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domingo, 27 de março de 2011

Discreto?

Às vezes penso se me afirmar como gay me faz menos homem. Se eu me afirmasse como gay para outras pessoas, tenho certeza que elas pensariam que sim. E quanto a me afirmar como gay para outro gay? Tenho tido a sensação de que a comunidade gay também é bastante machista. 


      Frases como ‘não sou, não curto afeminados’ ou ‘sou super discreto’ estão impregnadas na vida de quem procura pessoas pela internet. O mais irônico é que, apesar de eu também preferir que as pessoas que me conheçam sejam discretas também, alguns dizem que são, saio para conhecê-los, mas quando abrem a boca... Sejamos bastante cuidadosos para não confundir gosto com preconceito nesse monólogo. Falo do gosto pelo homem que age como o homem tradicional, que fala grosso, anda confiante e tem um aperto de mão firme. 

Tenho um amigo que me descobriu gay pelo Uol. Isso tem uns quatro meses. Ele é da minha turma na faculdade. Eu, com toda minha inocência, havia colocado a câmera direto no meu rosto quando ele pediu para me ver. E foi certo, ele me reconheceu. A princípio ele não se identificou, o que quase me causou um ataque do coração ou derrame, ou dos dois juntos... Mas depois de um tempo ele disse quem era e me deixou mais tranqüilo. Ele afirmou que não esperava isso de mim e que lhe causava grande surpresa. Eu, por outro lado, disse que não me era surpresa alguma e que eu sempre soube porque, bem, ele ‘dava pinta’. Ele disse que achava isso ruim e se pudesse ele queria não parecer tão óbvio.
Quanto a esse tipo de comportamento afeminado, eu tenho a idéia que também não é uma opção. O machismo implícito na comunidade gay se faz visível com esse preconceito contra o gay afeminado. Ouço muitos argumentos como ‘se fosse pra eu ficar com mulher então eu pegava mulher de verdade’. Mas todos sabemos que não é simples assim.
Gostaria de citar uma questão machista da Grécia antiga, sobre esta foto à equerda. Nestes vasos, o grego está à esquerda, bastante excitado e o persa à direita. Os persas eram vistos como inferiores pelos gregos, por terem sido derrotados tantas vezes e eram considerados um povo de escravos. Notem que o persa toma uma posição submissiva. Assim, o pintor do vaso expressou a superioridade do grego em relação aos persas, em acordo com os conceitos das relações sexuais gregas: um homem que se oferece a outro homem era visto como inferior. Trazendo essa história para os nossos dias, eu imagino que há uma associação de o gay afeminado ser visto como um homem que se submete a força do outro, como uma mulher, em contraste com a imagem mais comum do que um homem deveria parecer.
Noto que esse comportamento não é só uma questão de gravidade da voz, também está relacionado com um certo sotaque gay. Não me atreverei a apontar causas para isso, são apenas especulações: falta de uma imagem masculina durante a infância a quem a criança possa copiar? Alguém que entenda do assunto traga-nos a luz nos comentários, por favor rsrs
Também sei que esses gays são os mais atacados pela sociedade, mesmo que não estejam fora do armário. Eles não conseguem esconder esse comportamento, como meu amigo que me pegou no UOL, portanto, pra que culpa-los?
Quero citar também que já vi pessoas extremamente afeminadas que se dizem ser héteros e dizem ter namoradas. Pessoas que eu teria certeza que são gays, exatamente por esse comportamento afeminado, mas que não são (ou dizem não ser). Se eles são héteros realmente, significa que o comportamento afeminado não é uma exclusividade dos gays e tem uma causa comum, não relacionada à sexualidade talvez.
O que nos faz homens então? Somos todos homens. Essa rotulação de gay, afeminado, discreto, bi e tantas outras são nuances de só mais uma das características que nos fazem homens. Podemos nos olhar no espelho e ver claramente a imagem de um homem. Definições de homens como ‘homem macho’ ou o padrão de masculinidade são definições temporárias. Talvez daqui cem anos a definição de masculinidade aplicável seja outra totalmente diferente.
Abç a todos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Velhos períodos turbulentos


