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domingo, 18 de dezembro de 2011

Adoção




    Um conservador diz

    "Eu? Eu sou contra a adoção de crianças por casais gays.
    Sou contra porque acredito que crianças tem o direito de serem criadas por um casal normal. Casais gays não podem criar uma criança de maneira correta, nas leis de Deols. Crianças tem o direito de ter uma imagem masculina e uma feminina dentro de casa. A casa é o conforto, não pode distorcer a cabeça de uma criança e deixá-la confusa." 
    Já eu? Eu sou a favor da adoção de crianças por casais casais gays, apesar de ainda não ter decidido sobre ter ou não filhos (me acho muito egoísta para dedicar tamanha atenção e responsabilidade a alguém além de mim). Acredito que um casal gay que se estrutura a ponto de decidir adotar e criar uma criança de um sangue estranho pode oferecer mais carinho e conforto do que muitos casais 'normais'. A negligência que existe nas fábricas de crianças das muitas regiões menos favorecidas já seria motivo suficiente para vencer a argumentação sobre a adoção.
    Eu sinto que vivo num país hipócrita, que rejeita o aborto, mas que permite que suas crianças que indesejadas morram  vítimas de negligência. Um país que não garante condições para rebentos que ficam jogados nas esquinas se drogando e tratados como lixo humano. Um país que rejeita a adoção por casais gays mas permite que crianças cresçam em ambientes de abuso de todas as formas. Essas crianças estariam em melhores condições se fossem adotadas por casais gays, uma vez que o número de casais tradicionais não é capaz de absorver toda a oferta de crianças abandonadas. Basta olhar a superlotação de orfanatos e casas de abrigo. Ou o conservador discorda?
    Casais héteros reprodutores obviamente não tem filhos heterossexuais exclusivamente. Porque casais gays teriam filhos exclusivamente gays? A tortura psicológica seria menor quando os casais gays podem dar a liberdade que os filhos necessitam para namorar meninas ou meninos. Será que o transtorno que os conservadores citam não é mais intenso quando os pais cobram dos filhos um comportamento de 'verdadeiro homem', que nega suas vontades em favor de satisfazer as expectativas dos pais e das pessoas ao redor?
    Não seria melhor para a criança saber que ser homem não está relacionado a comer mulher, mas sim à dignidade, honra e bondade?
    Não é mais provável que os verdadeiros maus pais sejam os conservadores? Ou até má pessoas por negarem uma chance de vida para essas crianças?
    Não é mais provável que o mundo está errado, já há alguns mil anos, e não nós?
Sem mais.
Um abç.
N.B.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Abuso

    Uma das muitas coisas que ouço por aí para tentar explicar a diversidade da sexualidade, ainda tão pouco compreendida, é a de que gays foram vítimas de algum tipo de abuso sexual na infância.
    Gostaria de abrir uma nova enquete sobre esse assunto e, para isso, debati entre duas proposições: perguntar diretamente se os leitores que se identificam como gays foram abusados na infância ou apenas perguntar a opinião sobre o assunto. 
    Acabei optando pela segunda. A primeira poderia ser muito imprecisa, mas não que a segunda não seja. Alguns votantes poderiam considerar, por exemplo, a fase fálica definida por Freud como abuso. Isso são aquelas brincadeiras sexuais inocentes (ou não) que crianças fazem com os amiguinhos, primos, etc etc, e que violam os tabus sociais dos genitais, em favor da curiosidade. Eu inclusive já cheguei a creditar o meu "distúrbio sexual" a isso, antes de tomar conhecimento de que se tratava de uma fase natural do desenvolvimento psicossexual. Todos passam por isso. Ou, pelo menos deveriam passar, de acordo com Sigmund Freud. 
    Mas eu deixo pra falar sobre Freud e abuso/sexualidade depois =) 
    Um bom fds!
E um abraço a todos.
N.B.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tempo, tempo mano velho...

    Hoje em aula o professor comentou sobre a baixa média de notas da sala. Ele criticou como a minha geração é extremamente imediatista, acostumada com cliques e resultados instantâneos e que temos a tendência de trazer isso para tudo que fazemos. Ele quis dizer que cobrimos grandes volumes de conhecimento alguns dias antes da prova e que temos uma tremenda mania de falar que não temos tempos para nada.
    De acordo com ele, todos tem tempo suficiente para aprender aos poucos, poder refletir e amadurecer o conhecimento, como ele fazia na época dele, e que não existe tempo curto, apenas tempo mal administrado.
    E eu não sou diferente. O meu é extremamente mal administrado, eu confesso, e vivo dizendo que não tenho tempo pra nada. Mas eu divago sobre o espírito do final de semestre.

Garoto de programa
    E para não ficar só divagando, um leitor havia questionado sobre minha opinião e/ou experiências com garotos de programa. Apesar de não ter tido nenhuma experiência do tipo, achei que o assunto valia um texto. 
    Independente de estarmos falando daqueles anúncios de boquete por 5 reais no centro de BH ou de michês de luxo, acho meio... 'nojentinho'. Como diz o ditado, meu corpo é um templo, e a ideia de trocar fluidos corporais com um estranho não me agrada. 
    Coloco a minha posição como conservadora com relação a isso mas não que eu seja contra e nem que descarto a possibilidade. Sabe-se lá o dia de amanhã. 
    Pego numa contradição, alguém pode argumentar que a única diferença entre garotos de programa e os estranhos do UOL com quem troquei fluidos corporais é o dinheiro envolvido. Além disso, tratando sexo como uma mercadoria, ao pagar pelo serviço espera-se um alívio mais intenso quando comparado com os estranhos não profissionais do UOL, além de existir a possibilidade de um estranho do UOL ter feito sexo com mais pessoas diferentes do que o michê. Isso tornaria o michê uma alternativa melhor do que o UOL.
     
    Então, porque eu não vejo o mesmo nojinho nos caras do UOL?
      Talvez por preconceito. Talvez porque na minha moralidade, a prostituição está num lugar mais alto no ranking de coisas nojentinhas. Talvez esse ranking seja geral, talvez não. Moralidade é pessoal e circunstancial e, muitas das vezes, ela também é hipócrita, como nesse meu caso. Ou ainda eu sou um desses preconceituosos sem motivo a quem tanto critico.
    Mas e quanto aos leitores, o que dizer sobre garotos de programa? É pior, melhor ou igual aos fast foda do UOL, ou banheirão? Ou se consideram a ideia de contratar um GP em caso de urgência?
Um abç.
N.B.

sábado, 12 de novembro de 2011

Notas rápidas 7

Dica de relacionamento
    Mesmo que os meus sejam uma tragédia, uma coisinha me ajudou e vale compartilhar.
    Mude o foco. Se você estiver procurando um relacionamento de longo prazo com as ferramentas que o armário te garante, como o fast foda Uol, uma forma mais eficiente de achar um companheiro é não ter medo de fazer amigos que saibam das suas preferências sexuais.
    Assim como seus amigos 'héteros' tradicionais tentam te arrumar com meninas aleatórias, amigos que saibam das suas preferências também não te deixarão ficar sozinho.
    Amigos funcionam como um catalisador de relacionamentos e ajudam na organização de ideias. Poder discutir sobre temas delicados sem a filtragem das suas verdadeiras ideias ajuda a se conhecer melhor, além de ajudar na aceitação e compreensão melhor da sexualidade.


