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sábado, 25 de junho de 2011

Por lá e por cá

    Acho que é unânime a ideia de que gays só podem viver em harmonia em cidades grandes.
    Em cidade pequenas, com poucas dezenas de milhares de habitantes fica a ideia de que a vida de gays - assumidos ou não - é o inferno na terra. Quer queira quer não, as pessoas estão relacionadas em algum grau, seja por sangue ou porque todos conhecem o dono da padaria, uma das duas da cidade. 
    Existe muito a tradição de num domingo preguiçoso, as senhoras donas de casa sentarem-se na porta de casa e outras senhoras aglomerarem-se para conversar. Eu sempre imagino que em algum ponto da conversa elas estarão falando uma coisa do tipo: 'Você sabe aquele rapaz? O filho da dona da sorveteria. Ele está com 20 anos e ainda nem noivou'.
    É sempre um problema em cidades pequenas porque as chances dessas pessoas te conhecerem é alta. É como se tudo o que você faz está sendo vigiado por alguém a todo momento. Isso traz a dúvida se a decepção de pais que tem um filho gay é causada mais pelo fato em si ou pela vergonha de ter as pessoas falando sobre isso. Por isso eu imagino uma maior necessidade de os gays do interior em se comportar da forma que a família espera que eles o façam, causando frustrações terríveis. 
    Essas são generalizações que eu faço quando tomo meu exemplo. Generalizo porque no interior as pessoas são mais religiosas, elas tem mais a ideia de unidade e de um meio social fechado, com aversão ao diferente daquele grupo. Não somente pessoas de sexualidade diferentes, mas também não veem com bons olhos pessoas de religiões diferentes e em casos extremos, há cidades também bastante racistas.
    Eu tinha uma ideia de que quando eu me mudasse para Belo Horizonte eu poderia me conhecer melhor, por não ter todos aqueles familiares e amigos de longa data por perto. Poderia pensar e agir mais livremente, como o verdadeiro eu quisesse. Apesar de eu ter crescido em uma cidade de porte médio, as vezes eu me sentia no meio de uma vila da idade média. Minha vó dizia-me para não brincar com certo amiguinho porque ele não era batizado. 
    Se me conheci melhor em BH, não resta dúvidas que sim. Mas também descobri que as mesmas pessoas que eu repudiava na minha cidade estão aqui também, porém com outros nomes e rostos. Então evito me relacionar com pessoas que podem me fazer sofrer, como elas me faziam na dita cidade. A vantagem é que em uma cidade maior existem comunidades maiores de tudo, tanto de pessoas ruins quanto de pessoas que te entenderão e te aceitarão pelo que você é. O caminho é se cercar dessas pessoas que te fazem bem, seja no interior, seja na capital ;)
    Bom feriado.



16 comentários:

  1. Olá!!! Esse lance de vidade pequena é realmente verdade. Sou de uma capital, morei em uma cidade pequena - e bem religiosa - (até de minas mesmo!) durante a faculdade e agora moro em outra cidade pequena, em outro Estado. É perceptível como os gays são mais metralhados em cidades menores... Já ví casos de saírem de lojas onde as "bixas da cidade", como são conhecidas, entram. Fora os comentários... Também achei que, saindo de casa, poderia fazer o que quisesse, porque ninguém me conheceria. O problema é que você começa a fazer amigos, e a opinião deles passa a importar pra você. heheh Você continua sem fazer o que quisesse! Só mudam as pessoas que você não quer magoar/chocar/se afastar. Aconteceu isso contigo também, NB? Um abraço!

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  2. {É certamente de que isso eu creio que esta relacionado aos envolvimentos e as certas intimidades que no interior ocorra pois nasci na capital mas passava as ferias no interior, portanto sei exatametne o que vc esta dizendo.
    Mas vejo que por mais que fujamos de certos padrões de uma forma ou de outra eles estaram ao nosso redor. Temos é que mudarmos o foco ou a maneira de encara-los Boa Sorte meu amigo!!!

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  3. Eu morei minha adolescência (10 ao 17) em Guajará-Mirim - RO (cidade do interior de um estado do interior, rs*). Não sofri tanto pois não pensava muito nesse assunto naquela época, mas as descobertas sobre minha sexualidade estavam começando, mas acho que o medo é mais das pessoas do que do tipo de lugar, porque mesmo em 'cidade grande', você acaba vivendo num nicho (por exemplo, seu bairro) que reflete uma vida do interior: todos se conhecem e 'cuidam' da vida do outro...