    Putz, eu já estive muito deprimido. Lá pelo meu segundo ano de ensino médio (5 anos atrás), quando eu percebi que não poderia mudar minha sexualidade, eu passei por período muito obscuro da minha vida. Ainda tenho os mesmos 4 amigos que ficaram mais próximos de mim durante o ensino médio, nós éramos muito chegados e éramos conhecidos como ‘o quinteto’ da escola. Já mencionei em alguns textos anteriores de como um amigo desse grupo era meu melhor amigo, e como eu havia me apaixonado por ele.
    Então, nessa época de descobrimento e rejeição eu tive um turbilhão de emoções. Pensei em suicídio e tudo mais e até me mutilava. Repensando esse período de instabilidade emocional, essas ações eram nada mais que um grito desesperado por ajuda. Era como seu eu descontasse minha frustração no meu corpo, já que na época eu odiava o que eu estava me tornando. Meio que uma válvula de escape para todo o ódio que eu recebia da sociedade secretamente, e o pior, de mim próprio.
    Infelizmente, a ajuda não veio e eu tive que passar por esse período sozinho. Não podia contar pros meus amigos e arriscar perder a amizade deles. Muito menos contar ao meu melhor amigo. O chato é que meus amigos sempre me perguntavam se eu estava interessado em alguém. De fato eu estava, mas nunca falava. Eles deviam me achar a pessoa mais assexual e chata do mundo, pois eu nunca contava dos meus desejos, de quem eu gostava, nunca falava de garotas hahhaah
    Uma das coisas ruins de estar no armário é que sua vida parece ser muito mais desinteressante do que realmente é. Eu tinha tantas coisas para contar, mas não podia. Eu sentia muita falta de conversar com alguém que me era próximo, falar sobre as minhas coisas. A única vez em que saí do armário, para uma amiga de muitos anos, eu tive que contar tantas coisas que ocorreram durante todos esses anos que que ficamos conversando por muitas horas. Ela ainda se mostrou indignada por eu não ter contado essas coisas durante a época em que estavam acontecendo, era como se faltasse uma parte muito legal da minha vida para ela.
    É muito óbvia a causa de tantos garotos que desenvolvem o gosto pelo mesmo sexo ficaram deprimidos. Para começar em casa, é horrível não poder contar para sua mãe o porquê você esta sempre tão deprimido. Todas as piadinhas que seus amigos contam ao seu redor, na televisão, as críticas dos estranhos na rua. São muitos ataques que temos que ouvir calados. E isso se tem seu efeito na auto-estima. 
Eu cheguei muito perto de fazer alguma besteira, mas eu superei. Sim, foi difícil, mas hoje estou aqui militando contra o preconceito. Também pretendo usar minha imagem para quebrar alguns estereótipos num futuro próximo. Imaginem se todas as pessoas que estivessem no armário decidissem viver em plena harmonia com sua sexualidade? Acho que não poderíamos mais achar um padrão para o ‘gay’ pois, pela minha experiência, há muito mais pessoas que nós podemos imaginar que querem explorar (ou já estão explorando) a outra parte da sexualidade. 
    Um dos meus incentivos para continuar escrevendo neste blog é a possibilidade de poder ajudar tanta gente que está por ai e que está passando pelas mesmas coisas que passei. Se eu ao menos tivesse alguém que me dissesse que tudo aquilo era normal e que as coisas ficariam melhores, teria sido muito mais fácil para mim. Senhores, sejamos felizes com nós mesmos. A aceitação vem de dentro. Não há como esperar que as pessoas nos aceitem se nós não nos aceitamos primeiramente. É a mesma coisa que fazer as regras, mas não segui-las.
   Abçs a todos =)   

domingo, 20 de março de 2011

gay e pai


    Eu sempre quis ser pai. Pelo menos eu acho que essa vontade é genuinamnete minha e não que alguém tenha implantado na minha cabeça pelas expectativas de cumprimento do papel de homem. Digo isso porque somos criados com a idéia de que, em algum ponto das nossas vidas, temos que nos casar e ter filhos. Olhando pelo lado biológico eu creio que esse é o sentido da vida, traduzido na perpetuação da espécie. Felizmente nós humanos nos diferenciamos do resto dos animais, seja pelo trabalho ou pela consciência, e temos a oportunidade de escolher como nos comportar.
    Nossos pais são a primeira fonte dessas aspirações que nos são passadas. Eles tem seus planos, querem a continuação do sobrenome da família, querem que nos casemos e querem netos... Não que estas coisas sejam ruins, mas e quanto ao que queremos?
   Depois dos pais vem o resto da família, amigos e mais. Alguns tios, muito inapropriados, sempre me perguntam em reuniões familiares: “Já está namorando?” ou “Vai virar padre?”. Uso a desculpa de que estou sempre muito ocupado mas esse tipo de pergunta realmente incomoda. Especialmente a do padre, chega a ser ofensiva. Parece-me que eles tem uma enorme preocupação em saber da minha vida amorosa/sexual. Coisa de interior, ou de família mesmo. Tenho medo de algum dia que eu estiver muito irritado eu fale que tenho uma vida sexual muito ativa para ser padre, ou que deixe bem claro no que estou interessado. Só de pensar nessas situações enquanto escrevo já fico exaltado.