Capitalismo
    Para não perder o costume de divagar, acho que ainda não mencionei o capitalismo como uma das possíveis causas do preconceito contra homossexuais. Nós temos o capitalismo intrínseco no pensamento e temos a tendência de valorizar tudo o que é produtivo, concreto e eficiente, em detrimento do abstrato. 
    Sentimentos, artes, socialistas, profissionais da área de humanas e gays são algumas das coisas ou grupos considerados improdutivos e indesejáveis. Olhando de novo, esses grupos também estão relacionados com a ideia de homem não masculino (exceto, talvez, pelo socialista).
    O que aprendemos desde quando ainda nem temos ideia do mundo é que devemos crescer, ser o melhor em tudo que fizermos, arranjar uma linda namorada, casar, ter filhos, comprar um carro, uma grande casa e envelhecer. 

    Nesse contexto, o que se desvia do curso certamente esta fazendo algo de errado. Numa análise feita bem superficialmente, vista do lado de pessoas desinformadas sobre nós, a ideia que prevalece é de que não queremos ter filhos (por motivos pessoais ou legais), não temos a intenção de casar e, em casos como esporte, gays não se destacam, o que justifica. Portanto, o desvio do curso tradicional capitalista pode ser outra opção para tentar explicar o preconceito, além do ancestral religioso que eu sempre cutuco.
    Por outro lado, numa segunda análise mais cuidadosa e inserida na nossa visão, somos monstros capitalistas. Muito da nossa renda é investida em nós mesmos, senão a totalidade. E já que não temos filhos, temos condições de acesso a produtos de luxo e satisfazer melhor as nossas obsessões consumistas. Também, alguns casais gays tem tanta, ou até maior intenção de ter filhos quanto casais héteros, mas esbarram na legislação e medo do preconceito que a criança sofrerá. 
    Infelizmente não é assim que as  pessoas pensam quando veem nossos representantes no Casos de Família, do SBT...

Boas noticias
    Uma pesquisa de 2009 feita com diversos grupos de idade nos Estados Unidos confirmou uma tendência. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é explicitamente suportado cada vez mais entre jovens. Não surpreendentemente, os estados que são menos a favor do casamento são os estados caipiras do sul e Utah, sede da igreja dos mórmons.
    Não tenho conhecimento de uma pesquisa similar feita no Brasil, mas não deve ser muito diferente por um simples motivo: os Estados Unidos são um dos países mais conservadores entre os desenvolvidos, senão o mais conservador.
    Pela ordem da reposição populacional, aqueles grupos majoritariamente contra são diluídos a cada dia por uma nova geração mais tolerante e mais informada. Todos nós viveremos o dia em que a relevância desse assunto será lembrada como um passado distante e vergonhoso na longa lista de estupidezas humanas, e em que o mapa abaixo estará todo colorido de azul.

Situação das leis sobre homossexuais no mundo, 2011 - Clique para ampliar - Wikipedia/heraldsun.com.au

terça-feira, 1 de novembro de 2011

futebol


    Não sou um desses torcedores, muito espertos eles, que chamam o uniforme de manto sagrado e dizem que morreriam pelo time. Isso simplesmente não entra na minha cabeça. Eu tenho um time, mas torcer não me agrega nada além da possibilidade de um ataque cardíaco ou derrame. Muitas cenas de filmes de ação se passaram pela minha cabeça quando me encontrei num ônibus tomado por uma torcida organizada há uns dois anos em BH. Mas eu divago...

    Em Minas, temos dois times de relevância: Atlético e Cruzeiro. 
    Me desculpe, América, mas não podemos viver de passado =)
    Eu sinto que as ofensas que torcedores dos times proferem contra os rivais estão ficando cada vez mais desrespeitosas e, ultimamente, essas ofensas ganharam conotação feminina, mesmo que sejam insinuações sobre a sexualidade dos rivais.
    Os cruzeirenses chamam os atleticanos de frangas, galinhas, gaylo, etc etc. Os atleticanos rebatem com 'as marias' quando se referem aos cruzeirenses, e 'crugayro'.

    Eu pude presenciar algumas amigas (ou contatos) no Facebook protagonizarem um dos momentos mais irônicos da minha semana. Elas, atleticanas ou cruzeirenses empenhadas na defesa da honra do time, postaram 'chupa frangas' ou 'chupa marias' e derivados.

    Quando ofendemos, dizemos coisas que nem sempre concordamos para que a pessoa se sinta mal, usando vocabulário deletério e todas as ferramentas que temos para cumprir o objetivo. O problema é que as referidas amigas quiseram ofender os rivais comparando-os à mulheres, o que, intrínseco na ofensa, é um ser medíocre, fraco e passível de desprezo.
    Mal sabem elas que quando ofenderam os rivais, ofenderam também todas as mulheres do mundo. Ou que quando se pronunciam a favor de direitos iguais, fim do abuso pelos homens e lutam por respeito, elas fazem exatamente o contrário ao usar o feminino como algo depreciativo.
    E mal sabem elas que são mais machistas que muitos homens... 
    Olé!