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  4. Maviaelson, até concordo contigo sobre ter o problema dos bairros, mas... ainda existe a possibilidade de você ter carro, e fazer tudo o que bem entender longe do bairro, tipo no centro da cidade.. já em cidade pequena, o centro é logo ao lado de casa e todos que estão lá te conhecem! portanto é evidente que numa cidade grande a incomodação com a opinião alheia tende a ser menor..

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  5. Mto verdadeiro isso que vc disse! Mas todos devem saber lutar pelo seu espaço, mesmo que não declarado!

    Marcelo

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  6. Puxa, vindo depois de um fds na minha cidade, e encontro teu post postado! xD

    Sem comentários dessa vez, pq senao vou falar uns 5 Km. Ainda mais depois dos acontecimentos recentes... só não posso deixar de assinar embaixo, claro...

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  7. Por que a mudança do título? O outro era bem melhor...

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  8. Bem...eu sou d euma cidade de zona metropolitana, mas com ares de interior. Tem as pessoas fofoqueiras da rua, o comércio centrlizado no meio da cidade, a festa do padroeiro e todas a spessoas se conhecem, nem que de vista mesmo...
    E realmente, que é gay nesse tipo de cidade ou asusme de uma vez e aguenta as consequências, ou se resolver fingir, tem que ser digno de um oscar. Acho que o lance é bem esse mesmo, da opção de não querer se relacionar com esse tipo de pessoa nas cidades grandes [coisa que nãoa contece nas cidades pequenas, já todo mundo sabe um pouco da vida do outro...].

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  9. Pra qualquer lugar que a gente vá sempre terá pessoas comentando sobre nós, na cidade grande o nosso bairro é como se fosse a cidade pequena, o importante é sermos nós mesmos, nos amar, nos aceitar...o resto não vai encomodar tanto como antes...eu não converso com os meninos da minha rua, claro todos acham que eu sou gay, mas não tem certeza, eu simplesmente fico na minha e eles na deles, se me perguntarem eu falo, caso contrário deixo assim...o que importa em mim mesmo é a personalidade, o caráter, a vontade de ser uma pessoa melhor e eu sei que serei reconhecido por isso um dia, eu faço o meu melhor e mostro pras pessoas que eu gosto que minha sexualidade não importa em nada desde que eu tenha respeito a cada um deles...

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  10. Cheguei ao ponto de começar a achar que havia um enorme defeito em mim, que haviam colocado um selo na minha testa e ninguém jamais iria me ver com respeito se eu fosse eu mesmo. Eu sempre amei metrópoles e a idéia de viver nelas. Hoje faço engenharia na minha cidade natal, no interior do Rio, e me sinto bastante sufocado aqui, principalmente porque não sou o tipo de cara que quer se enfiar em banheirões e nessa vida noturna louca...
    Espero sair daqui em breve, mas acho que há uma enorme possibilidade de só sair quando terminar a faculdade, daqui há 5 anos...

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  11. Eu já não aguento mais sportar isso aqui ! Não aguento mais ter que ir na rua dessa roça aqui. ja estou em estado de pedir ajuda a Deus porque so assim viu . Eu moro numa cidade chamada Resende Costa, já não aguento mais o preconceito dessa 'roça', (eu denomino aqui como roça por ser piqueno e atrasado, já nao aguento mais ter que subir pra escola e ver os mesmos rostos, os mesmos preconceitos de quase sempre das mesmas pessoas . Aqui por ser muito piqueno ainda todo mundo sabe da vida de todo mundo e eu pra evitar que comentem, que me apedrejem mais prefiro ficar em casa . Nunca sai em nenhum baile nessa cidade aqui, e olha que todo final de semana tem. Minha prima ontem me ofereceu: -Célio eu coloquei seu nome na lista de convites pra minha formatura tá! eu logo disse: Não prima ! eu te do os parabens e tudo mais mas na sua festa eu não vou não . Mil desculpas !! e por isso fico . nem na formatura da minha prima eu quero ir para não ter que ver as mesmas caras . e só pra finalizar meu desabafo. Em dezembro, daqui 20ou25 dias mais ou menos vou me mudar de cidade . Finalmente! vou morar em Conselheiro Lafaiete (uma cidade que eu adoooro pelo fato de ser maior e ter mais pessoas iguais a mim.)lá eu vou me sustentar com apenas 17 anos . Claro que vou ter uma ajuda enorme da minha pensão e tal mas mesmo assim estou saindo de casa com 17 anos pra ver se sumo dessa roça aqui.

