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segunda-feira, 7 de março de 2011

Família e etc

   Cresci como um garoto católico. Desde pirralhinho ia à missa ao menos uma vez por semana com minha família, apesar de não achar a coisa mais divertida do mundo. Talvez seja até comum crianças não estarem tão interessadas em coisas de igreja.
   Acho que dá pra ter uma pista de que minha família tem uma certa inclinação pra religiosidade. Especialmente minha mãe, enquanto meu pai é mais largado. Eu divergi, porém, dessas expectativas que minha mãe tinha pra mim. Me tornei agnóstico aos 18 anos e ateu aos 19, e sempre brinco com minha ela sobre as coisas de deus. Quando ela fica sem argumentos para responder minhas indagações, um tanto debochadas as vezes, ela sempre diz que está muito decepcionada comigo e que uma vida sem deus é uma vida muito triste. O que diria então se soubesse que seu filho é um farsante gay? Não nego que ultimamente tenho um certo vazio em mim, mas não dou crédito a minha falta de crenças. Acho é que mais sentimental. Mas enfim.
   Percebo seu desconforto quando amigas a perguntam se 'já' estou namorando. Ela sempre responde que estou muito ocupado com estudos, mesmo não tendo uma namorada desde os 16 anos e que nem era um namoro sério. Acho que é bastante evidente quando um garoto não demonstra tanto interesse no sexo oposto. Poxa, um rapaz que não é feio e há 5 anos sem namorada já não é uma dica gritante?
   Sou distante nas conversas, não gosto de falar muito sobre mim ou minha vida. É como se existisse uma barreira no nosso relacionamento que impede que coisas relacionadas a minha sexualidade sejam ditas, mas se isso interfere em grande parte da minha vida pessoal e dos meus sonhos, só sobra a parte profissional para conversar com ela.
   Eu creio ser um filho exemplar, e espero que se algum dia eu resolver contá-la, ou mesmo se ela me perguntar, ela não se deixe levar pelos preconceitos e lembre-se se que qualquer mãe gostaria de ter um filho irrepreensível e esforçado como eu sempre tentei ser. Mas se o caminho escolhido for por virar as costas para mim, não tenho certeza qual seria a minha reação. Tenho uma tendência de ser muito orgulhoso e, se ela me dar as costas, é provável que eu suma no mundo, mesmo que eu sofra. Mas eu divago.
  As vezes pergunto as minhas amigas se aceitariam que seus filhos fossem gay. Até hoje não conheci nenhuma pessoa que me dissesse, olhando em meus olhos, que o rejeitaria. Exceto uma mulher que tem certa orientação religiosa e mais idade. Não a levo muito em consideração pela idade avançada e mente antiga, e já tive discussões calorosas com ela. O mesmo acontece com amigos. Alguns até dizem que o botariam para fora de casa, mas eu percebo o tom de brincadeira.
   Pais deveriam amar seus filhos incondicionalmente e é nisso que nós devemos nos apoiar. Eu tenho uma ideia de amor incondicional e posso dizer que sempre queremos o melhor para os nossos amados, mesmo quando somos mal compreendidos. É um choque no começo mas eles tendem a se acalmar e ver como isso não é o fim do mundo. Claro que pais tem planos e expectativas para seus filhos. Querem os ver casados, com uma casa num bom subúrbio, um carro grande e, claro, netos. Ao descobrirem que esses planos serão frustrados eles ficam abatidos, como qualquer outra pessoa que se depara com uma mudança de planos para a vida. Eventualmente eles terão de refazer seus planos sobre o que esperar de seus filhos e isto pode ser visto com um tanto de antipatia.
   Vi um video há um tempo atrás de um radialista americano lendo uma carta de suicídio de um garoto de 14 anos. Me lembro de uma passagem que me marcou muito, em um período em que eu precisava de aceitação. "Eu não quero que exista uma aberração em minha família. Talvez deus seja piedoso e me deixe voltar, mas não como um 'viado'", disse ele. As pessoas ao redor do garoto odiavam tanto os homossexuais e isso fazia com que o garoto os odiasse também, e se odiasse a ponto do suicídio, pois não é uma coisa que podemos mudar, não é opcional. Se ele ao menos tivesse alguém que lhe dissesse que tudo aquilo era normal, certamente faria alguma diferença. Mas isso já faz tempo. Por isso quero fazer a diferença com a juventude que não se aceita e dizer que vocês não estão sozinhos no seu sofrimento.
   Apesar de tudo sou um otimista. Acredito que nós, gays, somos mais aceitos a cada dia e que pais estão mais conscientes da questão da sexualidade. Pais, como qualquer outro humano, já foram adolescentes e sabem o que se passa na cabeça de seus filhos, ou ao menos tem alguma noção. Além do mais, pais preferem ter seus filhos em qualquer condição desde que estejam vivos. Os pais desse garoto americano se arrependeram tanto da má influência que causaram sobre o filho que até fundaram uma organização para conscientização e tolerância para pais de jovens homossexuais. Bela iniciativa, mas deveriam ter sido mais tolerantes desde o começo, e isso não alivia a culpa e nem trará o garoto de volta.
Abçs.
N.B