sábado, 22 de outubro de 2011

A causa da homossexualidade

    Não. Não foi aquele amiguinho com quem você teve experiências sexuais na infância. Nem falta de figura masculina em casa, nem mãe super protetora, nem influências da Xuxa, ou suco de manga com ovo que você tomou. Também não é qualquer outra explicação baseada em folclore que você provavelmente já ouviu.
    Antes de divagar sobre as causas, porém, precisamos desvincular duas coisas altamente relacionadas nos nossos conceitos: orientação sexual e excitação sexual.
    O primeiro vem da necessidade do homem de colocar coisas parecidas em grupos. Mesmo que não seja aplicável a tudo, fica mais fácil lidar com grupos do que com uma infinidade de nuances, como é cada pessoa quando comparada a outra. Daí, colocamos todos os que tem relações sexuais com o mesmo sexo, independente da frequência, num grupo chamado 'homo'. Senão, cai no grupo dos héteros. A intersecção dos dois é o grupo dos bi mas que na prática é tratado como se fosse um variante do grupo dos gays, pois também sofre olhares tortos.  
    Classificar alguém a si próprio como homossexual vem nessa necessidade de colocar excitações sexuais parecidas em grupos. Mas essas classificações são absolutamente dinâmicas, e portanto parece meio contraprodutivo continuar fazendo essas classificações, exatamente porque tem dias em que nos sentimos mais gays, ou mais assexuados, ou mais héteros, de acordo com as definições tradicionais.
    Homo, hétero e bi são frutos das definições que criamos para tentar organizar o mundo. São frutos de uma convenção, assim como todas as coisas que organizam o pensamento, pois precisamos de um ponto de partida para estruturar o pensamento. A convenção ajuda no tratamento de um grupo e na sua hierarquização perante a outros. Fica mais fácil, dessa forma, apontar um comportamento que deva ser encorajado, enquanto o outro não.
    A excitação sexual, por outro lado, é um fenômeno físico e é observável, diferentemente das orientações, que são abstratas e existem na nossa cabeça. A excitação apenas acontece ou não, e não deixa dúvidas quando acontece. Uma excitação sexual pode ser o critério que classifica uma pessoa em um daqueles grupos, e pode ou não ser socialmente aceita. Pés, árvores e o mesmo sexo não são fontes de excitação socialmente encorajados, e inclusive alguém pode chamar os 2 primeiros de transtorno por serem incomuns.
    E nós, como humanos, nascemos susceptíveis a sofrermos excitação sexual de infinitas fontes, dentre elas nosso próprio corpo, nosso próprio sexo ou o oposto, pés, árvores, etc etc. A moralidade (conjunto de convenções de certo e errado) se encarrega de depreciar alguns grupos que fogem do padrão 'certo'. E como todo desvio do padrão demanda uma explicação, com a homossexualidade não foi diferente e surgiram causas fabulosas para tentar explicá-la. Seguiram-se, então, anos de discussão sobre o que leva um pobre e inocente menino ou menina a se sentir atraído pelo mesmo sexo, incontáveis teorias e tratamentos criados para se resolver o 'transtorno', que no fundo é apenas uma categorização de um dos muitos comportamentos naturais que exibimos.
    Homossexuais existem exclusivamente porque alguém categorizou essa excitação pelo mesmo sexo. A excitação acontece porque temos necessidades biológicas, assim como fome e sono, e nosso corpo não tem a capacidade de filtrar o que nos excita sexualmente, assim como não tem a capacidade de recusar comida quando temos fome. A verdadeira causa da homossexualidade, assim como de outros os outros conceitos humanos como heterossexualidade e bissexualidade, é dada por um simples motivo, que também explica porque temos fome e porque dormimos: somos gays simplesmente porque somos humanos. 

Uma explicação negligenciada em demasia, talvez por ser simples em demasia? 

Um grande abç,
N.B.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

aliados do pecado

    Pegando um gancho no último post, se na internet encontramos todas as informações e ajuda para os assuntos pelos quais temos vergonha de pedir por ela ou vergonha de conversar com as pessoas que conhecemos, também encontramos o exato oposto.
Dando uma viajada pelo Google, encontrei alguns sites que diziam querer ajudar homossexuais a se curar, através da palavra do Senhor.

"Se não quer ser assim, acredite, você pode e vai mudar. Você não nasceu gay, você se tornou gay. Deus ama os homossexuais, mas abomina o homossexualismo, e quer curá-los."

  Achei a premissa tão interessante que entrei em contato com o autor de um desses blogs, respeitosamente com uma pergunta: 'o que o motiva a escrever e por que esse tipo de pensamento'. A resposta foi a seguinte.

"O objetivo do blog é ajudar as pessoas que querem deixar de ser gay, se a pessoa quer ser gay, que seja, agora se a pessoa não quer ser gay ela tem o direito de encontrar ajuda. O pensamento vem das histórias de todos os homossexuais egodistônicos que tiverem algum trauma da infância, participaram de brincadeiras sexuais na infância, tem algum complexo em relação ao corpo, sofrera alguma influencia, tiveram pai distante ou não carinhoso, mãe superprotetora, etc. entre outros fatores ambientas que os levaram a sentir os desejos homossexuais. Se a pessoa deseja deixar de ser gay ela precisa identificar o que a levou a sentir isso e tratar estes fatores.
Eu agradeço o contato. Se tiver mas alguma duvida confira os posts do blog."

    Fiquei surpreso com a resposta. Geralmente, autores desse tipo de blog ignoram quem questiona o que ele faz, colocam moderação de comentários e etc. São quase fascistas. E inclusive aprendi uma nova palavra: "egoditongo" do caso reto, mas não obtive a resposta para a motivação, apenas do objetivo. 
    A questão é que, como dito e repetido no nosso blog N vezes, a ditadura da sexualidade unipolar criminaliza outras manifestações da sexualidade. Não há nada de errado em se sentir atraído pelo mesmo sexo, por que isso nos é natural (natural biologicamente, não somos nada mais que animais que tem consciência sobre si próprios, deixando de lado o debate sobre 'conceitos' naturais). E quando digo nós, não somos nós gays, mas nós humanos. 

    O errado está na nossa cabeça. Certo e errado são conceitos temporários e regionais. Em algumas culturas, é aceitável matar por honra. Na nossa, matar é errado em qualquer circunstância. Portanto, debater sobre causas de uma coisa natural é contraprodutivo. Não faz sentido refletir sobre as causas da diversidade da sexualidade, assim como não faz sentido refletir sobre as causas da fome.

    Temos fome e nos sentimos atraídos pelo mesmo sexo exclusivamente por um motivo: somos humanos.

    Por outro lado, já dizia um famoso cientista por aí que "é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito". O autor daquele blog, que tem uma opinião divergente da minha sobre uma variedade de assuntos, tem toda sua visão do mundo e sua opinião baseada em, digamos, o que ele aprende na igreja, dados os textos que li. Portanto, quando eu me aproximo e digo para alguém 'tudo o que você sabe sobre o mundo é errado', a pessoa ou me ignora ou me responde com o mesmo: 'não, tudo o que você sabe está errado'. 

    Mas falando a língua de quem é crente, se Deus existe e se ele nos 'criou', Ele não gostaria de nos ver insatisfeitos com sua obra. Afinal de contas, quem somos nós para tentar mudar o que Ele fez? Não estaria o autor daquele blog agindo contra o que ele próprio acredita, ao tentar violar a obra de Deus como ela está?

    Por outro lado, quem lê esse blog pode olhar pra dentro e confirmar que já tentou mudar e direcionar a sua sexualidade para o lado 'correto', e falhou. Não nos cabe escolher quem nos atrai. O que podemos fazer é aceitar e viver em harmonia conosco e com o que Deus nos proporciona: um detalhe, que muda levemente o nosso jeito de amar. E Deus quer que nós amemos uns aos outros, e que nos amemos.

