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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Indecentes

    Algumas pessoas com quem converso, gays inclusive, afirmam que se sentem envergonhadas pelo comportamento do grupo, dada a 'promiscuidade' no nosso meio. Suponho que eles tomam como base o que veem em lugares como bate papos, ou o que chega até eles por meios estereotipantes e distorcivos como a TV ou até por pessoas desinformadas, altamente influenciáveis.

    Eu acredito que o homem é um animal promíscuo por natureza, já que o sentido da vida é a perpetuação da espécie. Portanto, o sexo, como necessidade fisiológica, se torna uma prioridade quando a vida está confortável. Temos casa e comida farta, então procriemos. A razão impede, pois, de nos tornarmos coelhos com 20 filhos por mulher e o sexo agora tem fins de lazer, não mais a perpetuação da espécie exclusivamente.


    Nos bate papos da vida, as pessoas estão, provavelmente com o pau duro numa mão e outra no teclado. Mesmo sendo, possivelmente, pessoas interessantes (bem no fundo), esse não é o momento mais adequado para ter um papo cabeça com um estranho. Os frequentadores de bate papos tem como prioridade, naquele momento, uma diversão. Não somente nas salas exclusivas para gays, mas também nas salas para héteros, o comportamento é o mesmo. 

    Muitos pensam que os gays são mais promíscuos porque o bate papo é o único meio de contato com outros gays.

    O sentimento que existe entre gays é ofuscado pelo problema da dificuldade de exposição. Você não vê casais gays trocando carinhos no meio da rua, sob o risco de serem alvo de chacota ou agressão. O medo de se relacionar de uma forma estável também é um problema.

    Eu me lembro uma vez, estava num ônibus e no ônibus do lado subiu um casal gay. Eu via pela janela. Tudo que fizeram foi sentarem-se um ao lado do outro e um deles repousou a mão em torno do pescoço do outro, como se estivesse abraçando. As pessoas que estavam atrás do casal começaram a rir, e um primitivo senhor que estava no mesmo ônibus que eu, proferiu palavras de provocação. Deixei para lá pois na época eu não me importava com militância. Mas ao ver aquele casal eu fiquei cheio de esperança. Era um carinho sincero que transparecia, apesar de todos os riscos. Sem falar que os dois eram muito bonitos.

    Convido os leitores a assistir esse documentário, de uma série que eu acho ser uma das três coisas  decentes da Globo (Mais Você, Video Show e O Clone). O Profissão Repórter da semana passada foi a bailes funk e micaretas ver o comportamento dos 'jovens'. Daí, surgem incoerências, que implicam em perguntas:

    Será que somos mesmo mais promíscuos que os 'héteros normais'?

    Será que o gay promíscuo não é comparado à mulher promíscua, e repudiado?

    Será que o comportamento promíscuo no homem hétero é desejável?

    Será o machismo inevitável, mesmo entre gays?

Um abç e bom final de semana =) 


quinta-feira, 14 de julho de 2011

sobre modelos

    Quando olhamos para o futuro, a imagem que enxergamos de nós mesmos é geralmente um esboço de modelos de vida e um pouco de imaginação. Desde criancinhas, temos infinitas fontes para nos basear sobre como devemos ser. Não somente os pais, mas também pelo que chega até nós, com pessoas nos dizendo como agir, filmes de comédia romântica, filmes da Disney, novelas etc. Princesas lindas e gentis inspiram as meninas. Príncipes bravos e incorruptíveis, os meninos. 

    A maior parte dessa influência vem dos nossos pais, certamente. É neles que encontramos nosso espelho para o que um dia devemos nos tornar. Mas quando começamos a divergir do que nós esperamos ser ou do que eles esperam que sejamos, fica faltando um modelo para seguir com esse novo estilo de vida.

    Tenho procurado por pessoas que possam me servir de modelo na vida. Alguma pessoa bem sucedida, de índole irrepreensível e gay. 

    Essa falta de modelo para o gay faz com que sejam criados mitos e falsas impressões em torno do nosso estilo de vida. O que está amplamente difundido na cabeça das pessoas é que ser gay implica necessariamente em exclusão pela família e/ou amigos, ser vítima de piadas e ter uma vida infeliz, sem poder viver o amor plenamente. Essa idéia é compartilhada também entre pessoas que leem o blog, o que é refletido pelo resultado parcial dessa nova pesquisa. Aproximadamente metade dos leitores escolheriam não ser gay se pudessem.

    Bem, eu ainda não achei meu ídolo gay. 

    Pelo menos no Brasil, além do deputado Jean Wyllys, não consigo pensar em nenhum outro gay bem sucedido e assumido, com a definição de sucesso sendo bem subjetiva. 

    Fora do Brasil, a apresentadora de TV americana Ellen Degeneres me inspira. Aquela que saiu do armário em 1997.  Ela já tinha uns 30 e tantos anos eu acho, teve problemas com o pai e foi demitida do canal em que trabalhava por isso. Apesar dos pesares, ela não perdeu o bom humor e vontade de lutar por direitos iguais. 

