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sábado, 28 de janeiro de 2012

Notas rápidas 8

Comentários
    Creio já ter mencionado como tenho a sorte de ter os melhores leitores e que os cometários que recebo me inspiram e me ajudam a formar opiniões ou mudar de ideia em alguns casos. 
    Um dos comentários que recebi recentemente foi tão inesperado que tenho que fazer uma menção ao senhor por ter me aberto uma nova linha de pensamento no que diz respeito à percepção da família como títulos, e como, mesmo que às vezes não sejam pessoas que mereçam nosso respeito, insistimos em sempre buscar por ele unicamente baseado no título de pai ou mãe. Vou amadurecer a ideia e escrever alguma coisa sobre o tema em algum tempo, mas para quem quiser conferir a fonte da inspiração, deem uma olhada no texto ao lado "Rebeldes pais", AnônimoJan 7, 2012 11:41 AM, em resposta ao anônimo imediatamente anterior que estava angustiado com a situação em casa. Mesmo sendo uma ideia polêmica, ela vale pra ajudar.

Pessoalidades
    Senhores, é com grande felicidade que venho informar que aqueles sonhos divagantes sobre ter um relacionamento estável e respeitável com um marido lindo e que me completa estão caminhando. 
    Eu, que não acreditava em amor, estou revendo meus conceitos, como tenho feito com muitas outras coisas ultimamente. Não tinha ideia de que viver um sentimento assim pudesse ser tão bom. Também tinha minhas dúvidas sobre a viabilidade de existir um relacionamento estável entre dois homens, daquele tipo tradicional e romântico, ele não tem me deixado dúvidas de que sim, é possível. 
    É o meu primeiro relacionamento de verdade e me sinto muito sortudo de tê-lo conhecido, apesar das chances que sempre foram baixas. 
Nos conhecemos há quase seis meses mas sabem daquela sensação de que se falar, estraga? Ele me ajuda a ser uma pessoa menos fria, menos insensível e menos indiferente. Eu sinto até que ele é uma pessoa melhor do que eu, mesmo com todos os seus vícios. Não somos nenhum pouco parecidos em muitos aspectos, e também eu não suportaria viver com alguém parecido demais comigo. Por isso não olho essa diferença exagerada como uma desvantagem, ele tem o que me falta, me completa nas partes que eu mais preciso. Me faz me sentir vivo. Enfim...
    Gostaria de deixar uma mensagem de esperança para aqueles que se questionam sobre o amor e a possibilidade de manter um relacionamento, como eu fazia. O segredo é ter paciência e se respeitar, o cara certo aparece quando você menos espera =)
Que busquemos sempre a felicidade, mesmo que ela pareça tão distante e irreal!
Um abç.
N.B.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