    
    Sei lá, falta humildade nas pessoas (em mim inclusive) para considerar outros pontos de vista, se colocar no lugar da pessoa que você critica e estar disposto a mudar de opinião. De preferência para a opinião 'correta', se é que ela existe...

abçs a todos e bom fds

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

sexualidade em banda larga

    Alguém já parou pra pensar o que seria das nossas vidas, principalmente a parte sexual, sem a internet? Certamente causariam grande impacto para quem está no armário.
    Eu fico me perguntando como seria se eu tivesse nascido na época errada e não tivesse a oportunidade de, mesmo no armário, viver a minha sexualidade. Aquelas pessoas de algumas décadas atrás que não eram assumidos teriam bastante trabalho para poder fazer o mesmo que eu e ainda preservar a identidade.
    A questão é que, com a internet, temos (1) acesso a informação, (2) a material pornô, além de (3) contato com outras pessoas com as mesmas afinidades. Isso com todo o conforto do anonimato.
    Começando pelo acesso a informação, eu me lembro de quando era criança e as professoras pediam um trabalho qualquer (a maioria era sazonal e em abril sempre tinha um sobre a inconfidência mineira lol). Eu tinha que ir à biblioteca, achar um livro, geralmente aquelas enciclopédias Barsa ou Larousse e copiar ou xerocar. Tempo saudoso... enfim!
    O contraste com a facilidade de acesso à informação de hoje é gigante. Das nossas casas, temos acesso a qualquer tema (que não seja para uso militar), na profundidade e na língua que quisermos. Isso inclui também acesso a informações, opiniões e pesquisas sobre sexualidade e sexo. Não creio que quem estava no armário há 20 anos atrás ia à biblioteca ler teorias e trabalhos sobre homossexualidade...
    O acesso a informação ajuda a mudar a ideia que temos sobre nós mesmos. Se na vida real você ouve por todos os lados que uma sexualidade diversa é errada, opiniões essas baseadas na subjetividade do preconceito infundado, na internet as pessoas tem acesso a trabalhos científicos que provam por A+B que não há nada de errado com isso. Algumas teorias até dizem que quem está errado são os que se definem por uma sexualidade unipolar. 
    A internet dá maior velocidade na moldagem de um pensamento coletivo mais susceptível à diversidade da sexualidade. Internet é informação e informação converge para a sensatez. O que não é sensato é logo contra-argumentado por uma ideia sensata. Mas o que é sensato para alguns pode não ser para outros... Enfim.
    Em segundo lugar, temos o acesso a pornografia gratuita e em massa. Considerando quem está confuso com a própria sexualidade, o acesso irrestrito e livre à qualquer tipo de material pornográfico permite à pessoa conhecer melhor o que a excita, não deixando espaço para dúvidas mas deixa, porém, espaço para negação. Isso pode ser relacionado com a masturbação, o mais íntimo e livre link com a nossa sexualidade, talvez por ser isenta de julgamentos e o acesso a material pornô anonimamente também está livre de julgamentos.
    Em terceiro lugar, o contato com outras pessoas, seja pelo fast foda UOL ou por listas de discussão como este blog. Cada pessoa, com sua individualidade mais particular, pode se identificar com outra e saber que não está sozinha no mundo. Parece cliché, mas isso é muito importante para quem tem conflitos de sexualidade, ou qualquer tipo de conflitos.
    Por último, meu exemplo. Todos os meus relacionamentos com homens foram frutos de situações iniciadas pela internet. Eu, como muitos que leem esse blog, não tenho amigos gays ou vou à boites e lugares dedicados para o nosso público. Isso leva a me perguntar se eu ainda seria um virgem de 21 anos se a internet não existisse. 
    No final das contas, posso atribuir à internet 100% da minha vida gay, apesar de eu estar trabalhando para que esse número diminua (se bem que não tem como aumentar ;) ). Ultimamente ainda tenho usado a internet para investir num relacionamento menos... 'fode e vaza' e achei outras ferramentas que se mostram mais eficientes do que o terrível chat fast foda UOL.
    Mesmo se a internet não for relevante para a vida sexual de algumas pessoas, ela definitivamente causa impacto gigantesco quando é capaz de divulgar ideias sensatas e de tolerância. Pelo sim ou pelo não, somos profundamente privilegiados por poder usufruir dessa ferramenta, independente dos fins.

    Agora, a questão para os senhores: o quanto a internet influencia ou influenciou na sua vida como gay?
Um abç e bom fds =)