    Não só tios. Tenho um primo também que sempre me pergunta se estou namorando. A última vez que ele perguntou, fiquei irritado e respondi que se eu quisesse namorar qualquer lixo eu poderia, em referência a namorada dele. Também disse que eu preferia achar alguém que valesse a pena. Acho que ele se sente intimidado pelo fato de eu ter crescido como pessoa, saído do interior e com grandes perspectivas na vida enquanto ele continua na mesma vidinha que o interior oferece, e usa o fato de ele estar namorando e eu não para se sentir melhor. Divagando...
    Na minha publicação anterior me referi à garota que eu gostava e tinha planos de ter filhos com ela. Eu me dou muito bem com crianças, elas alegram o ambiente, deixam a casa menos entediante. Antes de me afirmar como homossexual eu realmente queria constituir uma família, sempre tive esse plano, tanto que fiz minha última tentativa com ela. Mas e agora?

    Estou passando por um momento de reflexão em relação a isso. Se sou gay, os únicos meios de eu ter filhos são por adoção ou clonagem. Ou ainda me envolver com uma mulher estritamente para reprodução. Mas isso é chato, tanto para os pais quanto para as crianças.
    Como no Brasil clonagem e adoção por casais gays ainda são ambos proibidos, minhas possibilidades são baixas. Tenho certeza que eu poderia oferecer um lar melhor e mais oportunidades a essas crianças do que muitos casais héteros, desequilibrados e abusivos. Ainda entrarei na militância para que eu possa ter os mesmos direitos que o resto da população, de casar e ter filhos, seja qual for o meio. Mas não por enquanto, o blog já me toma tempo demais...
    Também temo pelas ações da sociedade enquanto estiver criando um filho como um casal gay e como isso  o afetaria. Sei que as pessoas podem ser bastante cruéis, mas também sei que se eu não fizer minha parte, a sociedade nunca vai mudar. Por outro lado, também sei que crianças gordinhas, de uma raça diferente, com alguma característica como nariz feio ou orelhas grandes também são vitimas de muitas piadas. Sendo assim, piadas são inevitáveis, independente da orientação sexual dos pais.
   Está para ser votada no Congresso a distribuição de um kit para crianças do ensino fundamental para a educação e tolerância em relação à homossexualidade. As crianças a princípio não tem preconceitos, mas o que já esta acontecendo é uma corja de pais conservadores dizendo que este kit é um estímulo a homossexualidade. Até me arrepio quando penso nesses pais.
    Em toda Europa ocidental, Canadá e em alguns estados americanos , a adoção por casais gays já é legal. Imagino se algum dia chegaremos a esse nível de tolerância. No Brasil também há alguns casos, mas são tão poucos e não há uma lei que defina isso. Esses casos sempre ganham grande repercussão quando acontecem.
    Um vídeo muito interessante que eu vi há um tempo sobre a conscientização da homossexualidade mostrava um casal gay com um filho, já adulto, e muito envergonhado em dizer que gostava de garotas. A mensagem é que filhos de casais gays não se tornam necessariamente gay.
    Enfim, aos senhores pergunto se vocês tem vontade de ter uma família, filhos ou coisa do tipo. Sempre achei essa idéia de ser gay e ter filhos um pouco estranha, mas estou revendo meus conceitos.
    Abçs a todos, e ótima semana. ;)





sábado, 19 de março de 2011

Transamerica

   Tenho recebido algumas indicações sobre 'Prayers for Bobby', assim que eu assisti-lo eu posto um review ou um comentário sobre este.
   Eu não poderia deixar de falar sobre este filme para os leitores. Um dos melhores que eu já vi, sobre uma travesti que quer ter seu 'menininho' retirado.  Ela(e) realmente não gosta dos seus genitais, o que me causa estranheza. Para mim não há coisa mais perfeita e bonita que a forma masculina em toda sua composição. rsrsrs Sou um admirador.
   Para o espanto de muitos, e o meu também, a atriz do filme é Felicty Huffman, a mesma que faz Lynette em Desperate Housewives. Estragaram ela de acordo no filme, não é mesmo?
   Abçs e bom fim de semana ;)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Continuando...