brincando de médico

    Alguns textos pra trás eu tinha citado o estágio fálico do desenvolvimento psicossexual, mas não me delonguei sobre o tema. Hoje, porém, gostaria de falar sobre algumas experiências que tive e que envolvem o assunto.
    Uma das lembranças mais antigas que eu tenho, talvez lá pelos 6 a 8 anos (sou horrível com datas),  é a de meu primo que é uns 3 anos mais velho que eu, se masturbando perto de mim e me deixando curioso com a situação. Lembro que, de tão curioso eu comecei a imitá-lo, sem muita noção do que estava fazendo, e lembro que ele falou que isso não funcionava com o meu. Não lembro, porém, se ele havia chegado a me tocar. Devo enfatizar que não considero que isso foi um abuso e nem os casos por vir.
    Anos se seguiram, nos víamos sempre pois eu era bastante ligado ao irmão mais novo dele, 1 ano que velho que eu. Como garotos, la pelos seus 8, 9, 12 anos, tomávamos banho juntos quando um ia dormir na casa do outro, e as vezes o primo mais velho também, inocentemente (?), com a permissão dos pais. Talvez porque os pais dos meus primos fossem um tanto sovinas, eles permitiam sem muita resistência para economizar água e luz. A diferença (ou talvez não tão diferente), é que aconteciam brincadeiras que vistas por mim hoje, pudessem não ser consideradas tão inocentes. 
    Se tratava do famoso 'médico'. Os papéis eram alternados, hora de paciente, hora de médico, os problemas geralmente envolviam partes específicas do corpo, os diagnósticos eram sempre os mesmos e os tratamentos não eram muito convencionais e nem seriam aceitos pela Sociedade Brasileira de Medicina. Esses tratamentos envolviam afagos, fricções, hora ou outra uma boca era usada também, mas nada nunca contra a vontade. 
    Isso se estendeu por alguns anos mais, até que, de repente, simplesmente paramos. Sempre agimos como se nada tivesse ocorrido, nunca tocamos no assunto. 
    Por muito tempo eu considerei que essas brincadeiras pudessem ter sido a causa do que eu achava ser um desvio de personalidade. Tentei culpar essas experiências pela minha preferência por rapazes, pois, existe uma teoria na psicologia chamada cunhagem, que diz que crianças carregam as impressões que tem na infância como referências para a vida adulta. A ideia de prazer não é diferente. Como eu tive experiências com meninos na infância, a ideia de prazer que eu carregaria para a minha vida adulta seria a mesma. Felizmente, correlação não significa causalidade.
    Há uns poucos meses, eu descobri outra teoria falando sobre essas experiências, dessa vez da psicanálise. Ela trata dos 4 ou 5 estágios do desenvolvimento psicossexual, criada por Freud, que divide a vida em estágios, os quais geralmente não são desenvolvidos de maneira satisfatória se o imediatamente anterior não tiver sido completo. São eles: oral, anal, fálico, latente e genital. Por exemplo, a fase genital, que corresponde ao início efetivo da vida sexual será consideravelmente prejudicada se existir algum assunto mal resolvido na fase fálica.
    A teoria diz que a forma como uma pessoa completa cada estágio, ou das influências sofridas durante cada estágio, ditam algumas características da personalidade. O estágio fálico está relacionado exatamente à história descrita no começo desse texto. Ele ocorre de três a seis anos e é quando a criança toma consciência do próprio corpo e do corpo de outras crianças. Isso desperta a curiosidade que leva ao despimento e exploração do corpo do outro, inclusive seus genitais. Uma parte exótica nessa teoria diz que o filho disputa a atenção do pai ou mãe que seja do sexo oposto ao dele, e competições psicossexuais mal resolvidas lidam à traços da personalidade como agressividade, ambição e vaidade excessivas. Mas esse não é o foco.
    Onde eu queria chegar com toda essa volta era dizer que o comportamento que eu apresentei quando era criança ocorre mais frequentemente do que eu imaginava. Esse tipo de experiência geralmente não é compartilhado com ninguém, o que me dava a impressão de ter sido uma exclusividade minha, ou que fosse muito raro. Mas ao ter liberdade suficiente para conversar sobre esse assunto com algumas pessoas, inclusive meninas, e poder perguntar sobre as experiências fálicas delas, eu pude perceber que essas experiências são realmente comuns. Inclusive algumas pessoas que tiveram essas experiências se consideram heterossexuais, o que desmistificou o meu pensamento de culpar a minha homossexualidade a elas. 
    Bom, o que se passou aqui foi apenas uma troca de experiências, uma vez que já acho inútil especular sobre as causas ou motivos que me levam a me excitar por homens. Já especulei demais naquele texto sobre a causa, ali no cantinho direito. Isso porém não impede-nos de saber mais sobre teorias que tentam explicar a complexidade e unicidade do homem. Se pelo menos eu soubesse disso há alguns anos, teria evitado algumas frustrações pela falta de informação ao tentar explicar o que não necessita de explicação.
Quanto aos senhores, alguma experiência ou constatação do tipo?
Um abç.
N.B.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Queridas travas

