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domingo, 7 de setembro de 2014

Num outro contexto

E aí, garotões como estão?
Preciso compartilhar com vocês algumas mudanças que ocorreram e que tornam a minha existência como autor anônimo uma fraude, pois quem vos fala já não é mais um estudante de engenharia e nem mora em Belo Horizonte. Talvez a dificuldade que eu tenho tido para escrever tem sua explicação exatamente na morte do alter-ego. 
Pois é, eu me formei e passei por aquela fase desesperadora de recém graduado quando tudo o que passa na cabeça é saber o que fazer a partir deste ponto. Uma série de eventos acabaram me levando para fora do país, e há duas semanas estou vivendo em Nova York, onde ficarei pelos próximos dois anos para um mestrado. As impressões iniciais são muito boas, e não poderia ser diferente. Ainda é tudo novo para mim, e estou vivendo a fase de turismo enquanto ainda não começo a rotina, mas pretendo me manter otimista. 
Confesso, e só confesso isso para os muito íntimos, que essa não era nem de perto a minha prioridade, mas as circunstâncias me trouxeram até aqui. Eu amei o tempo que passei em BH, e se eu tivesse a oportunidade de seguir a minha carreira por lá eu continuaria por bastante tempo, e com o maior prazer! Infelizmente não fui bem sucedido com os empregos que eu me candidatei, mas assim é a vida. 
Ainda não sei que posição tomar quanto ao blog, se criarei um novo, ou se apenas mudarei o título deste para "Armário em NY". Mas sabe que não faz sentido? Quero passar com um trator em cima de armários e qualquer tipo de confinamento.
Antes de sair do Brasil eu tive vários momentos de insanidade quando vozes na minha cabeça gritavam "eu sou gay eu sou gay" todas as vezes que eu conversava com minha mãe. Eu perdia a concentração no que ela estava falando, tentando achar uma entrada para que eu finalmente pudesse dizer a ela sobre mim. Eu queria contar, e tive isso como uma meta inadiável para fazer antes da data da minha viagem. Por alguns momentos também quis contar em uma situação em que minha mãe, irmã e tia (que tem uma menina linda de 8 meses e eu sou o padrinho :) ) estivessem reunidas, pois assim eu terminaria de uma vez com o drama para as mulheres mais importantes da minha vida. Acabou que não tive a oportunidade/coragem, e fui-me sem contar, porque eu gosto de fugir dos meus problemas ao invés de encará-los.
Não sei se o fato de eu ter vindo para tão longe também pode ser uma fuga, mas eu cansei de armário, e estar longe é um ótimo motivo para não ir ao casamento do meu primo, pois isso exigiria muito de mim. Ainda não contei para a minha família, mas aqui quero começar de novo, pela segunda vez. Sem mentiras, sem pegar mulher na balada pro amigo hétero ver, sem hesitar em dizer que eu beijo rapazes, sim. Hoje inclusive eu fui andar num parque, e num pier que havia lá eu observei um casal gay, nos seus 20 e poucos, se beijando apaixonadamente encostados no corrimão. Inclusive fingi tirar uma selfie para que eles aparecessem ao fundo para mostrar a alguns amigos =p
Suspeito que a minha presença no blog vai ficar um pouco escassa daqui pra frente, mas se eu tiver algum pensamento que valha a pena ser compartilhado, eu voltarei para compartilhar com vocês. Talvez também esteja na hora de sair um pouco do mundo virtual e mudar o mundo com o meu próprio rosto, ali fora!
Meus queridos amigos, muito queridos mesmo, obrigado pelos 3 anos e meio de companhia e o crescimento que vocês me proporcionaram. Este blog, através de vocês, mudou a minha vida em maneiras que eu nem consigo imaginar como ela seria hoje se não fosse como é. 
Um grande prazer e um grande abraço,
Henrique.