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  12. Eu morei quatro meses sozinho no interior (e foram só quatro meses pq não aguentei mais) e eu achava que morar sozinho e em uma cidade que NINGUEM me conhecia, ia me dar a oportunidade de ser eu mesmo. Talvez vivenciar livremente minha sexualidade, andar em lugares GLS etc.
    Não fiz nada disso. Simplesmente não me senti a vontade para isso, que triste. Vivi do mesmo jeito que vivo aqui na capital. As vezes acho que perdi a chance e fico realmente pensando em ir embora pro exterior, mas continuo achando que vou continuar fugidno, d emim mesmo.
    bjos N.B. que tem me feito pensar bastante. Meu blog, se vc o ler, verá aventuras sexuais errantes (muitas delas apenas fruto do meu TESAO e outras da IMAGINAÇAO), pensamentos e muito de mim escondido ans entrelinhas e expostos também. mas o sentido do blog é esse: me fazer pensar.

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  13. Também acabei de vir do interior de MG para BH e achei esse texto genial! Eu sei que muitos já falaram, mas é impossível não me identificar com o que você escreve e com você mesmo, N.B. :) Aqui deixo só meu muito obrigado :)

    PS: desculpa comentar numa postagem tão antiga hihihi, é que esse é o texto que mais define o que passei e estou passando no momento.

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    1. Moço, desculpa pq?
      Eu leio todos os comentários, pena que não dá tempo de responder a todos =(
      Vejo se nas férias tiro um tempo para responder aos mais antigos. Muito obrigado pelo comentário, assim dá mais ânimo pra continuar escrevendo =)
      Um grande abç
      N.B.

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  14. Oi, sou gay, não sou assumido, tenho 18 anos, sabe eu sempre sou mto reservado, nunca beijei. Durante mto tempo acreditei q os gays e héteros num tivessem boa convivência, mas de uns tempos pra cá convivi mais com héteros e vi como eles conversavam com os gays assumidos, achei estranho em 18 anos só agora parece q percebi q nem todos os héteros nos repreendem.Acho q de certa forma estou abrindo meus olhos e minha conciencia agora.Edy (Nome fictício)

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  15. Sempre morei em Olinda, que faz parte da Região Metropolitana do Recife, então tem muita coisa da vida em capital. Sempre detestei pessoas que ficam cuidando da vida dos outros, independente de ser a minha ou não. Minha mãe também é assim, então nunca deu muita bola pras vizinhas fofoqueiras, nem para os parentes fofoqueiros, e de vez em quando ainda dá bronca no meu pai ou na minha avó quando um deles fica de olho na vida alheia. Não duvido que até hoje eu ainda seja motivo de fofoca (ninguém nunca me viu com uma namorada, por exemplo), mas, como todo mundo sempre me tratou bem, eu prefiro esquecer que alguém comenta sobre isso.

    Nunca fiz muitas amizades no bairro (somente com algumas pessoas da minha rua e olhe lá). Meus amigos sempre foram de colégio e faculdade. A opinião deles até vale mais do que a dos vizinhos, mas tem certas coisas na vida da gente que NÃO PODEM estar sujeitas ao que o outro acha. Por exemplo, se algum deles descobrir que sou gay, ficaria triste em saber que são contra ou não me apoiam. Mas esse não é o tipo de coisa que depende de "aprovação popular", então, entre mudar de orientação e mudar de amigo, muito chateado, fico com a segunda opção.

    Abraços.

    ps: já morei por alguns anos numa cidade do interior de SP. Apesar de ser tão grande em número de habitantes quanto Olinda (algo por volta de 400 mil), eles tinham muito mais comportamento de gente do interior do que os olindenses. Algumas coisas nesse pessoal do interior eu sempre achei estranho. Por exemplo, certa vez, no ônibus, uma moça me contou boa parte da vida dela, sendo que aquela tinha sido a primeira e única vez que a tinha visto :P . Acontecimentos assim eram comuns, mas nunca me acostumei.

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