    Ainda em dezembro eu assisti àquele programa do SBT 'quem convence ganha mais', quando o tema foi 'gays discretos' versus 'gays purpurina'. Havia um estudante de medicina na dupla dos discretos contra 3 artistas/dançarinos no grupo dos não-discretos. Nesse último grupo, 2 eram travestis e o outro apenas bastante afeminado, também lhe faltavam alguns dentes. Não quero, porém, desmerecer a retórica do rapaz pela sua aparência, ele se mostrou bastante educado e sensato. Só tenho minhas dúvidas na imparcialidade do programa em escolher um representante tão maltratado. Mas estamos falando de SBT. Enfim.
    Naturalmente, muitos se inclinam pelo lado dos rapazes discretos, que competiam contra as travas. Eles usavam o argumento, que eu já escutei muitas vezes e inclusive já usei para tentar explicar o preconceito contra gays, de que algumas pessoas não se assumem por vergonha e constrangimento que o comportamento dos não discretos causa nas pessoas, como se fosse uma falta de respeito ou um ataque à 'moralidade'.
Vale lembrar que, a princípio, eu acredito que o comportamento afeminado não seja uma opção em alguns casos, exemplificado por um amigo que deseja não agir dessa forma mas não consegue. Outros também exageram, mas não que isso seja uma coisa ruim. Também tenho conhecimento de casos de supostos 'héteros' que apresentam um sotaque afeminado mais intenso do que muitos gays, o que pode mostrar que esse fenômeno não esteja relacionado à orientação sexual.
    Até pouquíssimo tempo eu pensava exatamente igual aos gays discretos do programa. Pensava que os afeminados só atrapalhavam a vida de quem é discreto, ao criar toda aquela imagem de escândalo em torno de si e que era o objeto da crítica.
Olhando de uma perspectiva diferente, o que os gays discretos estavam dizendo era simplesmente para que as travas não agissem daquela forma, e se encaixassem nos modelos discretos que tanto prezamos, porque se agissem de maneira comportada estariam contribuindo para a diminuição do preconceito.
    Mas que ironia. Gays, que sofrem tanto preconceito quanto os afeminados, dizendo a outros como agir. Isso não ajuda a diminuir o preconceito, mas a aumentá-lo pela determinação de mais um padrão a ser seguido, dessa vez pelos pelos gays. Como se somente o simples fato de ser gay não gerasse preconceito suficiente, eles agora dizem que ser gay e agir daquela forma é pior ainda.
    Oras. Por que tal comportamento deveria ser repreendido? Agir daquela forma não fere ninguém, não mancha a honra de ninguém, não custa e não mata. Para mim, comportamento que incomoda e que deveria ser passível de repreensão é quando aqueles missionários ficam pregando religião com um megafone na Praça Sete e violando meu direito de não ouvir asneira.
    Imaginem como seria chato se todos agissem da mesma forma, como robozinhos, respeitando os limites dessa moralidade contraditória que seja lá quem for inventou? Será que não é esse comportamento moldado de robô que defendemos quando criticamos alguém que seja afeminado? Será que não podemos respeitar a liberdade dos outros de agir da forma que quiserem, e apenas olhar para outra direção se incomodados? Porque a necessidade de ditar aos outros que devam agir como nós?
    Ao contrário do que parece estar difundido, ser gay não significa não ter preconceitos. A nós, senhores do armário e críticos do comportamento afeminando, peço que façamos uma reflexão para começarmos 2012 com uma mente mais aberta e talvez fazer uma mudança no mundo, a partir de nós mesmos. Enquanto não abraçarmos a diversidade dos héteros, gays, travas, afeminados e afins, não teremos o direito de pedir por menos preconceito contra nós.
    Por isso, gostaria de pedir desculpas às travas e afeminados.
    Isso porque já escrevi coisas ofensivas às travas na tentativa de preservar a minha masculinidade, nesse blog que deveria ser um lugar para conforto e aceitação. Desculpas em nome do pessoal discreto que tenta jogar a causa do preconceito contra gays nessas pessoas que, apesar de todos os ataques que sofrem, de todos os lados, continuam alegres e altivos. Desculpas por terem que enfrentar tanta hipocrisia de gays que lutam por aceitação, mas que não aceitam gays que sejam diferentes. Desculpas pela ignorância infinita da humanidade.
Um abç.
N.B.
PS: o grupo dos discretos venceu no programa.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Meu armário incoerente

    Às vezes sou questionado por leitores se desejo sair do armário, ou porque ainda não saí já que defendo todas essas ideias de aceitação e tenho uma opinião bem resolvida quanto à homossexualidade. Com o espírito de ano novo, resolvi falar exclusivamente de mim nesse texto, fazer um balanço do ano passado e dizer o que mudou desde que comecei o blog.
    Não falo muito sobre mim. Acho que quem visita o blog não está interessado em ler um diário ou ler sobre o que ocorre na vida de um estranho. Eu, pelo menos, não gosto de ler sobre um qualquer, não me acrescenta em nada. As pessoas a quem me interesso ouvir sobre a vida são poucas e chamo de amigos. 
    Também não escrevo muito sobre mim porque não me acho uma pessoa interessante. Minha vida não é baseada em festas e muitos litros de álcool, eu apenas me concentro na minha graduação e às vezes esqueço de cuidar de mim mesmo, ou, como dizem alguns, de curtir minha juventude. Eu diria que curto a minha vida, da minha forma e não como os manolo que usam corrente prateada e boné que postam  fotos de festas no Facebook. Mas eu divago.