34 comentários:

  1. sério . vc escreve mtu bem !!! infelizmente é mtu dificil vc passar essa fase sozinho , principalmente sem ngm para vc conversar ou algo do tipo ... por isso mta das vezes alguns jovens acabam ficando sufocados demais com seus pensamentos que acabam pensando que acabar com sua vida seja a unica solução . Estou na minha adolescencia , e esta sendo mtu dificil pra mim aceitar que sou gay .. espero que essa fase passe logo ...

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    1. Realmente relaxe,eu estou na adolecencia tbm e dentro do armario no meu caso ainda e pior mas creio q um dia isso melhora sabe? as vezes penso se realmente é isso q é nosso destino,Tipo 'você n é aceito nesse colegio por ser gay' oq ja foi dito pra mim e cara eu pirei mas um dia melhora ne?
      a tendencia de tudo e melhorar ne?

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  2. Lucas, meu caro, seu perfil não está disponivel para que eu mande-te mensagens. Obrigado pelos elogios, são muitos valiosos =)
    Continue a ler o blog, eu passei por tudo que vc esta passando agora e quero ajudar a pessoas como vc a passar tb. Eu sei que é um momneto mto dificil mas no final tudo vale a pena. Aproveite sua juventude do jeito que vc quiser e nao deixe ng te dizer que vc esta errado ou coisa do tipo. Os errados são eles.
    abç =)

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  3. Mais uma vez PARABÉNS pelo blog. Estava procurando por um cantinho como esse para ler experiências de vida próximas as minhas. A forma de pensar do dono do blog é muitíssima parecida com a minha. Talvez seja porque estamos passando por algo bem parecido. Às vezes me dá uma certa vontade de me assumir para alguns amigos,mais especificadamente amigas, mas acho super difícil me assumir para a minha familia. Logo ela que deveria ser nosso porto seguro, é a que mais nos causa insegurança.INFELIZMENTE.

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  4. Excelente post. Como o Lucas citou,é muito difícil passar por essa fase de aceitação sozinho, sem ninguém para conversar, te dar conselhos, alguém que realmente te entenda, chega a te sufocar...já pensei em fazer besteira..mas pelo menos acho que venho melhorando esses pensamentos gradativamente.
    Continue postando cara, concerteza é de grande ajuda para muitos.
    ps: Também curso exatas xD

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. bom ler essas palavras numa madrugada solitária e cheia de saudades.. bom saber que tem gente por aí vivendo e sofrendo a mesma coisa. talvez usamos de uma fuga utópica em fetiches e fantasias para poder se sentir vivo. ótimo blog. Abraço

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  7. Fui lendo o post e ia contar os motivos do sofrimento de meus pais quando lhes contei minha situação, mas você conseguiu explicar exatamente de onde vem a frustração que eles sentem... de fato é foda ter que mudar todos os projetos que fizeram sobre a gente. E a gente quer que eles entendam rápido, esquecendo que passaram 10, 20 anos construindo a ideia de um filho ideal que iria dar continuidade à família, que traria netos, etc. Apesar do grande impacto, aos poucos vai passando. Acho que sarar não sara nunca, afinal, se eu tivesse um filho, ia preferir que não fosse gay. Seria mais fácil pra ele...

