias verdades, é menos doloroso pra eles, é um consolo.

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  13. "ainda mais que eu não era muito de sair e minha mae sempre sabia onde eu estava"

    Olha, eu fui assim por muito tempo e tenho que te contar uma coisa. Faz um mal danado! Para você e até para sua mãe.

    Quando nossos pais descobrem que somos homossexuais ou bissexuais (ou que gostamos de meninos, enfim) é uma tormenta. Eles ficam querendo controlar a gente porque juram que estão fazendo o melhor. São mais velhos, são nossos pais, logo sabem mais.

    Você precisa juntar forçar para se erguer e aguentar essa briga, além de conseguir mostrá-los que a visão deles está errada. Percebe como é difícil.

    E é mais difícil ainda se você, já velho, ainda é muito controlado pelos pais. Digo isso porque eu sinto que cometi esse erro e minha psicóloga foi um anjo ao fazer com que eu percebesse isso.

    Eu começava a achar que tudo o que eles faziam era culpa da minha sexualidade, mas, no fundo, eram questões que diziam respeito e amadurecer e virar um hominho (gostou do trocadilho?)

    Preste muita atenção e reflita sobre isso. Vale para os demais leitores, também.

    Acho que você está passando por uma fase que eu passei há um ano, acho. Percebo aqui:

    "Já saio com amigos gays e ela meio que sabe, nao liga mais quando eu saio, afinal já tenho 21 anos, mas muitas vezes ainda tenho que dizer que fui a outro lugar, pois dizer que fui boate gay seria um choque. Agora, namoro, isso eu acho que sempre será um tabu aqui em casa e com o meu pai, não vejo as coisas avançando mais, até aceitam a minha vida, mas bem longe deles"

    Olha, comigo isso ainda evoluiu um pouco e talvez evolua com você também.

    O que importa é você saber lidar com isso, ok?

    Querendo conversar mais, adiciona no Gmail >> lucas.armariobh@gmail.com

    Abs!

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  14. Olá Lucas, te adicionei pelo msn. Abraço.

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  15. Olá Lucas, te adicionei pelo msn. Abraços.

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  16. Leno, não uso MSN, só o chat do gmail, que também é integrado ao google talk.

    Abs

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