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domingo, 27 de julho de 2014

Texto avulso

    A cabeça anda vazia e falta motivação para entrar em debates. 
    Sabe aquela sensação de ter a sua verdade e dane-se a dos outros? Um dia eles chegam lá... 
    Uma sensação de já ter entendido o mundo, mesmo que muitas dessas verdades sejam representadas pela paz que a aceitação da inexistência de uma resposta traz. Poucos pensamentos me passam nos dias recentes, mas talvez esse estado anestesiado seja também uma forma de fugir dos fatos que me são apresentados. 
    Uma das coisas que tem me incomodado é casamento de um primo (3o grau já não é parente) que significa muito pra mim. Ele é um ano mais novo que eu e sempre fomos muito ligados desde o início da infância pelo fato de nossas mães também serem próximas. Por termos crescido juntos, compartilhamos momentos típicos de meninos, como a fase fálica da infância representada pelas brincadeiras de médico, e o descobrimento da masturbação e do pornô na adolescência. Por sermos primos, meninos e amigos, tínhamos o privilégio de tomar banho juntos na infância, ou dormir na casa um do outro nas férias e em alguns finais de semana para jogar video game até tarde. 
    A última vez que isso aconteceu foi aos meus recém feitos 18 anos no aniversário da minha mãe, e ele dormiu na minha casa para jogarmos um jogo de tiro e terror no computador, a saber Doom 3. Lembro que, pelo menos da minha parte, não havia segundas intenções em recebe-lo no meu quarto, porém depois de terminado o jogo, contávamos com uma garrafa de rum e um pornô hétero no pc.
    Naquela época eu já havia tido duas experiências casuais com homens estranhos, e já tinha muita noção das minhas preferências sexuais. Apesar disso, a iniciativa para que as coisas se desenvolvessem eram do meu primo, e a minha posição era um tanto sempre com um pé atras, uma vez que ele tinha todos os traços de ser hétero. Naquele momento, mão amiga no pau do outro parecia um tanto básico. Estávamos bastante desinibidos pela ação do álcool, e de repente eu fui surpreendido por uma pergunta.
_Você tem coragem de chupar?
Pensei "claro", mas não queria deixar transparecer a obviedade. Apesar da pouca idade, o rapaz tinha um pau bem maior que o meu e era muito bonito. Eu já observava com muita água na boca pelo canto do olho, até que respondi:
_Só se você for primeiro.
Quis testá-lo, e ele foi primeiro, prontamente seguido por mim. 
Depois de um tempo nessa brincadeira, ele interveio de novo com outra pergunta.
_Você tem coragem de sentar?
Eu pensei em fazer a mesma jogada de intimá-lo a fazer primeiro, quando fui novamente surpreendido quando ele disse:
_Assim não ué, eu chupei primeiro, agora você vai primeiro.
    Sem resistir muito eu disse "justo", e lá fui. Nossa foda era tão bizarra e moleque que estipulamos regras para a brincadeira. Cada um teria direito a 20 bombadas, e depois trocava. Foi a única vez em que fiz sexo sem proteção, e além disso usamos óleo de cozinha como lubrificante por falta de experiência. Meus pais estavam dormindo no quarto ao lado.
    Um ano depois uma brincadeira desse tipo se repetiu na casa dele, mas bem de leve com uma mão amiga. Depois disso passamos a nos distanciar, uma vez que eu visitava minha cidade natal cada vez menos, e nos desencontrávamos em eventos de família. Ele seguiu uma vida devassa até seus 21 anos, e sempre foi do tipo hétero comedor por ser muito bonito e típico macho alfa, e sempre teve muita mulheres a sua disposição. Seus pais são católicos ativos em eventos de igreja e o pai sempre foi muito rígido com ele, psicologicamente e fisicamente, algumas vezes até demais eu diria. 
    Recentemente, meu primo anunciou que vai se casar neste ano ainda. Pelo que ele significou e pelas experiências que tivemos, esse anúncio me causou profunda inquietação. É difícil expressar o que sinto, mas se aproxima bastante de um sentimento de perda, com uma parte de ciúme da noiva e inveja dele. Adicione a isto a constante comparação que faço de mim mesmo com as pessoas ao meu redor e suas posições na vida. Ele que é mais novo que eu e que ainda teve experiências homossexuais comigo, está casando, e eu não. Não que eu tenha a pretensão de casar com uma mulher, mas é a sensação de ele estar seguindo com a vida e eu não. 
    Acho interessante também como isso é capaz de me afetar tanto, e já devo me preparar para quando ele começar a se reproduzir. Sei que será um novo baque.
    É um sentimento muito estranho. Eu quis compartilhar e dizer "Olá, estou vivo", depois de mais de mês sem postar.
Enfim.
Um grande abç,
N.B.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Um fake no catálogo