    O que leva tantos homens a iludirem mulheres quando eles tem certeza da sua sexualidade? Eu posso dizer que estava confuso e que queria experimentar, mas no fundo aquilo era só uma amizade que eu falhei em identificar. Se eu tivesse ido a fundo com essa história, eu me tornaria uma pessoa sexualmente frustrada por ter que encarar uma vagina com uma freqüência maior que eu gostaria (gostaria nunca pra ser sincero). Viveria uma vida mal realizada e desperdiçaria minha juventude ao lado de uma pessoa que não me satisfaz completamente.
   Viver uma vida que não corresponde as suas expectativas, namorar alguém porque é conveniente ou porque você aparece melhor para os seus amigos e família não é a solução.
   Tenho um amigo que não podia ser mais indiferente quando se refere a sua namorada. Pergunto dos planos para o futuro com ela e mesmo assim ele não se anima. Lembro que uma vez ele citou seu pai quando disse alguma coisa do tipo ‘não está na hora de você arrumar uma namorada?’. Isso torna mais fácil de entender o porquê eles ainda estão juntos. Nem sexo rola. Sério, o garoto tem 21 anos e é virgem. Mas para quem olha de fora eles são apenas mais um casal de pessoas ‘normais’. Quem olha de perto, é uma relação baseada puramente na conveniência.
   Infelizmente os caras do armário falham em perceber que uma relação com mulher é ruim para os dois lados, alguns se consideram mártires por estarem suportando o sofrimento em prol da namorada quando na realidade ele só está transferindo sofrimento e inquietação para a parceira. Ela se sente rejeitada, mesmo sendo uma pessoa extraordinária e quem deveria tentar achar alguém que lhe desse o devido valor. Poxa, a mulher também tem sentimentos, pelo incrível que pareça. Acho que ninguém merece basear, talvez uma vida inteira, numa mentira. 

    A vida é realmente muito curta para passarmos tanto tempo fazendo o que não nos agrada. Não quero cometer o erro de fingir ser alguém que não sou ou fazer coisas que não gosto. As pessoas são livres para fazer o que quiserem da vida delas e não há nada mais triste e patético do que chegar aos 40 e perceber que perdemos as oportunidades das nossas vidas. Eu seria hipócrita ao deixar um recado para meus leitores viverem felizes e saírem por aí fazendo o que quiser sem se preocupar com a opinião dos outros. Eu, infelizmente, ainda sou muito dependente dos meus pais (financeiramente) e meus amigos são todos ‘héteros’ (emocionalmente). Mas tenho na cabeça o que quero da vida e acho que essa é a parte mais difícil para quem está no armário. Não há nada melhor do que decidir isso enquanto ainda somos jovens e podermos curtir a vida com tudo o que ela tem para nos oferecer. Por isso estou fazendo essa transição de modelos de vida, mas a faço de maneira gradual e segura.
Um brinde a nossa curta vida.
Até.

Iludindo mulheres

Na verdade eu tive uma coisa muito mal definida com uma garota depois dos meus 16 anos. Não foi um relacionamento nos moldes tradicionais, porém eu considero como um relacionamento. Muitos de vocês vão discordar. Enfim, é uma história longa, tentarei encurtá-la ao máximo.
Tenho uma amiga americana a quem conheço desde os 18 anos. Falávamo-nos por MSN, voz, vídeo e coisas do tipo. Por um motivo não muito claro ela se apaixonou por mim. Ou talvez seja claro e eu estou apenas sendo modesto.
Ela sim havia proposto se mudar para o Brasil para me conhecer, fazia planos de aprender português e ensinar inglês por aqui e insistia muito numa relação. Mas eu nunca dei muita bola e acabei por partir seu coração. Ela afirmava que eu não nem dava uma chance para o que poderia se tornar um romance. Bem, eu realmente não sentia que ela era a pessoa mais agradável do mundo, nem a mais atraente.
Continuamos nos falando e em torno de dois meses depois ela me apresentou uma amiga da Holanda. A princípio eu, simpático e educado como sempre, mantive a conversa com a garota, quem eu pensava que tivesse 16 anos. Com um pouco mais de conversa descubro que na verdade ela tinha 15, o que me tirou todo o tesão pela conversa. Apesar da idade, ela realmente sabia como ser engraçada e sarcástica e ainda continuava a me chamar no MSN para conversar durante os próximos dias.
Ficamos assim por 1 mês mais ou menos, conversando com uma freqüência quase diária e por varias horas por dia, já que eu estava de férias no período. Percebi que estava gostando dela e comentei. E fui correspondido. Fiquei em êxtase por alguns dias, semanas e meses com ela. Conversávamos ainda mais freqüentemente, por telefone, por câmera, fazíamos planos para o futuro, queríamos o tradicional de todo casal como um casamento, uma festa, uma casa e parentes chatos que não suportamos, uma casa, 3 ou 4 filhos e um bom lugar para vivermos. Ficamos nessa por 1 ano de 8 meses. Eu me enganava e enganava a ela. Mas eu realmente pensei que, motivado pelo sentimento que eu tinha, eu poderia fazer um esforço e passar o cadeado no armário para sempre.
Mas em certo momento aconteceram coisas. Não darei detalhes em respeito à pessoa e a nossa história, mas foram algumas coisas que ela não tinha sido totalmente honesta comigo e como eu a traia com homens durante nosso relacionamento alternativo, eu me sentia mal e resolvi usar essa brecha para terminar.
Ficamos uns 2 meses com aquele clima chato, ela não entendia bem o porquê, quando, com uma dose maior de coragem eu resolvi abrir o jogo com ela.
_Eu, talvez, sofro de um distúrbio sexual.
_Como assim?
_Eu gosto de garotos
_Oh

