Google+

sábado, 27 de agosto de 2011

definições

    Preciso confessar que todas as vezes em que vou escrever me sinto incomodado de sempre falar em gays e héteros.    
    Há uns 50 anos, um cara chamado Alfred Kinsey fez uma pesquisa que dividiu a sexualidade humana em 6 ou 7 classes, com uma classe assexuada adicionada depois. Assim como ele propôs em sua pesquisa, eu acredito que a sexualidade também não seja preta e branca. Adicionando um pouco mais de detalhes à pesquisa de Kinsey ou à alusão que a bandeira gay faz à diversidade, eu acredito que a sexualidade não seja composta de apenas 6 ou 7 níveis/cores, mas infinitos e todos diferentes entre si.
    Então, toda vez que eu uso as palavras 'gay', 'bi' ou 'hétero' aqui no blog, isso contradiz as minhas ideias pois estou aqui loteando a sexualidade em três categorias. 
    Eu gostaria de trocar os termos por 'sexualmente diversos' (para gay/bi) e os que 'negam a diversidade sexual' (para os outros). 
     'Sexualmente diversos' porque a classificação em gay e hétero é infundada. E 'os que negam a diversidade sexual' porque a diversidade é uma condição humana e os definidos como 'héteros' se encaixam nesse grupo por não aceitarem sua diversidade e desejos pelo mesmo sexo.
    Alguém pode afirmar "não, NB, o senhor está equivocado, existem realmente pessoas que não se sentem atraídas pelo mesmo sexo". Claro que existem. Mas as causas disso podem ser uma repulsa honesta ou pessoas que se julgam hétero por não se permitirem ao menos considerar a ideia de estar atraído. Isso porque elas tem na cabeça que é errado e não é natural quando na verdade é, e mesmo que subconscientemente elas repreendem os potenciais desejos. Alguém pode se julgar um hétero honesto, mas ele também pode nem saber que aquela voz da 'moral' fala bem baixinho o que ele é e como ele deve agir. Nunca saberemos porém. 
     Contudo, por comodidade e tradição e também para simplificar os textos, continuarei a usar gay e hétero. Mesmo contrariado e contradizendo as minhas ideias, essas definições arcaicas ainda funcionam de alguma forma para promover uma ideia: tolerância.
    Depois, se tivermos sucesso em nossa luta, mudamos as definições para algo mais próximo da realidade =)

Sem mais.
Um abç e bom fds.





17 comentários:

  1. N. B., eu particularmente não consigo acreditar que um rapaz ainda na faculdade faça este blog. Vc é simplesmente genial na organização e explanação de suas ideias.
    Parabens. E, pense em investir nesta carreira.

    ResponderExcluir
  2. O que voce comenta esta correto. A sexualidade é unisex. As definições foram determinadas por uma pequena fração da sociedade visando interesses particulares...da mesma forma como se lança uma moda. Curiosamente esse era um assunto que ia abordar no seu post anterior, certamente não tão bem colocado como você o fez mas essencialmente a mesma idéia. Ainda acrescentaria o amor como sendo algo totalmente a parte do sexo porém podendo às vezes estarem sim interseccionados e, raramente, estarem em perfeita sintonia.
    Outro abraço e outra fungada no cangote.

    ResponderExcluir
  3. Cara,
    Este seu último post cai precisamente na discussão em relação a etimologia na academia. Essa necessidade de tudo provar e aprovar através da ciência.
    Abração,
    ass:rapaznatal

    ResponderExcluir
  4. Mas o método científico é a única coisa em que se pode confiar, uma vez que é baseado na Observação e na Mudança. Ninguém é dono da verdade, mas uma sucessão de verdades representa o avanço do conhecimento.

    A ciência é então uma padronização que otimiza esse avanço, como evidenciado pela ausência do mesmo na Idade das Trevas (época que ostentava a religião em primeiro plano, freando qualquer investida científica)e pela sua retomada na era da Renascença.

    Ao meu ver, negar algo tão lógico é um reflexo inconsciente do medo humano de abandonar a segurança instaurada pelo uso de dogmas e ideias fixadas. Medo de encarar a mudança e a inconstância, que de fato regem o conhecimento humano sobre o universo. Medo de ter que começar do zero quando se pensava que tudo já havia sido feito.

    Abraço a todos

    ResponderExcluir
  5. /\ Concordo 'cientificamente' com você, Josh! Como sempre, ótimo comentário...

    ResponderExcluir
  6. Inegável o fato do método científico ser o meio mais confiável. Questionável porém vejo o termo verdade, aonde as informações provêm de seres humanos, com suas incertezas/dúvidas, medos e fraquezas (saliento um pouco o termo fraqueza no sentido influenciável). Fato esse observável nas eleições aonde grande parte vota "seguindo o fluxo".
    Tenho exatamente o mesmo pensamento com relação ao seu último parágrafo, Josh, aonde você cita a acomodação humana e o medo do novo e variável; que também vejo influencia na acuracidade dos fatos coletados.
    Mais um abraço e duas fungadas.

    ResponderExcluir
  7. Enquanto estudantes, somos treinados a separar a observação da interpretação, sendo que a primeira deve ser imparcial. No modelo ideal do pensamento científico, isso deve ser mantido sempre, o que às vezes é difícil, pois são humanos, não máquinas programáveis.