sábado, 3 de setembro de 2011

desprezíveis sodomitas e origem do preconceito

    Existe um grande problema na definição do que é certo e o que é errado por que isso envolve perspectivas. Quem vê um problema pelo lado de fora pode ter uma percepção completamente diferente de quem o vê por dentro. Por exemplo, o criminoso comete o crime mesmo sabendo que isso é 'errado', mas o crime é justificado, seja qual for o motivo para o criminoso. Isso também acontece quando tentamos analisar o que se passa com pessoas de sexualidade diversa.
    Para uma parte das pessoas, o que fazemos é completamente errado. Para uma parte de nós, inclusive, isso é errado. Mas talvez pessoas sexualmente diversas que acham ser isso errado podem estar enxergando o 'problema' com os olhos de quem vê por fora. É preciso sentir, viver, mas também poder ter uma noção de conjuntura e tentar imaginar como o que fazemos é percebido pelas pessoas de fora para que possamos entender os dois lados. Mas eu divago, profundamente.
    Voltando ao membro do grupo que acredita que o que ele faz é errado, gostaria de concentrar essa conversa na culpa. Podemos aqui enumerar uma série de causas dessa culpa que leva o indivíduo a pensar que deixar sua sexualidade fluir é errado. Nas raízes da maioria das causas dessa culpa está a sodomia. Então, tomemos um tour pelas origens da sodomia.
    Sodomia é quando duas pessoas, do mesmo sexo, ou não, usam seus genitais para obter prazer sem a intenção de gerar filhos, seja qual uso for. Já foi proibido no Brasil e era proibido por lei no Texas até 2003 quando a suprema corte dos EUA acabou com a lei nesse e em alguns outros estados que tinham resquícios de punição a sodomia em pleno século XXI. Esse termo também está ligada a sexo com animais, mas restrinjamo-nos aqui apenas a humanos sodomitas equilibrados que não usam animais e apenas a sodomia consensual.
    Assim como muitos dos valores de hoje, a demonização da sodomia tem origem no cristianismo. A bíblia diz que as pessoas de uma  cidade chamada Sodoma eram bastante levadinhas e pecadoras, dado o que acontecia na cidade em relação a sexo. Então, a cidade foi destruída pela ira divina para salvar o mundo dos horríveis pecados que por lá rolavam, inclusive sexo entre homens (Gênesis, capítulo 19, versículos 1 a 11).
    Outra causa da perseguição da sodomia é o 'desperdício' do esperma, enquanto as três principais religiões (cristã, judaica e muçulmana) buscavam a expansão, tanto por conversão quanto por reprodução (e ainda buscam). Isso como se houvesse mulheres o suficiente para serem fecundadas com o esperma 'desperdiçado'.
    Quando o Brasil era colônia de Portugal, as leis portuguesas se aplicavam em território brasileiro, sendo assim punida a sodomia e classificada como 'o mais torpe e sujo dos pecados'. Depois da independência, a sodomia já não foi mencionada na constituição de 1824. 
    Desde então, o sodomita, mesmo que não seja punido penalmente pelos atos como acontecia antigamente, ainda enfrenta muito estigma e preconceito que a constituição de 1824 não conseguiu extirpar. As consequências que o desprezo pela sodomia trás para nossas vidas são evidentes e precisam ser atualizadas urgentemente. 
    Mais uma vez, isso pode ser relacionado ao pensamento machista que nos cerca, e me atrevo a dizer que o desprezo pela sodomia é uma das grandes causas do machismo. 
    Isso porque o sexo só é exaltado quando tem fins reprodutivos: o peniano-vaginal. Por outro lado, qualquer outra forma de obtenção de prazer é considerada impura e pervertida. É tudo uma questão de definição. Mas essas definições foram feitas há mais de dois milênios e não condizem com o mundo moderno e autoproclamado 'cabeça aberta' que temos hoje.
    Esses estigmas não afetam somente gays, mas também mulheres com liberdade sexual. Alguém já viu uma mulher não ser considerada uma puta quando ela fala com naturalidade sobre sexo oral ou anal ou qualquer outro tipo de estímulo sexual?
    Hoje, apesar do afastamento entre pessoas causados pelo individualismo da vida moderna, estamos menos dependentes de sexo como única forma de obter prazer e exploramos mais do corpo dos nossos parceiros, o que pode criar um vínculo mais intenso. 
    Queridos senhores sodomitas, não mais sintam-se culpados da próxima vez que cometem uma sodomia. Porque deixar que essas ideias, forjadas quando ainda pensavam que a terra era o centro do universo e plana, influenciar nossas vidas, nosso pensamento e a nossa percepção sobre nós mesmos?
    Exalte sua sexualidade e considere-se um privilegiado em relação aos que não a praticam e que não tem a oportunidade de experimentar esse mundo de sensações e sentimentos.
Sem mais.
Um bom fds e abç. =)

sábado, 27 de agosto de 2011

definições

    Preciso confessar que todas as vezes em que vou escrever me sinto incomodado de sempre falar em gays e héteros.    
    Há uns 50 anos, um cara chamado Alfred Kinsey fez uma pesquisa que dividiu a sexualidade humana em 6 ou 7 classes, com uma classe assexuada adicionada depois. Assim como ele propôs em sua pesquisa, eu acredito que a sexualidade também não seja preta e branca. Adicionando um pouco mais de detalhes à pesquisa de Kinsey ou à alusão que a bandeira gay faz à diversidade, eu acredito que a sexualidade não seja composta de apenas 6 ou 7 níveis/cores, mas infinitos e todos diferentes entre si.
    Então, toda vez que eu uso as palavras 'gay', 'bi' ou 'hétero' aqui no blog, isso contradiz as minhas ideias pois estou aqui loteando a sexualidade em três categorias. 
    Eu gostaria de trocar os termos por 'sexualmente diversos' (para gay/bi) e os que 'negam a diversidade sexual' (para os outros). 
     'Sexualmente diversos' porque a classificação em gay e hétero é infundada. E 'os que negam a diversidade sexual' porque a diversidade é uma condição humana e os definidos como 'héteros' se encaixam nesse grupo por não aceitarem sua diversidade e desejos pelo mesmo sexo.
    Alguém pode afirmar "não, NB, o senhor está equivocado, existem realmente pessoas que não se sentem atraídas pelo mesmo sexo". Claro que existem. Mas as causas disso podem ser uma repulsa honesta ou pessoas que se julgam hétero por não se permitirem ao menos considerar a ideia de estar atraído. Isso porque elas tem na cabeça que é errado e não é natural quando na verdade é, e mesmo que subconscientemente elas repreendem os potenciais desejos. Alguém pode se julgar um hétero honesto, mas ele também pode nem saber que aquela voz da 'moral' fala bem baixinho o que ele é e como ele deve agir. Nunca saberemos porém. 
     Contudo, por comodidade e tradição e também para simplificar os textos, continuarei a usar gay e hétero. Mesmo contrariado e contradizendo as minhas ideias, essas definições arcaicas ainda funcionam de alguma forma para promover uma ideia: tolerância.
    Depois, se tivermos sucesso em nossa luta, mudamos as definições para algo mais próximo da realidade =)

Sem mais.
Um abç e bom fds.





sexta-feira, 19 de agosto de 2011

privilegiados, a priori

    Desde que a última enquete foi lançada, o número de pessoas que escolheram fazer o tratamento para mudar a sexualidade manteve-se próximo de 47%. 



    12% estão indecisos. Portanto, no pior dos casos, 59% escolheriam poder mudar. Vamos arredondar esse número para 60% e chamar de maioria para facilitar a conversa =)

    A pergunta da pesquisa já infere que se sentir atraído pelo mesmo sexo é uma condição, e não uma opção. Os leitores sabem e já foi falado aqui muitas vezes, que por mais que tentemos mudar essa condição sempre falhamos. Podemos tentar esconder e reprimir e ter namoradas para disfarce, mas nunca nos sentiremos completos e teremos a sensação de uma vida vazia.

    Eu posso imaginar todos os conflitos que os leitores que responderam 'sim' tem. Eu passei por isso e tenho a credibilidade para dizer que é totalmente desnecessário. Claro que digo isso com a cabeça de hoje, mas também é uma cabeça mais madura e que tem uma ideia melhor de 'mundo'.

    Divagando um pouco, apesar de eu ainda estar no armário, eu já tenho uma percepção totalmente diferente do que significa 'estar' atraído pelo mesmo sexo. Mas 'estar' atraído denota uma condição temporária, não é como 'ser' atraído pelo mesmo sexo. A sexualidade humana é tão diversa que até mesmo eu, com meu medo terrível por vaginas, as vezes me pego fantasiando com alguma mulher. Não creio que sejamos de um dos lados exclusivamente, mas dos dois em diferentes níveis. Alguns tem o nível de atração pelo sexo oposto quase inexistente, ou pelo mesmo sexo, mas nunca lhe é vedada a atração por ambos os lados. 