_Pois é, alguma coisa que queira saber?
_Você já foi pra cama com um homem?
A princípio ela aceitou de boa. Passada a empolgação inicial com todas as perguntas indiscretas que ela poderia me fazer veio a indignação. Ela não conseguia se conformar com o fato de que eu havia a traído e enganado por tanto tempo. Eu tentei explicar que eu estava confuso e que eu realmente sentia todas as coisas que eu disse. Além disso, eu realmente queria estar com ela, ter filhos e tal. Também, o fato de ela não ter sido completamente honesta comigo sobre um detalhe é algo que mexe com uma pessoa superficial como eu. Enfim, eu superei essa relação rapidamente, apesar de ter sofrido como nunca antes ao ver meus sonhos de uma vida tradicional (mas não ‘normal’ pois todo estilo de vida é normal) desmoronar na minha frente. A maior parte por minha causa e eu ainda podia evitar e escolher ficar com ela. É aquele tipo de escolha que pode mudar totalmente o curso de uma vida.
Ela, por outro lado, não superou a relação tão facilmente e ainda tem uma queda por mim. Mas eu tento fazê-la entender que eu não estou atraído por ela, ou pelo sexo dela. Devo ser inesquecível mesmo: coisas como essa massageiam o ego. Hoje afirmo com convicção que vaginas me assustam mais do que nada e quem me conhece melhor sabe que eu não chegaria perto de uma.
Ainda assim me sinto culpado de tê-la iludido por tanto tempo. Talvez se eu fosse ‘hétero’ eu poderia superar os detalhes que me fizeram terminar, talvez eu não fosse tão superficial com relação à imagem feminina. Ou talvez o fato de eu ter escolhido uma pessoa tão distante de mim para me apaixonar foi uma medida subconsciente para eu não ter que ‘comparecer’. Acho que nunca saberei.
 Enfim. Esta história ficou longa de mais e terei que deixar o resto do tópico para um próximo post.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Fim do hiato

   Voltei! Bem, temporariamente e indefinidamente. Estou com um projeto de internet bastante lenta por sinal, enquanto resolvo o problema. Como assim a NET tem franquia de consumo de dados? 50GB por mês? Sério? Eles querem que eu só abra meu email e desista de youtube e outras coisas não recomendadas para crianças? Estou indignado. E divago.
   Primeiro gostaria de pedir desculpas pela ausência. Amanhã começarei a responder todos comentários e já tenhos dois posts encaminhados. Um sobre a superficialidade dos nossos comuns e outro sobre iludir mulheres. Espero que gostem, ainda não estão prontos mas postarei hoje a tarde após uma revisão.
   Segundo: alguns leitores tem me pedido algum detalhe a mais sobre mim ou foto. Acho que fica bem claro a função de identidade secreta quando ela é secreta. Ainda não estou preparado para a fama... hahahaha
   Terceiro: Obrigado aos seguidores e aos comentaristas. E ao visitante aleatório também, claro. Ainda não tenho planos de desistir do blog. 
   Finalmente: faculdade voltou e eu estou ocupado como nunca. Talvez como esse carinha da foto de baixo mas ainda não tenho o custume de estudar pelado.
   Tenham uma boa semana.
  

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mais notas rápidas


   Pessoal, desculpem a demora para meu retorno. Estou com problemas técnicos, minha operadora de internet não é a mais confiável nem a mais eficiente. Obrigado pelos comentários. Leio todos, sim, e gosto de respondê-los com calma pois assim mantenho um contato mais próximo com meu leitor. Só estou esperando a boa vontade da oi. 
   Nunca pensei que administrar um blog poderia tomar tanto tempo mas já posso dizer o quanto é estimulante ter contato com pessoas que partilham minhas experiências e pensamentos. O post de hoje não virá com as fotos que amamos tanto pois estou na universidade. Prometo que em breve vos recompensarei com mais posts e mais fotos.
   Obrigado pela paciência. =)
   Até breve.

terça-feira, 8 de março de 2011

Notas rápidas


   Tenho notado um número crescente de visitas ao blog. Obrigado pelas visitas e comentários pessoal. Se possível sigam o blog, a opção está à direita. Gostaria de saber mais sobre meu público e como direcionar meus artigos a vocês.
   Infelizmente não poderei postar pelos próximos dois ou três dias pois estarei fora de BH e sem pc. Mas já tenho em mente sobre o que escrever nos próximos artigos e tenho certeza que vocês gostarão.
   Tenho recebido muitos comentários de garotos que se dizem passando por um momento difícil e pessoas se identificando com meu estilo de vida. A essas pessoas digo que esse blog é exatamente para vocês e que há milhões de pessoas lá fora que sentem ou sentiram as mesmas coisas que vos afligem.
   Abraços =)
   Até.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Família e etc

