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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

sexualidade em banda larga

    Alguém já parou pra pensar o que seria das nossas vidas, principalmente a parte sexual, sem a internet? Certamente causariam grande impacto para quem está no armário.
    Eu fico me perguntando como seria se eu tivesse nascido na época errada e não tivesse a oportunidade de, mesmo no armário, viver a minha sexualidade. Aquelas pessoas de algumas décadas atrás que não eram assumidos teriam bastante trabalho para poder fazer o mesmo que eu e ainda preservar a identidade.
    A questão é que, com a internet, temos (1) acesso a informação, (2) a material pornô, além de (3) contato com outras pessoas com as mesmas afinidades. Isso com todo o conforto do anonimato.
    Começando pelo acesso a informação, eu me lembro de quando era criança e as professoras pediam um trabalho qualquer (a maioria era sazonal e em abril sempre tinha um sobre a inconfidência mineira lol). Eu tinha que ir à biblioteca, achar um livro, geralmente aquelas enciclopédias Barsa ou Larousse e copiar ou xerocar. Tempo saudoso... enfim!
    O contraste com a facilidade de acesso à informação de hoje é gigante. Das nossas casas, temos acesso a qualquer tema (que não seja para uso militar), na profundidade e na língua que quisermos. Isso inclui também acesso a informações, opiniões e pesquisas sobre sexualidade e sexo. Não creio que quem estava no armário há 20 anos atrás ia à biblioteca ler teorias e trabalhos sobre homossexualidade...
    O acesso a informação ajuda a mudar a ideia que temos sobre nós mesmos. Se na vida real você ouve por todos os lados que uma sexualidade diversa é errada, opiniões essas baseadas na subjetividade do preconceito infundado, na internet as pessoas tem acesso a trabalhos científicos que provam por A+B que não há nada de errado com isso. Algumas teorias até dizem que quem está errado são os que se definem por uma sexualidade unipolar. 
    A internet dá maior velocidade na moldagem de um pensamento coletivo mais susceptível à diversidade da sexualidade. Internet é informação e informação converge para a sensatez. O que não é sensato é logo contra-argumentado por uma ideia sensata. Mas o que é sensato para alguns pode não ser para outros... Enfim.
    Em segundo lugar, temos o acesso a pornografia gratuita e em massa. Considerando quem está confuso com a própria sexualidade, o acesso irrestrito e livre à qualquer tipo de material pornográfico permite à pessoa conhecer melhor o que a excita, não deixando espaço para dúvidas mas deixa, porém, espaço para negação. Isso pode ser relacionado com a masturbação, o mais íntimo e livre link com a nossa sexualidade, talvez por ser isenta de julgamentos e o acesso a material pornô anonimamente também está livre de julgamentos.
    Em terceiro lugar, o contato com outras pessoas, seja pelo fast foda UOL ou por listas de discussão como este blog. Cada pessoa, com sua individualidade mais particular, pode se identificar com outra e saber que não está sozinha no mundo. Parece cliché, mas isso é muito importante para quem tem conflitos de sexualidade, ou qualquer tipo de conflitos.
    Por último, meu exemplo. Todos os meus relacionamentos com homens foram frutos de situações iniciadas pela internet. Eu, como muitos que leem esse blog, não tenho amigos gays ou vou à boites e lugares dedicados para o nosso público. Isso leva a me perguntar se eu ainda seria um virgem de 21 anos se a internet não existisse. 
    No final das contas, posso atribuir à internet 100% da minha vida gay, apesar de eu estar trabalhando para que esse número diminua (se bem que não tem como aumentar ;) ). Ultimamente ainda tenho usado a internet para investir num relacionamento menos... 'fode e vaza' e achei outras ferramentas que se mostram mais eficientes do que o terrível chat fast foda UOL.
    Mesmo se a internet não for relevante para a vida sexual de algumas pessoas, ela definitivamente causa impacto gigantesco quando é capaz de divulgar ideias sensatas e de tolerância. Pelo sim ou pelo não, somos profundamente privilegiados por poder usufruir dessa ferramenta, independente dos fins.