    Muitas das vezes, os sexualmente diversos já passaram por tantos conflitos na vida que eles se tornaram pessoas mais fortes e interessantes, com uma visão do mundo bastante independente e diferente das que estamos acostumados a ver com a maioria das pessoas 'normais'.

    Pelas minhas experiências, hoje eu não mudaria minha sexualidade para agradar quem quer que fosse ou para ter uma vida mais fácil. Mudar é desistir, e desistir, bem... não é bom. 

    Como seria a resposta dos leitores que responderam 'sim' se a percepção de homossexualidade não fosse maliciosa? Eu, particularmente, acredito que quem nós somos não devia ser função do que a sociedade espera que sejamos. Creio ser esse o maior motivo que leva os leitores a responderem 'sim' mas não é possível ser feliz assim. O errado não está em nós, mas no mundo, apesar de que certo e errado são conceitos tão abstratos e subjetivos que é difícil falar que o mundo está errado.

    Muitas das pessoas mais interessantes e inteligentes que eu conheci são sexualmente diversos e não faz sentido não querer pertencer a tal grupo. Talvez porque pessoas mais instruídas e mais inteligentes tem a capacidade de perceber que a sexualidade é diversa e se permitir? Divago, tendenciosamente... mas faz um pouco de sentido, não? ;D

    É um grupo nobre e me sinto privilegiado em fazer parte dele.

    Privilegiado porque percebi em tempo que ser gay é bom e pessoas gays são boas. Não é nada como passaram a vida inteira me dizendo que seria: monstros sem coração, sem alma e sem pudor. Privilegiado por poder experimentar formas de prazer que muitas pessoas passarão a vida toda sem saber como é. Também porque descobri que o sentimento entre dois homens é tão intenso e verdadeiro quanto o que eu esperava com uma mulher, mas com a vantagem de não ter as cobranças e pressões no relacionamento que o machismo impõe na parte masculina do casal.

    Eu concordo totalmente com Platão na sua descrição de amor. Este só é alcançado por meio de um igual, mas não se refere a sexo. A vantagem que temos é poder ter o amor definido por Platão e prazeres com uma pessoa que sabe como lidar com o nosso corpo, pelas semelhanças.

    Expostas as vantagens, gostaria que os leitores que responderam 'sim' à enquete tentassem enxergar por uns segundos esse mundo de possibilidades que vocês tem o privilégio de pertencer e ter motivos para se aceitar melhor e lutar pelo que você é.

Sem mais.
Um abç e bom fds =)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Indecentes

    Algumas pessoas com quem converso, gays inclusive, afirmam que se sentem envergonhadas pelo comportamento do grupo, dada a 'promiscuidade' no nosso meio. Suponho que eles tomam como base o que veem em lugares como bate papos, ou o que chega até eles por meios estereotipantes e distorcivos como a TV ou até por pessoas desinformadas, altamente influenciáveis.

    Eu acredito que o homem é um animal promíscuo por natureza, já que o sentido da vida é a perpetuação da espécie. Portanto, o sexo, como necessidade fisiológica, se torna uma prioridade quando a vida está confortável. Temos casa e comida farta, então procriemos. A razão impede, pois, de nos tornarmos coelhos com 20 filhos por mulher e o sexo agora tem fins de lazer, não mais a perpetuação da espécie exclusivamente.


    Nos bate papos da vida, as pessoas estão, provavelmente com o pau duro numa mão e outra no teclado. Mesmo sendo, possivelmente, pessoas interessantes (bem no fundo), esse não é o momento mais adequado para ter um papo cabeça com um estranho. Os frequentadores de bate papos tem como prioridade, naquele momento, uma diversão. Não somente nas salas exclusivas para gays, mas também nas salas para héteros, o comportamento é o mesmo. 

    Muitos pensam que os gays são mais promíscuos porque o bate papo é o único meio de contato com outros gays.

    O sentimento que existe entre gays é ofuscado pelo problema da dificuldade de exposição. Você não vê casais gays trocando carinhos no meio da rua, sob o risco de serem alvo de chacota ou agressão. O medo de se relacionar de uma forma estável também é um problema.

    Eu me lembro uma vez, estava num ônibus e no ônibus do lado subiu um casal gay. Eu via pela janela. Tudo que fizeram foi sentarem-se um ao lado do outro e um deles repousou a mão em torno do pescoço do outro, como se estivesse abraçando. As pessoas que estavam atrás do casal começaram a rir, e um primitivo senhor que estava no mesmo ônibus que eu, proferiu palavras de provocação. Deixei para lá pois na época eu não me importava com militância. Mas ao ver aquele casal eu fiquei cheio de esperança. Era um carinho sincero que transparecia, apesar de todos os riscos. Sem falar que os dois eram muito bonitos.

    Convido os leitores a assistir esse documentário, de uma série que eu acho ser uma das três coisas  decentes da Globo (Mais Você, Video Show e O Clone). O Profissão Repórter da semana passada foi a bailes funk e micaretas ver o comportamento dos 'jovens'. Daí, surgem incoerências, que implicam em perguntas:

    Será que somos mesmo mais promíscuos que os 'héteros normais'?

    Será que o gay promíscuo não é comparado à mulher promíscua, e repudiado?

    Será que o comportamento promíscuo no homem hétero é desejável?

    Será o machismo inevitável, mesmo entre gays?

Um abç e bom final de semana =) 


quinta-feira, 14 de julho de 2011

sobre modelos

    Quando olhamos para o futuro, a imagem que enxergamos de nós mesmos é geralmente um esboço de modelos de vida e um pouco de imaginação. Desde criancinhas, temos infinitas fontes para nos basear sobre como devemos ser. Não somente os pais, mas também pelo que chega até nós, com pessoas nos dizendo como agir, filmes de comédia romântica, filmes da Disney, novelas etc. Princesas lindas e gentis inspiram as meninas. Príncipes bravos e incorruptíveis, os meninos. 

    A maior parte dessa influência vem dos nossos pais, certamente. É neles que encontramos nosso espelho para o que um dia devemos nos tornar. Mas quando começamos a divergir do que nós esperamos ser ou do que eles esperam que sejamos, fica faltando um modelo para seguir com esse novo estilo de vida.

    Tenho procurado por pessoas que possam me servir de modelo na vida. Alguma pessoa bem sucedida, de índole irrepreensível e gay. 