   Cresci como um garoto católico. Desde pirralhinho ia à missa ao menos uma vez por semana com minha família, apesar de não achar a coisa mais divertida do mundo. Talvez seja até comum crianças não estarem tão interessadas em coisas de igreja.
   Acho que dá pra ter uma pista de que minha família tem uma certa inclinação pra religiosidade. Especialmente minha mãe, enquanto meu pai é mais largado. Eu divergi, porém, dessas expectativas que minha mãe tinha pra mim. Me tornei agnóstico aos 18 anos e ateu aos 19, e sempre brinco com minha ela sobre as coisas de deus. Quando ela fica sem argumentos para responder minhas indagações, um tanto debochadas as vezes, ela sempre diz que está muito decepcionada comigo e que uma vida sem deus é uma vida muito triste. O que diria então se soubesse que seu filho é um farsante gay? Não nego que ultimamente tenho um certo vazio em mim, mas não dou crédito a minha falta de crenças. Acho é que mais sentimental. Mas enfim.
   Percebo seu desconforto quando amigas a perguntam se 'já' estou namorando. Ela sempre responde que estou muito ocupado com estudos, mesmo não tendo uma namorada desde os 16 anos e que nem era um namoro sério. Acho que é bastante evidente quando um garoto não demonstra tanto interesse no sexo oposto. Poxa, um rapaz que não é feio e há 5 anos sem namorada já não é uma dica gritante?
   Sou distante nas conversas, não gosto de falar muito sobre mim ou minha vida. É como se existisse uma barreira no nosso relacionamento que impede que coisas relacionadas a minha sexualidade sejam ditas, mas se isso interfere em grande parte da minha vida pessoal e dos meus sonhos, só sobra a parte profissional para conversar com ela.
   Eu creio ser um filho exemplar, e espero que se algum dia eu resolver contá-la, ou mesmo se ela me perguntar, ela não se deixe levar pelos preconceitos e lembre-se se que qualquer mãe gostaria de ter um filho irrepreensível e esforçado como eu sempre tentei ser. Mas se o caminho escolhido for por virar as costas para mim, não tenho certeza qual seria a minha reação. Tenho uma tendência de ser muito orgulhoso e, se ela me dar as costas, é provável que eu suma no mundo, mesmo que eu sofra. Mas eu divago.
  As vezes pergunto as minhas amigas se aceitariam que seus filhos fossem gay. Até hoje não conheci nenhuma pessoa que me dissesse, olhando em meus olhos, que o rejeitaria. Exceto uma mulher que tem certa orientação religiosa e mais idade. Não a levo muito em consideração pela idade avançada e mente antiga, e já tive discussões calorosas com ela. O mesmo acontece com amigos. Alguns até dizem que o botariam para fora de casa, mas eu percebo o tom de brincadeira.
   Pais deveriam amar seus filhos incondicionalmente e é nisso que nós devemos nos apoiar. Eu tenho uma ideia de amor incondicional e posso dizer que sempre queremos o melhor para os nossos amados, mesmo quando somos mal compreendidos. É um choque no começo mas eles tendem a se acalmar e ver como isso não é o fim do mundo. Claro que pais tem planos e expectativas para seus filhos. Querem os ver casados, com uma casa num bom subúrbio, um carro grande e, claro, netos. Ao descobrirem que esses planos serão frustrados eles ficam abatidos, como qualquer outra pessoa que se depara com uma mudança de planos para a vida. Eventualmente eles terão de refazer seus planos sobre o que esperar de seus filhos e isto pode ser visto com um tanto de antipatia.
   Vi um video há um tempo atrás de um radialista americano lendo uma carta de suicídio de um garoto de 14 anos. Me lembro de uma passagem que me marcou muito, em um período em que eu precisava de aceitação. "Eu não quero que exista uma aberração em minha família. Talvez deus seja piedoso e me deixe voltar, mas não como um 'viado'", disse ele. As pessoas ao redor do garoto odiavam tanto os homossexuais e isso fazia com que o garoto os odiasse também, e se odiasse a ponto do suicídio, pois não é uma coisa que podemos mudar, não é opcional. Se ele ao menos tivesse alguém que lhe dissesse que tudo aquilo era normal, certamente faria alguma diferença. Mas isso já faz tempo. Por isso quero fazer a diferença com a juventude que não se aceita e dizer que vocês não estão sozinhos no seu sofrimento.
   Apesar de tudo sou um otimista. Acredito que nós, gays, somos mais aceitos a cada dia e que pais estão mais conscientes da questão da sexualidade. Pais, como qualquer outro humano, já foram adolescentes e sabem o que se passa na cabeça de seus filhos, ou ao menos tem alguma noção. Além do mais, pais preferem ter seus filhos em qualquer condição desde que estejam vivos. Os pais desse garoto americano se arrependeram tanto da má influência que causaram sobre o filho que até fundaram uma organização para conscientização e tolerância para pais de jovens homossexuais. Bela iniciativa, mas deveriam ter sido mais tolerantes desde o começo, e isso não alivia a culpa e nem trará o garoto de volta.
Abçs.
N.B