    Como ainda não temos muitas inspirações brasileiras, deixo uma proposta para que sejamos nossos próprios ídolos. Aqueles que são bem sucedidos e de caráter irrepreensível. Quem sabe a nossa geração possa fazer com que ser gay seja visto de outra forma e que inspiremos as novas gerações a não terem medo do que são. Que mostremos que ser gay é apenas um detalhe na vida de pessoa maravilhosas.

E aos senhores, quem vos inspira? =)
Abç.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E quantos somos?

    Muitos. Mais até do que podemos contar e, finalmente, vamos tratar de números. Fontes oficiais informaram que a parada gay reuniu uma multidão de 4 milhões de  pessoas, aproximadamente. Isso representaria uma parcela de 2% da população do país, somente naquela região de São Paulo, naquele dia
    Desse número crú, que a primeira vista parece muito baixo, já tiramos o mínimo de pessoas alternativas que existem no país. Agora, considerando todos os gays assumidos que não foram à festa, seja por opção ou por restrição, e que seja de São Paulo ou não, esse número sobe mais. Também considerando a parcela mais significativa de gays - na minha opinião - que são os casos de armário e que não se manifestam nesses números, como eu e muitos leitores, esse percentual da população brasileira que é gay ou bi explode. 
    Uma pesquisa feita pela USP em 2009 tentou medir a proporção de gays entre a população de algumas capitais brasileiras. Eu particularmente ainda tenho minhas dúvidas quanto aos números obtidos, mas quem quiser ir a fundo e checar as fontes fornecidas pela Wikipedia, sinta-se a vontade para me informar da veracidade e confiabilidade dos dados. =)
    A pesquisa diz que 19% dos homens do Rio de Janeiro são gays ou bissexuais. Isso significa 1 em cada 5 e é uma quantidade bastante significativa. Na minha querida BH esse número cai para 10% dos homens e curiosamente 7,7% em São Paulo, que eu acreditava ser a capital mais gay no Brasil (no bom sentido). Em números absolutos, com certeza SP é a maior.
    A Wikipédia internacional mostra uma média de 5% de homossexuais como componentes da população de diversos países. Não pude averiguar os métodos usados mas pode ter sido feita uma média dos números das capitais e cidades interioranas, que tradicionalmente tem um índice menor. A pesquisa brasileira mostra apenas o índice de capitais, que são os redutos das comunidades gay e talvez por isso os números são maiores.
    Então, Rio de janeiro aí vou eu!
    Surpreendentemente, o índice de mulheres que se auto declaram homo ou bissexuais é menor que o de homens em quase todas as cidades, exceto em Manaus. Essa foi a única capital em que o índice de mulheres lésbicas ou bi excedeu o de homens.
    O número médio de homens e mulheres alternativos no rio é de 15% e é aproximadamente a mesma percentagem de evangélicos no brasil, a fim de comparação. Mas os evangélicos não tem problema em se declarar ou até fazem isso com orgulho, por isso esse percentual pode ser mais próximo do real. Por outro lado, fazer esse tipo de pesquisa com gays é muito complicado. Muitos não revelam a verdadeira sexualidade pela paranóia de sempre: medo de ser descoberto e coisa e tal, apesar de as pesquisas serem geralmente anônimas. No final das contas, esses números devem ser muitas vezes maior, e talvez não sejamos uma minoria tão menor assim. ;D
     Abçs e ótimo fim de semana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Notas rápidas 5

    Com a parada gay em foco e aquela tal de marcha para jesus que aconteceu ao mesmo tempo, algumas questões estão aparecendo com bastante frequência. De um lado manifestam a pluralidade dos homens e pedem que a homofobia seja considerada crime. Do outro, defendem a família, a perpetuação da espécie e a liberdade de expressão. Os argumentos que essa última parte usa não poderiam ser mais furados, e são repetidos como um disco quebrado:

    1 - "Querem criar um terceiro sexo"
    Não existe um terceiro sexo e nunca existirá. Somos homens ou mulheres. O que seria esse terceiro sexo que tanto se referem? O sexo dos gays, talvez? Eu sei que nasci com um pênis e isso me faz homem, nada mais, nada menos. Quem se refere a um terceiro sexo quer causar confusão com orientação sexual, que existem infinitas, e não 1, 2 ou 3.

    2 - "Querem acabar com a liberdade de expressão"
    Senhores, definam liberdade de expressão antes de dizer que queremos acabar com ela. Você pode dizer o que quiser, todas as bobagens possíveis, contanto que arque com as conseqüências depois. Você pode chegar numa favela e gritar que todos são macacos. Pode chamar um homossexual de doente. Pode tudo. Isso é o direito à liberdade de expressão. Só lembre-se que todas as pessoas tem o direito à honra e a sua liberdade de expressão não pode interferir no direito à honra das pessoas. Porque os senhores já sabem, todos os brasileiros são iguais, independente de qualquer coisa. É esse direito a honra que queremos defender e não o fim da liberdade de expressão.