Um experimento social que usa um perfil fake no Grindr com os seguintes ingredientes:

Nome: Atv
Headline: afim de um lance na calada com um brother
Sobre mim: Sou de fora, e estou sem local. Procuro passivos afeminados. Se não curte macho dominador e se não for afeminado, não chama. É meu fetiche.
Adicione uma foto de um cara branco, magro/malhado com 186 cm de altura e 87 kg. 

    Não é difícil concluir que este perfil falso é a unanimidade entre os usuários deste e outros aplicativos. Porém, está longe de mim julgar seus gostos (e de fato, soa uma delícia). Em uma hora de brincadeira o perfil falso recebeu algumas dezenas de mensagens (43 precisamente), muito ao contrário do meu modesto perfil verdadeiro. Desenvolvendo um pouco a conversa com os caras que "não são e nem curtem afeminados", alguns até topavam usar calcinha, e não se incomodavam em serem chamados de "putinhas" do macho dominador (olar ironia). Outros se mostravam indignados por eu curtir apenas afeminados, e julgavam meu gosto como "estranho". Me diverti buscando a mulher interior em cada um daqueles perfis preconceituosos, num processo de evangelização dos gays que tinham posições heteronormativas sobre eles próprios. 
      Essa atenção toda que meu fake recebeu me parece uma consequência do fenômeno de "catálogo". O catálogo acontece quando nunca se está satisfeito com as oportunidades que aparecem, pois uma pessoa mais bonita e mais perto de você pode surgir a qualquer momento. Quando o perfil é comum, sinto que há um descaso de ambas as partes, e que não há muito empenho em se criar interesse, pois ele é presumido nato quando uma das partes iniciou a conversa, mas ao mesmo tempo se contrasta com a própria inexistência. Então, depois de 5 linhas de conversa, descarte, e isso me deixa sem paciência. Talvez pelo fato de existir uma foto exposta antes de qualquer contato verbal, esses apps incentivam mais o catálogo do que o chat Uol, por exemplo.
    Da mesma forma, está longe de mim julgar pois faço catálogo também. Eu próprio tenho medo de ter idealizado o homem que quero como meu marido de uma forma que o torna inatingível, e medo disso me tornar indiferente aos homens possíveis. Chame de síndrome da Disney. Sei que para achar o meu marido terei que abrir mão do ideal, mas porra... como é difícil!
    Um dia eu me aquieto e largo essa vida profana. 
Ou não. Vendem-nos muito a ideia de que para ser feliz é preciso se casar e se aquietar um dia com uma pessoa, e que o cultivo de parceiros diferentes é ruim. Pra quem acompanhou How I Met Your Mother, saiba que eu odiei o final do Barney Stinson. Ele sugere que um dia até o mais pervertido homem se aquieta um dia, e que a felicidade só pode ser atingida por algum compromisso com outra pessoa (no caso dele, uma filha), e sugere que para ser um final feliz, ele não poderia continuar vivendo na perversão. Pra isso eu digo "não necessariamente". Barney se parecia comigo nesse ponto, e também pelo fato de ele ter um blog.

    De qualquer forma, ninguém garante que um ou outro estilo de vida vai te trazer mais satisfação do que o outro, pois há prós e contras em ambos os lados de promiscuidade e de recatamento, com todas as variações dos comportamentos entre esses dois pólos. 

    Porém, mesmo questionando a necessidade de aquietação, não posso deixar de sentir que poderia ser bom estar em mais um relacionamento estável e duradouro agora. Questionar a convenção de que relacionamentos fazem bem às pessoas me conforta por estar solteiro no momento.
Um grande abç,
N.B.


P.S.: Meu príncipe preferido é o Christof do filme "Frozen". Rústico e bruto na medida, com uma inocência que é doce, e levemente acima do peso. Qual o seu?
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