domingo, 6 de março de 2011

Escolhendo ser gay e etc

   Vi na Tv outro dia, no Video Show da globo. Aquela mulher quem não sei o nome e o Bruno de Lucca estavam atuando horrorosamente naquele papo furado fingido e sem graça como todos os dias. Eis que surge o tópico sobre homens bonitos.
   Bruno_ Você está me perguntando se eu acho ele bonito?
   Mulher_ Claro que não, você é sujeito espada.
   Eu ri pois, mas com certa preocupação.

   Alguns canais de Tv são tão hipócritas que se dizem defensores dos direitos homossexuais mas em pequenos detalhes como esse vemos como não é uma política realmente aplicada e divulgada na Tv. Me recusarei aqui a comentar programas como Ratinho e os programas da Record. Esses ainda estão alguns anos ou décadas atrasados no que diz respeito à civilidade e respeito às minorias. Mas eu divago...
   Bem. Voltando ao tema do texto, não tenho o direito de fazer conclusões sobre o assunto pois não sou psiquiatra nem médico, mas posso afirmar que fiz alguma pesquisa no e tenho uma opinião formada.
   Quantas vezes ouvi pessoas dizerem 'fulano virou gay'. A palavra 'virou' sempre me causa certo desconforto. Suponho que a maioria das pessoas pensam que ser gay é uma opção mas tentarei expor meus argumentos de por quê não é.
   Primeiro: Por que escolheríamos uma vida mais difícil e cheia de limitações e privações de direitos básicos, como casamento, ao invés de escolhermos a vida heterossexual e "normal". As pessoas querem ser amadas e aceitas, sem exceções. Ser gay só deixaria a vida mais complicada, arriscando perder os amigos e família. Então pessoas psicologicamente equilibradas não seriam gays por escolha. Mas, não estou aqui afirmando que gays não sejam psicologicamente equilibradas. Se uma pessoa se preocupa com a preservação da vida e do bem estar dela mesma e das outras pessoas, creio que ela já possa ser considerada psicologicamente equilibrada, o que não está relacionado à sexualidade.
   Segundo: A sexualidade humana não é preto e branca. É interessante ver como sociedades orientais atuais e da antiguidade clássica tratam o afeto entre pessoas do mesmo sexo. Platão, por exemplo, dizia que um indivíduo só pode ser feliz com alguem do mesmo sexo, não necessariamente fazendo sexo com ela. Ele dizia que uma pessoa biologicamente e psicologicamente mais similar a você é capaz de entendê-lo melhor. No oriente, hoje, homens se comprimentam com beijos no rosto. No ocidente, isso é absolutamente inaceitável. Roma e Grécia antigas tinham a percepção de que a sexualidade humana é, sim, muito diversa. Talvez tivemos um regresso colossal nesse ponto. A minha humilde opinião acredita que a raça humana é bissexual por natureza. Tenho uma amiga que negava estar atraída por meninas aos seus 18 anos. O motivo de ela ter dito isso não é importante agora, mas posso apontar pressão cultural e/ou imaturidade sexual à primeira análise. Hoje, com 21 e mais madura, numa conversa sem a preocupação de estar sendo julgada, ela permitiu-se dizer que tem a curiosidade de estar com outra garota. Pois, talvez por motivos culturais, religiosos ou morais a maioria das pessoas reprime o seu lado bisexual. Acredito que nós, 'gays', permitimos nosso lado bisexual aflorar e, combinado com Platão quando disse que o verdadeiro amor só pode existir entre dois homens, passamos a ter mais afinidades com nosso sexo. (confiram a difinição exata de amor platônico em caso de dúvida =) , goooogle).
   Terceiro: Além de normal, a homossexualidade é natural. Na natureza encontramos alguns animais que também tem comportamento homossexual, como as girafas, em que 90% de suas relações sexuais são homossexuais. Confiram o artigo na wikipedia, a versão em inglês está mais completa aqui.
  