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  8. Ola a todos.. esse tem um fime muito bom que tambem conta a historia de um filho gay de uma senhora muito religiosa acaba se suicidando o nome do filme em ingles e "Prayers For Bobby" e muuito bom, e acho que todos devemos assistir..
    P.S.: desculpem a ortografia, mas e q nao sou brasileiro sou paraguaio e tambem sofro com o preconceito, na minha flia tambem falam muito mal de NOS GAYS, e nao posso asumir no momento.. nunca me importou o q os outros digam, so nao quero perder a minha flia..

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  9. Ei, essa história do garoto lembra a que foi contada no filme Prayers for Bobby. O garoto, filho de uma família bem religiosa , e cuja mãe é mais ainda, comete um suicídio e é aí que o filme começa.
    Vale a penas assistir!

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  10. meu nome é jonatan cara não posso crer nisso :O como pode eu tenho 17 anos tbm sou gay de familia extremamente catolica e me tornei agnostico ja fu ateu kkk e vou fazer faculdade vivo no mesmo dilema que você :D

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  11. Muito bom o blog, tenho uma mae parecida com a sua, tenho 28anos e já falei ha alguns anos minha condição mas virou um tabu e nunca mais falamos nada a respeito, como vc falou, resta apenas falar d vidA profissional etc...

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  12. Me identifiquei muito com esse post. Tenho 16 anos, de uma família extremamente religiosa. Ninguém da minha família sabe da minha condição e provavelmente nunca saberá. Sou ateu, já joguei umas indiretas pra minha mãe sobre minha não-crença, mas não tenho certeza se ela entendeu... minha mãe é muito preconceituosa e não perde uma oportunidade para criticar o homossexualismo, o que vai acabando comigo aos poucos. Estou numa fase 'dark', ando bastante revoltado e minha mãe sempre me pergunta o motivo (o qual a mesma nunca saberá, se depender de mim). Só espero que essa fase passe logo, e que eu possa viver minha vida como eu quiser e bem entender.

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  13. Sério, muito legal seu blog. Parabéns.
    Bom completei 18 anos agora pouco, e logo quando começou o desejo por homens, cara foi uma fase muito difícil de encarar. E como muitos sozinho, já que você não quer comentar com ninguem por infinitos motivos. Pensei muito em fazer besteira naquela época também, porém era somente por um periodo ( ia e vinha com o tempo). Graças a Deus essa fase de auto aceitação passou. ja posso contar pra amigos mais próximos sem me sentir maal.
    Um conselho a todos que ainda passam por essa fase: Esperar é a melhor coisa a se fazer. Com o tempo acaba passando, por mais improvavel que pareça.

    N.C. continua postando cara, sério muito legal o blog.

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  14. Muuuuuuuuito modesto, o sr! heheh
    Acho que o que a família pensa a respeito de nós é o principal motivo de continuarmos no armário. Eu comecei a me revelar aos poucos, heheh. Contei pra um primo, para alguns amigos e para minha irmã. Ela até que aceitou legal!

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  15. Caramba,

    É uma pena que esse cara tao jovem tenha perdido a vida dele tao cedo por conta do pre-conceito. Mas infelizmente a depressao nos homossexuais é um fato consumado. Acho q sao rarissimos casos de pessoas q nao tenham ficado extremamente deprimidas por alguém pelo simples fato de serem homossexuais. Sou bi, acho q para bissexuais nao deve ser tão dificil assim. Curto garotos, mais sempre fiquei mais com meninas do que com meninos pelo simples fato da ignorancia da sociedade e hipocresia, na verdade sempre só me relacionei com 1 rapaz, o msmo q estive junto durante 2 anos e meio, más infelizmente acabou, enfim... loga estória. Outro fato consumado é q infelizmente achei seu blog meio tarde, to achando-o interessantissimo, caramba, mto bom msmo!!! Parabens! ;)

    Sinceramente.