    Concordo com vc nesse quesito, mas ele representa um caso de exceção. Nas ciências exatas, raramente isso acontece, por se tratarem mesmo de estudos sobre verdades constantes. Já em ciências sociais, podemos realmente observar isso com mais frequência, uma vez que se torna difícil fazer uma observação imparcial em um grupo social, já que raramente pode-se isolar o objeto de estudo, de forma a eliminar todas as influências possíveis sobre ele.
    Já a interpretação é livre, e todos são livres para acreditar ou não no que quiserem. Cabe ao cientista convencer o maior número possível de pessoas, com base nas sólidas (ou não) observações feitas por ele, ou por outros.

    Enfim, abraço de novo..

    ResponderExcluir
  8. Vero.
    Josh, percebo uma leve tendência (será orgulho?) às ciências exatas de sua parte; profesor deduzo, estou correto? Particularmente é a minha. O racional transpira em suas palavras. Se não o for, perdoe-me, porém ganhou meu respeito. Se for, ganhou também minha admiração. De qualquer maneira, é um prazer... ou poderá ser? Abraço.
    Dexter

    ResponderExcluir
  9. Não, eu sou um estudante de 19 anos =]
    e sou das exatas sim, mas as ciências sociais me fascinam. E eu sou tendencioso sim, mas pq sou apaixonado pelo que eu faço... Enfim, obrigado xD vc também tem minha admiração..

    eu ri do cantada cientifica, Maviaelson heheehe vc sempre categórico =P
    mas enfim, sou um homem comprometido ;P mas sempre que quiserem discutir estou por aque =D

    ResponderExcluir
  10. Maviaelson, pelo jeito meu método científico falhou..=b
    Cavalheiros me desculpem. Às vezes não me contenho nas brincadeiras...mas são inofensivas, não se preocupem ;-)
    Josh, obrigado a você também. Estou apreciando muito esse blog, nosso anfitrião e seus seguidores.
    Fungadas e abraços gratuitos a todos
    Dexter

    ResponderExcluir
  11. A tal Escala Kinsey mostra, antes de mais nada, que nem tudo é preto e branco como a sociedade gosta de imaginar.
    Embora ninguém possa fazer afirmações conclusivas sobre a origem das preferências sexuais do ser humano, eu arrisco a dizer que há casos e casos. Há aqueles que já nasceram num dos extremos, e a vida é conduzida sem traumas e apenas confirma sua predisposição desde sempre. Outros a vida os empurra a assumirem-se gays desde cedo, sem alternativa. E uma grande maioria, imagino, que vai vivendo a vida e se descobrindo aos poucos, vivenciando uma inclinação de origem desconhecida com experiências, traumas e afetos, na vida que acaba definindo uma orientação.
    Tudo muito complicado. Será mais simples se fôssemos todos aceitos simplesmente como seres humanos. Somente!

    ResponderExcluir
  12. mi add no msn wes_g-a-t-o@hotmail.com
    para parte un papo

    ResponderExcluir
  13. Também acho que se não houvesse tanto essa separação hétero/coisas de hétero e gay/coisas de gay, certamente viveríamos algo mais livre, tanto com relação ao sexo, quanto questões mais banais (tipo abraçar ou beijar o melhor amigo). Reconhecer que a sexualidade humana é bem mais que dois pólos opostos poderia ajudar nisso.

    Acontece que tudo que não é preto e branco a maioria das pessoas não entende. O mocinho é sempre o cara virtuoso e o bandido, um cara mau. A figura do anti-herói é o máximo de diferente que as pessoas enxergam. Heróis ou vilões mais humanos, passíveis de erros ou de arroubos de virtudes, ainda fazem parte de uma literatura muito mais restrita.

    Hoje em dia, é muito fácil condenar o homossexualismo e dizer que o certo é ser hétero. Quando cair essa barreira, e eu realmente acredito que cairá, aí realmente veremos que existem infinitos tons de cinza. Coisa que, em ciência, já se discute bastante. "N" categorias podem criadas para melhorar o entendimento, mas os cientistas sempre reconhecem que existem intermediários a essas categorias.

    Abraços.

    ResponderExcluir
  14. Achei nada a ver o que você disse sobre os "rótulos" sexuais. Agora não existem mais heterossexuais? "Se assim eles dizem ser ou são é porque no fundo uma baixa voz da moralidade os impede de exercer outros tipos de relacionamento que não sejam os heterossexuais"? E por que é infundado dizer que alguém é gay ou bissexual? Não entendi o que quis dizer. Oras se eu sou homem e gosto só de homens e isso é uma característica natural e espontânea minha (não é uma escolha), então de acordo com a etimologia, desse modo se está apenas conceituando o que essa orientação do meu desejo sexual é numa palavra. Você mesmo de certa forma se contradiz ao dizer que deixou o seu lado heterossexual (sendo agora homossexual) e agora dizer que tais definições não são cabíveis. Existem sim pessoas heterossexuais (exclusivas), bissexuais (em várias proporções), homossexuais (exclusivas) e assexuais. Acho que essa teoria (de boteco) de que todos somos bissexuais é pura balela.

    Perceba que só estou discordando do seu ponto de vista e mostrando meus argumentos, não estou iniciando uma briga rsrs.

    A propósito achei seu blog bem interessante. Continue firme.

    Abraços.

    ResponderExcluir

#HTML10{background:#eee9dd ;}