2011 foi um ano de muita mudança para mim.
    Foi nele em que eu aceitei a minha sexualidade completamente e decidi começar o blog. É tudo ainda muito recente como vocês podem ver pelas mudanças de ideias ao longo dos textos. A intenção ainda é a mesma, porém: levar a mesma aceitação que eu pude experimentar para quem ainda reluta.
    A questão de estar no armário foi o maior diferencial de 2011. Quando comecei o blog, apenas um colega de turma que tinha me pegado na webcam e uma amiga sabiam da minha sexualidade, como já descrevi. Ao longo do ano, numa discussão que tive com um dos meus colegas de apartamento que estava fazendo especulações sobre minha sexualidade, deixei implícito que não se tratava apenas de especulação, mas de realidade. Pulando os detalhes, apenas lembrei-o de que ele não paga as minhas contas e por isso não devo eu dizer pra onde saio, não devo pedir permissão para trazer um 'amigo' pro meu quarto e que ele só deveria reclamar de eu estivesse incomodando-o de alguma forma. Terminei com uma pergunta: 'se tiver um gay nesse apartamento, é um problema?'. Ele prontamente disse não, mas caso não tivesse eu já estava disposto a não ficar tão implícito quanto estava. O outro colega de apartamento presenciou tudo, o que me deixa pensando que ele também sabe.
    Uns meses depois, por meios obscuros, foi achada pornografia gay no computador do rapaz que especulou sobre minha sexualidade, o que reforça a ideia de que aqueles que ficam fazendo piadinhas ou acusações querem tirar a atenção de si para que não descubram sobre eles. Ele ainda não sabe que eu sei, e que o outro colega de apartamento também sabe da pornografia. Enfim.
    Eu deveria ter reportado no blog, dada a importância, um fato que aconteceu bastante recentemente, há pouco mais de um mês, e que me fez me sentir muito bem. Me refiro àquele meu antigo amigo o qual eu tinha uma paixão platônica mal resolvida e que eu citei ao longo de muitos textos mais antigos. 
    Foi uma paixão doentia que durou 5 anos e que, finalmente, eu superei esse ano. Superei e ainda contei para ele sobre minha sexualidade. Foi uma conversa que imaginei por anos e anos, todos os discursos preparados e todas as possibilidades de reação. No final, não foi programado e conversamos num Subway por algumas horas. Ele se mostrou compreensivo, disse que é possível continuar a amizade e reagiu da melhor forma que eu podia esperar - irrelevando. Talvez pelo fato de ele estar namorando, isso o deixa mais seguro em ter um amigo gay. 

Perspectivas para o futuro
    N.B. é um rapaz para casar. Desde pequeno fiz os planos para casar-me com uma mulher, morar num bairro tranquilo, numa casa com 3 ou 4 filhos e 2 cachorros Golden Retriever. Bem, será que fui eu quem fiz esse plano mesmo? Ou meus pais? Ou a minha querida sociedade? Isso parece mais com um filme americano que mostra uma família feliz de classe média num subúrbio...
    Eu continuo com esse plano. A única diferença é que troquei a mulher por um marido. É uma pena porém que não será fácil encontrar creme para as mãos na casa como se fosse vivendo com uma mulher... Mas isso são detalhes.
    Sim, eu ainda vou formar uma família, estável e respeitável, tenho muita esperança, mas isso ainda esbarra em dois problemas: minha independência financeira e um marido de fato. O primeiro só será resolvido em uns 2 anos, quando me formar. Quanto ao segundo, tive a sorte de conhecer alguns rapazes muito interessantes nesse ano, e até tive um relacionamento de uns meses com um deles. Ou um pseudo relacionamento, já que não era declarado, mas mesmo assim eu contarei como meu primeiro relacionamento com um homem. Isso me fez abrir a ideia de que é realmente possível um relacionamento com um homem, e não só sexo como sempre tinha ocorrido.
    Para o futuro também, quero contar para os meus pais, ainda sem previsão. Creio que é só isso que falta para abraçar minha viadagem inteiramente. Estive pensando que até faria bem à relação com a minha família. Não sei se teria mais assunto com minha mãe, mas faria bem a minha irmã, que tem muito ciúmes de mim. Existe aquela competição entre irmãos e creio que a minha necessidade de ser o melhor e ser muito focado nas coisas que eu faço (talvez para compensar a minha antiga culpa de gay) fez mal a ela. Talvez se ela visse que tenho um 'defeito', ela ficaria mais confortável.
    O armário é um estado de espírito. Estar no armário não significa apenas esconder a sexualidade de todos, mas de si próprio. Hoje, eu não me considero mais no armário pela minha aceitação, mas já não posso mudar o título do blog. 
    Para 2012, quero propôr aos senhores que trabalhem na aceitação da sexualidade, que vejam isso como uma vantagem e não uma maldição. A partir do momento que se aceitam, o mundo inteiro muda. Tudo parece melhor, acreditem =)
Tenham esperança e trabalhemos juntos por um mundo melhor!
Um abç e um ótimo ano!
N.B.
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