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  16. Gostei muito do blog. Você já viu o filme C.R.A.Z.Y? Tem tudo a ver com o post.
    http://www.adorocinema.com/filmes/crazy/
    Um abraço e continue escrevendo.

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  17. Bem legal o teu blog. Minha família também é religiosa e aqui em casa meu irmão também é gay além de mim. Acho que ele sofreu mais do que eu, mas nossos pais acabaram aceitando, depois de algum tempo. Concordo contigo na questão do amor incondicional e também na ideia de que ao sair do armário podemos ajudar a mudar a realidade ao nosso redor, abrindo primeiro a mente daqueles que amamos e depois daqueles que nos rodeiam para a tolerancia e o respeito. Paz pra ti!

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  18. Adoro esse blog , fiquei procurando por ele anos.Primeiramente quero te agradecer pelas palavras e os textos de reflexões presentes aqui.Eu vivo uma situação parecida, meus pais são evangélicos , todos nós crescemos na igreja, desde então eu sempre soube que gostava de coisas diferentes , eu sempre olhava e achava fofo os homens , nunca reparava nas mulheres , quando acontecia era uma questão de talvez , falta-me tempero, não me sentia preenchido ao ver algumas coisas, até que comecei a viver isso, a me apaixonar por garotos e me descobrir, e é uma pena não poder compartilhar com meus pais tudo isso, são várias experiências e eu vivo assim, ainda sim com máscaras atrás de máscaras e o vento soprando e elas caindo diariamente , até que enxerguem o que eu vivo, por mais que seja difícil.

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  19. Kra, li seu post e concordo plenamente com vc. Assim como vc eu tb venho de uma família extremamente religiosa, com pai e mãe tradicionalissimos. Sou religioso, mas não tenho uma religião q eu siga fervorosamente, há anos deixei de ir à missas e tal... Como filho, acho que dei muito orgulho para os meus pais. Sou um homem honesto, estou terminando a graduação e sei q vou ter um bom futuro profissional... Acho q no fundo minha mãe deve achar 'estranho' eu nunca ter apresentado uma namorada pra familia, mas ela prefere acreditar que tenho meus rolos aqui na cidade onde estudo. Acho q não vale a pena contar para eles, sei q me aceitariam, óbvio, mas ficariam meio que decepcionados comigo. Ainda há preconceito, infelizmente, então prefiro manter as coisas como estão. Criei uma espécie de muro com relação a minha vida pessoal... não falo, não comento e não dou liberdade pra ninguem conversar comigo. É ruim? muito... mas eh a maneira q encontrei para me preservar... As vezes penso q vou ficar so o resto da vida, já me assustei com isso... mas hj encaro de boa...

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  20. Put'z!!!! Primeiro PARABÉNS pelo blog... Um amigo me mando o link do seu blog e eu adorei. Caramba e esse assunto é muito interessante. Eu sou gay e meus pais são muito religiosos e tal. Eu sou de uma denominação evangelica. Toco instrumento, canto e gosto muito. Mas, óbvio meus pais e eles (a igreja)nunda me aceitariam. O que mais me entristece é nuam poder comentar quando vejo um homem bonito. É naum poder aceitar um pedido de namoro. É ter que rejeitar que as pessoa se envolvam comigo.
    Duas pessoas já quiseram relacionamento sério e eu rejeitei. Agora ambas namoram (uma já mora junto)tenso demais..!
    Aiiiii.... Parabéns

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  21. Ehhhh.. eu sou esse cara que postou que gosta de tocar e cantar.. eu gostaria de conversar com vc no msn... posso? se vc puder me adiciona:
    fabricioaugusto1@hotmail.com
    Mais uma vez, parabéns!

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  22. PENSO QUE É BOM ESTARMOS ESTABILIZADOS CASO OCORRA ALGUM IMPREVISTO, MAIS O MAIS IMPORTANTE É QUE OS NOSSOS PAIS SAIBAM QUEM SOMOS E O QUE QUEREMOS, O RESTO NÃO PRECISAR SABER!