    Essa falta de modelo para o gay faz com que sejam criados mitos e falsas impressões em torno do nosso estilo de vida. O que está amplamente difundido na cabeça das pessoas é que ser gay implica necessariamente em exclusão pela família e/ou amigos, ser vítima de piadas e ter uma vida infeliz, sem poder viver o amor plenamente. Essa idéia é compartilhada também entre pessoas que leem o blog, o que é refletido pelo resultado parcial dessa nova pesquisa. Aproximadamente metade dos leitores escolheriam não ser gay se pudessem.

    Bem, eu ainda não achei meu ídolo gay. 

    Pelo menos no Brasil, além do deputado Jean Wyllys, não consigo pensar em nenhum outro gay bem sucedido e assumido, com a definição de sucesso sendo bem subjetiva. 

    Fora do Brasil, a apresentadora de TV americana Ellen Degeneres me inspira. Aquela que saiu do armário em 1997.  Ela já tinha uns 30 e tantos anos eu acho, teve problemas com o pai e foi demitida do canal em que trabalhava por isso. Apesar dos pesares, ela não perdeu o bom humor e vontade de lutar por direitos iguais. 

    Como ainda não temos muitas inspirações brasileiras, deixo uma proposta para que sejamos nossos próprios ídolos. Aqueles que são bem sucedidos e de caráter irrepreensível. Quem sabe a nossa geração possa fazer com que ser gay seja visto de outra forma e que inspiremos as novas gerações a não terem medo do que são. Que mostremos que ser gay é apenas um detalhe na vida de pessoa maravilhosas.

E aos senhores, quem vos inspira? =)
Abç.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E quantos somos?

    Muitos. Mais até do que podemos contar e, finalmente, vamos tratar de números. Fontes oficiais informaram que a parada gay reuniu uma multidão de 4 milhões de  pessoas, aproximadamente. Isso representaria uma parcela de 2% da população do país, somente naquela região de São Paulo, naquele dia
    Desse número crú, que a primeira vista parece muito baixo, já tiramos o mínimo de pessoas alternativas que existem no país. Agora, considerando todos os gays assumidos que não foram à festa, seja por opção ou por restrição, e que seja de São Paulo ou não, esse número sobe mais. Também considerando a parcela mais significativa de gays - na minha opinião - que são os casos de armário e que não se manifestam nesses números, como eu e muitos leitores, esse percentual da população brasileira que é gay ou bi explode. 
    Uma pesquisa feita pela USP em 2009 tentou medir a proporção de gays entre a população de algumas capitais brasileiras. Eu particularmente ainda tenho minhas dúvidas quanto aos números obtidos, mas quem quiser ir a fundo e checar as fontes fornecidas pela Wikipedia, sinta-se a vontade para me informar da veracidade e confiabilidade dos dados. =)
    A pesquisa diz que 19% dos homens do Rio de Janeiro são gays ou bissexuais. Isso significa 1 em cada 5 e é uma quantidade bastante significativa. Na minha querida BH esse número cai para 10% dos homens e curiosamente 7,7% em São Paulo, que eu acreditava ser a capital mais gay no Brasil (no bom sentido). Em números absolutos, com certeza SP é a maior.
    A Wikipédia internacional mostra uma média de 5% de homossexuais como componentes da população de diversos países. Não pude averiguar os métodos usados mas pode ter sido feita uma média dos números das capitais e cidades interioranas, que tradicionalmente tem um índice menor. A pesquisa brasileira mostra apenas o índice de capitais, que são os redutos das comunidades gay e talvez por isso os números são maiores.
    Então, Rio de janeiro aí vou eu!
    Surpreendentemente, o índice de mulheres que se auto declaram homo ou bissexuais é menor que o de homens em quase todas as cidades, exceto em Manaus. Essa foi a única capital em que o índice de mulheres lésbicas ou bi excedeu o de homens.
    O número médio de homens e mulheres alternativos no rio é de 15% e é aproximadamente a mesma percentagem de evangélicos no brasil, a fim de comparação. Mas os evangélicos não tem problema em se declarar ou até fazem isso com orgulho, por isso esse percentual pode ser mais próximo do real. Por outro lado, fazer esse tipo de pesquisa com gays é muito complicado. Muitos não revelam a verdadeira sexualidade pela paranóia de sempre: medo de ser descoberto e coisa e tal, apesar de as pesquisas serem geralmente anônimas. No final das contas, esses números devem ser muitas vezes maior, e talvez não sejamos uma minoria tão menor assim. ;D
     Abçs e ótimo fim de semana

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Notas rápidas 5

    Com a parada gay em foco e aquela tal de marcha para jesus que aconteceu ao mesmo tempo, algumas questões estão aparecendo com bastante frequência. De um lado manifestam a pluralidade dos homens e pedem que a homofobia seja considerada crime. Do outro, defendem a família, a perpetuação da espécie e a liberdade de expressão. Os argumentos que essa última parte usa não poderiam ser mais furados, e são repetidos como um disco quebrado:

    1 - "Querem criar um terceiro sexo"
    Não existe um terceiro sexo e nunca existirá. Somos homens ou mulheres. O que seria esse terceiro sexo que tanto se referem? O sexo dos gays, talvez? Eu sei que nasci com um pênis e isso me faz homem, nada mais, nada menos. Quem se refere a um terceiro sexo quer causar confusão com orientação sexual, que existem infinitas, e não 1, 2 ou 3.

    2 - "Querem acabar com a liberdade de expressão"
    Senhores, definam liberdade de expressão antes de dizer que queremos acabar com ela. Você pode dizer o que quiser, todas as bobagens possíveis, contanto que arque com as conseqüências depois. Você pode chegar numa favela e gritar que todos são macacos. Pode chamar um homossexual de doente. Pode tudo. Isso é o direito à liberdade de expressão. Só lembre-se que todas as pessoas tem o direito à honra e a sua liberdade de expressão não pode interferir no direito à honra das pessoas. Porque os senhores já sabem, todos os brasileiros são iguais, independente de qualquer coisa. É esse direito a honra que queremos defender e não o fim da liberdade de expressão.

    3 - "Querem direitos especiais"
    Não tínhamos direito a pensão, a casamento, a adotar, etc etc. Em outras palavras, éramos cidadãos que pagam os impostos e mesmo assim não tínhamos garantidos os direitos básicos ou respeito. Ainda dizem que estaremos sendo privilegiados com direitos especiais, pela aprovação da lei anti homofobia. É sério isso?