    3 - "Querem direitos especiais"
    Não tínhamos direito a pensão, a casamento, a adotar, etc etc. Em outras palavras, éramos cidadãos que pagam os impostos e mesmo assim não tínhamos garantidos os direitos básicos ou respeito. Ainda dizem que estaremos sendo privilegiados com direitos especiais, pela aprovação da lei anti homofobia. É sério isso?

    Agora a defesa da família....
    É muito fácil de perceber o padrão das pessoas que dizem que família é com um homem e uma mulher. Semana passada, assistindo à entrevista do juiz Vilas Boas no Fantástico, aquele que anulou a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer uniões estáveis entre pessoas no mesmo sexo, percebi que ele usou esse mesmo discurso de que família só poder existir com um homem e uma mulher. Isso tem tocado mais do que a música da piriguete, no carnaval de 2007.
    Ora, meu juiz, numa relação entre homossexuais também repousa o amor e respeito mútuo, assim como o desejo de viver como uma unidade, ser parte do estado e gerar descendentes, nada de diferente da família "normal". Por que isso não pode ser considerado uma família? 
    Eis que ele respondeu. "Por que não são capazes de gerar descendentes. Se fizermos um experimento com um grupo de 10 homos isolados numa ilha, o estado não se sustentaria por uma geração".
    Então senhor juiz, casais com dificuldade para engravidar não podem ser considerados uma família? 
    Se não vivêssemos numa sociedade tão preocupada com moralismos fúteis, casais gays poderiam ter descendentes genéticos através da clonagem. Mas isso nos daria o direito de sermos chamados de família e o senhor juiz teria que achar outro argumento para atrapalhar a nossa vida. Sem falar que muitas família "normais" por aí, essas sim, não deveriam ter nem o direito de ter filhos, dada a negligência e maus tratos com que criam seus filhos. Esses que constituem família porque tem que ser assim, para dar satisfações a sociedade quando não tem a mínima vontade de casar ou virar pai, enquanto nós lutamos por essas oportunidades.

    Não foi surpresa, mas também achei tendencioso da Globo mostrar a relação do juiz com uma igreja. Mas falando no assunto, acho que todas as igrejas estão usando esse discurso de família para atacar os homossexuais. A campanha da fraternidade da católica essa ano também é sobre a família. Até que ponto deixaremos as convicções e influências religiosas afetarem a vida da sociedade, que, em teoria, não deveria depender de religiões? 

    Se o congresso fosse legislar de acordo com uma religião, seja no brasil a católica, as outras religiões sairiam prejudicadas, e vice versa. Quando o Brazil se tornou república em 1889, decidiu-se que, para evitar a fadiga, o estado e a igreja seriam duas coisas separadas, e não uma teocracia, como acontece no Irã. Os documentos deixariam de ser emitidos e armazenados nas igrejas, como era feito até então, e esse seria um papel do estado. No Irã, o presidente eleito pelo voto popular - ou por fraude - ainda não é o líder político máximo no país, mas sim o aiatolá, líder supremo político e religioso. Então, eu como ateu, não me sentiria bem num país que vivesse baseado naquele livro 'sagrado', em que as leis são feitas de acordo com os costumes tradicionais da religião.

    Por isso, senhores, quando discutirem sobre qualquer coisa, limpem a arena e estejam certos que Deus não aparecerá. No ensino médio, nas minhas aulas de filosofia, meu professor dizia que se Deus for trazido à discussão, esta se encerra. Ninguém pode afirmar que uma coisa é certa por que Deus quis e mesmo se Deus existir ninguém é capaz de se comunicar com ele. Estaríamos voltando à Idade Média, onde os camponeses conseguiam explicar tudo o que acontecia no mundo com um simples argumento, e esperar por dias melhores com uma única aspiração: "Se Deus quiser".

    Para mencionar Deus, primeiro convença teu discutinte de que ele existe. Caso contrário, atenha-se ao racional e palpável, não a mitos. Deus é um mito, quase um papai noel para adultos. Mitos são fertilizantes de superstições, religiões, medo e, por fim, controle. Isso, porém, causa um reboliço muito maior em adultos quando são ditos que Deus não existe do que em crianças quando descobrem que papai noel não existe. 

    Mas não criei esse blog para discutir religião nem para divulgar minhas idéias e frustrações com ela. 

    É muito pessoal, cada um tem a sua e mudar a cabeça de alguém que tem opinião formada (ou que tenha Deus no coração) é quase impossível, só trás frustrações. Como dito, é pessoal. Por isso não gostaria de ver crucifixos em repartições públicas, em escolas e tudo mais. Isso me ofende. E eu tenho o direito de não ser ofendido - a não ser que eu seja privilegiado demais. É como se os cristãos vissem um crucifixo dependurado de ponta cabeça. Vocês podem sentir minha frustração?

E fim do tópico para desabafo extremamente tendencioso, não editorial.
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