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  23. Pessoal, assim, tenho uma opinião bem formada quanto ao assunto deste artigo. E sim nosso país melhorou, mas um detalhe que eu acho super importante comentar é, se estamos há tanto tempo em um armario, como podemos mostrar que nos orgulhamos de quem somos( passei da fase da negação a 2 anos atrás)e como poderemos ajudar pessoas que se encontram na mesma situação, só que não são tão fortes como nós? Temos que tomarmos mais atitude. vai ser dificil para muitos? sim vai ser pessimo, mas se ficar tempo de mais no armario...bem não creio que coisas boas aconteçam, sem falar q apesar da melhora do país graças ao judiciario e não ao legislativo (já que lá o antro religioso é grande), temos muito ainda para se comprar um pouco a alguns paises da europa. O que estou tentando dizer é que houve uma melhora sim, mas temos que tomar cuidado com os religiosos conservadores que fazem tudo para tirar o que os GLBTTS conseguiram, então pessoal. Olho aberto e muita consciencia. E quanto a familia,bem nada mais justo que uma mão continuar amando o seu filho se ela não ama-lo mais ela simplesmente não o amava antes só queria que os desejos da mesma fossem realizados por este, ou pode acontecer de ela se desesperar pelo simples fato de que ela sabe que vida de GlS não é facil nessa sociedade machista, mas aí já é outra historia..

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  24. Acho tão hipocrita essa sociedade nojenta que acha "certo" o homem ser machão, trair a esposa, encher a cara de bebida, e muitas vezes espancar a própria mulher.Acha bonito essas letras de música que degradam a figura feminina, a chamando de cadelas, prostitutas e afins.Também consideram normais, mães que abandonam crianças em cestas de lixo, que saem pra prostituição deixando as crianças em casa passando fome.Mas renegam e coondenam vieementemente o amor entre dois homens.Não consigo sinceramente entender essas coisas.Eu sou bissexual, claro que já tive meus conflitos ocasionados pela cultura ao qual estou inserido, mas já consegui vencer muita coisa, hoje estou mais tranquilo e apto da minha realidade.E tenho orgulho disso.Ainda pretendo ter filhos, e da uma educação totalmente diferente da que essa sociedade passa, os ensinando a respeitar as diferenças e se colocando sempre no lugar do próximo.

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  25. Sei que é post antigo, mas resolvi comentar concordo com muito ja dito aqui... Eu perticularmente, sonhei e sonho ainda, com a formação de uma familia,a minha familia, seja tradicional ou diferente.
    Desde muito cedo eu ja tinha esses exemplos e vontades mesmo, sempre gostei dessa coisa de união, cumplicidade, fidelidade, e respeito. Sempre quis criar uma criança educar e passar pra frente o que me foi dado de exemplo. Quando descobri que podia me apaixonar por caras, meu mundo caiu, porque achei que meu sonho estaria indo por agua abaixo, não conseguia imaginar dois homens juntos, se gostando, e criando filhos. E pior, com um certo preconceito pensava que isso era mais coisas de afemiados. Com o tempo percebi que as coisas não são bem assim, a sociedade que pinta essa história, mais cor de rosa, do que realmente é, e a gente(eu) acredita.

    Ainda quero e pretendo ter minha familia, seja tradicional ou diferente. Me sentirei completo.

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  26. Felipe, acho que o fato de refletir e pensar criticamente, de questionar a sociedade e a si próprio, são posturas que poderão te ajudar a ser um bom pai.

    Abraços,
    Lucas

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  27. meus pais são católicos também, sou católico, mas não frequento a igreja assiduamente, mas tenho religião e não vou deixar que ela interfira. por medo da reação dos outros já arrisquei perder minha felicidade (não sei se perdi, se adiei, se nunca a tive), mas o que sei é que agora vem a minha felicidade antes da reação dos outros.
    contei para umas amigas 3 amigos, minhas irmãs e meu irmão mais novo sabem (mas não comentam sobre o assunto - irmãs e irmão), isso as vezes é até melhor, por que assim não forçam nada.
    já os pais devem aceitar os filhos como são, a orientação sexual não é algo que escolhemos, o que eles devem querer para os filhos antes de tudo é a felicidade e não a propagação do nome da família somente.