    Agora a defesa da família....
    É muito fácil de perceber o padrão das pessoas que dizem que família é com um homem e uma mulher. Semana passada, assistindo à entrevista do juiz Vilas Boas no Fantástico, aquele que anulou a decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer uniões estáveis entre pessoas no mesmo sexo, percebi que ele usou esse mesmo discurso de que família só poder existir com um homem e uma mulher. Isso tem tocado mais do que a música da piriguete, no carnaval de 2007.
    Ora, meu juiz, numa relação entre homossexuais também repousa o amor e respeito mútuo, assim como o desejo de viver como uma unidade, ser parte do estado e gerar descendentes, nada de diferente da família "normal". Por que isso não pode ser considerado uma família? 
    Eis que ele respondeu. "Por que não são capazes de gerar descendentes. Se fizermos um experimento com um grupo de 10 homos isolados numa ilha, o estado não se sustentaria por uma geração".
    Então senhor juiz, casais com dificuldade para engravidar não podem ser considerados uma família? 
    Se não vivêssemos numa sociedade tão preocupada com moralismos fúteis, casais gays poderiam ter descendentes genéticos através da clonagem. Mas isso nos daria o direito de sermos chamados de família e o senhor juiz teria que achar outro argumento para atrapalhar a nossa vida. Sem falar que muitas família "normais" por aí, essas sim, não deveriam ter nem o direito de ter filhos, dada a negligência e maus tratos com que criam seus filhos. Esses que constituem família porque tem que ser assim, para dar satisfações a sociedade quando não tem a mínima vontade de casar ou virar pai, enquanto nós lutamos por essas oportunidades.

    Não foi surpresa, mas também achei tendencioso da Globo mostrar a relação do juiz com uma igreja. Mas falando no assunto, acho que todas as igrejas estão usando esse discurso de família para atacar os homossexuais. A campanha da fraternidade da católica essa ano também é sobre a família. Até que ponto deixaremos as convicções e influências religiosas afetarem a vida da sociedade, que, em teoria, não deveria depender de religiões? 

    Se o congresso fosse legislar de acordo com uma religião, seja no brasil a católica, as outras religiões sairiam prejudicadas, e vice versa. Quando o Brazil se tornou república em 1889, decidiu-se que, para evitar a fadiga, o estado e a igreja seriam duas coisas separadas, e não uma teocracia, como acontece no Irã. Os documentos deixariam de ser emitidos e armazenados nas igrejas, como era feito até então, e esse seria um papel do estado. No Irã, o presidente eleito pelo voto popular - ou por fraude - ainda não é o líder político máximo no país, mas sim o aiatolá, líder supremo político e religioso. Então, eu como ateu, não me sentiria bem num país que vivesse baseado naquele livro 'sagrado', em que as leis são feitas de acordo com os costumes tradicionais da religião.

    Por isso, senhores, quando discutirem sobre qualquer coisa, limpem a arena e estejam certos que Deus não aparecerá. No ensino médio, nas minhas aulas de filosofia, meu professor dizia que se Deus for trazido à discussão, esta se encerra. Ninguém pode afirmar que uma coisa é certa por que Deus quis e mesmo se Deus existir ninguém é capaz de se comunicar com ele. Estaríamos voltando à Idade Média, onde os camponeses conseguiam explicar tudo o que acontecia no mundo com um simples argumento, e esperar por dias melhores com uma única aspiração: "Se Deus quiser".

    Para mencionar Deus, primeiro convença teu discutinte de que ele existe. Caso contrário, atenha-se ao racional e palpável, não a mitos. Deus é um mito, quase um papai noel para adultos. Mitos são fertilizantes de superstições, religiões, medo e, por fim, controle. Isso, porém, causa um reboliço muito maior em adultos quando são ditos que Deus não existe do que em crianças quando descobrem que papai noel não existe. 

    Mas não criei esse blog para discutir religião nem para divulgar minhas idéias e frustrações com ela. 

    É muito pessoal, cada um tem a sua e mudar a cabeça de alguém que tem opinião formada (ou que tenha Deus no coração) é quase impossível, só trás frustrações. Como dito, é pessoal. Por isso não gostaria de ver crucifixos em repartições públicas, em escolas e tudo mais. Isso me ofende. E eu tenho o direito de não ser ofendido - a não ser que eu seja privilegiado demais. É como se os cristãos vissem um crucifixo dependurado de ponta cabeça. Vocês podem sentir minha frustração?

E fim do tópico para desabafo extremamente tendencioso, não editorial.
#prontofalei

sábado, 25 de junho de 2011

Por lá e por cá

    Acho que é unânime a ideia de que gays só podem viver em harmonia em cidades grandes.
    Em cidade pequenas, com poucas dezenas de milhares de habitantes fica a ideia de que a vida de gays - assumidos ou não - é o inferno na terra. Quer queira quer não, as pessoas estão relacionadas em algum grau, seja por sangue ou porque todos conhecem o dono da padaria, uma das duas da cidade. 
    Existe muito a tradição de num domingo preguiçoso, as senhoras donas de casa sentarem-se na porta de casa e outras senhoras aglomerarem-se para conversar. Eu sempre imagino que em algum ponto da conversa elas estarão falando uma coisa do tipo: 'Você sabe aquele rapaz? O filho da dona da sorveteria. Ele está com 20 anos e ainda nem noivou'.
    É sempre um problema em cidades pequenas porque as chances dessas pessoas te conhecerem é alta. É como se tudo o que você faz está sendo vigiado por alguém a todo momento. Isso traz a dúvida se a decepção de pais que tem um filho gay é causada mais pelo fato em si ou pela vergonha de ter as pessoas falando sobre isso. Por isso eu imagino uma maior necessidade de os gays do interior em se comportar da forma que a família espera que eles o façam, causando frustrações terríveis. 
    Essas são generalizações que eu faço quando tomo meu exemplo. Generalizo porque no interior as pessoas são mais religiosas, elas tem mais a ideia de unidade e de um meio social fechado, com aversão ao diferente daquele grupo. Não somente pessoas de sexualidade diferentes, mas também não veem com bons olhos pessoas de religiões diferentes e em casos extremos, há cidades também bastante racistas.
    Eu tinha uma ideia de que quando eu me mudasse para Belo Horizonte eu poderia me conhecer melhor, por não ter todos aqueles familiares e amigos de longa data por perto. Poderia pensar e agir mais livremente, como o verdadeiro eu quisesse. Apesar de eu ter crescido em uma cidade de porte médio, as vezes eu me sentia no meio de uma vila da idade média. Minha vó dizia-me para não brincar com certo amiguinho porque ele não era batizado. 
    Se me conheci melhor em BH, não resta dúvidas que sim. Mas também descobri que as mesmas pessoas que eu repudiava na minha cidade estão aqui também, porém com outros nomes e rostos. Então evito me relacionar com pessoas que podem me fazer sofrer, como elas me faziam na dita cidade. A vantagem é que em uma cidade maior existem comunidades maiores de tudo, tanto de pessoas ruins quanto de pessoas que te entenderão e te aceitarão pelo que você é. O caminho é se cercar dessas pessoas que te fazem bem, seja no interior, seja na capital ;)
    Bom feriado.



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