    Agora, a questão para os senhores: o quanto a internet influencia ou influenciou na sua vida como gay?
Um abç e bom fds =)

sábado, 3 de setembro de 2011

desprezíveis sodomitas e origem do preconceito

    Existe um grande problema na definição do que é certo e o que é errado por que isso envolve perspectivas. Quem vê um problema pelo lado de fora pode ter uma percepção completamente diferente de quem o vê por dentro. Por exemplo, o criminoso comete o crime mesmo sabendo que isso é 'errado', mas o crime é justificado, seja qual for o motivo para o criminoso. Isso também acontece quando tentamos analisar o que se passa com pessoas de sexualidade diversa.
    Para uma parte das pessoas, o que fazemos é completamente errado. Para uma parte de nós, inclusive, isso é errado. Mas talvez pessoas sexualmente diversas que acham ser isso errado podem estar enxergando o 'problema' com os olhos de quem vê por fora. É preciso sentir, viver, mas também poder ter uma noção de conjuntura e tentar imaginar como o que fazemos é percebido pelas pessoas de fora para que possamos entender os dois lados. Mas eu divago, profundamente.
    Voltando ao membro do grupo que acredita que o que ele faz é errado, gostaria de concentrar essa conversa na culpa. Podemos aqui enumerar uma série de causas dessa culpa que leva o indivíduo a pensar que deixar sua sexualidade fluir é errado. Nas raízes da maioria das causas dessa culpa está a sodomia. Então, tomemos um tour pelas origens da sodomia.
    Sodomia é quando duas pessoas, do mesmo sexo, ou não, usam seus genitais para obter prazer sem a intenção de gerar filhos, seja qual uso for. Já foi proibido no Brasil e era proibido por lei no Texas até 2003 quando a suprema corte dos EUA acabou com a lei nesse e em alguns outros estados que tinham resquícios de punição a sodomia em pleno século XXI. Esse termo também está ligada a sexo com animais, mas restrinjamo-nos aqui apenas a humanos sodomitas equilibrados que não usam animais e apenas a sodomia consensual.
    Assim como muitos dos valores de hoje, a demonização da sodomia tem origem no cristianismo. A bíblia diz que as pessoas de uma  cidade chamada Sodoma eram bastante levadinhas e pecadoras, dado o que acontecia na cidade em relação a sexo. Então, a cidade foi destruída pela ira divina para salvar o mundo dos horríveis pecados que por lá rolavam, inclusive sexo entre homens (Gênesis, capítulo 19, versículos 1 a 11).
    Outra causa da perseguição da sodomia é o 'desperdício' do esperma, enquanto as três principais religiões (cristã, judaica e muçulmana) buscavam a expansão, tanto por conversão quanto por reprodução (e ainda buscam). Isso como se houvesse mulheres o suficiente para serem fecundadas com o esperma 'desperdiçado'.
    Quando o Brasil era colônia de Portugal, as leis portuguesas se aplicavam em território brasileiro, sendo assim punida a sodomia e classificada como 'o mais torpe e sujo dos pecados'. Depois da independência, a sodomia já não foi mencionada na constituição de 1824. 
    Desde então, o sodomita, mesmo que não seja punido penalmente pelos atos como acontecia antigamente, ainda enfrenta muito estigma e preconceito que a constituição de 1824 não conseguiu extirpar. As consequências que o desprezo pela sodomia trás para nossas vidas são evidentes e precisam ser atualizadas urgentemente. 
    Mais uma vez, isso pode ser relacionado ao pensamento machista que nos cerca, e me atrevo a dizer que o desprezo pela sodomia é uma das grandes causas do machismo. 
    Isso porque o sexo só é exaltado quando tem fins reprodutivos: o peniano-vaginal. Por outro lado, qualquer outra forma de obtenção de prazer é considerada impura e pervertida. É tudo uma questão de definição. Mas essas definições foram feitas há mais de dois milênios e não condizem com o mundo moderno e autoproclamado 'cabeça aberta' que temos hoje.
    Esses estigmas não afetam somente gays, mas também mulheres com liberdade sexual. Alguém já viu uma mulher não ser considerada uma puta quando ela fala com naturalidade sobre sexo oral ou anal ou qualquer outro tipo de estímulo sexual?
    Hoje, apesar do afastamento entre pessoas causados pelo individualismo da vida moderna, estamos menos dependentes de sexo como única forma de obter prazer e exploramos mais do corpo dos nossos parceiros, o que pode criar um vínculo mais intenso. 
    Queridos senhores sodomitas, não mais sintam-se culpados da próxima vez que cometem uma sodomia. Porque deixar que essas ideias, forjadas quando ainda pensavam que a terra era o centro do universo e plana, influenciar nossas vidas, nosso pensamento e a nossa percepção sobre nós mesmos?
    Exalte sua sexualidade e considere-se um privilegiado em relação aos que não a praticam e que não tem a oportunidade de experimentar esse mundo de sensações e sentimentos.
Sem mais.
Um bom fds e abç. =)
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