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    1. Eduardo, fala mais de como foi essa conversa com teus amigos e com teus irmãos.

      Como é a cabeça dos teus pais?

      Essa fase de contar para a família é sempre muito delicada, mas é um peso enorme que tiramos das costas, mesmo que não tenhamos revelado a verdade a todos ainda.

      Abs!

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  28. N.B. Descobri por acaso o seu blog. Gostei muito do seu texto e admiro muito as suas intenções. Não sou adolescente há muito tempo, tenho 34 anos, mas ainda estou no armário. Diria, na verdade, que a porta do armário está parcialmente aberta. Meus melhores amigos sabem, meu dois irmãos (eu tenho 4) também, mas a minha mãe nem desconfia.
    Criou-se entre nós uma barreira muito grande em assuntos relacionados a sexo e hoje eu não vejo como falar sobre isso com ela. Me arrependo muitíssimo de não ter me assumido na adolescência, por mais difícil que fosse. Hoje eu não teria os entraves sociais que tenho por ser um adulto no armário... Aconselho a todos fazerem isso o quanto antes, para que possam viver sua vida plenamente por mais tempo! Eu ainda faço parte da última geração que preferia morrer a ser descoberto na adolescência. Hoje, como professor, vejo centenas de alunos se assumindo e se fazendo respeitar aos 15 ou 16 anos, e morro de inveja e admiração.
    Bom, desejo vida longa ao seu blog, e que ele continue ajudando meninos em todo o Brasil. Daria qualquer coisa para ter acesso a esse tipo de informação quando era adolescente. Nem você deve ter dimensão da ajuda que presta. Parabéns.

    Alexandre.

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    1. Oi Alexandre! Muito obrigado pelo seu comentário e pelos elogios.
      Talvez eu não tenha ideia mesmo, e até gostaria que dar mais destaque a esse seu comentário.
      Acabei de ter uma ideia de um post com comentários relevantes como o seu.
      Um abç e tudo de bom.

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  29. N.B. !!!!Rapaz, hoje só que descobri esse blog que é de muita importancia para todos gays e familias de gays!
    Bom, tenho 26 anos e namoro ha quase 2 anos, e ontem assumi para meus pais, que tambem sao muito religiosos. Quase infartei de tanto nervosismo. Meu pai chorou mas foi o mais acolhedor possivel, agora minha mae está revoltada e chocada. Nao conversa comigo e nem com o mundo e to muito mal por isso, mas sei que o tempo vai ajudar....é muito dificil tudo isso e espero que acabe bem!!! Sem contar que tenho um irmao homofobico!!
    Parabens pela iniciativa do blog, só acho que voce poderia por menos fotos de homens pelados, pois assim os pais nao chocariam com as imagens enquantos estando lendo os serios textos que voce escreve!

    TUDO DE BOM PRA VC!!! UM ABRAÇO!
    Eduardo

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    1. Oi anônimo! =)
      Fico feliz que tenha falado para sua família, porem me parte o coração em saber que eles reagiram assim.
      O melhor que vc tem a fazer é se munir de informação e mostrá-los que isso tudo não é errado. Com o tempo e um pouco de paciência sua eles se acalmarão.
      Um grande abç

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  30. Caramba, essa passagem do rapazinho se matando é MUITO triste. São histórias assim que me dão vontade de passar na cara de todos esses homofóbicos para que percebam o mal que fazem a seus amigos, irmãos, ou mesmo os próprios filhos!

    A família deveria ser sempre o suporte da gente nas dificuldades e não mais uma barreira a ser vencida. É com muita alegria que vejo essa mudança gradual de uma sociedade homofóbica para uma mais humanista. Está longe do ideal, mas já foi MUITO pior. Acho que pra cada gay assumido, surgem diversas oportunidades de se derrubar esteriótipos e preconceitos em favor do amor que se tem pelos familiares ou das amizades sinceras e verdadeiras.

    Abraços.

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