P.S.: Se você estiver por perto, estou acessível no email para um café =) 

domingo, 27 de julho de 2014

Texto avulso

    A cabeça anda vazia e falta motivação para entrar em debates. 
    Sabe aquela sensação de ter a sua verdade e dane-se a dos outros? Um dia eles chegam lá... 
    Uma sensação de já ter entendido o mundo, mesmo que muitas dessas verdades sejam representadas pela paz que a aceitação da inexistência de uma resposta traz. Poucos pensamentos me passam nos dias recentes, mas talvez esse estado anestesiado seja também uma forma de fugir dos fatos que me são apresentados. 
    Uma das coisas que tem me incomodado é casamento de um primo (3o grau já não é parente) que significa muito pra mim. Ele é um ano mais novo que eu e sempre fomos muito ligados desde o início da infância pelo fato de nossas mães também serem próximas. Por termos crescido juntos, compartilhamos momentos típicos de meninos, como a fase fálica da infância representada pelas brincadeiras de médico, e o descobrimento da masturbação e do pornô na adolescência. Por sermos primos, meninos e amigos, tínhamos o privilégio de tomar banho juntos na infância, ou dormir na casa um do outro nas férias e em alguns finais de semana para jogar video game até tarde. 
    A última vez que isso aconteceu foi aos meus recém feitos 18 anos no aniversário da minha mãe, e ele dormiu na minha casa para jogarmos um jogo de tiro e terror no computador, a saber Doom 3. Lembro que, pelo menos da minha parte, não havia segundas intenções em recebe-lo no meu quarto, porém depois de terminado o jogo, contávamos com uma garrafa de rum e um pornô hétero no pc.
    Naquela época eu já havia tido duas experiências casuais com homens estranhos, e já tinha muita noção das minhas preferências sexuais. Apesar disso, a iniciativa para que as coisas se desenvolvessem eram do meu primo, e a minha posição era um tanto sempre com um pé atras, uma vez que ele tinha todos os traços de ser hétero. Naquele momento, mão amiga no pau do outro parecia um tanto básico. Estávamos bastante desinibidos pela ação do álcool, e de repente eu fui surpreendido por uma pergunta.
_Você tem coragem de chupar?
Pensei "claro", mas não queria deixar transparecer a obviedade. Apesar da pouca idade, o rapaz tinha um pau bem maior que o meu e era muito bonito. Eu já observava com muita água na boca pelo canto do olho, até que respondi:
_Só se você for primeiro.
Quis testá-lo, e ele foi primeiro, prontamente seguido por mim. 
Depois de um tempo nessa brincadeira, ele interveio de novo com outra pergunta.
_Você tem coragem de sentar?
Eu pensei em fazer a mesma jogada de intimá-lo a fazer primeiro, quando fui novamente surpreendido quando ele disse:
_Assim não ué, eu chupei primeiro, agora você vai primeiro.
    Sem resistir muito eu disse "justo", e lá fui. Nossa foda era tão bizarra e moleque que estipulamos regras para a brincadeira. Cada um teria direito a 20 bombadas, e depois trocava. Foi a única vez em que fiz sexo sem proteção, e além disso usamos óleo de cozinha como lubrificante por falta de experiência. Meus pais estavam dormindo no quarto ao lado.
    Um ano depois uma brincadeira desse tipo se repetiu na casa dele, mas bem de leve com uma mão amiga. Depois disso passamos a nos distanciar, uma vez que eu visitava minha cidade natal cada vez menos, e nos desencontrávamos em eventos de família. Ele seguiu uma vida devassa até seus 21 anos, e sempre foi do tipo hétero comedor por ser muito bonito e típico macho alfa, e sempre teve muita mulheres a sua disposição. Seus pais são católicos ativos em eventos de igreja e o pai sempre foi muito rígido com ele, psicologicamente e fisicamente, algumas vezes até demais eu diria. 
    Recentemente, meu primo anunciou que vai se casar neste ano ainda. Pelo que ele significou e pelas experiências que tivemos, esse anúncio me causou profunda inquietação. É difícil expressar o que sinto, mas se aproxima bastante de um sentimento de perda, com uma parte de ciúme da noiva e inveja dele. Adicione a isto a constante comparação que faço de mim mesmo com as pessoas ao meu redor e suas posições na vida. Ele que é mais novo que eu e que ainda teve experiências homossexuais comigo, está casando, e eu não. Não que eu tenha a pretensão de casar com uma mulher, mas é a sensação de ele estar seguindo com a vida e eu não. 
    Acho interessante também como isso é capaz de me afetar tanto, e já devo me preparar para quando ele começar a se reproduzir. Sei que será um novo baque.
    É um sentimento muito estranho. Eu quis compartilhar e dizer "Olá, estou vivo", depois de mais de mês sem postar.
Enfim.
Um grande abç,
N.B.
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