   A partir desses argumentos formei minha opinião, mas não somente por eles. Essa discussão é muito profunda para ser resumida em um tópico apenas, mas realmente precisei propô-la. Ficaria bastante feliz se em algum dia uma emissora de Tv também propusesse essa discussão em novelas, jornais e agissem de forma menos hipócrita.
   Portando, ser gay é completamente normal e natural =) Não é uma escolha, é da sua natureza e não há como mudar.
    O que nos cabe é escolher viver e desfrutar desse mundo de sensações que nos está tão prómixo ou deixar de lado metade do que te faz humano. Essa sim é a nossa escolha =)

sábado, 5 de março de 2011

Amores héteros e etc

   Dizem os experientes que a maior burrice que um gay pode fazer é se apaixonar por um hétero. Mas quem nunca teve seu amorzinho ou quedinha por um hétero?
   Acho que sempre começamos assim, algum colega de turma, de trabalho ou até amigo próximo que nos provoca aquela sensação de não saber o que fazer.
   É sempre um duro dilema fazer alguma investida ou não. Considerar a perda da amizade ou estragar o bom convívio no local de trabalho é um alto risco para considerarmos antes de pensar em fazer qualquer coisa, e falo isso por experiência própria. Fui apaixonado pelo meu melhor amigo por vários anos e sofria muito quando ele me contava de suas paixões por garotas. Tive que me afastar dele por um tempo para ver se minha obsessão pasava, e felizmente passou. Foi bastante duro ter que evitá-lo sem um motivo convincente, mas era preciso.
   Acho que assim me sinto melhor. Não o vejo com tanta frenquência e não nos falamos mais tão frequentemente, apenas em algumas ocasiões em que saímos com amigos em comum, ou quando nos esbarramos na faculdade. Me soa como um tanto de inocência por ele não ter percebido minha queda por ele. Mesmo que eu interpretasse o amigo hétero tradicional muito bem, eu sempre dava dicas pra ele sobre minha sexualidade. Ou talvez ele fingia que não sabia de nada. Sabe-se lá. Talvez algum dia eu abra o jogo com ele. Já não tenho muito o problema em perder a amizade.
   Mas e quanto aos homens do local de trabalho ou estudo, como saber se curtem? Não há como. Geralmente os mais simpáticos, com gostos para pop e alguns programas de Tv em específico podem dar uma pista. Ou se você sentir que realmente está rolando um flerte talvez rolasse arriscar.
    Ultimamente estou vivendo mais a filosofia do 'que se foda'. Morando sozinho, com 2 amigos em BH, não devo nada pra ninguém e também posso escolher minhas amizades. Ainda me pergunto porque insisto em viver a fantasia do mundo hétero. Acho que esse ano será de descobertas e realizações sobre mim mesmo, pois estou mais consciente da minha sexualidade. Já tentei muda-la e falhei. Por isso mesmo, aceito-me da forma que sou, aceito os outros e quero ser feliz.
E bom final de semana!

Até.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Academia

    Ultimamente eu tenho feito muita esteira, corrido em torno de 10km toda vez que vou à academia, e isso me deixa pingando de suor e minhas roupas molhadas. Para não ter que voltar para casa assim, tenho que tomar banho por lá mesmo.
    O problema é que o banheiro masculino tem 10 chuveiros enfileirados, um do lado do outro, apenas com divisórias e sem portas. Ou seja, não tem privacidade e todos ficam à mostra para outros caras tomando banho.
    Eu tenho um certo problema com nudez. Mesmo que eu não esteja com tesão, se eu souber que tem alguém me olhando eu fico excitado. É incontrolável e isso me deixa tenso quando eu tenho que tomar banho em locais públicos. Na academia que frequento a maioria dos caras são velhos, e eu não teria interesse nenhum neles, mas mesmo assim se tiver mais alguém no banheiro tomando banho, eu acelero e saio correndo.
    Tento pensar em coisas nojentas, pessoas velhas e mortas para não ficar excitado, mas isso não é suficiente. Fico imaginando se alguém perceber que eu fico de pau duro e achar ruim, isso poderia ser um problema.
    Vocês tem dicas para não ficar excitado no banho? Alguém já ficou e foi pego?

N.B.

Primeiro post! Apresentações e etc

    Olá, estranhos aleatórios. Há um tempo tive a ideia de publicar alguns posts sobre a vida no armário. Nesse primeiro post darei alguns delalhes sobre mim, nada muito profundo, pois gostaria de manter o anonimato.
    Então, estou vivendo em BH já há alguns anos, faço faculdade de exatas numa universidade da cidade e estou no meus 20 ainda, primeira metade. Desde que possa lembrar eu sempre me senti atraído pelo mesmo sexo mas sempre neguei e tentei viver a vida pelos padrões normais, o que não funcionou muito. Este blog será para deixar alguns dos meus pensamentos fluírem, algumas utilidades públicas e etc. =)
    Vejamos se eu ainda estarei escrevendo daqui ha 1 mês... façam suas apostas
Até mais
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